Lisboa - O incentivo à produção nacional é um dos principais temas em agenda. Por um lado, urge a necessidade de termos produção própria suficiente para satisfazer as necessidades da nossa população, por outro lado é indiscutivel que precisamos de usar o excedente desta produção para apostarmos na exportação do produto nacional e, consequentemente, captarmos divisas que nos permitam novos investimentos – como na indústria e no turismo, por exemplo.

Fonte: Club-k.net

Mas então qual é o caminho? Angola é reconhecida como um dos países com maiores potencialidades económicas da África Subsaariana. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, somos donos de 35.000.000 de hectares de terras aráveis, sobre uma superfície cultivada de 5.000.000 de hectares, extensas áreas de pasto para a produção pecuária, faixa irrigável de 7.000.000 de hectares da área total, dos quais 3.400.000 de exploração tradicional, bem como uma rede hidrográfica constituída por 47 bacias, com um potencial hídrico estimado em 140 mil milhões de metros cúbicos.

No entanto, esta riqueza nacional ainda não se traduz numa economia forte, com um balança comercial equilibrada. Continuamos dependentes da importação de alimentos e outros produtos, com um claro desajuste entre a oferta e a procura.

É imperativo que assumamos os próximos cinco anos como o tempo de viragem.

O Executivo muito tem batalhado para esta mudança. São claras as iniciativas que visam estimular a produção nacional e, graças a isso, não é apenas o lado financeiro que caminha para estabilidade, como também conseguimos que o capital humano seja mais valorizado, devido ao aumento do emprego e natural aumento do poder de compra.

Estamos numa era em que todos reconhecemos que ao invés de pensarmos em atrair IDE (Investimento Estrangeiro Directo) para captação de divisas, a nossa economia deve produzir, criar excedentes e exportá-los, criando riqueza para o país.

De acordo com o Governo, actualmente mais de dois milhões de famílias vivem da agricultura e esta emprega cerca de 2,4 milhões de pessoas. E este é um sector prioritário para o nosso país, como tem sido amplamente reconhecido pelo novo Executivo - veja-se a visita do Presidente da República ao Huambo, para testemunhar a abertura do ano agrícola nesta

província. E um incentivo do mais alto mandatário do País é o que os produtores e empreendedores precisam.

Com uma produção diversificada e em grande escala, o país poderá fazer face às necessidades internas e o excedente desta produção irá para exportação, captando divisas que incentivam o surgimento de indústrias transformadoras de alimentos e outros. O Executivo que agora começa a trilhar o seu caminho, irá certamente proporcionar maior abertura ao sector privado, ouvindo-os, orientando-os e incentivando-os através de leis e créditos bancários para os sectores não petrolíferos. O OGE 2018 deve dar sinais deste intento.

O petróleo será ainda durante algum tempo um suporte importante para a economia angolana, mas precisa de aliados à altura. Acredito que a Agricultura, as Pescas, a Energia, a Água e o Turismo estejam na linha da frente dos produtos e serviços para a dinamização que se impõe da nossa economia. São sectores que apenas necessitam de um incentivo sistemático, estratégico e rigoroso para comecem a médio prazo a render benefícios.

As condições naturais e únicas, em muitos casos, que este país oferece para desenvolver estes sectores, agregados às actuais relações privilegiadas com algumas das maiores economias globais são a combinação perfeita para que Angola consiga regressar ao trilho de crescimento.


*PCA Grupo Opaia



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