Lisboa - No mesmo dia em que a Comissão Nacional Eleitoral de Angola confirmou a vitória de João Lourenço na eleição presidencial, tropas angolanas efetuaram uma incursão militar junto ao rio Lukula, a cerca de 200 quilómetros de Matadi, cidade da República Democrática do Congo (RDC) junto à fronteira com Angola, confirmou à rádio congolesa Okapi o presidente da sociedade civil do setor de Kakongo, Jean Noel Mananga.

Fonte: E-global

Para capturar guerrilheiros da FLEC

As informações disponíveis indicam que os militares angolanos pretendiam capturar combatentes da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC). Para os militares angolanos a guerrilha independentista cabindesa teria, supostamente, estabelecido a sua base à retaguarda numa aldeia congolesa na região.


Segundo o relato de Jean Noel Mananga à Rádio Okapi, na véspera da incursão uma delegação angolana deslocou-se ao terreno, após terem informado os serviços de segurança congoleses alegando que pretendiam “perseguir os FLEC”. Posteriormente “reforços militares angolanos cercaram as aldeias provocando o pânico junto da população”. O presidente da sociedade civil do setor de Kakongo confirmou também que é a segunda vez que militares angolanos efetuam uma incursão na região, com o pretexto de pretenderem capturar guerrilheiros da FLEC.


Habitante local disse a e-Global que entre 60 a 70 militares angolanos permanecem na RDC e prosseguem as suas operações nas localidades de Mbaka Kochi e Yema Dianga. “Os militares angolanos continuam aqui, quem retirou foi apenas a população”, disse.


Por diversas vezes responsáveis da FLEC declararam que tropas angolanas, com o pretexto de pretenderem capturar guerrilheiros do movimento independentistas, violaram os espaços territoriais da República do Congo e da RDC, efetuando operações nas aldeias fronteiriças mas também nos campos de refugiados. Os mesmos responsáveis, contactados por telefone, confirmaram ainda que ao longo da fronteira de Cabinda com República do Congo e RDC tem sido registada “uma importante concentração das tropas angolanas e semanalmente recebem reforços”.


Com a missão de derrotarem militarmente guerrilha cabindesa, os militares angolanos têm sido acusados de procederem à captura e eliminação de vários responsáveis da FLEC e nacionalistas cabindeses em Cabinda, República do Congo e na RDC.


No quadro destas operações, que Angola nunca reconheceu oficialmente, os guerrilheiros Gabriel Augusto Nhemba “Pirilampo” e Maurício Lubota “Sabata” foram capturados e executados em 2011, assim como João Alberto Gomes “Noite e Dia”, David Zau, Sebastião Mazunga, José Clemente Mavungo em 2012, e João Massanga “Homem de Guerra” em 2015. A 17 de setembro de 2016 o corpo de João Baptista Ngimbi, conhecido como “Sem Família”, responsável adjunto da informação da FLEC foi encontrado por militares congoleses na margem do rio Chiloango junto à fronteira de Cabinda com a RDC. No final de Julho de 2017 Gabriel Félix Monzo “Dores”, membro da direção da FLEC, foi igualmente capturado e executado pelas Forças Armadas Angolanas em Cabinda junto à fronteira com a República do Congo.

 




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