Inflação angolana em mínimos de mais de um ano

Luanda - A taxa de inflação em Angola renovou em junho mínimos mensais de mais de um ano, a quinta quebra consecutiva, com o acumulado a 12 meses a baixar para 30,5%, ainda o dobro das previsões do Governo para 2017.

Fonte: Lusa

De acordo com o relatório mensal do Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano sobre o comportamento da inflação, os preços subiram de maio para junho 1,52%, quando no mês anterior a subida foi de 1,60%, em abril de 1,80% e em março de 1,91%.


O pico da inflação mensal em Angola neste período registou-se em julho de 2016, quando, no espaço de um mês, segundo o INE, os preços registaram um aumento médio de 4%.


Entre janeiro e dezembro de 2016 (12 meses) os preços em Angola subiram praticamente 42%, segundo os relatórios anteriores do INE com o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN).


Nos últimos 12 meses, até maio, a inflação acumulada tinha descido para 32,58%, registando em junho nova quebra (acumulada), para 30,5%.


A subida de preços em junho foi influenciada sobretudo pelos setores da “Saúde”, com 3,96%, “Bens e Serviços Diversos”, com 3,22%, “Vestuário e Calçado”, com 2,91%, e “Mobiliário, Equipamento Doméstico e Manutenção”, com 2,41%.


O valor da inflação a um ano é ainda mais do dobro da previsão de 15,8% para o período entre janeiro e dezembro que o Governo inscreveu no Orçamento Geral do Estado de 2017.


Desde setembro de 2014, e até final de 2016, que a inflação em Angola não parava de aumentar, acompanhando o agravamento da crise económica, financeira e cambial decorrente da quebra na cotação internacional do barril de petróleo bruto, o que fez disparar o custo nomeadamente dos alimentos.


As subidas de preços no último mês foram lideradas pelas províncias do Zaire (2,03%), Cuando Cubango (1,99%), Benguela (1,98%), Cunene (1,95%) e Lunda Norte (1,92%), enquanto na posição oposta figuraram as províncias de Cabinda (1,12%), Huambo (1,16%), Bié (1,18%), Cuanza Sul (1,23%) e Bengo (1,24%).


Em Luanda, considerada uma das capitais mais caras do mundo, os preços subiram de maio para junho 1,58%, enquanto o acumulado a 12 meses baixou para 31,89%.


O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Angola, Ricardo Velloso, alertou a 22 de março, em Luanda, para a necessidade de medidas que ajudem a diminuir a elevada inflação que o país ainda apresenta.


Falando aos jornalistas após um encontro com o ministro das Finanças, Archer Mangueira, com vista à preparação das consultas anuais ao abrigo do artigo IV, o chefe do FMI para Angola destacou que a inflação angolana “ainda está muito resiliente”, apesar das “políticas muito importantes” aplicadas nos últimos meses pelo Banco Nacional de Angola (BNA).


A preocupação atual do FMI mantém-se à volta da necessidade de relançar o crescimento económico angolano “de uma maneira duradoura para os próximos anos”, além de baixar a inflação mensal dos atuais 2% a 2,5% ao mês para “níveis mais aceitáveis”, bem como sobre “como continuar a reforçar o sistema bancário e financeiro do país”, explicou o economista.


Para Ricardo Velloso, a retirada de circulação de moeda nacional que o BNA tem vindo a realizar é uma das medidas positivas, por ter repercussões também ao nível do corte nas taxas de câmbio no mercado paralelo, que permanecem quase três vezes acima do valor oficial.


“É uma medida muito importante, que ajuda no controlo da inflação e ajuda a reduzir o diferencial entre a taxa de câmbio do mercado de rua e a taxa oficial”, destacou o chefe da missão do FMI, questionado pela Lusa.


O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou a 03 de fevereiro um “novo programa macroeconómico executivo”, cuja estratégia “visa atacar com prioridade a inflação, para a reduzir de modo significativo”, bem como a “diversificação e o aumento das exportações e das receitas fiscais”.

 







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