A nova era já começou? - Constantino Zeferino

Luanda - Esta escolha decorre da necessidade de aprofundar a reflexão em torno de um tema que dada a sua actualidade, exige análises multidisciplimares sobre os seus alcances e limites, principalmente na análise da conjuntura actual.

Fonte: Club-k.net

Uma nova era se aproxima para a humanidade. Muito se tem especulado sobre ela, e sabe-se que ela surgirá depois de uma grande limpeza que será feita no planeta em breve. Sabemos que uma parte da humanidade, trava uma dura luta consigo mesma. Sente que a sua religião, a sua filosofia de vida, não lhe traz a sua tão almejada paz de espírito. Falta algo. Algo que não sabe exprimir em palavras, mas que arde dentro de seu íntimo e que impulsiona para a busca.

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, em 1995, o célebre papa D. João II dizia “Chegou a hora de nos acostumarmos a pensar de uma maneira nova no homem, na sociedade humana, na história e nos destinos do mundo” .

Nós trabalhamos, estudamos, acordamos e dormimos e muitas vezes não conseguimos perceber o que está acontecendo, porque a realidade pode facilmente fugir aos cinco sentidos do corpo aos quais estamos acostumados.

Max WEBER falava de “desencanto do mundo”. Na verdade, as ideologias dos últimos Séculos são feitas de aberrações intelectuais de que os próprios intelectuais foram vítimas.

Na época contemporânea, é a partir dos anos 50 do século passado que a teoria do conflito social dá origem, nas sociedades ocidentais e muito especialmente nas anglo-saxónicas a uma nova discussão dos fundamentos da ordem social ao pretender questionar novamente uma visão estrutural-funcionalista dominante, acusada muitas vezes de servir de justificação mais ou menos a-ideológica a um sistema social atravessado pelo poder e que pretende funcionar unicamente pelo consenso.

Enquanto na França ou na Itália o marxismo surge na época como teoria dominante, que explica o conflito em termos de classes sociais e de relações de exploração, nos Estados Unidos e em grande número de países anglo-saxónicos, Daniel Bell ou Edward Shils lançam a ideia do fim das ideologias, do desaparecimento das rupturas geradoras de visões de mundo fechadas, sistemáticas e contraditórias.

O Século XIX, gerador de rivalidades violentas, suscitou o ressurgimento dos confrontos assente num radicalismo simplificador (Mills, 1959; Gouldner, 1970; Collins, 1967).

O Século XIX tinha sido longo: de Waterloo (18 de Junho de 1815) à revolução de Outubro (6 de Novembro de 1917 segundo o calendário universal - os Russos usavam um calendário diferente), ou seja um pouco mais de dois séculos.

O Século XX, ao contrário, foi curto: de Novembro de 1917 à demolição do Muro de Berlim, em Novembro de 1989, exactamente setenta e dois anos, mal perfazendo três gerações.
As revoluções industriais tinham provocado a unidade durante o comprido Século XIX (os Séculos não correspondem às datas oficiais).

O Comunismo e os soviéticos provocaram a do curto Século XX: esta começou pela tomada do poder dos Soviéticos e terminou com a sua queda. O comunismo foi a esperança e a ameaça do Século XX.

Hoje, o comunismo quase desapareceu. A China continua formalmente comunista, mas na verdade, trata-se dum Estado capitalista autoritário. Subsistem dois : a Coreia do Norte e Cuba (até quando?), únicos resistentes duma força desaparecida.

Com a resignação do PAPA Bento XVI, estaremos perante uma Nova Revolução Mundial?

No que tange a nossa África, em 1959, a bomba atómica francesa foi experimentada no Saara. Entretanto em 1960 o general De Gaulle concedeu a independência a todas colónias da África Negra: Senegal, Mali, Guiné, Togo, Daomé (hoje Benim), Costa do Marfim, Camarões, Gabão, Congo -Brazzaville, África central, Chade, Madagáscar. Certos territórios quiseram permanecer franceses obstinadamente: foram os departamentos e territórios ultramarinos. A França é hoje, com os Estados Unidos (Porto Rico, Harvai), a única potência a conservar possessões coloniais (a Inglaterra largou-as todas, salvo Gilbratar e Malvinas). Em Julho de 1962, depois dos Acordos de Évian, a Argélia alcançou a independência. A Independência da Argélia marca o verdadeiro fim da era colonial.

No Congo Belga (tornado em Zaire, e, depois, novamente, em Congo), os Belgas partiram precipitadamente. Como não tinham formado nenhum quadro africano, deixaram atrás de si o caos.

Os Portugueses até à queda de Marcelo Caetano em 1974 (foi mais uma demissão à força... (Revolução dos Cravos), foram os últimos colonialistas que se bateram para conservar as suas colónias africanas da Guiné-Bissau,  S. Tomé e Príncipe, Angola, e Moçambique.

Na África do Sul, país onde existia, com o povoamento holandês uma espécie de própria, a sabedoria das partes, o génio de Mandela e talvez a pertença comum dos adversários à mesma religião, desembocaram num compromisso que pôs fim ao Apartheid em 1991. Mandela subiu à presidência em 1994. A descolonização parecia acabada. Mais de vinte anos mais tarde, a África é ameaçada pela anarquia.

Os Estados saídos de circunscrições coloniais são artificiais. O êxodo dos cérebros, a SIDA, as guerras civis, assola o continente. A comunidade internacional lava as mãos (apesar da intervenção simbólica da Francesa), com risco de ser acusada de cumplicidade e de ser suspeita de neocolonialismo.

Nesta Nova Era que agora começa, onde situar o nosso destino pessoal e, de africanos na grande história colectiva?






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