Procurador-Geral acusado de ter ficado com 10 milhões de dólares do caso BNA

Lisboa - Notado em meios habilitados da Procuradoria-Geral da República um sentimento de indignação por causa dos descuidos do Procurador-Geral, general João Maria de Sousa, na apropriação ilícita de fundos do Estado, de que é acusado.

Fonte: Club-k.net

Depositou na conta de um advogado português

Em causa estão parte dos fundos recuperados no exterior do país, referentes ao caso do Banco Nacional de Angola, que sofreu um desfalque de mais de 160 milhões de dólares, e cujo escândalo se tornou público em 2009.

Depois de ter entregue directamente ao ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do PR, general Kopelipa, dezenas de milhões de dólares recuperados na Suíça, assim como um Ferrari, em 2010, o general João Maria de Sousa, no entender de "insiders", começou também a cuidar das suas poupanças.

O Procurador-Geral, conforme o acusam, ordenou a transferência de mais de 10 milhões de dólares, recuperados em Portugal, do caso BNA, para a conta pessoal de um obscuro advogado português Paulo Blanco.

Alguns dos colegas mais próximos do Procurador-Geral João Maria de Sousa criticam o facto do mesmo ter investido o advogado português, de quem é amigo pessoal e com quem tem negócios privados, com poderes de Estado inaceitáveis. Paulo Blanco passeia-se oficialmente em Lisboa, pelos círculos do poder, com os títulos de “advogado do Estado angolano” e "representante do Procurador Geral da República de Angola".

Para alguns dos magistrados, a forma aguerrida  com que o advogado Paulo Blanco age em nome do PGR e do Estado angolano poderá criar danos à imagem da justiça angolana. São de opinião que os fundos recuperados deviam ter sido depositados numa conta oficial do Estado angolano, representado ou pelo BNA ou pelo Ministério das Finaças.

O facto do PGR ter ordenado que os fundos fossem colocados na conta do seu amigo, pode, no entender de observadores,  originar mais investigações, até mesmo por fuga ao fisco por parte de Paulo Blanco.

“O PGR poderia ter feito o mesmo que na Suíça. Andou a transportar o dinheiro em malas e ninguém sabe ao certo quanto ficou consigo e quanto entregou ao general Kopelipa. Esta seria a melhor forma de ele aumentar as suas poupanças, sem gerar mais polémica”, sugeriu um observador atento.






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