"Savimbi não estava preparado para uma sociedade aberta e livre" - Padre António Oliveira

Lisboa - Um jovem padre português foi para Angola em 1970. Conheceu e privou com Savimbi, que recorda como um amigo que acabou por se revelar uma desilusão. O livro "O Padre de Savimbi" conta o resto.

Fonte: TSF

Estudou em Salamanca, em Lisboa e pelo meio ainda esteve em Paris. Em outubro de 1970, o padre António Oliveira concretiza o sonho, romântico, admite, de ser missionário. Angola foi o destino.


Ultrapassou as desconfianças das forças da UNITA, mas não foi à primeira. Só depois de manifestar várias vezes por escrito que queria estabelecer um diálogo com Jonas Savimbi é que conseguiu, finalmente que lhe concedessem um encontro.


António Oliveira tinha 27 anos e durante estas tentativas recebeu avisos que podia ser raptado ou morto por querer chegar à UNITA. Não o demoveram e ele e consegue o que queria, sendo que os primeiros encontros não decorriam na presença do líder do grupo.

 

Jonas Savimbi nunca aparecia nos encontros entre António Moreira e membros da UNITA. O 25 de Abril, em 1974, trouxe muitas mudanças. Logo a seguir à revolução, em Lisboa, Savimbi tratou de chamar o padre para tentar estabelecer uma ligação a Portugal, que vivia uma nova era política.

 

Uma carta que recebeu por esses dias e que lhe foi entregue por Jonas Savimbi é um dos muitos testemunhos que integram o livro de António Moreira, "O Padre de Savimbi".

 

O dia em que recebeu a missiva pela mão do líder da UNITA foi também o dia do primeiro encontro entre ambos. Inesquecível, recorda António Oliveira. "Ele era um homem culto, simpático".

 

Durante 15 anos, António Oliveira passou da ilusão à desilusão. Recorda a viagem à Jamba, em 1989, onde foi procurar informações sobre um padre que se pensava morto. Savimbi recebeu-o, mas a conversa foi tensa, com o antigo líder da UNITA a não esconder o desagrado com a curiosidade do padre.

 

No livro "O Padre de Savimbi", António Oliveira promete descodificar a personalidade complexa do ex-líder da UNITA, considerando que Savimbi foi inimigo de si próprio, ao viver no mato uma realidade em que era "um senhor absoluto".

 

Recordando novamente os primeiros dias em Angola, António Oliveira admite que partiu como missionário e acabou por vestir papel de "embaixador", intermediando algumas vezes o diálogo entre a UNITA e Portugal.

 

António Oliveira diz que a mata era a zona de conforto de Jonas Savimbi. Era onde sentia conforto e segurança. Para o padre, há muito regressado a Portugal, o líder da UNITA não estava preparado para uma sociedade aberta e livre.

 







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