Luanda - Gestores de bancos angolanos defenderam esta sexta-feira, 8 de Julho, a necessidade cada vez maior de as instituições financeiras do país cumprirem com as regras internacionais de transparência e livrar Angola do alto índice de percepção sobre a corrupção.

Fonte: Lusa

A posição foi hoje marcada no VI Fórum da Banca, promovido pelo jornal Expansão, subordinado ao tema "Compliance em Angola".



No painel dedicado ao tema da conferência, o Presidente do Conselho Executivo do banco BAI e antigo governador do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, disse que há ainda um esforço de aplicação plena do conjunto de normas e regras que o país deve seguir e de permanente atualização das mesmas.


Segundo José de Lima Massano, Angola não pode "descansar" se quiser estar em linha com as recomendações e aquilo que é hoje entendido como "as melhores práticas".


"Nós somos ainda um país aos olhos destas organizações entendido como um país de alto risco, por vários motivos, por exemplo, o tema da corrupção, no índice de perceção da corrupção, da Transparência Internacional, Angola é considerado um país de alto risco. E essas instituições com tudo o que está aí a acontecer olham sempre para a nossa jurisdição com cautelas acrescidas", referiu o gestor.


Acrescentou como imperativo que Angola continue a registar avanços significativos nesta matéria ou terá "condições mais difíceis de exercer a atividade bancária", num contexto em que a economia angolana "se relaciona com o exterior como um elemento quase que ainda de sobrevivência".


Por sua vez, Emídio Pinheiro, presidente do Conselho Executivo do BFA, sublinhou que a imagem de Angola internacionalmente "é má", o que considerou "um problema muito sério, porque é de perceções".


"Isto não se resolve se não atribuirmos prioridade máxima, prioridade total", frisou, acrescentando que a origem dos fundos "é onde os bancos têm que fazer um esforço maior com os seus clientes".

"Porque é aqui que se despista um encobrimento de património, a fuga de impostos e é aqui que está presente a corrupção", destacou.


Já a Administradora Executiva do banco angolano BIC, Graça Santos Pereira, disse que aquela instituição financeira tem feito muitas comunicações sobre operações suspeitas à Unidade de Informação Financeira de Angola e tem contas bloqueadas à ordem da Procuradoria-Geral da República.


"São coisas muito recentes, temos contas que estão já bloqueadas à ordem da Procuradoria e não sei o que lhes vai acontecer, mas se calhar não vai ser bem assim, não acontecer nada, é um processo muito recente", avançou a gestora.


"Isto é um trabalho recente estamos a falar deste ano maioritariamente, mas temos contas bloqueadas à ordem da PGR há mais de seis meses. O desfecho, não sabemos, já tivemos umas bloqueadas e nos mandaram desbloquear", acrescentou.


Na abertura do fórum, pelo ministro das Finanças de Angola, Armando Manuel, o governante considerou o encontro muito apropriado para o momento atual que Angola vive, que é de fundamental importância que as instituições financeiras nacionais detenham, não apenas o conhecimento básico da legislação nacional e internacional, mas também o domínio das práticas e dos programas de 'compliance', para prevenir e detetar condutas ilegais.

"Enfatizo especialmente a imprescindibilidade das instituições financeiras nacionais deterem conhecimento e domínio da legislação e práticas estrangeiras, para que não sejam as entidades reguladoras de outros países a eventualmente indicar a necessidade de implementar este ou aquele reparo nas operações ou regulamentos envolvendo procedimentos financeiros a partir de Angola ou que tenham esta como destino", disse o ministro.



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