Lisboa - O Presidente João Lourenço desintegrou-se de um consórcio de parceria público-privado, de exploração de minerais na qual fazia parte a CAFILSA, uma empresa detida pela dupla José Filomeno dos Santos e Jean Claude Bastos de Morais.

 

Fonte: Club-k.net

Mandou  extinguir os direitos  concedidos ao consórcio 

O consorcio designado por SOMEPA – Sociedade de Metais Preciosos de Angola, foi constituído a 31 de Agosto de 2009. Segundo dados em posse do Club-K, faziam parte da SOMEPA, o Estado angolano representado pela Ferrangol, então dirigida pelo actual ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Pedro de Azevedo; a Kilata (Eugénio César Laborinho e Antônio França ‘Ndalu’); a cubana Antex-Angola prestação de serviços, a CAFILSA e a RALO- comércio e Indústria, ligada a família Lourenço na qual faz se representar por uma sobrinha Inockecilina Bens África Correia dos Santos. Ramiro Manuel Barreira e Assunção Afonso dos Anjos também fazem parte da RALO.

 

Em Outubro de 2011, o então Presidente José Eduardo dos Santos concedeu a SOMEPA direitos de concessão de exploração de ouro no projecto Mpopo, na comuna de Chamutte, município da jamba, na província da Huíla.

 

Diamantino Pedro de Azevedo, a data dos factos, PCA da Ferrangol, havia dado garantias, em meados de 2016, que seria este ano de 2018, que deveriam estar concluídos os trabalhos de prospecção e a elaboração dos estudos de viabilidade e de impacto ambiental, passos indispensáveis ao arranque da exploração, enquanto aguardavam pela licença de exploração.

 

Para grande surpresa, precisamente há cerca de duas semanas, o Presidente João Lourenço, nas suas vestes de titular do poder executivo, ordenou ao ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Pedro Azevedo a extinguir os direitos mineiros concedidos a SOMEPA, conforme consta no Decreto Executivo n.º 243/18.

Outros negócios privados desfeitos antes das eleições

Desde 2012, altura em que começou a ser identificado em estudos (sondagem brasileira) como alguém com aptidões determinantes para suceder Eduardo dos Santos na Presidência da República, João Lourenço começou a dar sinais de desvinculação dos negócios privados.

 

Em Novembro de 2011, esteve em Benguela e desfez-se de uma empresa LOCOMOGUE – construção limitada, ai sediada, e que tinha como parceiro um conterrâneo e deputado do MPLA, Luís de Oliveira Rasgado “Dufa”. Na deslocação a Benguela, ficou acordado que Lourenço passaria 51% das suas ações para uma empresa do seu circulo, a LORA, onde partilhava interesses com Luís de Oliveira Rasgado, e um sobrinho Katilo Emanuel Correia dos Santos.

 

Três meses antes das eleições de 2017, João Manuel Gonçalves Lourenço e o seu sobrinho retiraram-se da LORA, deixando o deputado Luís de Oliveira Rasgado e um novo sócio, a sociedade Atenuim – serviços de consultoria, S.A .

 

Entretanto, há Informações com uma quota de consistência, segundo as quais, ainda na sua condição de cabeça de lista as eleições pelo MPLA, João Lourenço terá  se desfeito dos 5,42% que detinham no Banco SOL, e de 0,5% no Banco BAI.

 
Para o acadêmico Domingos da Cruz, conhecido pelos seus trabalhos de investigação em Angola, «Este facto prova mais uma vez que Lourenço, não só ajudou a construir a ditadura, mas beneficiou dela, e está entre aqueles que são da linha dura do regime. Por isso, e por outras, não se pode esperar uma Angola próspera conduzida por ele, sob pena de sermos ingénuos».

 

Já o analista Pedro Malembe diz ser compreensível esta iniciativa de João Lourenço em desfazer se dos seus negócios privados tendo em conta que assumiu o compromisso eleitoral de combater a corrupção que se tornou marca no consulado do seu antecessor. Mas segundo diz,  “Este combate fica duvidoso quando os administradores da AGT são presos por desvio de 150 milhões de kwanzas e o que burlou  500 milhões de dólares do BNA, não é preso. O combate é duvidoso quando um empresário da Costa do Marfim é preso, em Luanda,  por ter intenção de apresentar projectos  duvidosos, mas o  senhor Jean Claude Bastos Morais que descaminhou cerca de USD 3 bilhões  do Fundo Soberano, não é preso. ”

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