Angola: A cultura do diálogo - Chipindo Bonga

Luanda - Já la vão 25 anos, desde que se implantou o multipartidarismo em Angola e 14 anos desde a conquista da Paz. Tenho assistido com muita preocupação o extremar de posições entre variadíssimos actores da cena política angolana, numa regressão perigosa às teses que sustentaram o Regime Colonial e o monopartidarismo Marxista-leninista, matriz fundacional da nossa Angola independente.

Fonte: Club-k.net

Todo homem que acredita na sua superioridade sobre o outro e que interiorizou este preconceito de estar acima do outro, mesmo sendo semelhante, dificilmente pode aceitar coabitar com a pessoa que considera inferior a si. Sustenta o princípio de que, lá onde houver o espaço para mim não deve existir espaço para mais ninguém, rejeita toda a possibilidade de coabitar neste espaço com todos aqueles que não comungam os seus interesses, as suas crenças e as suas ideias. Assim foi com a política da assimilação e com o dogma segundo o qual “para o inimigo nem um palmo da terra”.


Angola tem de ser um País de moderação política e não mais de extremos, nem fundamentalismos ideológicos ou de produção simbólica de inimigos em que se trabalha para extremar as desconfianças e os medos existentes nas pessoas, causados pelas diferenças político-sociais, pelas experiências das guerras que o País viveu, pelos danos físicos causados no passado ou ainda os estereótipos impostos pela Comunicação Social diante dos que são diferentes.

 

Este processo de produção de inimigo é uma falsificação da realidade através da manipulação das percepções dos cidadãos como aconteceu ultimamente no Monte Sumi, Kapupa e agora no Zango, entre outras, onde o bode expiatório dos autores das chacinas são armas ou material de propaganda dos seus opositores.

Estou convicto de que a educação para cultura da paz e do diálogo requer a aceitação do outro nas suas diferenças políticas, culturais, étnicas, raciais e a capacidade de compreender, debater democraticamente, estabelecer consensos e rejeitar a cultura de qualquer tipo de violência.

Para lá das fronteiras ideológicas há uma Angola que nos exige patriotismo, sensibilidade, humanismo e precisa de todos nós. Angola não pode ser só forte nos direitos e deveres, deve ser forte também nos valores, nas ideias e nos consensos definindo assim o destino de todos nós.


Toda uma grandeza isolada e excludente se ridiculariza; Uma grandeza deve ser dialogante só assim se enobrece.

FIM
Professor Piedoso Chipindo Bonga







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