Luanda - O diretor adjunto do Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considera que Angola deve aprender com os erros do passado e apostar seriamente na diversificação da economia.

Fonte: Lusa

Em entrevista à Lusa à margem da apresentação da edição portuguesa do relatório "Perspetivas Económicas em África 2017: Empreendedorismo e Industrialização", que decorreu em Lisboa, Federico Bonaglia disse que Angola falhou nas políticas económicas, que não apostaram na diversificação, e não melhorou significativamente a redução da pobreza.

 

"O que esperamos em Angola é que a nova liderança aprenda com esta situação anterior e invista mais na construção das ligações entre o setor extrativo e o resto da economia, e também melhore a capacidade dos cidadãos participarem na governação do país e na melhoria da qualidade das instituições", disse Bonaglia.

 

Ainda sobre Angola, que conheceu um abrandamento económico desde a descida dos preços do petróleo, o diretor adjunto do Centro de Desenvolvimento da OCDE avisou que "o facto de o crescimento estar concentrado em setores que não geram emprego significa que mesmo que a economia cresça, não vai ter um 'efeito-cascata' até aos cidadãos de forma a reduzir a pobreza".


Em Angola, vincou, "é preciso usar melhor as receitas geradas pelo petróleo nos últimos anos", até porque "há uma nova liderança e isso pode trazer novas abordagens políticas".

 

O problema, concluiu, é que o dinheiro do petróleo não parece chegar às populações: "Se olharmos para o crescimento dos preços do petróleo e compararmos com o crescimento da economia em Angola e a melhoria das condições de vida das populações, vemos que a equação não é muito favorável, porque a taxa de pobreza ainda é muito alta e a incidência do crescimento económico na redução da pobreza tem sido muito desigual".

 

O relatório da OCDE, Banco Africano para o Desenvolvimento e Nações Unidas, divulgado em agosto, prevê que Angola tenha crescido 1,1% e acelere este ano para 2,3% e 3,2% em 2018 "devido ao aumento previsto das despesas públicas e uma melhoria dos termos de troca, resultante da recuperação do preço do petróleo".

 

Entre as recomendações do relatório está aumentar "o investimento em capital humano, prosseguir a diversificação e reduzir a vulnerabilidade da sua economia para passar a integrar o grupo dos países de rendimento médio em 2021".

 



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