Angola: Um discurso sobre o panorama eleitoral

Luanda - A aproximação de um pleito eleitoral nas democracias cria sempre uma grande energia social, resultante das expectativas em evidência e da alta intensidade na mobilização dos actores em jogo.

Fonte: Club-k.net

A vontade expressa dos cidadãos-eleitores em participar e exercer alguma influência na tomada de decisões que possam impactar nas suas trajectórias de vida torna o sistema eleitoral pluralista o centro permanente de debates e reflexões, com particular incidência nas experiencias anteriores e práticas recentes. O conjunto de atitudes e práticas de cidadania, exercitados de forma continuada, moldam a consciência colectiva e alargam os espaços de participação cujo raio de acção envolve a dimensão da participação política.

 

Partilhando interesses em busca do bem comum os actores mobilizam-se para a intervenção na vida pública. Essas intervenções, que na realidade angolana actuam numa paisagem social bastante diversificada, revestem-se de modalidades e intensidades distintas. Sustentadas pela diversidade, outras formas de participação política vão ganhando mais força e notoriedade com particular realce para a organização de debates e formulação de opiniões nos grupos de whatsapp, facebook ou outras redes sociais. Os novos canais de diálogo, proporcionados pela internet, abrangem outras dimensões da esfera pública e da representação - impulsionando outra dinâmica participativa - e que devido à sua vitalidade podem ser considerados equivalentes funcionais aos sistemas de partidos políticos, na medida em que são também fontes de políticas públicas e cujas aspirações podem servir de orientação à estratégia partidária.

 

A articulação de diferentes agentes da vida pública, quer seja a nível físico ou virtual, contribui para a própria qualidade do sistema democrático e, eventualmente, para as boas práticas no processo de decisão do eleitor que geralmente implica emoção, lealdade partidária e dedicação a um programa. No entanto, o acto de decisão final do eleitor e a forma como decorre constitui um potencial indicador dos resultados de um programa mais amplo, transversal e que transcende as disputas partidárias: a educação cívica. A educação para a cidadania, para a urbanidade e civilidade é um exercício permanente e atento às dinâmicas da globalidade. Ser cidadão pressupõe a aprendizagem de conhecimentos e saberes que estimulam atitudes e comportamentos que permitirão enfrentar um mundo competitivo e em constante transformação.


Deste modo, as comunidades políticas que mobilizam-se para a educação cívica em períodos imediatamente pré-eleitorais arriscam a consolidar uma participação cidadã de baixa intensidade quer do ponto de vista temporal (na medida em que é manifesta num determinado período e obedece a uma agenda específica) quer do ponto de vista sociológico (transmitindo-se a ideia deturpada de que a participação efectiva-se, essencialmente, nos limites internos de grupos sociais restritos que são os partidos políticos), o que seria contraproducente aos propósitos de uma sociedade inclusiva. Concluindo, entendemos ser fundamental reverter o desinteresse e a indiferença cívica, em especial nos mais jovens, apelando ao reforço dos processos educativos de continuidade orientados para uma cidadania enquanto arte da convivência social e não das vontades individuais.

 

Florival de Sousa - Pesquisador e Mestre em Sociologia pela Universidade de Coimbra.







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