Casas do Kilamba: A bolha e as cataratas - José Ribeiro

Luanda - A bolha imobiliária nos Estados Unidos é responsável pela grave crise económica mundial. Ela fez com que milhares de cidadãos americanos passassem a viver em tendas e acampamentos porque foram despejados das suas casas pelos especuladores financeiros. As ondas de choque dessa bolha especulativa atingiu a Europa e agravou a crise no mercado da habitação e da construção civil europeu. Muita gente em Portugal e Espanha teve de abandonar as suas vivendas e apartamentos. Hoje quem viaja pelos Estados Unidos e Europa não deixa de reparar na enorme oferta de habitação e escritórios para venda ou arrendamento, que se estende por várias cidades e conflitua com uma onda de protestos sem precedentes de pessoas sem casa nem emprego.

 Fonte: Jornal de Angola

A expressão “cidade fantasma” está outra vez em moda por causa dos aglomerados habitacionais nos Estados Unidos que ficaram sem pessoas, sem indústrias e sem postos de trabalho, totalmente desertas. Mas nenhum país altamente desenvolvido gosta de ficar sozinho na sua vergonha. Há que globalizar o lixo e a lama. E a BBC declarou então que a nossa Cidade do Kilamba é uma “cidade fantasma”.

 

E eu, como jornalista, decidi investigar. E fui lá, de propósito, saber se é verdade.

A Cidade do Kilamba é um símbolo da capacidade dos angolanos reconstruir um país que foi destroçado por décadas de guerra. Quando foi lançada poucos acreditavam que alguma vez fosse concretizada. Mas ela está pronta e quando for completamente habitada, vivem naquele espaço de excelência, 500.000 habitantes. Numa Luanda superpovoada, que serviu de refúgio a milhões de angolanos que viram as suas aldeias e vilas devastadas pela guerra, uma urbe desta dimensão ajuda a resolver imensos problemas.

 

O Programa Nacional de Habitação, quando foi lançado, previa a construção de um milhão de fogos habitacionais. Também poucos acreditaram que fosse possível. Mas começaram a surgir bairros sociais nas comunas e municípios de todo o país. Casas a preços muito baixos ou de renda resolúvel nascem todos os dias em Angola. Este ano, arrancou uma nova fase do programa: são construídas 200 habitações sociais em cada município. É um número impressionante que não tem comparação em nenhum país do mundo.

 

Nas províncias mais populosas estão em fase adiantada de construção novas centralidades que, não tendo a grandeza da Cidade do Kilamba, são autênticas novas cidades ligadas aos velhos centros urbanos herdados do colonialismo e que tinham uma característica comum: falta de ordenamento e mau gosto. Mas foi o que herdámos e nada podemos fazer. Quando as novas centralidades das capitais provinciais estiverem concluídas, quem tiver olhos, que veja as diferenças. Como já é possível observar diferenças abissais entre a Luanda que nasceu e cresceu depois de 1961 e a arrojada e moderna Cidade do Kilamba.

 

Nesta legislatura, além das centralidades e das urbanizações nas reservas fundiárias do Estado, nasceram bairros para os jovens, para antigos militares, para famílias que viviam em zonas de risco e também para funcionários públicos ou trabalhadores das empresas privadas. Mais de um milhão de famílias em todo o país tem casa nova. Muitas outras tantas vão morar numa habitação digna, até final deste ano.

 

O quadro é este. A realidade está aí, à vista de todos os observadores que não estão diminuídos pelas cataratas dos cifrões. Na Cidade do Kilamba onde estive esta semana, vi muita gente a morar em novos apartamentos, escolas e creches abertas com crianças e bebés, supermercados com a mais variada oferta de produtos, viaturas estacionadas nos parques que Luanda nunca teve. E a cidade vai crescer ainda mais com o lançamento do mercado de arrendamento que está a ser escolhido por muitos angolanos. A menos que para a BBC os angolanos que lá vivem não sejam pessoas, sejam fantasmas, para mim a Cidade do Kilamba que vi está em grande progresso e muito longe de ser comparável aos aglomerados abandonados dos Estados Unidos.

 

A verdade dos factos não pode ser adulterada. O que está no centro da notícia veiculada pela estação britânica é muito facilmente perceptível: o problema é que a cidade foi construída para os angolanos “pelos chineses”. Mas se as autoridades angolanas tivessem esperado que as novas cidades fossem construídas pelos especuladores ocidentais, não teriam as casas prontas em tão pouco tempo.

 

Quem sonha apenas com cifrões só pode mesmo “demolir” a Cidade do Kilamba com falsidades.

 

Quem não esteve lá e trabalha apenas por “correspondência” corre os mesmos riscos de um Bob Geldof, aquele que falou em vivendas de luxo na Baía de Luanda. Na Cidade do Kilamba vive quem quer e pode. Muitos outros vão viver. Uma cidade para 500.000 habitantes não se enche de um dia para o outro. Leva tempo. E é preciso comprar as casas.

 

Quem tem dinheiro, compra-as a pronto pagamento e vai viver para a nova cidade. Quem tem de recorrer a empréstimos bancários tem de aguardar que o pedido de crédito seja aprovado e o dinheiro disponibilizado.

 

Em Angola há tudo para todos os gostos e rendimentos. Os de baixo rendimento têm bairros sociais onde as casas são a preços controlados ou de renda resolúvel. Se alguém quiser, pode ir aos bairros “Zango” e lá encontra dezenas de milhares de famílias que antes viviam em casas precárias e agora têm habitações confortáveis.

 

Como era de esperar, o jornal português “Público”, uma espécie de cadáver de estimação de lóbis arruinados, correu atrás das aldrabices da BBC e fez uma pretensa “reportagem” onde o rigor é ignorado e a verdade dos factos dizimada. Só quem desconhece em absoluto a realidade habitacional em Angola pode escrever tantos disparates à linha.

 

Angola, nos últimos quatro anos, construiu dezenas de milhares de habitações para famílias com baixos rendimentos. Em todas as províncias existem bairros sociais a confirmar esta realidade. Escrever que a Cidade do Kilamba é a única oferta de habitação em Angola é uma provocação ou falsificar impudicamente a realidade.

 

Já era tempo de as centrais de propaganda contra Angola perceberem que se estão a expor ao ridículo. E se pensam que estão a ajudar os seus amigos que nem sequer conseguem 14.000 assinaturas para concorrer às eleições gerais, estão enganados.

 

Um conselho grátis: se querem fazer jornalismo com rigor, isenção e objectividade, mudem de informadores. Os que têm agora apenas vos arrastam para a vergonha. E um com convite: venham a Angola que eu pessoalmente vou mostrar-vos os milhares de bairros sociais construídos ultimamente nas cidades angolanas. E também posso levar-vos a casa dos angolanos que vivem felizes na Cidade do Kilamba.







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