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Advogados não sabem onde está jovem levado pela polícia numa vigília em Luanda

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Luanda  - Os advogados do jovem detido na vigília pacífica de segunda-feira em Luanda não sabiam, ao princípio da tarde desta quarta-feira, onde ele se encontrava. Emiliano Catumbela foi levado pela polícia há dois dias, quando se encontrava na vigília realizada no Largo da Independência, na capital angolana, e nesta quarta-feira devia ser presente a um procurador, sob acusação de ofensas corporais contra a polícia nessa manifestação pacífica.

Fonte: Publico

“O detido não está nas cadeias do Comando Provincial da Polícia Nacional nem na Procuradoria-Geral da República”, disse ao PÚBLICO Salvador Pereira, presidente da Associação Mãos Livres e um dos dois advogados do jovem. Desde terça-feira que o advogado tenta visitar Emiliano Catumbela.

“Não sabemos onde ele está”, acentua. A Procuradoria-Geral da República devolveu o processo e exigiu a presença do detido. E no Comando Provincial da Polícia Nacional disseram que ele não se encontrava ali. “Alguma coisa não está a ser esclarecida, mas acreditamos que o jovem esteja bem”, continua. Emiliano Catumbela devia ter tido acesso imediato a um advogado e não teve, acrescenta.

Catumbela é membro do Movimento Revolucionário, que reúne pessoas que contestam, desde 2011, o poder de José Eduardo dos Santos através de manifestações pacíficas, algumas reprimidas pela polícia. O mesmo movimento que organizou esta vigília, onde vários testemunhos dão conta de espancamentos a jovens e violência policial, que a polícia justifica com ofensas aos seus próprios agentes. Os contestatários desmentem.


Pelo menos dez manifestantes foram detidos e depois libertados. Um teve alta na terça-feira à noite da clínica onde deu entrada com ferimentos. Os colegas do movimento dizem que foi vítima de violência policial. Chama-se Raul Lino. “Mandela” é o seu nome de luta.


Raptados sem deixar rasto

A vigília terá juntado poucas centenas de pessoas, diz ao PÚBLICO Adolfo Campos, do movimento, que continua a exigir a saída de José Eduardo dos Santos, “por excesso de tempo no poder” (34 anos) e “má governação”. Desta vez, porém, era mais importante lembrar os dois jovens desaparecidos há exactamente um ano – Alves Kamulingue, de 30 anos, e Isaías Cassule, de 34 anos, que eram activistas do Movimento Revolucionário e foram raptados sem deixar rasto. Além disso, o movimento não queria deixar passar em branco o aniversário do 27 de Maio de 1977, quando dezenas de milhares de pessoas desapareceram na repressão contra a acção do movimento fraccionista de Nito Alves e José Van Dunem, acusado de tentar derrubar o então Presidente Agostinho Neto.

Depois de a polícia dispersar a vigília, o advogado angolano David Mendes andou de esquadra em esquadra, à procura dos detidos. Momentos antes, testemunhara a presença de “uma centena de agentes da polícia, a cavalo ou com cães, e elementos da polícia antiterror, assistidos por helicópteros”.

A polícia montou uma barreira que impedia a passagem de grupos de jovens que iam chegando, conta o advogado, que chegou ao local quando começaram as detenções. “Até à meia-noite, uma grande área em redor esteve sob a vigilância da polícia canina e da polícia antiterror.”

Jovens foram levados em grupos pequenos

A Polícia Nacional não diz quantas pessoas deteve. E justifica a acção policial contra os manifestantes através dum comunicado citado pela Lusa. Nele explica que foi “forçada a intervir para persuadir um pequeno ajuntamento de jovens no Largo da Independência”, que pretendiam realizar “uma vigília não autorizada pelo Governo Provincial”, e acusa os presentes de “arremessaram pedras e outros objectos” contra os agentes, justificando assim a necessidade de “recolhê-los, em viaturas” e “dispersá-los noutros locais”.


Foram levados separadamente, em grupos pequenos e dispersos, confirma David Mendes. O objectivo, considera o advogado, era dispersá-los, para “que não houvesse forma de saber quantos foram detidos” no total.


Nesta vigília em Luanda, a “concentração de meios policiais” acima do que seria previsível explica-se, segundo o advogado angolano David Mendes, pelo simbolismo da data: 27 de Maio de 1977.


No ano passado, Alves Kamulingue, de 30 anos, foi raptado na Baixa de Luanda, quando se dirigia para uma manifestação de antigos combatentes que reclamavam o pagamento de pensões em atraso. Era ele mesmo antigo militar e membro do Movimento Revolucionário, que, pelo menos desde o início de 2011, contesta o poder de José Eduardo dos Santos.

Dois dias depois, a 29 de Maio, desaparecia o seu colega Isaías Cassule, de 34 anos. Um e outro continuam desaparecidos. Os familiares não têm qualquer informação da polícia. Amigos e colegas do Movimento Revolucionário têm poucas esperanças de que estejam vivos. “Estamos a exigir que sejam entregues à família, para um enterro condigno”, diz Adolfo Campos, uma das vozes do movimento que acreditam que os dois foram levados, nesse dia, pela polícia, que nega tê-lo feito.
 






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Comentários Arquivados:



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0 punidor do mal 04-06-2013 00:13 #11
é hora de comecar a combater contra a policia ate chegar nos mais altisssimos poderosos do MPLA e de Angola, tem q se assassinar muitos policias ate o MPLA se render, pq a policia é o pior inimigo do povo atraves do mandato dos dirigentes do MPLA.
0 AB 02-06-2013 08:18 #10
NINGUEM TEM O DIREITO DE TIRAR A VIDA DE OUTRA PESSOA ASSIM E QUE QUEREM PRESERVAR A PAZ E DIFICIL HOMENS FRUSTADOS CRIAM GUERRA PRINCIPALMENTE QUANDO NAO A LIBERDADE
+1 Daniel lsaac2 01-06-2013 17:54 #9
Neste país do pai banana a poliçia nunca mais nunca mesmo.
Vai saíram ou puplico a firmar que fizeram a quilo deterá aquele!
Este e o tipo de governo que temos .
No país que diz democrática
E país democráticos o presidente sai.
Em desaparecimento e acidentes e.
Catástrofes naturais o presidente tê.
Que sair para solidáridar-se com os!
Lesados o desaparecimento de Isaia.
Kassule e kamurigui o presidente já.
Deveria pronoçiar-se.
0 londrino 01-06-2013 14:32 #8
vamos rezar pra nao lhe matar e esconder o seu corpo numa vala comum como fizerao aos nossos irmaos Cassule e Kamulingue no pais, esta policia do MPLA ja veem a cometer varios crimes contra os nossos jovens em Angola a bastante tempo no pais algum tem que ser feito pra se pra eles deixarem de fazer isto e nao estamos lixados.
+1 ?????? 01-06-2013 11:19 #7
Eu estou na diaspora por isso não posso votar. Mas quem votou, devia pensar duas vezes antes de votar no MPLA.
0 angolano pobre 01-06-2013 08:38 #6
esse pais Angola nao é mais nosso !
esse pais foi hipotecado por Agostinho Neto depois acabou por ser vendido por José Eduardo dos Santos !
José Euardo dos Santos nao é nada !
JES é uma marionete que esta ai a serviço dos mandoes da Russia , China , e mais outras potencias que pilham as riquezas de Angola .
Zé Kitumba nao é nada e nem sequer pode falar "
Agora so resta mesmo o nosso povo angolano despertar e fazer a revoluçao !
MPLA = Movimento Para Liquidar Angolanos
0 Zorro, o Justiceiro 30-05-2013 21:19 #5
Se continuarem a impedir as manifestações pacíficas que estão previstas e consagradas na constituição, então é tempo de avançarmos com outras engenharias. Aconteça o que acontecer, este pais é nosso e é preciso sacrifício, e se for necessário com o nosso sangue, para libertá-lo da tirania que o assola.
0 Zorro, o Justiceiro 30-05-2013 21:16 #4
O importante é sermos criativos e imaginativos nas formas de engenharias para combatermos esse cancro que é o binômio JES/MPLA.Umas delas que ainda não foram implementadas são o boicote e a desobediência civil que surtirão efeitos na luta contra o apartheid (vejais o filme SARAFINA).
0 Zorro, o Justiceiro 30-05-2013 21:15 #3
Meus irmão não virai a cara à luta. Alguém que conhece bem o sistema que nos governa terá dito aqui neste fórum que o JES não é tão forte assim como quer aparecer.
0 Zorro, o Justiceiro 30-05-2013 21:14 #2
Opinião é opinião, mas discordo categoricamente com quem acha que é só orando que conseguiremos de nos desfazer de um ditador do gabarito de JES. É orar sim mas lutando também. Foi assim na África do Sul e noutras partes do mundo.
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