Luanda  - A Baixa de Kassanje, é um imenso território angolano com cerca de 80 mil Km distribuídos entre Malanje e as Lundas. Kassanje compreende as aldeias de Cambo Sunginge, Zungue, Kanzage, Wholo dia Coxi, Santa Comba, Mulundo, Teca dia Kinda, Xandel, Moma, Iongo Milando e Massango (Forte República) nos municípios de Cahombo, Marimba, Cunda dia Baze e Quela.

Fonte: Club-k.net

A região da Baixa de Kassanje, no distrito de Malanje na Angola portuguesa, antes da independência em 1975, era uma importante área de produção de algodão. Em 1961, a região tinha 150 mil habitantes e os campos de algodão tinham quase 85 mil agricultores e respectivas famílias, todos eles coagidos a cultivar e a vender o algodão.

A revolta da Baixa de Kassanje, de 4 de Janeiro de 1961, é considerada o primeiro confronto de Guerra contra a colónia Portuguesa e um accionador para a guerra de Independência de Angola (1961-1974), que, no entanto, estava sendo preparado por vários guerrilheiros pró-independência em países africanos vizinhos sob o apoio de potências mundiais, como a União Soviética.

A revolta começou em 3 de Janeiro de 1961 na região da Baixa do Kassanje, os trabalhadores agrícolas empregados pela Cotonang, uma empresa de plantação de algodão português-belga, organizaram um protesto para forçar a empresa a melhorar suas condições de trabalho no distrito de Malanje.À 4 de Janeiro, as autoridades portuguesas suprimiram com sucesso a revolta, uma acção barbará que marcou a história nacional em Angola.

Em 1979 já numa Angola independente, Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola, visitou pela primeira e última vez a região, tendo prometido construir uma cidade histórica a dimensão do simbolismo que a região conquistou como impulsionador das lutas pela liberdade.

Foi aqui onde tudo começou, foi aqui que o povo angolano tomou a coragem de dizer basta de exploração e rumo a conquista de uma Angola independente, por esta e outras razões é que o território é considerado como o berço da liberdade angolana.

Mas apesar de toda esta história memorável de liberdade e das promessas dos políticos, Baixa de Kassanje não tem a dignidade que merece, foi colocado no esquecimento, somente lembrado nos dias 4 de Janeiro para um discurso político.

A única coisa que região tem é a história dos massacres dos seus filhos e mais nada, não há infraestruturas básicas, escolas, hospitais, estradas e serviços essenciais. Foi deixado ao abandono com uma pobreza terrível. Pouca ou nada é feito, para dar a dignidade a medida da coragem deste povo, que em nome de um país livre deu o sangue de milhares dos seus filhos.

Deixar a Baixa de Kassanje na péssima condição em que encontra-se, é mesmo que negar a nossa história, é o mesmo que desvalorizar as lutas e o sangue perdido na conquista da liberdade, é o mesmo que desprezar a nossa ancestralidade e a nossa história cultural, que só serve para ser lembrado em discursos político nos dias 4 de Janeiro.

UM POUCO DE TUDO
João Vakanda



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