Lisboa - A presidente da petrolífera estatal angolana disse à Reuters que vai completar o mandato. A Sonangol quer cortar o custo de desenvolver projetos novos para poder ser rentável a preços do petróleo baixos.

Fonte: Jornal Economico

Isabel dos Santos rejeitou a ideia que poderá abandonar a liderança da Sonangol antes da eleições angolanas este ano. Em entrevista à Reuters, a filha do presidente José Eduardo dos Santos afirmou que a sua posição e o conselho de administração da Sonangol vão permanecer, independentemente do resultado das eleições em agosto, que vão marcar uma mudança na presidência angolana após 38 anos.


“Nós não somos parte do governo … Temos um mandato claro que foi dado à empresa e vamos cumprir o mandato”, vincou, na entrevista à margem da conferência CERAWeek, em Houston, nos EUA.


A 28 de fevereiro, o Expresso citava um alto dirigente do MPLA a dizer que Isabel dos Santos iria abandonar a Sonangol, em paralelo com as saídas de outros filhos de Eduardo dos Santos da liderança do Fundo Soberano e de um canal de televisão pública. Segundo o Expresso, estas medidas seriam uma tentativa do MPLA em reduzir a crescente contestação popular gerada à volta do enriquecimento da família dos Santos.


Na entrevista à Reuters, Isabel dos Santos além de negar essa possibilidade avançou os planos da Sonangol para os próximos anos. “Estamos a trabalhar na empresa petrlífera nacional – uma empresa que é muito rentável, muito mais focada na geração de retorno para o acionista, uma empresa que é muito mais responsável”, salientou.


A Sonangol pretende reduzir o capital necessário para investir em novos projetos, para poder operar a um preço do petróleo a 45 dólares por barril, muito abaixo do anterior breakeven price (a partir do qual é rentável) de 80 dólares.


“Estamos a construir uma nova estrutura de Capex baseada em cerca de 45 dólares por barril”, referiu. “Para novos projetos, podemos conseguir isso, é um pouco mais difícil para projetos já em desenvolvimento”.


Explicou que não espera que novos projetos sejam aprovados este ano, mas acrescentou que a Sonangol está a trabalhar com parceiros como a francesa Total, a americana Chevron e britânica BP para fazer investimentos no futuro.


Num contexto de quedas de receitas e aumentos de dívida, a Sonangol quer alienar ativos não-core, que são fora do petróleo e do gás, como estaleiros e instalações para produzir materiais para o offshore, visando aumentar o balanço e refinar o portfólio da empresa.


“Esperamos até 2018 preparar um pacote para os investidores, no qual estaremos a olhar para algumas possibilidades – seja M&A, parcerias em joint-ventures ou apenas desinvestimento”, disse a CEO.ener



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