Lisboa - Era uma figura completamente anônima, até a véspera das eleições de 2017, terem circulado fotografias suas exibindo-se em aviões, carros, viagens deixando no subentendido, a imagem de desafogo financeiro. O seu rosto de garoto, que contrasta a sua real idade (35 anos, completados em Janeiro) levou com que alguns o tomassem como suposto filho do então governador do BNA, Walter Filipe e depois como filho do actual embaixador de Angola em Kinshasa, José Manuel “Jota”, que também tem um rebento com o mesmo nome: Mawete.

Fonte: Club-k.net

Lanvu Mawete Kana “Júnior”, o sujeito da historia a que o Club-K, escolheu para a edição da semana do espaço “Quem é Quem”, é filho de um cidadão, nascido no então Zaire (Hoje Congo Democrático) mas que desde muito cedo se fixou residência em Cabinda. O pai, o terá dado o nome em homenagem a um amigo e antigo guerrilheiro do MPLA, de sua graça Mawete João Batista. Quando perdeu o seu progenitor passou a ser acolhido pelo seu “padrinho”, Mawete J Batista, ao tempo em missão diplomática no exterior do país que se terá tornado num dos entusiastas pela sua formação em França. Até aos dias de hoje, faz de França a segunda casa. Goza da aceitação da comunidade do congo democrático, neste país onde também é tratado por “Ardy”.

 

A nomeação de Mawete João Batista, em finais de 2009, como governador de Cabinda, foi oportuna para si, que se encontrava a viver no enclave. Juntou-se a sócios estrangeiros Robert Hasson (Belga) e a Jaber Bichara (francês), e fundaram a Waliniss, na qual Mawete Júnior era o seu diretor geral. Através da Waliniss, tornou-se fornecedor de produtos químicos para a Empresa Pública de água de Cabinda (EPAC). Ao mesmo tempo terá beneficiado de um financiamento de cerca de 5 milhões de dólares, do Banco de Desenvolvimento de Angola, para trabalhos de construção de estação de tratamento de água potável. As coisas não correram bem e o então governador provincial, Mawete João Batista se desfez dele, no seguimento de exposições que não agradaram ao dirigente do MPLA, razão pela qual quando surgiram as suas primeiras fotografias exibindo extravagancia, o agora deputado do partido no poder, fez sair uma nota de imprensa dizendo que não era seu filho.

 

Foi também em Cabinda, que Mawete Júnior teve um acidente provocando-lhe queimaduras de segundo grau entre as pernas, que teve de ser evacuado para África do Sul, para receber tratamento adequado. Depois da recuperação, já não voltou a viver no enclave e Luanda seria o portão para novos negócios . Contava com 23 anos de idade quando começou a trabalhar, para um período de dois anos, para a “Lighting International, Limitada” uma empresa detida por dois irmãos da família Marques Airosa, a época seus vizinhos na Avenida Comandante Gika, em Luanda.


No plano externo, abriu em Setembro de 2016, em Portugal a Massive Margin, uma empresa localizada, na avenida do Atlântico, no parque das nações. Oito meses depois criou em Luanda, a “Júnior Mawete – Consultoria ”, uma sociedade com múltiplas missões cujo escritório fica no perímetro do largo da sagrada família, em Luanda.

 

No ano seguinte juntou-se a Hubert Bacque, um lobista francês que em Angola trabalhou para a Angominex, uma empresa conexada aos interesses de Isabel dos Santos. Ambos constituíram a 6 de Novembro de 2017, a agencia de desenvolvimento Angola – França, baseada em paris. Em fase inicial, esta agencia conta apenas com dois funcionários, neste caso o próprio Mawete Júnior como Presidente e Hubert Bacque como diretor geral.

 

Ainda na sua rede de contatos externos, Mawete Júnior juntou-se também ao NHV, um grupo empresarial belga especializado em prestar apoio de transporte (helicóptero da airbus) as plataformas petrolíferas. Foi por força destes contatos que apareceu sentado ao lado de Timothee Cargill, Vice-Presidente para África e Médio Oriente da Airbus Helicopters no encontro de empresários e homens de negócios a margem da visita do Presidente João Lourenço a França.

 

A sua empresa Walniss, passou a deter desde Dezembro de 2016, a NHV ANGOLA - Onshore and offshore flight, que tem como gestores, Artur Lopes Monteiro e Mawete Júnior. Em Angola, a NHV está em vias fazer cobertura de trabalhos que estavam confiados a Sonair. Planeiam também entrar no mercado da Guiné-Equatorial, cuja missão foi dada a Mawete Júnior para se aproximar as autoridades daquele país.

 

Há informações indicando que Mawete Júnior estaria também a mediar uma empresa estrangeira que tenciona entrar em Angola como operadora de rede de telefonia.

 

Quem com ele priva reconhece-lhe inteligência e vocação para negócios, e habilidade de “furar” junto de investidores dos países de língua oficial francesa. Porém, atribuem no plano pessoal, o facto  de que quando recebe comissão, nos negócios, gasta como se lhe tivessem anunciado ser o último dia do mundo. Realiza viagens, hospeda-se em hotéis luxuosos, e depois regressa as “cinzas”, como aconteceu há poucas semanas em que um amigo indeferiu lhe, no empréstimo de 10 milhões de kwanzas.



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