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Pretos ao poder... Porque os negros já lá estão – William Tonet

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Luanda  -  Hoje, depois de muito se ter falado sobre a entrevista concedida, pelo Presidente da República à SIC, canal de televisão privada portuguesa, decidi não me ater muito a ela, preferindo fazer uma incursão sobre o que considero estar na base de muita da conflitualidade em alguns países de África e, principalmente, em Angola, depois de se ter libertado do jugo colonial português e estar, desde 1975, a ser governada por angolanos.

Fonte: Folha8

No calor da luta de libertação nacional, estes nacionalistas ou pseudo-nacionalistas pretos, carentes de legitimidade e solidariedade para a guerrilha, fez juras de, tão logo, chegados ao poder, inverter o rumo do racismo, da pobreza e da discriminação, enfrentada pelos diferentes povos, que despojados das suas terras, viviam na miséria.

Ledo engano.

Instalados no poder, os novos dirigentes formados e forjados nas academias ocidentais, não conseguiram adaptar esses conhecimentos à realidade dos seus povos, tal como fazem, com maestria os asiáticos e árabes. Os angolanos, preferiram, dar continuidade de forma mais refinada a uma prática institucionalizada pelo regime salazarista: a assimilação. Esta consistia em transformar o indígena, que adoptasse uma postura distinta dos da maioria, como renegar a sua cultura, língua, costumes, alimentação, religião e tradição, em negros, melhor, indígenas psicologicamente lavados, que renegavam a luta pela independência e por via disso, poderiam ascender a certos cargos, na função pública colonial.

Muitos destes assimilados infiltraram-se nas fileiras da revolução, com o objectivo claro de subverter os propósitos da construção de um verdadeiro Estado de cariz africano, moderno e tecnologicamente próximo dos demais Estados do mundo.

E tanto assim é que, hoje, podemos verificar os danos que os negros causam aos pretos, que sendo a maioria, estão relegados para a mais ignóbil pobreza, miséria extrema, discriminação, para além de não terem educação e saúde, com o mínimo de qualidade e dignidade, enquanto essa minoria se refastela com os milhões de dólares desviados do erário público, transformando, por via disso, a corrupção numa norma institucional, com imunidade bastante, para não causar danos aos seus actores, com a apropriação dos sistemas de justiça, policial e militar.

Por esta razão, por mais paradoxal que possa parecer, neste momento, a maioria dos pretos angolanos, está refém de negros assimilados, que desprezam e têm vergonha de assumir  as línguas angolanas, os costumes e a tradição dos diferentes povos que habitam e convivem de forma harmoniosa o território Ngola (Angola), impondo uma que é estranha à maioria.

Só um negro pode aplaudir que uma Constituição de um país  onde existem várias línguas, e na qual estas sejam relegadas para segundo plano, por eleição de uma estrangeira.

Só um negro pode orgulhar-se de colocar na sua Constituição a mesma norma, que é a base da colonização: a terra é propriedade exclusiva do Estado. Uma cópia fiel do que defendia o colonialismo, mas que se tolerava por ser estrangeiro, mas diante de tantas anormalidades, não tenho dúvidas; António Salazar, ao lado do que fazem muitos dos actuais dirigentes negros aos pretos, era um feto.

Só os negros continuam a assumir, ainda hoje, tal como o faziam no tempo colonial, que pirão (funge) só comem uma vez por semana, aos sábados, porque senão dormem e com o maior desplante defendem como seu prato preferido o "cozido à portuguesa", tal é o desenraizamento.

Os pretos, feliz e orgulhosamente, comem pirão todos e várias vezes ao dia e não dormem, pelo contrário, trabalham vigorosamente.  

Os negros, defendem a continuidade das datas coloniais nas cidades libertadas, tal como a manutenção do livro dos nomes coloniais nas conservatórias do Registo Civil, onde impera a resistência aos nomes angolanos e africanos, diferente da promoção, também, dos nomes cubanos e russos.

Politicamente, a elite negra é propensa à aculturação e à promoção de valores estrangeiros, base por onde assenta a estratégia da discriminação dos adversários políticos, dos assassinatos selectivos dos membros da oposição, da arrogância extrema, da privatização familiar do Estado, da fraude eleitoral, da má distribuição da riqueza nacional, da corrupção endémica e da implantação de uma democracia de fachada. Os negros, também, no seu complexo, transformam as minorias em cobaias, melhor, segundo as conveniências do seu poder, vão promovendo a intriga entre mulatos, brancos e pretos, para melhor reinar, quando sabem que estas duas raças unidas (já que os mulatos patrióticos, consideram-se pretos), por Angola, são uma força incontornável.

Basta recordar que no tempo colonial, não havia mulatos, pois a maioria, orgulhosamente consideravam-se pretos, que o diga o kota Bonga, que "palava" de manhã até a noite se lhe chamassem de laton. Infelizmente, um dos maiores  responsáveis desta divisão de raças entre nós, foi Agostinho Neto, na sua política draconiana. 

É pois nesta encruzilhada que se encontra, neste momento, Angola, carente de uma unidade de todos os seus cidadãos: pretos e brancos, unidos e verdadeiramente comprometidos com as suas origens, com o fim do racismo, com a democracia e com uma verdadeira paz e política de reconciliação nacional.

Por via disso é preciso que nasça um amplo movimento nacional, para a promoção de novas leis, capazes de revogarem aquelas que são a continuação da política colonial, como a exclusividade da língua portuguesa, a titularidade da terra, as actuais efígies na moeda nacional, os símbolos da República, o hino e a bandeira, principalmente. 

Os pretos, os mulatos e brancos patrióticos e coerentes, devem tudo fazer para evitar que o país tenha uma transição pacifica e não violenta do poder, que parece ser intenção do actual regime, que se sente como peixe na água, com a guerra. Por esta razão, os verdadeiros nacionalistas de todas as raças e povos, maiorias ou minorias, devem redobrar esforços, para que a nova aurora, salve Angola do dilúvio anunciado.  






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Comentários Arquivados:



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0 kau 25-06-2013 07:18 #70
Boa dissertação. Mas agora pergunto, e o savimbi que imolava seus irmãos angolanos queimando-os nas fogueiras na jamba, no bailundo, etc. Vamos classificá-lo de preto ou negro? Tambem não entendi la mto bem o último parágrafo:...de vem tudo fazer para evitar que o pais tenha uma transiçao pacifica...
0 jindungo fritado 24-06-2013 02:10 #69
já vai seus cegos compram binoculos. raça preta não existe todos mulatos não existe .mestiço sim toda raça tem as suas distintas cores tanto na raça negra como na raça branca e até nas asias tambem não comem todos funge? vão separar tudo depois dafesta começar com os avôs e até antes?
olha meus caros antes dos europeus já havia escravatura na terra em globo.hoje as nossas meninas dormem com estrangeiros tudo será tutti fruti binoculo iá?
+1 Avê 21-06-2013 00:12 #68
Eu tenho orgulho de ser como sou, apesar de orgulho ser um pecado.
Se fosse índio,aborígene ou árabe, cometeria o mesmo pecado do orgulho, porque sou humano e porque a mãe a natureza deu-me auto-estima que ninguém conseguirá retirar-me, nem os do extrema claro nem os do extremo escuro.
No meio é que está a virtude
1+1=2 (já repararam que o comentário que assinei assim só foi votado + porque não assinei ODKPA?)
+1 Avê 21-06-2013 00:06 #67
Avé compatriota Ndongala.
Tudo de bom para si
ODKPA
+1 Cmt Kalu 20-06-2013 23:34 #66
Racismo não se combate com outra forma de racismo. Seja qual for a cor de cada um o importante é se é angolano e quer um futuro com democracia e estado de direito em que todos tenhamos direitos e oportunidades em igualdade.

Além disso cor não é raça, a raça é só uma - a humana.

Muitos que hoje usam argumentos fundamentados em valores como a cor e origem de cada um são também oportunistas que se tiverem o poder serão iguais ou piores dos que hoje o exercem da forma abusiva e descriminadora que vimos testemunhando e sofrendo.
-3 Ndongala 20-06-2013 22:49 #65
Tristeza,eu advinho es ODKP!
-4 Ndongala 20-06-2013 22:46 #64
...ser orgulho por ser preto ou mulato isso nao coresponde a sociedade moderna.muitos brancos querem ser escuros como tambem muitos pretos querem ter a core clara, isto é um simbolo de atracao entre ser humanos.eu gosto e amo os meus filhos nao porque sao mesticos, mas sim porque eles sao ser humanos e ao mesmo tempo sao meus filhos e eles sao bonitos.
-4 Ndongala 20-06-2013 22:44 #63
....as pessoas sentem se agredidas e tudo que aperecer opticamente diferente do seu é conciderado como intruso e amianca. tu como mulato nao tens culpa de ser nascido mulato nem merito nao tens, pois nao es tu que escolheste os teus parentes, mas tambem eu como preto tambem nao é de meu merito ser preto porque nao escolheu os meus parentes e tao pouco que eu pedi de ser nascedo.seja coerente e preguras outros argumentos.
-4 Ndongala 20-06-2013 22:40 #62
um me.sti.co filho de uma MUKONGO é realmente mukongo 100%, o do pai MUKONGO? ele tambem é mukongo 100% por ser adoptado pelo o seu proprio pai, por ex. Holden Roberto de pai MUKONGO e mae MUNGALA. o primeiro presidente do CONGO-Kinshasa era mestico de mae MUKONGO e de pai CHINES.
Bem , o que acontence hoje em Angola? o MPLA nao quere respeitar as costumes dos povos angolanos, desde que o MPLA nao quer dar valor a esses costumes tao humanas,a comunidade perca o sentido humano e o resultado disso,
-4 Ndongala 20-06-2013 22:33 #61
ao Tristeza,nao meu compatriota! niguem tem direito de odear o seu proximo por ser bra.nco, mu.a.to ou pr.e.t.o. , a diferencai de core nao deve ser utilizada como alibi do odio.o que está acontecer em Angola é o problema da asimetria. eu ja tinha dito uma vez: se o JES governasse bem o povo nao tera o prazer de atacar os Saotomens ou Cabo verdianos, digamos o povo de Luanda.em geral ja tinha explicado o seguinte:
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