Luanda  -  Os órgãos de informação deixaram há muito de ser espaços de liberdade para serem ocupados pelos poderes instalados. O único problema que se coloca é saber se são legítimos ou ilegítimos. No que diz respeito ao sector público da comunicação social não há dúvidas: o poder foi legitimado pelo voto popular e sabemos quem manda. Quanto à chamada “imprensa privada” reina a confusão, a falta de transparência e sobretudo ninguém sabe donde vem tanto dinheiro. Por isso perderam legitimidade.


Fonte: Jornal de Angola

JES foi eleitor PR em 2008

No dia em que as instituições democráticas fizerem cumprir a lei, ficamos a saber quem está por trás de uma actividade que balança entre a intriga e os mais repugnantes crimes de abuso de liberdade de imprensa. Nessa altura pode ser que sejam conhecidas as fontes de financiamento, os autores morais da devassa da vida privada, dos atentados à honra e ao bom-nome de pessoas e instituições. Mas também quem são os mandantes de autênticos atentados aos interesses mais sagrados do Estado angolano.


Jornalistas sem escola e sem conhecimentos das regras do ofício são facilmente manipulados. Embaciar a imagem de Angola e dos seus principais dirigentes, custa pouco dinheiro, quando não há ética nem deontologia profissional. A irresponsabilidade é a mãe de todos os crimes, de todas as omissões, de todas as manipulações. A impunidade reinante faz com que crimes graves de abuso de liberdade de imprensa sejam repetidos até à exaustão. E a sua repetição acaba por torná-los inócuos.


Liberdade de imprensa


Os profissionais competentes sabem que há muito estamos no ponto em que os crimes de abuso de liberdade de imprensa são encarados como uma “normalidade”. A sociedade já nem sequer reage com indignação quando um jornalista rouba a honra de um cidadão, à luz do dia, nas páginas dos jornais, nas rádios, nas televisões, nos currais da Internet onde circula mais porcaria do que nas kibangas dos porcos.


Primeiro, as vítimas são despojadas da honra e do bom-nome. Mais tarde, todos os direitos de personalidade vão na enxurrada de lama que esses órgãos de informação atiram sobre pessoas e instituições. Ninguém trava este massacre! Mas sabemos que os direitos de personalidade são protegidos pela Constituição da República e pela Lei Penal. Como nada acontece, a impunidade dos criminosos ganha foros de direito absoluto. Por isso é urgente saber donde vem o dinheiro que alimenta esta máquina infernal que está a destruir a credibilidade do jornalismo angolano.


Vamos a exemplos concretos. Um indivíduo que se diz jornalista apresentou uma queixa na Procuradoria-Geral da República porque, segundo ele, há atentados aos direitos humanos contra ladrões de diamantes no nordeste e leste de Angola.


A PGR, como lhe competia, nomeou um magistrado para fazer o inquérito. E notificou o queixoso para apresentar provas documentais e testemunhais. A resposta à queixa serviu à SIC Notícias, mais concretamente a Mário Crespo, para associar três generais das FAA aos pretensos atentados aos direitos humanos contra os camanguistas.


O denunciante, em entrevista ao canal português, disse que vai “convocar” as testemunhas e as vítimas. Ele próprio, que vive nos EUA onde é “investigador”, anunciou que também vai depor. Que remédio! Se denunciou, agora tem que apresentar provas da sua denúncia. Um acto que dignifica a PGR e o Poder Judicial em Angola serviu para o suposto jornalista, na SIC Notícias, lançar lama sobre três oficiais generais das FAA, todos com uma folha de serviços irrepreensível e aos quais a pátria muito deve.


Mais um exemplo. A empresária Isabel dos Santos apresentou queixa em Tribunal contra jornalistas italianos, por terem publicado notícias falsas que atentam contra a sua honra e o seu bom-nome. O jornal “Folha-8” serviu-se desse acto para denegrir a imagem da queixosa. E o “investigador” que está na origem da queixa na PGR sobre os supostos crimes contra ladrões de diamantes, publicou um arrazoado absurdo, com argumentos tão primários que lhe tiram qualquer credibilidade. A vítima dos jornalistas italianos e também do “investigador” diz que não é gestora do “império de seu pai” simplesmente porque tal não existe.

 

O jornal desmente-a e diz que ela pertence aos órgãos sociais de algumas sociedades. Que nada têm a ver com seu pai!


Isabel dos Santos diz que o pai é um democrata e não um ditador, como é classificado pelos jornalistas italianos. O “investigador” diz que o pai da empresária Isabel dos Santos nunca foi eleito.


Foi eleito, sim. Em 2008, como cabeça de lista do MPLA, conquistou uma maioria absolutíssima, com mais de 80 por cento dos votos. É o pai da democracia angolana e quando quiseram matá-la no ovo, ele defendeu-a com todas as suas forças. O resultado desse seu combate está à vista.


Mas o “Folha-8” vai bem mais longe. Anda há anos a usar a imagem de um general das FAA de uma forma persecutória e que atinge gravemente a sua honra. Os que pagam estes crimes, os seus mandantes, deviam reflectir sobre o monstro que estão a alimentar. Pensem apenas nisto. Um dia destes, aparece por aí um qualquer analfabeto a escrever que Camões é um poeta medíocre. Um jornalista sem banca diz que De Gaulle era o “general Coca-Cola” ou Eisenhwoer foi um torturador. Sarkozy é um corrupto e Obama tem um império construído à custa da corrupção. E envolvem nestas calúnias e mentiras os seus familiares.


Pois bem. O dinheiro sujo que estão a “investir” em Angola está a servir para denegrir os nossos valores, os nossos heróis, os que libertaram a humanidade do apartheid e deram o melhor das suas vidas para construir a democracia em Angola.


Mas há áreas que não estão disponíveis para a comunicação social. Muito menos para a intriga com base em fontes anónimas, a mentira, a calúnia, o ataque pessoal. Em nenhum país do mundo é permitido que a segurança do Estado seja tratada nas páginas dos pasquins como se fosse um “fait-divers”. Quem alimenta estes crimes, mais dia, menos dia vai colher grandes tempestades. Brincar ao jornalismo nunca foi boa ideia. Mas brincar com os legítimos representantes do povo angolano é insultar todos os que votaram neles. Convém não abusar da sua paciência.