Luanda - As eleições têm uma coisa boa, que é tirar os políticos das suas poltronas, que é como quem diz, pode ser das suas lavras, gabinetes, vivendas, apartamentos ou fazendas.

Fonte: Jornal de Angola

Se se esconderam durante quatro anos, se são políticos de verdade, não têm agora como deixar de revelar tudo, mesmo os seus jardins proibidos, e vir a público mostrar o que valem, dizer que projectos e propostas têm para resolverem os problemas do país, que não são brincadeira nenhuma.


O eleitor, para votar, precisa de saber quem é quem, porque quer escolher o melhor para governar. As Assembleias de Voto já estão a ser instaladas, a educação cívica eleitoral está em curso, os meios de comunicação social cá estão, preparados como nunca, para emitirem os Tempos de Antena, em condições de igualdade para os Partidos Políticos e a Coligação concorrente, para relatarem e comentarem as campanhas, de modo a transmitirem, no final, quem venceu o grande desafio. Há espaço para todos, nada de fraude nem confusão. Em cada eleição, Angola avança como Nação democrática e isso promove o desenvolvimento económico e social.


A missão dos políticos angolanos impõe-lhes um alto grau de exigência e responsabilidade. É um ofício diário de compromisso com o próximo, um trabalho respeitável e tão espinhoso que torna difícil imaginar como é possível alguém partilhá-lo com a família e com os afazeres pessoais. Especialmente nestes períodos de campanha eleitoral, em que é indispensável conquistar simpatias e garantir o voto certo para si, se vê com que aço são temperados os músculos, os nervos e a massa cinzenta dos nossos políticos. Reconheça-se que não é fácil para uma mesma pessoa captar hoje o voto com um discurso que antes era hostil e prometer estar à altura dos anseios e necessidades de populações que foram martirizadas, só para conseguir o poder de governar.


Só os justos conseguem vencer. Quem pensa que são os outros que devem realizar o trabalho por si, tem à partida o jogo perdido. Temos políticos que pensam que sem a comunicação social nunca chegarão ao poder e querem-na para si. Mesmo que já tenham tido essa e mais outras armas consigo, e sempre tenham fracassado, mesmo que defendam a isenção e a imparcialidade da imprensa nas eleições.


Na verdade, quem decide a eleição é o povo, é o eleitor. Em tempos maus ou bons, o povo angolano sabe distinguir quem o defendeu e quem trabalhou para o seu bem e em quem deve votar.


Fazendo valer a minha isenção e imparcialidade, deixo alguns conselhos aos nossos políticos. Nesta caminhada para o dia 23 de Agosto, aproveitem bem a paixão pelas nossas estradas nacionais. Atravessem o Bengo e parem no belo município do Nzeto, onde estive recentemente pela primeira vez. Comam um bom funje de cabidela no restaurante do senhor Victor. Cheguem a Mbanza Kongo, a cidade que a UNESCO elegeu esta semana Património da Humanidade. Defendam que esta cidade devia ser agora colocada numa redoma para a proteger dos predadores sempre prontos a danificar o sagrado. Dêem aos turistas a possibilidade de conhecer as maravilhas dos rituais dos nossos antepassados e os mitos contados pelos guardiões do antigo Reino do Kongo.


Dentro de uma semana, começará a campanha eleitoral para o 4º pleito livre e democrático em Angola. Mais do que qualquer outro aspecto, o eleitorado quer saber quais são as ideias que os nossos políticos têm para fazerem com que a vida em Angola continue a melhorar, o país continue a ser respeitado lá fora e as nossas tradições culturais preservadas. Parece pouco, mas não é.




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