Lisboa – O empresário Silvestre Tulumba Kaposse (na foto) é citado com reservas, por personalidades da elite angolana (devidamente identificadas), por ter deliberadamente defraudado, José Eduardo Paulino dos Santos “Coréon Dú”, da ligação acionista do Banco de Credito Sul (BCS), de que é fundador. A conduta do empresário, não é alheia a um destrato  público que Maria Luísa Abrantes (mãe de Coréon Dú) teceu contra si, em Janeiro deste ano, aos microfones da radio privada, MFM, em Luanda.

Fonte: Club-k.net

No dossiê da fundação do Banco de Credito Sul

O caso remonta ao período de 2014, quando Silvestre Tulumba Kaposse enfrentava dificuldades para obter a competente autorização de funcionamento do seu banco, que passou a operar em pleno depois de Abril do ano seguinte. O BNA, na altura chefiado por José de Lima Massano, teria lhe protelado.

 

Tulumba não reunia os requisitos necessários, uma vez que estava a ser prejudicado pelos sucessivos episódios de dividas aos bancos, que entravam em conflito com a Lei no 13/05, de 30 de Setembro.


Como alternativa, o empresário, que já conhecia Tchizé dos Santos, desde 2013, altura em que se tornou vizinho da mesma, em Luanda, moveu influencia junto ao circulo privado do ex-Presidente para que o ajudassem a interceder junto ao pai de modo a obter “luz verde” para o funcionamento do seu futuro banco. O pedido de licenciamento foi aceite mas antecedido de um pacto verbal em que deveria partilhar interesses da instituição com José Eduardo Paulino dos Santos “Coréon Dú”, o filho de JES que até a data era citado como o “único que não tinha o seu próprio banco”. (Isabel, Banco BIC, BFA; Tchizé, Banco Prestigio, Zenú, banco Kwanza, Danilo, Banco Postal, e etc)


Inicialmente, Silvestre Tulumba Kaposse decidiu que tanto o seu nome como o de “Coréon Dú” não deveria aparecer nos registros. As suas ações ficaram distribuídas em nome de uma prima Francisca da Conceição Kamia Kapose (45%), com um tio Jeremias Miguel Mateus (27%), e um irmão Rafael Arcanjo Tchiongo Kapose (20%). A participação que se pretendia para “Coréon Dú”, ficaram acobertadas por Severiano André Tyihongo Kapose, irmão menor de Tulumba, de 29 anos de idade.


Sérgio da Cunha Velho, então vice-governador da Huíla, também entrou na sociedade detendo incialmente 2,5% de participação, agora reduzido. Cunha Velho é identificado como o “cabeça pensante” que orientou Tumbula Kaposse a fundar o banco.


Na sequencia nas eleições de 2017, Silvestre Tulumba Kaposse passou a ter uma aproximação privilegiada com a família Lourenço e os seus aviões servirem para as deslocações do então candidato ao MPLA, ao interior do país. Ao mesmo tempo, decidiu assumir a estrutura acionista do banco “confiscando” para si as ações que seriam para “Coréon Dú”.


Isto é, no dia 16 de Maio de 2017, Silvestre Tulumba realizou uma Assembleia Geral extraordinária alterando a estrutura acionista do banco e mudou a sua denominação de “Credisul – Banco de Credito Sul”, para BCS – Banco de Credito do Sul. O BNA através do documento numero 632/DRO/17, do departamento de regulação e organização financeira autorizou-lhe a efectuar as alterações desejadas e no dia 17 de Julho, o empresário orientou os seus mandatários (Maria Martins Figueiredo, Katila Santos Rigal e Divaldo Pereira dos Santos), para conformar as devidas formalidades junto ao quarto cartório notarial de Luanda.

 

Presentemente o BCS passou a ter a seguinte estrutura acionista:

Francisca da Conceição Kamia Kapose (prima do dono do banco) – 45%


Rafael Arcanjo Tchionga Kaposse (irmão, an foto ao lado ) – 47%

Saverino Kapose (irmão, na foto ao lado) – 5%

Silvestre Tulumba Kapose (dono do banco) – 2,5 %

Sérgio da Cunha Velho (Conselheiro  econômico do dono do banco) – 0,5 %

Em termos gerais, Silvestre Tulumba detém 100% das ações do Banco BCS que distribuiu em nome dos seus familiares e do seu conselheiro Cunha Velho. Em caso de problemas, e o BNA exigir que os seus acionistas injetem mais capital, o banco BCS, poderá entrar em falência visto que os seus acionistas são irmãos menores de Silvestre Tulumba e seus dependentes econômicos.


Consultado pelo Club-K, o acadêmico Domingos da Cruz, que tem estado a desenvolver pesquisas sobre a transparência nas instituições públicas em Angola, alerta que “isto não é permitido por lei apelando ao BNA, para rever a idoneidade dos acionistas do banco BCS para estar em conformidade com a alinha (g), da Lei no 12/2015 de 17 de Junho que regula as normas das instituições financeiras em Angola.”



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