Onde estão afinal os nossos candidatos a deputados ? - Felisberto Sakutchatcha

Luanda - Já tivemos várias vezes em que nos sentimos sozinhos. Já nos sentimos lançados deliberadamente ao esquecimento. Nós, angolanos, claro que já provamos dessa amargura de se sentir quase absolutamente sem ter algum representante lá na casa das leis. Sentimos essa falta do parlamento quando no Sumi nossos irmãos foram massacrados, quando um adolescente em Luanda foi assassinado, quando outros tantos males contra o povo foram feitos; se talvez esses deputados existissem e respeitassem a vontade de quem os elegeu, eu creio que seríamos defendidos desde que o primeiro mal se deu e nunca surgiria outro ileso assim. A nossa voz gritante cá de baixo nunca ecoou no pico da montanha e, infelizmente, vemos que é também agora a vez dos mesmos deputados de ficar em silêncio ainda mesmo na fase genética da sua candidatura. Nobre Decepção!

Fonte: Club-k.net

Os partidos que concorrem às eleições deste ano sabem muito bem que além do cabeça-de-lista têm mais um conglomerado acima de 200 pessoas que se candidatam ao cargo de deputado que, infelizmente, como nos sempre acostumaram, pouco ou nada mostram sobre o verdadeiro perfil destes.

 

As listas que o tribunal Constitucional publicou aquando do apuramento das candidaturas não bastam; Luanda não é Angola inteira e publicar uma lista na capital do país não dá azo de que todos tenham acesso à mesma. Nem mesmo os jornais em que se publicaram tais listas conseguem alcançar o país inteiro. Eis ali a razão de olhar para os tempos de antena como uma oportunidade ímpar de levar a um extenso público de uma vez única a mensagem da campanha e, consecutivamente os rostos, perfis, talentos e outros elementos dos candidatos a deputados. É verdade que não são todos que omitem os seus deputados, mas o exercício de apresentar esses candidatos é um imperativo político e democrático, por isso ainda não é suficiente.

 

Mesmo os partidos que já o fizeram, deram o melhor do que podiam fazer, mas pouco mesmo mostraram os representantes pelos círculos provinciais, embora para o MPLA sejam pelo menos já conhecidos os titulares advindo ao facto destes já serem os actuais governadores, mas a lista é mais que uma única pessoa. Porém, devemos ter a noção de que mais que o chefe do executivo a eleger, é da responsabilidade do povo escolher também um mundo de 220 pessoas que exercerão um outro poder independente, cujas candidaturas estão interligadas aos partidos. Infelizmente, os partidos (na maioria) restringem apenas os seus tempos de antena ou nas redes sociais a apresentação do cabeça-de-lista, desprezando desta feita os demais concorrentes da mesma lista.

 

Como o povo saberá que elegeu o deputado A ou B se nunca nos mostraram pelo menos alguns dos talentos de eloquência e o perfil dos candidatos a deputados? Já foi assim nos pleitos seguintes: sempre elegemos e nunca sentimos o desempenho dos nossos deputados. Na última legislatura, o Executivo produziu mais leis que os tais legisladores. Essa omissão propositada é um campo vazio em que lançamos as sementes sem ter que escavar a terra. Nunca foi possível ter uma transmissão das sessões parlamentares em directo. Ainda na hora em que deveriam se humilhar para merecer nosso voto se agasalham sem vir a terreiro para nos apresentar qual é o propósito das suas candidaturas no parlamento. É certo que não é possível passar 0s 220 candidatos nos curtíssimos tempos de antena diário num intervalo de apenas 30 dias, visto que é a altura de publicitar os projectos mais relevantes do partido, mas é um espaço que bem aproveitado tecnicamente dá para em jeito de exercício implantar essa iniciativa e mostrar nesses tempos ao país inteiro quem são, dividindo-os por temas.

Passados 15 dias de campanha eleitoral, a UNITA e a CASA-CE são os únicos concorrentes que conseguiram ler as aspirações dos eleitores e que felizmente já chegaram de apresentar mais de 10 candidatos a deputado, pondo-os a abordar temas da governação e com a devida especialização; só que os candidatos pelos círculos provinciais têm sido menos acolhidos para essa exibição que é crucial para todos nós. É necessário que nos próximos dias os partidos dedicassem os tempos de antena pelo menos a apresentarem brevemente os candidatos a deputado pelos círculos provinciais ou nacional, além daqueles que abordam os temas constantes no programa de governação. Podem não ser todos a falar, mas o exercício que a UNITA e a CASA têm levado é de estimado valor para divulgar a qualidade intelectual dos seus constituintes. Se os membros do partido não dominam o programa de governo desse partido, quando chegam ao poder serão totalmente dependentes do chefe do executivo e mesmo sabendo que é obrigação do partido honrar com as promessas, esperarão que haja uma ORDEM SUPERIOR a dizer que “a partir do próximo mês temos de iniciar a respeitar os direitos humanos”. Quanto à FNLA e a APN se limitam demasiadamente na pessoa do candidato, ou só o candidato é que existe e que nem se quer ousam em apresentar seus candidatos a vice-presidentes, levantando suspeitas de até hoje terem listas incompletas no TC. Agora o PRS parece o mais liberal, embora insistindo nos mesmos rostos de candidatos sem diversificar a opinião, pelo que o seu líder é o menos ouvido nos tempos de antena. Em relação ao MPLA que deveria ser exemplo, os seus tempos de antena tem sido lamentável, primeiro porque não está fazendo campanha de apresentação de programa, mas sim reportagens do que já foi feito e que pelo slogan será melhorado; o MPLA fez e isso é visível, mas precisa-se no tempo de antena que diga o que há-de fazer de concreto no futuro caso vença as eleições, pelo que, até hoje não é o que está acontecer; segundo, desde o início da campanha há excessiva concentração

da atenção no cabeça-de-lista em detrimento dos deputados que concorrem. Usar celebridades para conquista de votos nesses tempos como os músicos, etc, é desprezar as ideias desses candidatos que muito têm a mostrar para o país antes de entrarem na casa das leis. Embora tenham dado indícios nos 2 últimos ias de diversificar a opinião, é necessário que se estenda mais essa abrangência aos depuatdos candidatos. Há tempo para inverter esses pontos menos saudáveis na campanha.

O POVO VAI ELEGER DOIS PODERES REPRESENTATIVOS EM SIMULTÂNEO: O EXECUTIVO E O LEGISLATIVO!

O grito do povo é ressoado na voz do deputado e é este o maior interesse dos eleitores. É necessário que a sociedade comece a exigir melhor desempenho desse parlamento que só existe pelo depósito de confiança que o devemos.

Porque é que não aparecem os rostos e vozes desses candidatos para todo o país na televisão ou na rádio? Creio que estão também envolvidos em campanha pelos seus círculos a fim de mobilizar o voto, mas isso é plenamente insuficiente para que o país inteiro possa conhecer essas pessoas.

Caros concorrentes, é hora de mostrarem quem é quem. Não nos façam cair na intuição de que só um é que tem competência, só um é que determina. Se assim for, estaremos submetidos a uma ciência de TUDOLOGIA em que um único homem subalterna a todos e decide por milhões. A nação é grande, é preciso colaborar e andarmos de mãos dadas com abertura democrática!

Não é um debate (que por vezes cria alergias cerebrais), mas é apenas uma apresentação de ideias já traçadas e que pretendem levar para a futura governação caso assim se concretize. Sendo assim, então, não há razões de esconder os rostos do sol por trás da montanha.







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