Brasil - “Não se conhece a infância com falsas ideias que dela temos, quanto mais longe vamos, mais nos extraviamos. Os mais sábios apegam-se ao que importa que saibam os homens, sem considerar que as crianças se acham em estado de aprender. Eles procuram sempre o homem na criança, sem pensar no que esta é, antes de ser homem. Eis o estudo a que mais me dediquei a fim de que, ainda que seja meu método quimérico e falso, possam aproveitar minhas observações. Posso ter muito mal visto o que cabe fazer; mas creio ter visto bem o paciente que se deve operar. Começai, portanto, estudando melhor vossos alunos, pois muito certamente não os conheceis; e se lerdes este livro tendo em vista esse estudo, acredito não ser ele sem utilidade para vós.”
(Jean-Jacques Rousseau, Emílio ou Da Educação. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 4.)
Fonte: Club-k.net
Quando falamos em educação sempre pensamos em pais, familiares, amigos e professores ensinando-nos algo. Correto? Sim. Dessa forma, podemos dizer que a aprendizagem ocorre em diferentes espaços. Correto? Sim. Portanto, não há como escapar da educação. Ela ocorre em casa, na rua, na igreja, na escola. Mas afinal, o que é educação?
A palavra educação vem do latim “educere”, que significa extrair, tira
r, desenvolver. Para Brandão (2007, p. 73 - 4) a educação é:
uma prática social como a saúde pública, a comunicação social, o serviço militar) cujo fim é o desenvolvimento do que na pessoa humana pode ser aprendido entre os tipos de saber existentes em uma cultura, para a formação de tipos de sujeitos, de acordo com as necessidades e exigências de sua sociedade, em um momento da história de seu próprio desenvolvimento [...].
Portanto, a educação como prática social difere de cultura para cultura. A mesma está a serviço das necessidades de um determinado povo. Preste atenção na história a seguir para entender o que isso significa.
“Há muitos anos nos Estados Unidos, Virgínia e Maryland assinaram um tratado de paz com os Índios das Seis Nações. Ora, como as promessas e os símbolos da educação sempre foram muito adequados a momentos solenes como aquele, logo depois os seus governantes mandaram cartas aos índios para que enviassem alguns de seus jovens às escolas dos brancos. Os chefes responderam agradecendo e recusando. A carta acabou conhecida porque alguns anos mais tarde Benjamin Franklin adotou o costume de divulgá-la aqui e ali”. (BRANDÃO, 2007, p. 8)
A seguir vamos ler a resposta que foi dada pelos chefes:
...Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para nós e agradecemos de todo o coração.
Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa ideia de educação não é a mesma que a nossa.
...Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros.
Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão oferecemos aos nobres senhores de Virgínia que nos enviem alguns de seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens.”
(BRANDÃO, 2007, p. 8-9)
Essa carta aponta que não existe uma única forma e nem um único modelo de educação e que a escola não é o único ambiente onde ela acontece. Além disso, o ensino escolar não é a única prática da educação, logo, o professor também não é o único profissional que a pratica.
Brandão (2007, p. 9) salienta que a educação difere de lugar para lugar e cita como exemplos as sociedades tribais, as sociedades camponesas, os países desenvolvidos e industrializados, mundos sociais de classe e sem classe, culturas sem Estado e com Estado. Portanto, os índios sabiam que a educação do colonizador não serve para ser a educação do colonizado. Dessa forma, afirma o autor, quando se necessita de guerreiros ou burocratas, a educação é o recurso que se tem para termos guerreiros ou burocratas. Para ele, a educação pensa e cria tipos de homens diferentes e participa do processo de produção de crenças e ideias.
Segundo Gadotti (2005), a educação é um dos direitos fundamentais para que os seres humanos tenham acesso ao conjunto de bens e serviços disponíveis na sociedade democrática. Por esse motivo, a legislação da maioria dos países contém artigos que se debruçam sobre o direito à educação. Os artigos 28 e 29 da Convenção dos Direitos da Infância das Nações Unidas, por exemplo, apontam esse direito.
Para Gadotti (2005, p. 6) cidadania “[...] é essencialmente consciência de direitos, deveres e exercício da democracia: direitos civis tais como segurança e locomoção; direitos sociais tais como trabalho, salário justo, saúde, educação, habitação etc; direitos políticos, tais como liberdade de expressão, de voto, de participação em partidos políticos e sindicatos etc”.
A educação é um direito social, portanto, não basta estar matriculado em uma escola para garantir esse direito.
As escolas precisam deixar de cobrar e reclamar do Estado o tempo todo, exigindo que este cumpra a sua parte. Se a escola não tem material, não basta cruzar os braços e esperar que ele chegue. É urgente que as escolas e agentes escolares, façam uso da criatividade e dos recursos disponíveis para que os alunos sejam tratados com dignidade. As crianças e jovens de hoje, principalmente os mais carentes, têm sofrido todo tipo de privação (econômica, psicológica, afetiva, social etc) e, com isso, sentem-se excluídos da malha social. A escola não pode, de forma alguma, contribuir nesse processo, pelo contrário, o papel dessa instituição é mostrar à criança e ao jovem que estes têm potencial e que dependerá deles desenvolvê-lo, porém mediado por está.












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Comentários
Perante está situação é hora da escola redefinir o seu papel "educar para valores nobres" para que se tinha uma sociedade digna onde cada um saiba efectivamente" ser, saber ser, estar e conviver".
se desejamos ser melhor bem cultivados, sem dúvidas, devemos renascer de novo. Artigos desses temas sâo muito necessários, dando abertura à um diálogo lícito sobre esse assunto. A verdade é que naçâo de ignorantes torna-se naçâo de [***]s e victimas de todo tipo de doenças!
O Mestre Educador, nâo fracassou de nos indicar o propósito de tudo quanto Ele criou! Quale é o propósito da educaçâo? Muito temos a resposta consisa e outros nâo. Por isto há uma necessidade profunda de um diálogo e que creio nos fará ver que nos desviamos de uma realidade educativa e optamos uma estrangeira!!!