Luanda - Em jeito de elucidação, na arte militar ou na ciência politica, uma jogada é uma estratagema, por via astuciosa, utilizada ou aplicada para destrair, iludir e enganar o adversário, a fim de atingir um objectivo estratégico, previamente concebido, definido, estruturado e decidido. Quanto a politica, como ciência, é uma arte complexa, que exige muita visão, bom-senso, prudência, cortesia, polidez, audácia, astúcia, coerência e perseverança. Noutras palavras, a politica reside no patriotismo, na liberdade, na igualdade, na justiça, na ética, na moral,  na solidariedade, no pragmatismo, no realismo, no altruismo e no humanismo, como valores sagrados da humanidade – das sociedades modernas e democráticas.

 

Fonte: Club-k.net

Porém, os valores acima enunciados, não se aplicam integralmente à autocracia, cujos principios baseiam-se no maquiavelismo, segundo o qual, ao Principe ou ao Estado, é licito recorrer a todos os meios (justos ou injustos), em busca dos fins preconizados. Logo, os principios da liberdade, da igualdade, da justiça, da solidariedade, da ética, da moral, do humanismo, do altruismo e do bom-senso, não têm reflexo real nos regimes autoritários. Neste sistema, acima referido, o poder politico é ilimitado, não emana do povo, não serve o povo e não representa a vontade do povo. Portanto, na autocracia, os meios justificam os fins alcançados, não obstante a natureza e o prejuizo resultante disso.

 
Por este motivo, a politica, como ciência e como arte, tem muitos contornos que caracterizam, distinguem e determinam o carácter e a conduta da classe politica – das diversas orientações ideológicas. Assim sendo, a politica é variável,  altera-se constantemente de acordo com as circunstâncias concretas, que envolve muitas manobras para se adaptar à realidade de momento. Só que, a sensibilidade humana, a compaixão e a solidariedade são virtudes cardeais, que salvaguardam a ética e a moral, como alma da ciência politica. Nesta lógica, o bom-senso prevalece como factor fundamental da politica, que permite distinguir entre o bem e o mal, em busca do bem-comum, como meta estratégica.


Na realidade, a politica deve salvaguardar o bem-comum e as boas maneiras, para que a acção politica tenha credibilidade, seja transparente, sirva os interesses colectivos, tenha a legitimidade e prevaleça a justiça e o senso-comum. Para este efeito, exige um elevado sentido de ponderação, de prudência, de modéstia, de pudor, de sensibilidade e de escrupulosidade, fazendo com que, haja rigor no cumprimento de regras, haja forte sentido moral, haja severidade de julgamento das coisas, e haja ousadia de combater o mal e de defender o bem.


No aforismo bantu-africano, através dos contos e lendas, o cágado é tido como um sábio, e o coelho como sendo esperto. O coelho é astuto, é veloz, é vivo, é activo e é brincalhão. Ao passo que, o cágado é visionário, é lento, é cauteloso, é descreto e é prudente. Analisado bem as virtudes do cágado e do coelho, acima descritas, demonstram claramente a diferença entre os dois animais, com o cágado a superar o coelho, no ponto de vista de valores. Pois, a sabedoria supera a esperteza, e a prudência supera a astúcia. Diz-se na gíria: “Quanto mais depressa, mais devagar; quem sabe esperar, tudo consegue.” Em sintese, a lentidão do cágado traduz-se na prudência, e a velocidade do coelho traduz-se na astúcia.


Nas sociedades modernas, a politica baseia-se em valores democráticos, como bússolas que norteiam a visão estratégica, regulam a conduta e determinam os objectivos e as metas predefinidos – no ideário.
Pelo contrário, na sociedade angolana, o regime do MPLA, do José Edauardo dos Santos, criou uma cultura subserviente, de tráfico de influência, de suborno, de corrupção e de fazer as jogadas de baixo da mesa, com fim de tirar contra-partidas. Essas jogadas de baixo da mesa, no fundo, têm impactos enormes prejudiciais sobre a construção e a consolidação do Estado Democrático de Direito.


A titulo de exermplo, nas Eleições Gerais de Agosto de 2017, tivemos problemas enormes de escrutinio a nivel das provincias, que inibiram a transparência do processo eleitoral e a credibilidade dos resultados eleitorais, que mantê-se na incerteza. Tudo isso ocorreu porque houve uma jogada de baixo da mesa entre a UNITA e o MPLA, de impedir a Revisão Pontual da Lei nº 36/11, de 21 de Dezembro, Lei Orgânica Sobre as Eleições Gerais. Recorde-se que, os Partidos na Oposição, com Assentos no Parlamento, trabalharam arduamente, em conjunto, durante mais de Um Ano, a diagnosticar as lacunas existentes nesta Lei. Tendo, neste exêrcicio, identificado uma série de lacunas, deficiências, fragilidades e inconstitucionalidades na Lei, que necessitavam de ser superadas, melhoradas e actualizadas, de modo a corresponder à realidade do país, e às novas tecnologias mais avançadas, que se aplicam à administração dos processos eleitorais.

 
Infelizmente, este exércicio fatigante, ficou inviabilizado quando o Grupo Parlamentar da UNITA, através de um Acordo de Cavalheiros, de baixo da mesa, decidiu votar junto com a Bancada Parlamentar do MPLA contra a Revisão da Lei Orgânica Sobre as Eleições Gerais. Isso é repugnante e reprovável, não fortalece a democracia. Pelo contrário, fragiliza enormemente as forças vivas da sociedade, que devem unir as sinérgias para pressionar o Governo, no sentido de fazer valer a boa governação, a legalidade e a transparência dos actos politicos. Esta prãctica, de jogadas menos claras, que verifica na sociedade angolana, manifestou-se novamente no decurso dos trabalhos da apreciação do OGE-2018. Houve uma aproximação esquisita de estabelecer um Acordo Secreto de Cavalheiros, entre a Bancada Parlamentar do MPLA  e a Bancada Parlamentar da UNITA.


Pois, na Reunião Conjunta das Comissões de Especialidades, com os Membros do Executivo, do dia 08 de Fevereiro de 2018, para a Apreciação final do OGE-2018, os Compadres das Bancadas Parlamemtares acima mencionadas, desta vez, entraram em choques violentos, entre os seus respectivos Presidentes. Criando, na sala, uma atmosfera desagradável, com um ambiente bastante melancólico, tenso, indigno e humilhante. Tudo ficou claro que, havia uma investida forte, por parte da UNITA (de carácter simulado), a fim de arrancar  uma «contra-partida», em detrimento do rigor, da transparência e da legalidade – dos Actos Politicos. Se tivesse sido na Era do Presidente José Eduardo dos Santos, a UNITA teria alcançada sua pretensão, como tivera acontecido com o cenário triste e traçoeiro, acima referido, da Inviabilização da Revisão da Lei Orgânica Sobre as Eleições Gerais – destabilizando, deste modo, o Processo Eleitoral de 2017.


Felizmente, as Lideranças das Formações Politicas na Oposição, na sua concertação a nivel mais alto, tiveram o bom-senso e a graça de Deus de evitar, a todo o custo, mergulhar o país nas  instabilidades politicas e sociais, cujas consequências nefastas eram já evidentes. Por isso é sempre aconselhável fazer uma politica limpa, transparente, digna e credível, sem entrar em jogadas complexas, menos claras, com fins mesquinhos, servindo somente interesses pessoais ou apetites de pequenos grupos de individuos. Prejudicando, deste modo, o Povo Angolano.

 



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