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Ex-militares votados ao desprezo e humilhação no Kuando Kubango

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Luanda - Terminada a guerra, os ex-militares constituem uma franja da sociedade angolana que deveria merecer atenção das instituições do Estado, para que a paz que resultou do calar das armas, em 2002, não se transformasse em calvário para aqueles cuja profissão era manusear armas.

*Lourenço Bento
Fonte: UNITA

O Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka estabeleceu uma série de acções, com vista a dignificação dos ex-militares. Entre várias obrigações do Governo angolano consta a formação técnico-profissional dos ex-militares desmobilizados e a sua inserção no mercado de emprego. Hoje, volvidos 11 anos sobre o fim do conflito armado, o lugar reservado ao ex-militar é o de desprezo e humilhação totais.

O Governo demitiu-se das suas responsabilidades perante essa classe vulnerável e usa a sua função social para fazer chantagem. Só assim se percebe que instituições do Governo que deveriam dedicar-se à criação de condições para o bem-estar, estejam viradas para o recrutamento de membros para o partido no poder.

Na província do Kuando Kubango tornaram-se recorrentes notícias que aludem supostos militantes da UNITA que se transferem para a esfera política do MPLA. Essas pessoas que são apresentadas como militantes da UNITA que abandonam as fileiras para se juntar ao MPLA, são, na maior parte das vezes já militantes do MPLA, que na ânsia de encontrar algum emprego se deixam atrair por promessas falsas, feitas por elementos do partido no poder em concertação com instituições como a Casa Militar do Presidente da República e empresas particulares com projectos de construção de infra-estruturas na província.

Em Novembro de 2012 e no princípio do mês de Fevereiro em curso, os órgãos de comunicação social estatais ao serviço do MPLA e da discórdia, noticiaram que dezenas de milhares de militantes da UNITA teriam se apresentado ao partido no poder.

Uma pura mentira. Trataram-se de elementos recrutados para a Casa Militar, a partir do Lubango, Jamba Catruca, Cuchi, Caiundo, Cuangar, Kalay, Dirico e Mavinga, a maioria desses já militantes do MPLA. O grupo de adeptos à oferta de emprego integrava cidadãos da República Democrática do Congo, os chamados “langas”, que insatisfeitos com o aproveitamento propagandístico da sua condição de desempregados solicitaram um encontro com o governador Higino Carneiro.

Os ex-militares das ex-FALA, que a província do Kuando Kubango alberga elevados efectivos, são um alvo preferencial da campanha de falsas promessas de emprego, chantagem com intimidação e pressão à mistura. Eles estão na mira da Casa Militar e de empresas privadas como mão-de-obra para o projecto Okavango – Zambeze. Mas o seu recrutamento passa por estrategemas políticos.

A Constituição da República de Angola, no seu artigo 21º destaca entre as tarefas fundamentais do Estado, a criação de condições para tornar efectivos os direitos económicos dos cidadãos, assegurar a paz e segurança nacional e a erradicação da pobreza. Ao condicionarem o emprego à filiação partidária dos cidadãos, as instituições do Estado angolano, no Kuando Kubango, quer se chamem governo provincial, Casa Militar do Presidente da República, ou empresas privadas, incorrem na violação dos direitos fundamentais dos cidadãos plasmados na Carta magna.

A realização dos direitos económicos dos angolanos, a erradicação da pobreza e a paz social passam necessariamente pela implementação de políticas justas de emprego que envolvam todos sem discriminação de qualquer natureza. Aliás diz o artigo 76º da CRA que “o trabalho é direito e dever de todos”.

Como pode a Casa Militar do Presidente da República, que era suposto ser uma instituição de bem, confundir o seu papel com questões partidárias e estar a mercê de conotações políticas?

Da obrigação de trabalhar para a melhoria das condições de vida dos cidadãos a Casa Militar passou para a entidade de recrutamento de militantes do MPLA. Nessa instituição, o cartão de membro do MPLA é condição sine qua non para se ter emprego. Não importa tanto a competência profissional dos candidatos.

A Casa Militar e empresas privadas com têm olhos no Projecto Turístico Okavango-Zambeze colocam em primazia a condição político-partidária. Nesse sentido, aos eventualmente contemplados com algum emprego são logo distribuídos cartões de membro do MPLA.

Perante esses factos, uma pergunta é inevitável. Quem é a Casa Militar do Presidente da República? Já vimos essa instituição nas vestes dos Ministérios da Agricultura, da Reinserção Social e do Turismo. Quem é a Casa Militar enquanto instituição e para que serve?






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Comentários Arquivados:



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+1 Batota 14-02-2013 10:20 #10
A maior parte dos beneficiarios da Cx. Social, sao piratas por unca terem sido militares e estao a beneficiar-se de pensoes ilegalmente, prejudicando aqueles que de facto deram o seu cabedal para independencia e a paz podre que os angolanos vivem passando fome e sede nesta terra rica em recursos naturais que beneficia apenas uma elite de familias, amigos e empresarios bajuladores do regime corrupto do MPLA e comparsas.
0 anónimo 13-02-2013 15:14 #9
Dr- Malanjino

Nesse seu delírio, o Bié com os seus 1,7 milhões de angolanos ficava o 6º país e se chamaria Savimbolânia?
E o Moxico com os seu meio milhão de angolanos ficava aonde?
E Cabinda ia aceitar darem independência aos outros e não lhe darem a eles?

Calado és um poeta
+1 muana maza 13-02-2013 14:57 #8
tens razão Beto Mwenho o kopelipa um dia vai provocar derrame de sangue como aconteceu na libia esta ganância do dinheiro que ele tem vai lhe sair malb quer tudo só que o Presidente vai ser surprêndido e será muito tarde.
+2 Beto Mwenho 13-02-2013 11:48 #7
Estou solidário com os ex-militares. Eles são um barril de polvora nas mãos do Presidente da República, que a qqualquer altura pode explodir. O Presidente da República deve cuidar bem desseassunto sensível. Se deixar isso nas mão de Kopelipa, vai ficar surprrendido. Alguns desses colaboradores andam a trabalhar para afundar o PR.
-2 Realista 13-02-2013 08:09 #6
Tudo isto é culpa da UNITA.Quem mandou ela fazer a guerra depois de 1992?
+1 Fantasma de Nito Alv 12-02-2013 22:11 #5
votaram nestes agora aguentem....
-2 MALANJINHO 12-02-2013 20:42 #4
ANGOLA DEVE SER DIVIDIDA EM 5 PARTES. CADA PARTE DEVE CONSTITUIR UM PAIS. I.E. UIGE, ZAIRE E CABINDA (PAIS 1), LUANDA, BENGO E KWANZA NORTE (PAIS 2), MALANJE, LUNDA NORTE, LUNDA SUL, MOXICO (PAIS 3), KWANZA SUL, BENGUELA, HUAMBO, NAMIBE (PAIS 4), CUNENE ...(PAIS 5). DALI VAMOS VER ONDE ZEDU DOS SANTOLAS VAI GOVERNAR PORQUE ELE NAO E ANGOLANO. VAI PAR SANTOME E PRINCE.
0 londrino 12-02-2013 14:26 #3
esses na altura da guerra chamavam os seus proprios irmaoes de "UNITA" agora a guerra acabou forao abandonados na miseria e fome enquanto que os proprios generais das FAAS hoje estao todos podres de dinheiro ate amantes ganharao tambem um pouco do dinheiro roubado durante o periodo da guerra e assim anda Angola de patas pro ar.

Casa Militar significa casa do Kopelipa e JES em Angola
+2 ate quando 12-02-2013 13:00 #2
porque que nos angolanos permitimos tanto abuso? Será devido a percentagem elevada de analfabetismo?
Como é possivel adultos deixarem-se enganar assim com promessas que nunca sao cumpridas que nem criancas?
Acordemos e vejamos que com esses sangue-sugas a nossa vida nunca irá para a frente e deixemos de pensar que se estou bem os outros nao me interessam. Hoje sao estes a sofrer amanha seremos nos. Fomos burros e voltamos a elege-los, nao permitamos que o mesmo aconteca nas proximas eleicoes.
Forca angolanos e aguentemos o que nós procuramos, demonstrando mais uma vez quao burros nós somos.
0 Simao 12-02-2013 12:06 #1
Estes 200 é q a Tpa e o governo ficam a fazer propaganda.Eles pensam q os combateram em angola só sao do Mpla.
Com este divisionismo nao vamos lado nenhum.Vamos ver angola no seu todo sem cores partidárias este está ser difícil para o Mpla, aceitar a diferenca.
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