Luanda -  Em respeito aos membros do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) e ao público, uso do direito de resposta para contestar a carta publicada neste espaço por alguém identificado apenas por Luna Chiara. Não fossem as referências tendenciosas ao SJA enquadraria o exercício no direito de cada um livremente exprimir a sua opinião, ainda que contestável.


Fonte: Jornal de Angola


Só por si, o citado caso entre a signatária e a deputada “repescado” por Luna Chiara não mereceria qualquer reacção minha. E não por cobardia ou receio de processos judiciais, pois entendo que estes se inserem entre os mecanismos de recurso com vista a reposição de direitos.


Como salientou Luna Chiara, o assunto foi parar às “barras dos tribunais”. Entretanto, virei a página. Mas não deixei de cumprir o meu deveu quando fui intimada a depor no Departamento de Crimes Selectivos da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), onde fiquei durante aproximadamente quatro horas.


Admitindo possível desinformação, procurei a aludida resolução da Assembleia Nacional sobre a “incompatibilidade de acordo com a lei vigente na época”. Já que parece tão bem informada, Luna Chiara poderia fazer a sua boa acção do dia e, em nome do interesse público, contribuir para a ampla divulgação da alegada resolução. Assim, ficaríamos todos bem informados sobre um assunto de interesse comum, quanto mais não seja porque, pelo menos em sociedades democráticas, mais do que grupos ou legendas políticas, os deputados representam legitimamente interesses de quem os elegeu: o povo!

 

Sem descer do pedestal do anonimato, Luna Chiara questionou as reais motivações do SJA, pondo em causa, de forma leviana, a sua natureza. Resumo a minha resposta numa curtíssima frase, somos um sindicato! Ou seja: “uma associação de indivíduos de uma classe ou grupo profissional para a defesa dos seus interesses profissionais e económicos”.


O SJA é um sindicato livre e independente. De adesão voluntária, diga-se. Fundado em ano de eleições (1992), nunca foi apadrinhado por qualquer partido político. Salvaguardando o direito de cada um dos seus membros exercer a sua cidadania como lhe aprouver, o SJA não é um clube de amigos ou comité de especialidade seja do que for. Os nossos filiados sabem que são sindicalistas. E também sabem que a lei sindical dá respaldo a criação de sindicatos livres. Como é que uma instituição integrada por profissionais de várias matrizes se converte numa “organização política com uma agenda inconfessa” é algo que compete a Luna Chiara clarificar. Má fé ou desvios de conduta susceptíveis de pôr em causa a identidade do SJA? Reúna provas. Enquanto isso, procure outro alvo para desviar o foco do essencial para o acessório. Ou descubra outro brinquedo…

Luísa Rogério | Secretária-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA)