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Porque sair à rua ? - Tito Silva

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Luanda - Sair à rua porque a sociedade é formada por indivíduos, por famílias, por grupos, por comunidades maiores ou menores, por associações, etc., etc. Enfim; a sociedade é o próprio povo com a sua história, a sua cultura, os seus valores, as suas vontades, as suas escolhas, as suas decisões, os seus projetos, as suas utopias e aspirações, os seus recursos, as suas instituições, a sua identidade.

Fonte: Club-k.net

Sair à rua porque o povo é verdadeiramente o soberano à quem cabe idealizar, projetar e trabalhar pela materialização das incubações do seu espírito. Governantes e parlamentares não são mais do que os seus (i) legítimos representantes; os altos serviçais do povo e da nação.


Sair à rua porque todo ser humano tem necessidade de livremente, exprimir e tornar conhecidos os seus pensamentos (de acordo ou de desacordo, de convergência ou de divergência). A necessidade de exercer tais direitos se acentua tanto mais quanto os homens e as mulheres se sentirem afetados ou lesados pelas ações alheias – dos que governam. Todos os homens e todas mulheres gozam do direito natural e inalienável de serem ouvidos, de opinar, de tornarem manifestas as suas pretensões e de exprimirem os seus desapontamentos. Chamem-lhe democracia ou outra coisa, porém, a verdade é que não é o regime político democrático, nem a sua matriz filosófica, nem o seu lastro dogmático que originaram os direitos das pessoas mas, os direitos, esses, inspiraram o regime democrático pois esse limita-se a reconhecer, a abraçar, a acolher e a respeitar os intangíveis direitos imanentes da dignidade humana. Logo, nunca a palavra democracia poderá em termos conceptuais ser invocada para impedir o exercício daquilo cujo o status quo do regime democrático integra-o com a noção da sua transcendência e da sua intangibilidade no contexto das relações entre as autoridades e os cidadãos.

PARA QUÊ E PORQUE MANIFESTAR-SE:

Manifestar-se porque quem governa – o MPLA e o seu Presidente, há escassos meses, apresentaram-se perante o povo angolano com um programa de governo que foi sufragado em eleições ditas livres, justas e transparentes. Ora, quem reconhece ao povo o direito de apreciar e de livremente, aceitar ou rejeitar o seu projeto político de governação, necessariamente reconhece ao mesmo povo o direito de acompanhar atentamente a sua implementação. Reconhece igualmente ao povo, o direito de manter o seu apoio incondicional ao respetivo programa, de impor condições para a sua manutenção e ou de lhe retirar o seu apoio se vier a sentir-se defraudado nas suas justas e justificadas expetativas. Para uma melhor compreensão desse aspeto nada melhor do que consultar a “Carta Magna” Constituição da República de Angola a qual, encerra no seu texto todos os princípios legitimadores e conformadores do exercício de manifestação popular.

Diz a velha máxima “o cliente tem sempre razão”. Ou seja, quem presta um serviço espera sempre reclamações e, de um modo geral, as reclamações têm a sua razão de ser. Nesse sentido de resto, os próprios livros de reclamações (Complaints Book) compreendem a dupla função de registar o desagrado do utente ou do cliente e de servirem de orientação para identificar e evitar erros ou falhas, corrigir, melhorar e até aperfeiçoar o objeto imediato ou mediato da prestação por forma a satisfazer quanto possível o destinatário do objeto correspondendo as suas expetativas.

Nesse sentido, no destinatário do objeto residirá efetivamente uma das mais importantes razões da missão do prestador podendo com efeito constituir o seu fundamento. Estabelece-se assim uma relação cujo os vetores principais serão de um lado o dever de oferecer a prestação devida à outra parte, do outro o direito de exigir a satisfação de acordo com as expetativas criadas por àquela.

O QUE ESPERA ALCANÇAR:

Manifestação para que os titulares dos órgãos de soberania possam ultrapassar os anacronismos imobilistas e que, desenvolvam efetivamente, a capacidade de ouvir os governados;

Manifestação para que os titulares dos órgãos de soberania percebam que a governação deve ser exercida conjuntamente com o povo pois esse é o verdadeiro e único soberano;

Manifestação para que os titulares dos órgãos de soberania admitam que urge entrar no consultório e submeter-se a terapia de tratamento da surdez e da cegueira política;

Manifestação para que os titulares dos órgãos de soberania percebam que a paz política e social deve-se construir através de uma boa ação governativa. Todos ganhamos se edificarmos na esteira da inclusão uma paz verdadeira e duradoira;
Manifestar-se porque é um direito e um dever cívico;

Manifestar-se porque qualquer promessa tem o seu tempo de validade (o alastrar do tempo retira-lhes o valor). As expetativas geradas à sua volta (das promessas), ao invés de serem reprimidas, devem ser alimentadas e incentivada a sua concretização. Manifestar-se porque há objetivamente, necessidade de exigir do governo o cumprimento das promessas (s) que há bastante vem fazendo desencadeando com elas no espírito do povo verdadeiras erupções de uma esperança que, no horizonte, se afasta cada vez mais.

Manifestar-se porque a manifestação (passo o pleonasmo) é um instrumento pacífico para apelar a quem de direito (o poder político nesse caso particular), no sentido de considerar o acolhimento de ideias e de propostas oriundas da sociedade civil e das oposições;

Manifestar-se porque “DE CABINDA AO CUNENE UMA SÓ NAÇÃO” como dizia o Presidente Neto, todos angolanos sentem os efeitos nefastos dos erros da governação e precisam de poder exprimir livremente os seus gemidos; Os angolanos anseiam por um sistema educativo inclusivo; por um sistema de saúde funcional, eficiente, eficaz e inclusivo; os angolanos aspiram por uma rede de distribuição de água não exclusiva e altamente funcional e operacional e, igualmente, aspiram por uma rede de distribuição de energia elétrica capaz de suprir as suas necessidades; os angolanos aspiram por um sistema de telecomunicações fundado nos valores da economia de mercado e da livre concorrência; os angolanos aspiram por políticas que fomentem a criação de emprego (a gigantesca chaga social) e que revelem força para propulsar uma economia sustentável à médio prazo. São muitas e legítimas as aspirações do povo angolano; Umas notórias outras nem tanto.


Aos caros leitores e aos angolanos em especial, um até breve!






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