Luanda - O conhecido deputado e economista da UNITA, Fernando Heitor, disse estar a pronto a participar num próximo governo do MPLA encabeçado por João Lourenço, se este vencer as eleições e convidá-lo

Fonte: VOA

Heitor falava no programa “Angola Fala Só”, em que explicou a razão da sua decisão de não aceitar fazer parte das listas da UNITA para deputado à Assembleia Nacional; e revelou que, em Novembro, vai deixar o “partido no qual militou durante 41 anos.

 

“Estou ligado à Assembleia Nacional há 20 anos e já cumpri a minha missão”, disse quando interrogado sobre a decisão de não querer ser mais deputado. É por “razões meramente pessoais”, justificou.

 

“Chegou a altura de dar oportunidades aos mais jovens, há um conjunto de jovens com requisitos de lealdade, de militância que podem perfeitamente ocupar - se calhar com melhor desempenho - o lugar que eu vou deixar”, disse.

 

Fernando Heitor acrescentou ser sua intenção “deixar a militância da UNITA quando os novos deputados tomarem posse”.

 

Os novos deputados tomarão posse em Outubro pelo que “em Novembro irei informar a direcção da UNITA que já não estou disponível também para militar no partido”.

 

O economista disse a um ouvinte que ao longo da sua militância na UNITA viu “coisas boas e coisas más”. Realçou que serviu sempre com “lealdade”.

 

“Este critério de lealdade tem que ser sempre tido em consideração para se promover pessoas para cargos mais altos”, disse Heitor, que mais tarde voltou ao conceito de lealdade para criticar asperamente a nomeação de Raúl Danda para vice presidente da UNITA, por este – segundo disse – não ter sido leal para a UNITA.

 

“Por favor não peçam ao Fernando Heitor que se vergue, que considere vice-presidente um individuo com essa mancha incrível de deslealdade ao partido”, sublinhou Heitor.

 

Raúl Danda, recordou Heitor, havia deixado a UNITA e dito mal dos seus dirigentes, regressando depois.

 

Heitor afirmou que deixava a UNITA não só por ter cumprido o seu dever, mas também por estar “num ponto de saturação em termos de partidos”.

 

“Eu acho que a sociedade angolana está demasiado partidarizada (...) não concordo com isto, porque o país está em primeiro lugar e nós devemos afirmar e consolidar a nossa identidade nacional, tratarmo-nos como irmãos do mesmo país e não com estas reservas e desconfianças partidárias”, afirmou.

 

“Estou cansado disto”, disse Heitor para quem ser apartidário “não significa que eu não possa desempenhar funções no estado”.

 

“Quem quer que vença as eleições se alguém vir em mim um quadro convide-me e eu irei aceitar em função do espaço que me for dado”, afirmou, sublinhando que “na UNITA sempre tive consideração e sempre fui respeitado”.

 

Jorge Heitor recordou durante o programa que a maior parte da sua família tinha sido militante do MPLA.

 

“Eu só não fui do MPLA por causa da ideologia marxista-leninista e ainda por cima ateísta e eu como filho de uma família cristã não podia contrariar a minha consciência”, disse.

 

Jorge Heitor disse, que fez “críticas construtivas” ao governo do MPLA, está convencido que “o MPLA está a entrar num ciclo novo”.

 

“O MPLA se ganha as eleições e João Lourenço é o presidente, eu Fernando Heitor irei igualmente aceitar, porque serei apartidário e irei cumprir com a minha missão no estado e não no partido”, acrescentou.

 

O economista revelou que conhece o novo candidato do MPLA à presidência, João Lourenço, “desde o tempo colonial” e “na minha opinião é uma figura que tem requisitos para fazer uma governação diferente daquela feita pelo presidente José Eduardo dos Santos”.

 

“Estamos a mudar de regime e só isso já me anima e se ele ganhar as eleições e me convidar eu vou ajuda-lo a governar melhor o país”, afirmou o economista fazendo notar que “não estou a pedir emprego”.

 

Heitor disse estar pronto a ajudar na boa governação “num novo ciclo”.

 

“O nosso problema em Angola é boa governação”, acrescentou o politico que não considera que a sua decisão de abandonar a UNITA possa ter um impacto negativo neste partido nas eleições.

 

Depois de recordar a perda de outros dirigentes entre os quais o próprio fundador Jonas Savimbi, Jorge Heitor afirmou que “a UNITA é um partido grande e não está dependente de um ou outro”

 

Interrogado sobre crimes cometidos durante a guerra, Heitor disse que “todos os partidos históricos tiveram um passado triste”.

 

“Na guerra civil todos cometeram excessos e não é bom começar a recordar isso que provocou muitas tristezas e muitos males nos lares angolanos”, disse Heitor para quem os angolanos devem “pôr uma pedra por cima disso e aproveitar só os bons momentos”.

 



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