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Estado da Nação: As motivações do Presidente - Celso Malavoloneke



Luanda - Perante caso tão insólito,  não há como fugir à questão: Porque é que o PR fez isso? É que tanta é a chatice que isso podia causar, e sendo JES um político conhecido por nunca dar ponto sem nó, não tem como. Há que ir atrás desta resposta.

Fonte: SA

PR correu oriscodeuma acção de boicote em bloco

O PR correu um risco enorme. Fosse a Oposição mais organizada e menos amadora, e partisse para uma acção de boicote em bloco, sobretudo se a isso aliassem uma campanha de informação à opinião pública nacional e internacional dos motivos deste boicote, ele ficaria reduzido a duas alternativas: ou avançava com o plano de não falar e teria uma sala com a Oposição ausente – o que depois do boicote à investidura fragilizaria sobremaneira a sua posição como líder eleito – ou teria que recuar, o que o fragilizaria internamente.

Para isso, bastava à Oposição trabalhar dia e noite na quinta, na sexta e no fim-de-semana. Mesmo com o boicote já conhecido da media pública, a media privada e os semanários, assim como as redes sociais fariam o trabalho.

Para isso, a Oposição teria que vazar a informação dos planos do Presidente de não falar ainda na quinta-feira à noite. Talvez mesmo uma conferência de imprensa de emergência na quinta, para dar aos semanários de fim- -de-semana tempo para «mastigar a informação». A Oposição não teve peito para esta pedalada e, como a sorte protege os audazes, José Eduardo dos Santos safou-se, levando a água ao seu moinho.

Livrou-se mesmo do incómodo de se apresentar – já que não falou – para uma sala meio vazia, perante os olhares dos convidados. Porém, na hora da verdade, a Oposição borrou-se nas calças, simulou uma de sair da sala de kaxêxe para lá voltar cabisbaixa, com o rabinho entre as pernas…

Mas então porque é que JES teria corrido tamanho risco, perfeitamente evitável com umas poucas palavras de circunstância que fossem, introduzindo o famoso discurso, ou ainda apenas desejando sucessos aos deputados, ou outra trivialidade qualquer?

Analistas e várias fontes convergem que o motivo de base é que JES não gostou – nem um poucochinho – da «atrevidice» da UNITA, CASA-CE e PRS em se fazerem ausentes da cerimónia da sua investidura. Isso o terá tocado profundamente, a ponto de fazer uma coisa que poucas vezes acontece: tirá-lo do sério. Vai daí, no jeito frio e leonino que lhe é peculiar, terá tomado no seu íntimo a decisão de dar o troco.

Com pouca ou quase nenhuma recorrência aos numerosos assessores «como sempre faz quando fica bravo» , comoconfidenciou um colaborador próximo, gizaria ele mesmo a estratégia que visaria «enfiar pelas goelas abaixo» da Oposição o mesmo discurso que eles tinham tão ostensivamente ignorado. Essa estratégia foi o que se viu depois: disse à última hora que não falaria, ciente das debilidades da Oposição – que nem teve como interpor uma reclamação com efeitos suspensivos que adiasse a cerimónia.

E assim transformou o discurso de investidura na «mensagem do Estado da Nação» e, por via disso, num documento de estudo obrigatório também para a Oposição. Atento ao provável argumento de inconstitucionalidade do acto, lá foi orientando «Manuel Rabelais e sus muchacos» para disseminarem o facto de que a Constituição não diz que o Presidente deve «falar», mas sim que deve «endereçar ao país uma mensagem sobre o Estado da Nação».

Mensagem que pode ser escrita também.  E que não valia a pena fazer outra mensagem quando já havia uma bem recente. E por aí adiante, de quinta a segunda-feira era vê-los ao corrupio, ora na TPA, ora na RNA, ora nos arredores destes.

Venha-se e convenha-se , tudo indica que JES conseguiu a sua «vingança». A Oposição poucas vezes foi tão humilhada. Ditos grandes constitucionalistas, como a novel deputada pela UNITA Mihaella Webba, terão aprendido da forma mais amarga que uma coisa é ir às rádios e escrever em blogues atoardas como «nem há água potável no Palácio Presidencial » e outra bem diferente é fazer política real. Tão humilhada que o próprio chefe da bancada da UNITA preferiu descarregar a sua frustração em pacatos cidadãos – veja caixa – como se fossem estes os responsáveis pelo tremendo capote que levaram. Até aqui, tudo bem.

Mas o preço a pagar pela Nação para que o PR desse a sua «lição» à Oposição é que é extremamente preocupante, para dizer o mínimo. Pois, abriu-se um precedente de contornos perigosos para a nossa nascente democracia.

Assim, a partir de agora, ao Presidente da República caberá decidir se endereça a mensagem ao País sobre o Estado da Nação através de um discurso à altura da dignidade do evento constitucional, ou através de um bilhetinho, um poema, uma canção ou peça de teatro – que também são formas de transmitir «mensagens». O exagero é propositado.

E nisso tudo nem o Parlamento, enquanto poder legislativo e ainda por cima hospedeiro do evento nem o Tribunal Constitucional, enquanto instância máxima do poder judicial seriam tidos ou achados. O Executivo diz que é assim e assado e os outros poderes dançam a sua música. Ora, isso não é bom para o equilíbrio que se quer num Estado democrático e de direito. Porque, se a moda dos bilhetinhos pega…

Estado da Nação: As motivações do Presidente - Celso Malavoloneke

Comentários 

+1Grupos de Pressao21-10-2012 12:32#21
"Mano política não é assim. Os «deepootados» do »M» vão se digladiar internamente, mas não faria sentido tomarem acção contra o Presidente do seu partido, estando estes do lado de JES" - Por Celso Malavoloneke no FB.
Entao pergunta-se ao Celso: se JES decidir mandar o Parlamento votar na presença dele, ali e agora, uma lei que impoe a supremacia de uma tribo angolana sobre outra os parlamentares do MPLA vão ter que apoiar isso? Afinal os parlamentares fazem juramento para defender os seus constituintes (ou seja os cidadaos que neles votaram) ou para defender o PR????!!!! Quando intelectuais como o Celso teem posturas destas entao Angola esta mesmo perdida! Caramba! Oh Celso va ler o texto do juramento dos de[***]dos e veja se nesse texto a vontade do PR sobrepoe-se aos interesses da Nacao, ou as Normas da CRA! Angola nao vai sair das trevas enquanto os parlamentares, pessoas de bem do MPLA nao votarem de acordo com a sua consciencia mas sim de acordo com a vontade do chefe! A oposicao para alem de serem poucos estao de maos atadas. A salvacao de Angola tem de vir tambem dos 'parlamentares-pessoas-de-bem do MPLA, se é que ainda existem! E voce Celso tem q voltar tambem a sua atencao para estas pessoas e nao ficar ai criticando toda hora o elo mais fraco que é a oposicao. Para isso bastam os lambebotas JPinto, JRibeiro e os dos CAPs. Nao precisamos intelectuais isentos a fazer o mesmo! Ou sera que voce nao é isento e so sabe bater no ceguinho por um lado e lamber a bota do chefe por outro? Nao seja cobarde homem! Aprenda com os exemplos do Ganga, do Fernando Macedo ou do Reginaldo, esses sim, pessoas de respeito por serem isentas!
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+1Muangolé21-10-2012 23:04#22
Afinal o parlamento só pertence a oposição? È lamentável e hidionda a atitude de JES e seus comparsas. E tudo começa assim........coloca Manuel Vicente a vice presidente da república forçosamente para o esvaziar o poder e influencia financeira e coloca no seu lugar o seu filho como responsável máximo no fundo do petróleo e não fala para o povo que o elegeu...dar troco....ao povo ou ao parlamento......quem são os parlamentares? Dar troco aos parlamentares significa dar troco ao povo que o elegeu...cuspir no prato em comeu....o que será em 2017?
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