A
EXMO. SR. MINISTRO DO INTERIOR ÂNGELO DE BARROS VEIGA TAVARES

LUANDA

C/C:
PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
MINISTRO DA JUSTIÇA
DIRECTOR NACIONAL DA DNIC
CHEFE DA CASA MILITAR
SECRETÁRIO DE ESTADO PARA JUVENTUDE

Assunto: Pedido de Esclarecimentos

Somos jovens membros da sociedade civil, activistas de vários extratos sociais, cientes de suas responsabilidades cívicas e sociais, dispostos a contribuir para a construção de uma sociedade participativa, livre e democrática, bem como patriótica, solidária e unida;

Estivemos no encontro convocado por S.Excia e outras entidades do poder executivo e administrativo do país no pretérito dia 20 de Dezembro de 2012, na sala de reuniões do Ministério do Interior, onde a abordagem principal centrou-se no desaparecimento de dois jovens activistas (Isaías Cassule e Alves Camulingue) desde Maio de 2012, na sequência de uma manifestação;

No final deste encontro, bem como nas comunicações feitas à imprensa, os membros do executivo ali presentes assumiram publicamente a responsabilidade, especialmente o director da DNIC (comissário-chefe Eugénio Pedro Alexandre, que tão logo chamou os familiares mais próximos das vítimas para a constituição do inquérito) de investigar e prestar esclarecimentos à Nação sobre o referido caso e o paradeiro dos activistas;

Decorrido um mês desde este encontro, não se diz nada. Nem na imprensa, nem aos familiares, muito menos aos activistas presentes na reunião ou à sociedade em geral. A nossa indignação é tanta e o nosso espanto é sem descrição quando outrora o executivo falou do caso publicamente, elogiando inclusive a iniciativa, além de garantir esclarecimentos com brevidade, hoje o caso parece estar engavetado e esquecido;

Esta atitude não nos parece de todo a mais acertada para um executivo que se diz preocupado com o bem-estar dos seus cidadãos, tanto mais quando se trata de vidas humanas em jogo;

Vimos por meio deste pedir a S.Excia. bem como ao executivo angolano, de forma geral, esclarecimentos no prazo de 15 dias a contar desde a recepção desta carta, sobre o paradeiro dos nossos amigos, VIVOS OU MORTOS! Queremos que a informação que nos prestardes, seja tornada pública nos mesmos meios usados no dia 20 para a promessa de esclarecimento e investigação do caso.

Estamos muito preocupados com o silêncio da Vossa parte. Por isso, passados os 15 dias (que achamos ser um prazo suficiente para os referidos esclarecimentos) sem informação nenhuma da vossa parte, sairemos às ruas em protesto!

Sem mais outro assunto de momento, subescrevemo-nos com votos de melhores cumprimentos e êxitos nas vossas actividades.

Luanda, 31 de Janeiro de 2013

Os subscritores:

Adolfo Campos André
Rosa Mendes
Gaspar Luamba Monteiro
Manuel Nito Alves
Mbanza Hamza



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