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Cabinda (re)afirma direito à independência - Orlando Castro



Cabinda – Os cabindas continuam a reivindicar, e desde 1975 fazem-no com armas na mão, a independência do seu território. No intervalo dos tiros, e antes disso de uma forma pacífica, nomeadamente quando Portugal anunciou, em 1974, o direito à independência dos territórios que ocupava, a população de Cabinda reafirma que o seu caso nada tem a ver com Angola.



Fonte: "Cabinda - ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação", editado em 2011



Em termos históricos, que Portugal parece teimar em esquecer, Cabinda estava sob a «protecção colonial», à luz do Tratado de Simulambuco, pelo que o Direito Público Internacional lhe reconhece o direito à independência e, nunca, como aconteceu, a integração em Angola.

Relembre-se que Cabinda e Angola passaram para a esfera colonial portuguesa em circunstâncias muito diferentes, para além de serem mais as características (étnicas, culturais etc.) que afastam cabindas e angolanos do que as que os unem.

Acresce a separação física dos territórios e o facto de só em 1956, Portugal ter optado, por economia de meios, pela junção administrativa dos dois territórios.

Com perto de dez mil quilómetros quadrados, Cabinda é maior que S. Tomé e quase do tamanho da Gâmbia. Possui recursos naturais que lhe garantam, se independente, ser um dos países mais ricos do Continente. A nível agrícola, das pescas, pecuária e florestas tem grandes potencialidades mas, de facto, a sua maior riqueza está no subsolo: Petróleo, diamantes fosfatos e manganês.

A procura da independência data, no entanto, de 1956. Quatro anos depois da união administrativa com Angola, forma-se o Movimento de Libertação do Enclave de Cabinda (MLEC) e em 1963, dois anos depois do início da guerra em Angola, são criados o CAUNC - Comité de Acção da União Nacional dos Cabindas e o ALLIAMA - Aliança Maiombe.

A FLEC - Frente de Libertação do Enclave de Cabinda é fundada nesse mesmo ano, como resultado da fusão dos movimentos existentes e de forma a unir esforços que sensibilizassem Portugal para o desejo de independência. Era seu líder Luís Ranque Franque.

Alguns observadores referem, a este propósito, que o programa de acção da FLEC (elaborado na altura da junção de todos os movimentos cabindas) era nos aspectos político, económico, social e cultural muito superior aos dos seus congéneres angolanos, MPLA e UPA.

Cabinda, ao contrário do que se passou com Angola, foi «adquirida» por Portugal no fim do Século XIX, em função de três tratados: o de Chinfuma, a 29 de Setembro de 1883, o de Chicamba, a 20 de Dezembro de 1884 e o de Simulambuco, a 1 de Fevereiro de 1885, tendo este anulado e substituído os anteriores.

Recorde-se que estes tratados foram assinados numa altura em que, nem sempre de forma ortodoxa, as potências europeias tentavam consolidar as suas conquistas coloniais. A Acta de Berlim, assinada em 26 de Fevereiro de 1885, consagrou e reconheceu a validade do Tratado de Simulambuco.

No caso de Angola, a ocupação portuguesa remonta a 1482, altura em que Diogo Cão chega ao território. E, ao contrário do que se passou em Cabinda, a colonização portuguesa em Angola sempre teve sérias dificuldades e constantes confrontos com as populações, de que são exemplos marcantes, nos séculos XVII e XVIII, a resistência dos Bantos e sobretudo da tribo N' Gola.

É ainda histórico o facto de a instalação dos portugueses em Angola ter sido feita pela força, sem enquadramento jurídico participado pelos indígenas, enquanto a de Cabinda se deu, de facto e de jure, com a celebração dos referidos tratados, subscritos pelas autoridades vigentes na potência colonial e no território a colonizar.

Segundo a letra e o espírito do Tratado de Simulambuco, assinado por princípes, governadores e notáveis de Cabinda (e pacificamente aceite pelas populações), o território ficou «sob a protecção da Bandeira Portuguesa».

Vinte cruzes e duas assinaturas de cabindas e a do comandante da corveta «Rainha de Portugal», Augusto Guilherme Capelo, selaram o acordo.

Duvida-se que a terminologia jurídica de então, e constante do tratado, tenha sido percebida pelos subscritores cabindas. No entanto, crê-se que a síntese do texto tenha sido entendida, já que se referia apenas à «manutenção da autoridade, integridade territorial e protecção».

No contexto histórico da época, o Tratado de Simulambuco reflecte tanto à luz do Direito Internacional como do interno português, algo semelhante ao dos protectorados franceses da Tunísia e de Marrocos.

Apesar da anexação administrativa, Cabinda sempre foi entendida por Portugal como um assunto e um território distintos de Angola. A própria Constituição Portuguesa, de 1933, cita no nº 2 do Artigo 1 (Garantias Fundamentais), Cabinda de forma específica e distinta de Angola.

Partindo desta realidade constitucional, a ligação administrativa registada em 1956 nunca foi entendida como uma fusão com Angola.

Cabinda (re)afirma direito à independência - Orlando Castro

Comentários 

0Ndongala31-12-2012 23:59#41
nao, eu nao tenho simpatia na unita, mas a verdade é que o Samacuva nao tem liguagem agressiva como a de Savimbi.
ele ja compreendeu que com racismo nao conseguira a confianca do povo, pois nós em kikongo digamos o seguinte: " o bamba ngolo que iadisunga quo", isso significa, uma pessoa que demostra a forca(que gosta resolver o problema com a forca),nunca pode lhe confiar o poder(nao pode ser chef). es a razao porque o Holden roberto perdeu muito apoio na nossa provincia(Zaire)nós conhencemos a tirania doa FNLA, vevemos com ela durante 14 anos no exilio..
a FNLA sonha ser apoiada na nossa provincia.isso nao é verdade, pelomenos nao minha aldea ela nao tem apoio significante.
mas repeito mais. nao seria a razao que o MPLA mantesse o povo no captiveiro.
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+1Makubanza01-01-2013 07:12#42
DESCULPEM-ME A FRONTALIDADE GEOGRAFICAMENTE CABINDA NAO E ANGOLA PONTO FINAL> AGORA QUALQUER CONTESTACAO POR PARTE DOS CABINDAS DEVE SER RESOLVIDO COM PACIFICACAO
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0musundi01-01-2013 11:12#43
Es um homem , olha volto a dizer ponho a minha no fogo se um pesceiro de Luanda consegue te dar uma resposta explicita .
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0musundi01-01-2013 11:19#44
Independencia , dipanda , haaa ! vamos olhar ao nosso lado , como que fizeram TIMOR LESTE ? SUDAO DO SUL ? quais sao os mecanismos , quais sao as portas que os direigentes desses territorios fizeram para serem independentes ? entao vao la aprender , PROCUREM , nao fiquem estagnado , e por isso que os angolanos vos tratam de burros , os nossos intelectuais , a maioria, estao patetas .... alguem deve abraçar a coisa , o catalisador e o EUA , entao vao la , assinam um PACTE e virao que o Memoradum de Namibe vaio ser revisitada , TUDO PASSA A TRAVES DE UM PACTO .
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0Ngoma Mavambo01-01-2013 17:59#45
A Iriteia, Sudao do Sul, Timor Leste, Madeira, Alaska sao varios exemplos diferentes.Cabinda e Geografica, etnolinguisticamente, economicamente, Intelectectualmente diferente de Angola.Sinto me orgulhoso ser de Cabinda.Eles usurparam a autodeterminacao duma Nacao.Tem inventado Politicas para se poder arrastar um problema Claro desde matancas sistematicas, intimidacoes, Clemencias, indultos como foi o ultimo caso com o Irmao Bento Bembe, em fim.Queremos pedir a sensibilidade dos homens.Savimbi nao foi mau individuo.Foi humano so que muito inteligente, forcaram-no na morte infelizmente com essas Politicas.Os Cabindaestao suficientemente capacitados hoje para a sua autodeterminacao.Irmaos Africanos de Angola, RDC,RC,Gabao, Africa do Sul, sao Tome, Mocambique, Marrocos, Zambia, Zimbabue, acordem que seremos bons parceiros.
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0INDEPENDEEENCIA01-01-2013 18:11#46
Entreguem a nossa Terra.Abandonem a nossa Terra.Deixem a nossa Terra.Bendido, depois tratam os outros de terroristas e oferecem indultos.Matam de forma extranha os nossos compatriotas nos Congos.O Cabinda nao e assim.Queremos PAZ na nossa Terra.Se tivermos falta de algo teremos relacoes convosco, menos o JES.Podemos nos comunicar com alguns Generais Angolanos que conhecem bem isso Geograficamente, estrategas de Guerras.Outros por estupidez ignoram e ainda dizem mesmo conhecendo:Nao deixaremos isso se nao o Congo vai invadir.Ora bolas.Invasao nao e convosco.E com Cabindas.A RDC, tem problemas no seu proprio Territorio que e extenso e nao conseguem Governar aquilo.Eles tem suas riquezas.Ora Bolas.Larga la essa... Isso.
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0Anonimo01-01-2013 21:10#47
De Cabinda ao Cunene um so Povo, Uma so nacao.
Mesmo que os Kwatchas tomassem o poder, nao pensa que vao dividir Angola. Os tribalistas serao detidos.
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0POR CABIBI01-01-2013 21:54#48
[***] DA MAE DO JES, SE FIZESSE UM QUILAMBA KIAXI, TALATONA, ZANGO 1 E TANTOS CONDOMINIOS Q ESTA A FAZER EM LUANDA COM NOSSO TCHIMBONGO, MUITOS DE NOS ESTARIAMOS CALADO MAS O SEU FIM FALTA POUCO
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0ODKPA01-01-2013 22:27#49
Seja sob que prisma for, a solução de Cabinda não passa por luta armada mas por uma solução política e negociada.
Que o Congo de Kabila lhes sirva de exemplo daquilo que não serve as populações nem o desenvolvimento (falo de guerra).
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0Nzambi02-01-2013 12:13#50
Os humanos ditam regras mas Deus decide no momento certo...ando a espera de uma oportunidade de sair de cunene pra cabinda de caro ou comboio, ai sim vou tirar as minhas conclusoes..forca cabindas a vossa independencia pode atrazar mas ha de chegar
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0musundi02-01-2013 15:24#51
acho que o Sr illustra, a traves dos vossos comentarios, a atitude simplesmente redutivel que os bakongos ( do outro lado do Nzandi ) tem tido monstrado perante as aspiraçoes dos Cabindas , eu tenho certeza que os nossos irmaos bakongos nao querem ver Cabinda Independente , sempre a existencia deste complexo fantasioso que vai tirar as suas origens nos seculos antes da vinda dos brancos .
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0musundi02-01-2013 15:30#52
uma coisa e certa e a historia lhe confirma os que fundaram os reinos do Goio, loango, kakongo , povos do sundi , maiombe foram bakongos que deixaram Mbanza-Kongo por varias razoes que nao vamos passar aqui a explicar ... portanto a permanencia da matriz originel ja nao tem efeito porque tendo em conta a evoluçao e os mvts vividos , cabinda e trabutario a NINGUEM , vamos reconhecer a nossa essencia que e a mesma ........ entao falar que o Congo de Kabila como exemplo eu digo nao , voces nao pensam que o medo vai nos fazer recuar , a situaçao da rdc e meramente diferente de Cabinda . os nossos intelectuais , falo dos integros vao pensando e achar mecanimsos de fazer recuar Angola e ganhar a confiança dos EUA e a famosa comunidade International
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0Manuel dos santos02-01-2013 17:54#53
E um absurdo quando angola combatia para a nossa endepencia cabinda e angola vai sempre ser angola nem com A Unita nu poder nem com a casa c.e cabinda nuca sera entregue a ninguem porqui cabinda foi sempre angola portugal tambem tem ilhas fora de portugal como a madeira e os zasores quem escreveu os zacordo para cabinda ser angola foi o mario suares para cabinda ser em depenti tem que ser as o tras ilhas ate espanha tem ilhas em africa ninguem diz nada porico podem sonhar mais nao vao ter canbida e angola e cabinda ok ok ok ok ok ok
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0ODKPA02-01-2013 22:15#54
Desculpe mas você está a deturpar completamente a minha posição, e está a tentar colocar-me no grupo de quem quer atemorizar os cabindas.
Quando falei no Congo de Kabila, podia ter falado no exemplo de Angola entre 195 e 2001, e foi para demonstrar que a guerra não é uma via exequível em países com riquezas naturais, porque depois de iniciados os conflitos, nunca mais têm fim e reina a anarquia (olhe p/ o Iraque,Líbia,Egipto).
O seu radicalismo e a sua falta de tolerância, vêm dão razão à tese que defendo duma solução política de paz que sirva os interesses das populações, sejam elas de ou para que região forem.
Sempre defendi que as soluções vinha de negociações e não através de guerra.
Quem é apologista da guerra ou quem nela participa não tem perfil nem moral para governar povos, e em Angola há inúmeros exemplos dessa ambiguidade perigosa que permitiu sanguinários transformarem-se bilionários enquanto parte do povo passa fome.
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0Aida Macedo17-01-2013 23:23#55
Cabinda nunca foi Angola.O regime só fala de Cabinda porque precisa do petróleo. Chamam-vós de LANGAS,e de gente atrasada,que vem ao Continente para civilizar-se.Lutem para a vossa independência.
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0Álvaro DOmingues18-01-2013 10:52#56
Quantas vezes,serão necessárias intervenções políticas para convencer o mundo que Cabinda nunca foi Angola?Os Cabindas são um povo a parte,incomparáveis e únicos. São bastante fieis a sua cultura uso aos hábitos e costumes,ligados a uma tradição que os tornam distintos dos angolanos.
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0Ana Lemos18-01-2013 10:59#57
Devia ter vergonha,em participar num debate,que você desconhece,totalmente.Volte ao ensino primário e aprenda a escrever em língua portuguesa.
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0Kinhimba18-01-2013 11:27#58
O Sr Manuel so podes ser bichode Luanda que fala assim.
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