A coexistência pacífica e a diplomacia das potências - Diavita Alexandre Jorge

Luanda - No decorrer do conflito bipolar, são normalmente identificados períodos de desanuviamento e coexistência pacífica nas relações entre os Estados Unidos da América (EUA) e a Ex-União das Repúblicas Socialistas Soviética (URSS). O processo de desanuviamento da tensão permanente que se vivia no âmbito da Guerra Fria entre as duas potências e os seus diferendos existentes tenham sido resolvidos e o melhoramento das relações entre elas na década de 1960.

Fonte: Club-k.net

Os momentos de uma relativa aproximação através do uso de acções diplomáticas nas relações entre os Estados Unidos e a União Soviética durante a Guerra Fria,foi caracterizado como período da coexistência pacífica. Portanto, para URSS, como defendeu o Presidente Russo e Secretário-Geral do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética (CC-PCUS) na altura, NikitaKhrustchev, no seu discurso ao alusivo ao Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), 14 de Fevereiro de 1956, a «coexistência pacífica é um princípio fundamental da política externa Soviética». Ainda no mesmo relatório, o líder soviético deixou claro que, se não fossem estabelecidas boas relações entre as duas potências e existir uma desconfiança mútua entre elas, isso levaria a uma corrida aos armamentos ainda em maior escala e a um crescimento dos armamentos em ambos lados.


Nova Linha de Actuação dos EUA e Ascensão do Jimmy Carter

Tais políticas apenas caracterizavam alguns momentos da Guerra Fria, que de facto, as tensões registaram níveis de baixa intensidade. O término da crise dos mísseis de Cuba tinha aberto caminho para a coexistência pacífica entre as duas potências mundial, marcada por negociações diplomáticas cujo símbolo foi a correspondência e telefonemas de Moscovo à Washington, isto entre John Kennedy e Nikita Khrustchev com celebração de tratados, cujo símbolo foi a assinatura do Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares em Julho de 1968; os encontros multilaterais, a partir de 1972, que culminou com a Conferência de Cooperação e Segurança Europeia de 1975.E com a chegada ao Poder nos EUA, de Jimmy Carter, a sua Administração, traçou um novo «formulário» da política externa norte-americana e um novo relacionamento político com Angola. Jimmy Carter na sua campanha presidencial em 1976 tinha deixado claro a sua posição numa entrevista concedida à Revista África Report, onde tinha afirmado que «os Estados Unidos tinha perdido a oportunidade de se constituírem como uma força positiva e criativa em Angola. (...) Deveriam entender que a presença dos Russos e dos Internacionalistas Cubanos em Angola, apesar de reprovável e contraproducente para a paz, não constituiu necessariamente uma ameaça aos interesses dos EUA, nem implicava automaticamente que Angola se tornava um satélite Soviético no continente».

Com esta visão, conjunto de altos funcionários da Administração Carter como: Andrew Young, Donald Mchenry, Richard Moose e Anthony Lake concordavam que já era altura de mudar de página entre o relacionamento do EUA e Angola, e passo importante a dar seria o Congresso norte-americano deveria reconhecer imediatamente a independência da República Popular de Angola (RPA). Administração Carter também estava preocupada e receoso a ser considerado pela opinião pública doméstica e internacional, como também pelos seus aliados, de muito benevolente para com os partidos e Estados comunistas. Este receio impediu a consumação da perspectiva do presidente Jimmy Carter e estreitamento das relações com Angola. A 30 de Junho, o Presidente do MPLA e da RPA, Agostinho Neto, entrava numa linha de concordância com Jimmy Carter, afirmando que «os EUA parecem, com efeito, querer uma reconciliação com Angola. Nós, desejamo-la entusiasticamente. Espero em breve as nossas relações com os EUA sejam amigáveis ou pelo menos, normais».


A Postura de Angola e a sua Acção Diplomática O Presidente Neto, depois da derrocada político-militar da ELNA/FNLA, no dia 15 de Junho, Congo-Brazzaville, Angola e o Ex-Zaire (RDC) encetaram conversações sobre a reconciliação e, dois dias depois, Agostinho Neto e Joseph Mobutu anunciavam a normalização das relações na Conferência da OUA em Khartoum. Este facto tem como consequência o desmembramento da FNLA e o desarmamento da Frente Nacional de Libertação do Congo (FNLC), que era dirigida na altura pelo Nathaniel M’bumdo, tinham invadido a província do Shaba (anteriormente chamado Katanga) a partir do Noroeste de Angola e seu objectivo era derrubar o regime do Mobutu naEx-Zaire que era muito impopular internamente, devido a implantação de um regime político de repreensão, corrupção, má gestão e violações dos direitos humanos.

Através da aproximação do Presidente Neto e Mobutu, Angola já tinha retirado os 250 000 refugiados da Lunda para longe da fronteira zairense e reabrira o Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), permitindo deste modo, que os carregamentos daEx-Zaire e da Zâmbia chegassem ao Porto do Lobito. Portanto, as relações diplomáticas entre Angola e Ex-Zaire foram restabelecidas na íntegra a partir de 30 de Julho. Ora, com as tensões da opinião pública e apagar a imagem da derrota dos EUA na guerra do Vietname, em Maio de 1976, Administração Carter mostrava iniciativas e determinação em contrariar outro avanço dos comunistas em África e a influência permanente da União Soviética, o público americano dava mostras de estar de acordo e a viragem à direita conservadora na opinião pública, veio a reflectir no avanço constante de Jimmy Carter em direcção a reacendimento da Guerra Fria. E, entre os dias 3 de Abril e 30 de Julho de 1976, Estados Unidos começavaactuar nasombra, através da África do Sul, e as forças regulares da South Africa Defense Force (SADF), realizaram 17 raids contra Angola a partir da Namíbia que estava sob regime de Ian Smith.


A Tentativa de Imposição Neocolonialista numa Angola Independente e Soberana: A Resistência de um Povo A invasão de Angola pela África do Sul iniciava 12 anos de confronto militar directo que viria a devastar o país. E esta campanha da desestabilização de Angola por parte de África do Sul tinha como objectivo imperativo de assegurar que os países da região da África Austral se mantem-se na alçada dos neocolonialistas e pró-ocidentais. Esta responsabilidade advinha-lhe da relação sub-imperial que mantinha com os Estados Unidos. Os EUA como estavam impedidos de continuar a intervir militarmente em Angola, rapidamente a África do Sul assumiu o papel de debilitar e mesmo de arruinar, o Estado angolano, defendendo esta posição porque a segurança da região estava a ser ameaçada pelo expansionismo Soviético e Cubano. O Estado sul-africano estava estruturado de maneira a procurar sistematicamente a desestabilização da região e, o antigo ministro da Defesa, que foi eleito posteriormente de JonhVorster, afastado em 1978, Presidente da República, Piter W. Botha, proclamava ascendente dos militares no processo político dos brancos, no qual a tomada de decisões e o planeamento eram dominados por considerações de segurança.

O documento do Departamento do Ministério da Defesa sul-africano, elaborado com objectivo de manter a base do Poder da minoria branca à luz da crise interna, regional e mundial. Esta estratégia era um conjunto de tácticas militares e políticas concebidas para:Desestabilizar Estados considerados «Radicais/Comunistas» da região (Angola e Moçambique);Obter legitimidade internacional para as organizações substitutas internas (UNITA em Angola e RENAMO em Moçambique);Destruir o Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul, o qual mantinha bases e/ou escritórios em Angola, Moçambique e Zâmbia;Eliminar e/ou marginalizar a Organização dos Povos do Sudoeste Africano (SWAPO); Forçar os Estados da região a juntar-se numa «constelação de Estados» (uma confederação regional controlada pela África do Sul) e por fim, Reconquistar a legitimidade internacional da África do Sul. __________________ Politólogo&Jornalista







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