Diretor da Educação no Cuanza Norte nega perseguição a professores angolanos

Luanda - O diretor de educação da província angolana do Cuanza Norte negou hoje as acusações de alegada perseguição, a 11 professores, que participaram da greve nacional, em abril.

Fonte: Lusa

"Quanto à perseguição aos professores, conforme dizem, podem vir cá confirmar, falem com os professores, isso também não condiz com a verdade e há mesmo aqui algum equívoco, é tudo mentira e não queremos mais falar sobre esse assunto", disse hoje David Bindanda, em declarações à Lusa.

 

O Sindicato Nacional dos Professores Angolanos (Sinprof) denunciou, a 05 de setembro, que 11 professores daquela província "estavam a ser perseguidos e ameaçados pelas entidades locais", "correndo risco de vida" por terem participado na greve geral de abril.

 

A acusação foi feita pela secretária-geral do Sinprof, Hermínia do Nascimento, tendo na altura manifestado preocupação, face ao silêncio das autoridades contactadas.


"A situação é muito preocupante e é a primeira vez que denunciamos isso publicamente, porque o clima não dá, para além de outras situações com os colegas, até a correrem risco de vida, com ameaças. Já solicitamos a intervenção de várias estruturas do país, mas a situação continua", lamentou.

 

Em reação, David Bindanda disse ter "relações cordiais" com os professores e que o momento "não é de inflamar as relações, mas de paz, unidade e fraternidade", com todas as instituições.

 

"Não podemos inflamar as situações e nem nos interessa, por isso eles podem nos criticar, mas nós não queremos responder, por isso vamos dar razão a eles que nos estão a criticar para termos paz e não nos interessa fazer outras declarações", afirmou.

 

Acrescentou que o Sinprof "desconhece" a realidade dos professores na província do Cuanza Norte.

 

"É melhor vocês virem cá e falar com os professores, porque eles falam de lá longe e não vêm para cá, sentar connosco e abordar a questão, então não são pessoas muito sérias", atirou.

 

A indignação do Sinprof vai ainda pelo facto de os professores visados, estarem a ser supostamente "severamente castigados", com transferências para localidades distantes da sede da província.

 

"Então, se o professor é meu, eu sou a entidade patronal e lhe pago o salário, vou-lhe maltratar porquê, meu Deus?", questionou o diretor da educação do Cuanza Norte, referindo ainda não ser verdade a alegada falta de diálogo a nível da instituição que dirige.

 

"Essa questão de que não há diálogo aqui com as autoridades é mentira, porque as portas do meu gabinete andam escancaradas e toda gente aqui é recebida (?) e não há protocolo, por isso não condiz com a verdade e nós não queremos responder olho por olho, dente por dente para inflamar situações", concluiu.

 

O Sindicato Nacional dos Professores angolanos suspendeu, em abril, a segunda fase da greve no ensino geral, no quadro das negociações com o Ministério da Educação, alertando que os docentes podem retomar para terceira fase das reivindicações, no terceiro trimestre deste ano, caso não se solucionem as suas reclamações na totalidade.

 

O Sinprof diz aguardar desde 2013 por respostas do Ministério da Educação e das direções provinciais de Educação ao caderno reivindicativo, nomeadamente sobre o aumento do salário, a promoção de categoria e a redução da carga horária, mas "nem sequer 10% das reclamações foram atendidas".

 

O ano letivo de 2017 em Angola arrancou oficialmente a 01 de fevereiro, com quase 10 milhões de alunos nos vários níveis de ensino, decorrendo as aulas até 15 de dezembro.

 







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