Luanda – No passado dia 8 de Janeiro de 2018, aconteceu mais um marco histórico, político e jurídico na “bebé democracia” angolana: a primeira entrevista colectiva do Presidente da República, após 42 anos de independência de Angola. E, foi exactamente no consulado do actual P.R., João Lourenço, realizada dia 8/1/2018 alusivo a celebração dos 100 dias do seu governo.

Fonte: Club-k.net
A expectativa era grande. Afinal de contas era a primeira vez que teríamos uma entrevista ao P.R., em directo, com perguntas directas, abertas à todos jornalistas, credenciados à nível nacional e internacional.

Tal como a nossa sociedade já nos habituou, verificamos após a mesma entrevistas posicionamentos “radicais”, principalmente nas redes sociais (onde todos agora são analistas e comentadores de todos assuntos, até do satélite angolano! mas deixemos esse assunto para outra ocasião). Nesse texto pretendemos abordar do ponto de vista ontológico (aquilo que é ou foi) a entrevista colectiva o PR.

Vamos analisar três aspectos: o PR, a entrevista e os jornalistas. Atemo-nos aos factos:

O P.R.: João Lourenço, presidente da República de Angola, como sabemos foi candidato e vencedor das eleições passadas, de 23 de Agosto, pelo seu partido - MPLA. Naturalmente mereceu a confiança do partido e, o comunicado da última reunião do bureau político do MPLA reafirmou o ápio ao seu candidato. É natural que nessa entrevista era impensável que o P.R., segundo algumas perguntas relacionadas, anunciaria uma “espécie” de “colisão” ou “ruptura” com o seu partido ou o presidente do seu partido.

O P.R. tem sido implacável quanto a reformulação do executivo. Fez mais de 200 exonerações e nomeou tantas outras. Tudo na perspectiva de implementar os princípios elencados no programa eleitoral do seu partido, tais como transparência, imparcialidade e combate a corrupção. Em função da sua actuação, o P.R. ganhou bastante notoriedade e aceitação à nível nacional e internacional, apesar de passarem apenas 1oo dias desde o inicio de seu mandato, e as mudanças ainda não se reflectirem directamente no modo de vida dos angolanos. Porém, conforme dizem os americanos, “setp by step”

A entrevista: podemos afirmar que a entrevista, ao contrário da “fenomenologia” que algumas pessoas pretendam atribuir, que se compreende devido a atmosfera política criada no antigo “Reich”, ela enquadra-se no âmbito da democracia participativa, como define bem a CRA no seu artigo 2 “A República de Angola é um Estado democrático de direito que tem como fundamentos a soberania popular…e democracia representativa e participativa”. Bem como o artigo 40 da CRA “todos têm o direito… de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações”. Dito doutro modo, a entrevista colectiva, com perguntas directas ao titular do poder executivo “não é um milagre”. É uma prática natural, corrente e própria dos Estados de direito-democrático-constitucional. Todavia saúda-se a iniciativa do P.R., sem pressão, por iniciativa própria em promover a sua primeira, de muitas, entrevistas colectivas.

De uma forma geral, a entrevista, diferente da conferência de imprensa, é uma sessão onde se aborda variados assuntos, em função das perguntas dos jornalistas e da disponibilidade o actor de responder ou não. Talvez emerge dai a “frustração” de muitos que não viram seus “desejos” consumados. Durante a entrevista, o P.R. foi claro e simples em alguns assuntos tais como: o fundamento das exonerações, a questão do combate a corrupção, a austeridade versus desemprego e diversificação da economia. Marcou o posicionamento do executivo quanto ao caso “ Manuel Vicente”. Foi evasivo quanto à perguntas sobre o 27 de Maio, a província da Huila e outros.

Jornalistas: ao contrário do que se diz, principalmente nas redes sociais sobre os jornalistas, pondo em “causa” credibilidade dos mesmos, somos de opinião contrária. Participaram jornalistas pertencentes a órgãos de comunicação sociais nacionais e estrangeiros com reputação granjeada. Todavia, Os jornalistas angolanos, principalmente dos órgãos privados são uma espécie de “ antigo combatente versus veteranos da pátria. Basta ouvir o testemunho do jornalista da Huila, que viajou por seus próprios meios. É contundente que maior parte das inquietações não foram colocadas ou respondidas tal como desejávamos. Porém, não podíamos esperar que a situação do país fosse retratada em 24 perguntas.

Pensamos que em grande medida os jornalistas estiveram bem, de uma forma ou de outra, numa entrevista colectiva, o P.R. apenas responde a questões gerais, de forma política devido a variedade da natureza das perguntas colocadas.

O legado

A iniciativa do PR marca uma nova era na relação entre o mesmo e os cidadãos, representados neste fórum naturalmente pela comunicação social, que são o veículo de transmissão de informação entre ambos.

O PR disse “ o principal escrutinador é o povo”. A entrevista do P.R. deixa uma árdua missão aos auxiliares do titular poder executivo. Doravante há que prestar contas públicas, sem descriminação, através dos órgãos de comunicação social.

Bem haja Angola,
Bem haja o P.R.
Salaam aleikun



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