O namoro e as novas tecnologias de informação e comunicação - Domingos da Cruz

Luanda - Na vespera do “Dia dos Namorados”, o Departamento para a Juventude do BD (Bloco Democrático), convidou-me para introduzir dados gerais do tema acima expresso para um debate que decorreu na Sede Nacional no dia 09 do corrente mês. A título prévio gostaria manifestar de forma evidente que não tenho competência técnica absolutamente nenhuma, para abordar o tema namoro em si e por si. Por isso, caso o caro interlocutor tem alguma expectátiva inflacionada em torno do meu simples e breve rascunho talvez seja melhor retirá-la, para evitar choque psicólogico negativo.   Durante a minha alocução adoptei uma perspectiva crítica minimalista.


Fonte: Club-k.net


Significa que olhei criticamente a relação entre as tecnologia de informação e o namoro, mas olhando somente para o lado negativo. Parti de um pressuposto (talvez errado, de que o lado positivo das TICs, os interlocuctores conhecem), por isso, é preferívl adoptar uma narrativa crítica-negativa. Teoricamente estou errado, ao dizer que adoptei esta perspectiva mas não levei-a no plano tridimensional que é: identificar as fraquezas, aspectos positivos e tomarmos a nossa posição. Mas para uns a crítica também pode significar simplesmente demolição de qualquer construção de ideias já formuladas.


Numa altura em que assistimos uma grande luta para aceitação da relação homossexual, parece-me necessrário colocar a seguinte questão: o namoro sobre o qual vamos discutir aqui  e a gora também inclui os gays e travesties?


Parece existirem dois conceitos básicos de namoro: 1. período epistêmico e de projectos possíveis entre duas pessoas heterogêneas ou similares; 2. período no qual tudo pode acontecer do ponto de vista afectivo, físico e financeiro.


Este período de  construção de saber sobre o Outro tem alguns critérios à serem avaliados conforme a visão do mundo de cada sujeito intricado na viagem do namoro. Existem alguns que parecem populares: compatibilidade cultural e racial (a diversidade cultural e racial é uma riqueza, mas alguns fazem dela um impasse, e o mesmo se pode dizer da religião), compatibilidade axiológica, control da natalidade, finanças, noção de privacidade, compatibilidade política-ideológica ou não (parece disnecessário, mas na sociedade angolana ser do partido Ómega pode ser incompatível juntar-se à alguém do partido Alfa).


Um namoro bem sucedido pode levar à um bom casamento. Isto pressupõe o conhecimento mútuo, por isso, “permitir que aflorem sentimentos românticos para com alguém que você mal conhce é um convite para o desastre – mesmo que tal pessoa possa parecer atraente. Isto pode resultar num casamento com alguém cujas emoções e alvos são intensamente diferentes dos seus! Por conseguinte, é prudente observar primeiro tal pessoa num grupo, talvez enquanto participam em alguma forma de recreação”. A revista científica de “ Journal of Marriege and the Family, concorda com esta lógica na sua edição de Maio de 1980 ao afirmar que “os casamentos parecem ter mais probabilidades de sobreviver e de prosperar se as pessoas os contrairem tendo conhecimento relativamente pleno (...) do outro” Ainda sobre o conhecimento, importa frisar que não poucos casais tiveram o primeiro contacto via internet. Lembro-me de um amigo canadiano que casou-se com uma brasileira, por meio da força do MSN e do Facebook.


Que relação existe entre as TICs e o namoro contemporâneo?

Em primeira instância gostaria dizer que as TICs fazem parte das maiores revoluções no quadro das descobertas científicas. Estão neste grupo selecto por constituirem uma grande contribuição no progresso da humanidade. Este progresso estende-se em várias dimensões, em particular no fluxo de informação e na troca de dados. Autorizem-me afirmar que as TICs permitem-nos a troca de informações, mas não nos habilitam a comunicar. A comunicação é humana e não técnica. As TICs aumentam o fluxo de dados transmitidos mas não as emoções autênticas de que a nossa humanidade é capaz e necessita.


O namoro necessita não só de transmitir informações, mas de comunicação, de autenticidade e emoções capazes de expressar o Outro real na sua plenitude.


No plano ético, as TICs não são nem boas nem más, mas dependem do destino utilitário de que lhe é dado. Ela transformou-se numa grande plataforma para namorar com base em clicks, mas tem o risco das pessoas não serem autênticas no cosmo virtual e entrarmos em choque a quando do encontro físico.


Ao proferir a expressão autenticidade faz-me lembrar o título da mensagem do Papa Bento XVI dedicada ao Dia Mundial das Comunicações em 2011: “Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital”. Nesta mensagem o pontífice denuncia algumas insuficiências da comunicação digital, que no meu entender podem pôr em causa um namoro saudável: alguns limites típicos da comunicação digital: “a parcialidade da interacção, a tendência à comunicar só algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da auto-imagem que pode favorecer o narcisismo.”( MDMC, 2011). E noutro documento vai mais longe afirmado que, “quando o desejo de ligação virtual se torna obsessivo, a conseqüência é que a pessoa se isola, interrompendo a interacção social real. Isto acaba por perturbar também as formas de repouso, de silêncio e de reflexão necessárias para um são desenvolvimento humano [e do namoro]” (Bento XVI. MDMC, 2009. 


“O envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social network, leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também da autenticidade do próprio ser. A presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, se se estiver atento para evitar os seus perigos, como refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual. Na busca de partilha, de «amizades», confrontamo-nos com o desafio de ser autênticos, fiéis a si mesmos, sem ceder à ilusão de construir artificialmente o próprio «perfil» público.(...). É importante nunca esquecer que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano directo com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida.”(MDMC, 2011).


Para terminar coloco as seguintes questões para debater ou não:

1.Até que ponto a exposição dos namorados nas redes sociais pode ser factor de tensão?

2.Qual o objectivo básico do namoro, e quão importante é para a felicidade conjugal futura?

3.O que é necessário para conhecer melhor o namorado ou namorada?

4.Que temas são pertinentes discutir durante o namoro?

5.Por que é util passarem tempo juntos sob diversas circunstâcias?

6.Que indícios podem demonstrar um namoro fracassado?

7.Quando pode-se pôr fim à um relacionamento?

8.Até que ponto, a escolha da pessoa para namorar pode expor-te de tal modo que ponha em causa o teu futuro? (Algumas perguntas foram adaptadas do livro “Os Jovens Perguntam...”).


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