Luanda - Numa altura em que os corpos das vítimas da tragédia de Benguela ainda estão «quentes», o promotor de espectáculos culturais Nino Republicano disse com alguma desfaçatez que ele teve o «privilégio» de ir àquela cidade manifestar os seus pêsames às famílias enlutadas.


Fonte: Ilidio Manuel

O gesto em si seria digno de registo, não fosse o «proprietário» da LS Produções ter negado, de forma reiterada, as suas responsabilidades na tragédia, dando uma versão diferente das muitas que já foram avançadas por diversas testemunhas.


Nino Republicano, assim como o músico Big Nelo, que agiu em defesa daquele, afirmaram que as mortes tinham ocorrido fora do estádio de Futebol, contrastando com os vários relatos dos sobreviventes da tragédia.


Num claro desafio aos sobreviventes, Big Nelo não só afirmou que tudo ocorrera fora do estádio, como também chegara mesmo a «cobrar» às testemunhas que exibissem imagens do triste acontecimento!


Não sei se por desconhecimento ou por outras razões que não consigo descortinar, Nino Republicano disse que ele teve o «privilégio» de ir a Benguela, tão logo tomou conhecimento do infausto acontecimento.


Das duas, uma: ou Nino Republicano desconhece o verdadeiro significado da palavra «privilégio» ou, no pior dos cenários, ele é mesmo uma pessoa «privilegiada» neste país!


Embora goze do princípio da presunção da inocência, o promotor de espectáculos culturais é, até prova em contrário, um dos responsáveis morais da tragédia que ensombrou Benguela, devendo por isso assumir essa responsabilidade.


Será que alguns dos «privilégios» que ele beneficia tenham a ver com o facto de o Ministério da Cultura não ter ainda suspendido a licença de exploração de espectáculos da LS Produções, ou por Nino Republicano não ter sido minimamente perturbado pela justiça angolana, quando, em tempos, pendia sobre ele um mandado internacional de captura pelo seu suposto envolvimento no tráfico de prostitutas brasileiras?



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