Música

Caso Angola Music Award: Resposta ao Kizua Gourgel - Nelo Carvalho

Luanda - Sou cantor, músico, compositor e produtor e venho por este meio esclarecer alguns pontos de vista que considero pertinentes. Hoje, dia 3 de Agosto de 2016, fui confrontado com notícias pouco abonatórias produzidas por um colega de profissão, não sei com que intenção, mas que criou algum alarido nas redes sociais…

Fonte: Club-k.net

Tenho 40 anos de vida artística, provada, comprovada, com vários projectos abraçados, que me deram a possibilidade de crescer com todos com quem partilhei os palcos. De todos os projectos que escolhi sempre fiz as minhas escolhas, escolhi com quem queria tocar, escolhi as músicas que queria cantar e escolhia aquilo que queria na minha carreira.


Antes de cantar e tocar a solo, toquei a Duo, Trio, Quarteto, com Bandas pequenas, com Bandas grandes com todos eles aprendi e a alguns deles ensinei; tocar a Solo, foi uma solução pensada, que me fez crescer. Por causa disso, com a experiência adquirida e com ajuda oportuna de algumas pessoas que acreditaram, decidi gravar os meus álbuns de originais:


- Escolhi os autores, os compositores, as fórmulas, as equações, os arranjadores e com os meus companheiros e amigos Armindo Monteiro e Beto Monteiro produzimos esses trabalhos.

O que é um produtor musical?

Alguém escreveu assim: - Produtor Musical no mercado fonográfico é o profissional contratado para dirigir o registro sonoro de obras musicais. Na prática, o produtor precisa aliar duas coisas: técnica e arte.


TODOS OS MEUS DISCOS FORAM DIRIGIDOS, PRODUZIDOS EDITADOS POR MIM, Nelo Carvalho, pelo Armindo Monteiro e Alberto Monteiro, como aliás está escrito nos Libretos dos meus Álbuns.


Quem fala deve certificar-se primeiro se está correcto, sob pena de deixar de ter legitimidade. Posso pensar que a questão levantada (pondo em causa a minha competência ), tenha a ver com algo mais do que simples vontade de mostrar indignação, pode ser algo que ultrapasse o razoável e contra isso, não posso fazer nada.


Não faz parte da minha índole nem do meu carácter receber créditos ou prémios por algo que não mereça!


Ao ser confrontado com declarações e afirmações que põem em causa o meu trabalho, a minha performance (playback, parcial ou total, é uma decisão adaptada à situação do momento é às condições apresentadas que só ao músico dizem respeito, não sendo isso motivo para pôr em causa o valor ou a capacidade vocal ou musical do artista, até porque após tantos e inúmeros espectáculos ao vivo as vozes que apontam as flechas para o alvo, não são as mesmas que cantam elogios, enfim...), o meu talento e as minhas produções, senti-me, não ofendido ou denegrido, mas na necessidade de esclarecer aos que me ouvem, seguem e admiram, pelo enorme respeito que vos tenho.


Meus amigos, já são muitos anos de estrada, de música, de trabalho, de lutas e de sacrifícios, mas acima de tudo de respeito pela música e por quem faz música.


Assim pretendo continuar...
Obrigada mais uma vez pelo prémio. Um bem haja aos meus fãs.
Com Toda a consideração e respeito,

Nelo Carvalho

 

Kizua Gourgel não é nenhum ministro da Cultura, diz organizador dos AMA

Luanda - O director executivo do Angola Music Awards (AMA), Daniel Mendes disse que só daria crédito às críticas de Kizua Gourgel à organização dos prémios se na verdade o músico fosse o ministro da Cultura.

Fonte: Zap

O empresário reagia desta forma aos erros graves apontados por Gourgel à concepção das categorias de premiados e às nomeações.

 

Em declarações ao programa Zap News, Daniel Mendes alegou que quase todos os cantores angolanos passaram pelos AMA: “99 por cento do músicos angolanos já passaram pelos AMA. Portanto, se ele fosse um ministro da Cultura, dizia ‘ok, se calhar tem razão’, mas não considero isso”.

 

Sobre o facto de N’soki ter ganho na categoria afro jazz com a canção “Vai-te Embora”, quando o tema é, segundo Gourgel, uma balada pop, Dabiel Mendes referiu “Ele tinha que saber que esta categoria não é só afro jazz. É afro jazz e world music. E a música em causa ganhou na vertente world music”.

 

Quanto ao prémio de melhor produtor atribuído ao músico Nelo de Carvalho, o responsável do AMA justificou que o vencedor produziu a maior parte das músicas do seu próprio álbum, razão pelo qual o órgão colegial do concurso o considerou vencedor. “É analisado o tema da sua produção. Neste caso o Nelo de Carvalho produziu vários temas do seu disco”, justificou.

 

Em relação ao playback usado por alguns músicos durante a gala, e que também mereceu as críticas de Gourgel, Daniel Mendes explicou que como a organização não tem banda própria, cada um dos que actua leva os seus próprios músicos.

 

“As bandas estiveram lá, e acompanharam alguns artistas, e aqueles que não tiveram possibilidades de [ter] bandas acabaram por fazer playback“, disse. “É perfeitamente normal porque há situações em que devemos contornar e não parar”, acrescentou.

 

“Agora analisem, foram três anos com uma banda a acompanhar todos os artistas, mas ninguém disse porque estão a tocar com banda. Este ano dois ou três artistas cantaram em playback e já existe crítica. Mas isso é completamente normal”, disse ainda.

 

Mesmo assim, Daniel Mendes não se mostrou incomodado pelas críticas de Kizua Gourgel, antes pelo contrário. “Estamos abertos para [nos] sentarmos e ele poder contribuir também. Aliás, estamos abertos a todos músicos para podermos trocar ideias para que no próximo ano tenhamos um AMA melhor. Kizua estás convidado a fazer parte do grupo de pessoas que vão preparar os nomeados que vão ser votados pelo público”, convidou.

Kizua Gourgel critica «erros graves» da organização dos Angola Music Awards

Luanda - O cantor Kizua Gourgel disse ontem durante o programa Zap News, que a organização do Angola Music Awards (AMA) comete erros graves de concepção na entrega de prémios aos músicos.

Fonte: Zap

O artista fez estas declarações depois do AMA ter considerado a música de N’soki “Vai-te embora”, como melhor tema de afro-jazz, que segundo o Kizua, é uma balada pop, para além de consagração de Nelo de Carvalho como melhor produtor, quando se desconhecem as produções que o tornaram vencedor.

 

Kizua Gourgel esclareceu que as críticas não visam os seus colegas, mas a organização dos AMA. Segundo o músico, a categoria afro-jazz não devia existir porque nenhum cantor angolano faz este estilo.

 

“Não fiz crítica à N’soki. Acho que está completamente errado entregar o prémio de afro jazz a uma balada pop.

 

Esta categoria não devia existir porque ninguém faz afro jazz em Angola. A única pessoa que começou a fazer este estilo recentemente no seu disco foi a Afrikanita. Portanto esta categoria nem devia existir, é ridículo”, disse. Durante a gala de entrega de prémios, realizada no sábado no pavilhão Multiusos do Kilamba, Nelo de Carvalho foi distinguido como melhor produtor do ano, numa categoria em que concorria com Gaia Beat, C4 Pedro, Gino Levi e Mestre Fredy.

 

De acordo com o Kizua Gourgel, Nelo de Carvalho nem o seu próprio disco produziu. “Quando se entrega o prémio de melhor produtor deve se indicar qual é a produção que lhe deu este prémio. É assim que se faz as coisas. Se não sabem fazer é melhor não fazer, ou chamem quem saiba fazer. É uma tremenda falta de respeito à própria cultura, e aos músicos que trabalham com muito sacrifício para fazer coisas em condições”, desabafou.

 

Uma boa parte dos cantores angolanos continuam a fazer playback nos seus concertos e o mesmo ocorreu na gala dos AMA, com excepção das Afrikanas. Para Kizua Gourgel, a produção não devia permitir o playback.

 

“Deixo também aqui uma nota negativa, mas, dez abaixo de zero, para todos meus colegas que fizeram playback. A organização não devia permitir, num evento de entrega de prémios de música, os artistas fazerem playback. Isto é brincadeira. Sinceramente eu não reconheço qualquer legitimidade dos AMA. Há concorrentes que para serem nomeados têm que ser inscritos”, queixou-se o artista.

 

Kizua Gourgel também não poupou críticas à TPA pela cobertura que fez da gala: “Não estive presente no evento e vi a reposição pela TPA que é uma desgraça porque não sabem fazer cobertura de um evento daquela magnitude”, comentou.

 

Nicki Minaj pressionada a cancelar show agendado em Angola

Brasil - Nicki Minaj está com seu nome envolvido em uma polêmica devido a um show marcado para acontecer no próximo sábado, 19, em Angola. Segundo comunicado divulgado pelo site da “Fundação dos Direitos Humanos,” o concerto “Holiday Party Fro Unitel” está diretamente ligado com a familia do ditador José Eduardo dos Santos.

 

Fonte: portalpopline.com.br

Membros da organização já entraram em contato com os representates de Nicki pedindo para que o show seja cancelado: “Nicki Minaj é uma artista global. Milhares de pessoas olham pra ela como inspiração. Não é interessante para ela ficar ligada a ditadura corrupta de Angola”, diz o comunicado.

 

“Nicki tem seu nome ligado a eventos de caridades como o “Get Shoooled Foundation”, cujo objetivo é ajudar jovens a se formarem no colégio. Que tipo de inpistação ela dará os jovens angoleses se apresentado para um ditador que estirpa a liberdade e o futuro deles”, diz Thor Halvorssen, presidente do HRF.

 

Em 2013, Mariah Carey passou pelo mesmo problema. Na época, a diva recebeu mais de 1 milhão de dolares para se apresentar ao ditador e recebeu duras críticas.

Brasil: Ivo Meirelles e Dudu Nobre relatam calote em turnê em Angola

Brasil - O sambista Ivo Meirelles, ex-presidente da Mangueira, e o cantor Dudu Nobre passaram por um sufoco recentemente. Eles estiveram em Luanda, na Angola, no fim de novembro para promover uma grande roda de samba, pelo projeto batizado de "I Love Rio", fazendo com que a cultura carioca passasse pela África. Ao chegarem ao país, eles descobriram ter sido vítimas de um grande golpe. O produtor local não pagou o que havia combinado em contrato, cancelou as reservas em um hotel e fez com que os músicos ficassem completamente sem dinheiro no país. "Estivemos à beira da humilhação", relata Ivo.

Fonte: EGO

Em conversa com o EGO nesta quinta-feira, 10, após retornar ao Brasil, Ivo Meirelles relata a experiência negativa enfrentada por conta da quebra de contrato e o sufoco que passou. "Aceitei ir pra Angola sem antes receber o meu cachê no Brasil. Isso porque conheci um rapaz angolano, bem articulado, de nome Alisson de Antas Miguel. Abracei o seu projeto, que era de shows semanais com convidados. Eu, minha banda e sempre algum convidado brasileiro. Convenci vários artistas brasileiros a estarem comigo. O produtor, além de não me pagar um centavo sequer, não pagou o hotel onde estávamos hospedados, e a minha banda teve que deixar seus quartos. Sem termos pra onde ir, nos amontoamos em um quarto só é por lá ficamos até sermos todos convidados a deixar o hotel. Sem dinheiro, contamos com a solidariedade de amigos angolanos e brasileiros para nossa alimentação", desabafa o sambista.

Ivo Meirelles também conta sobre uma multa que todos de sua banda tiveram que pagar por conta de um visto de curta duração na África. "Tivemos um estresse enorme. Minha banda é formada por pessoas humildes e na possibilidade de viajarem pra Angola, tiveram que dispor de R$ 340,00 para retirar seus passaportes.O tal produtor nos orientou a tirar um visto de curta duração e acabamos todos multados. "


O cantor Dudu Nobre, que esteve em Luanda para apenas um show dentro do projeto, no dia 22 de novembro, contou ainda estar esperando receber parte de seu cachê, cerca de R$11.393. "Retardei a minha volta esperando receber, estava faltando esse dinheiro. O cara sumiu, o produtor desapareceu, e eu não vi mais mais esse dinheiro", lamenta ele, que completa: "A gente que trabalha com show infelizmente está sempre suscetível a esse problema com contratos, às vezes chegamos para fazer o show e não tem a grana. No caso de Angola eu confiei porque fui convidado pelo meu amigo Ivo Meirelles para estar lá. Infelizmente o produtor enganou o Ivo e a mim".


Outros músicos também chegaram a ser convidados por Ivo Meirelles para fazer participações no projeto do produtor Allison Miguel, mas, ao serem alertados pelo sambista, não chegaram a passar o sufoco na África. "Iríamos estrear com o Neguinho da Beija-Flor, mas o produtor não pagou o visto, daí ele não foi. Na segunda semana foi o Dudu Nobre como participação. O terceiro show seria o Vavá do Karametade, mas aí já percebi que não iríamos receber e falei para ele não ir para Angola. Depois disso não recebi mais meu dinheiro também, o produtor sumiu e cancelou os shows em cima da hora. Ele nos abandonou no hotel e foi aí que percebi que não receberíamos mais", conta Ivo.

 

Angola: Produtora Latino Rercord apresenta EP Alvorada

Lisboa – A produtora angolana Latino Record disponibilizou, para download gratuito nas redes sociais, o seu primeiro EP com 10 faixas musicais ao estilo hip hop. Participam no EP Alvorada músicos como Bobo Shant, Nigga Mop, Nando Power, Holly Shine e Exkal Shine, um veterano com créditos firmados no movimento underground, do hip hop, em Angola.

Fonte: Club-k.net

CEO revela surgimento de mais surpresas por sair 

Falando sobre os desafios da produtora, num vídeo posto a disposição esta semana, nas redes sociais, o empresário musical e CEO, Yuri Emanuel “Latino”, revelou que o objetivo principal do EP Alvorada foi mostrar o caráter principal da Label que dirige.

 

O CEO contou ainda que as produções estão a cargo de um jovem produtor Black Magic. “Nos temos, o nosso produtor da casa o Black Magic” que segundo Yuri Latino é o responsável de tracks do recém lançado como “No Pain, No Gain”.

 

Revelou também que estão a trabalhar com outros produtores do estilo musical hip hop e com reconhecida experiência no mercado nacional.

 

 

Respeitante a participação no EP, de Nigga Mop e Xkal, o responsável da Latino Record explicou que estes são músicos da produtora Mon Black. “Este primeiro projecto, houve alguns participantes como Exkal, Mob, que já temos estado a trabalhar em algumas músicas e até agora o trabalho tem corrido bem”.

 

Links para download do EP Alvorada:


http://www.mediafire.com/download/vk52s376bdsx1eq/Latino+Records+-+A+ALVORADA+%28EP%29+%282015%29.zip

https://soundcloud.com/latino-records-112809218/nao-es-dificil-prod-black-magic-bobo-shant-feat-exkal?in=latino-records-112809218/sets/ep-a-alvorada-lr

  

 

 

Sweet Maria participa no "African Intertainment awards Canada"

Toronto - A cantora angolana Swett Maria foi nomeada para concorrer na categoria da melhor Artista do sexo feminino no "African Entertainment Awards" Canada 2015 a realizar-se no dia 5 de Setembro do corrente ano.


Fonte: Club-k.net

 

Deposite o teu voto agora

 

Assim sendo, informamos que Sweet Maria, fez saber que os internautas poderão depositar "o seu voto digital no link em anexo e que terminará no dia 30 do corrente mês".

 


É oportuno salientar que para esta categoria participam quatro concorrentes e o voto de todos é importante e para tal basta votar no link em anexo:

 

Vote Sweet Maria

 

 

 

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MCK e Bonga, juntos, pela liberdade de expressão em Angola

Lisboa - MCK, 34 anos, é rapper e uma das vozes mais contestatárias do regime angolano. Bonga, 72 anos, é talvez o maior símbolo da música popular de Angola. Juntaram-se em palco, esta terça, no MusicBox de Lisboa, exigindo a libertação dos activistas detidos há mais de dois meses.

Fonte: Publico

Foi logo ao segundo tema. O dinamismo rítmico do hip-hop fazia-se ouvir, em palco o rapper MCK debitava palavras e, de repente, a música parou. Fez-se silêncio. Poderia pensar-se num problema técnico. Mas não.

“Essa música fica por aqui porque, nesta parte, iria entrar a voz do Ikonoclasta”, disse MCK, ou seja Katrogi Nhanga Lwamba, 34 anos, formado em Filosofia, agora a estudar Direito, umas das vozes críticas do regime angolano, naquele que foi o seu primeiro concerto em Portugal.

Estava explicitado o simbolismo da interrupção. O também rapper Ikonoclasta, ou seja Luaty Beirão, foi um dos 13 activistas detidos em Luanda, no mês de Junho, quando se reuniam para debater política à volta de um livro sobre resistência não-violenta contra a opressão.


Outros três foram presos nos dias seguintes, juntando-se a Marco Mavungo, que está detido desde Março. Continuam na prisão, alguns em celas solitárias, sem acusação formalizada, sendo aludido que estariam a preparar “actos tendentes a alterar a ordem e segurança pública do país.”

Na terça-feira, no MusicBox, em Lisboa, pediu-se a libertação. Não é a primeira vez que acontece. Desde que foi tornado público o vídeo-manifesto Liberdade Já!, suportado pelas mais diversas figuras angolanas e portuguesas, mas também moçambicanas ou brasileiras (Agualusa, Ondjaki, Kalaf, Nastio Mosquito, Paulo Flores, Pepetela, Mia Couto, etc), que acontecem iniciativas que denunciam a situação.

A razão directa do concerto era a reedição, em versão aumentada, do álbum Proibido Ouvir Isto (2012) de MCK, referência da nova música angolana, mas relativamente desconhecido em Portugal. Mas como é evidente desde o início que se sabia que aquele não iria ser mais um concerto. Existia a carga emocional dos momentos especiais. Antes mesmo de a música começar, Pedro Coquenão (Batida), subiu ao palco para dizer que o mote da noite era apenas um: “liberdade!” E foi isso mesmo.

Na sala, repleta, como seria de esperar, estavam muitos angolanos, mas também portugueses, sorvendo as palavras de MCK e, depois, ao longo da noite, também de Aline Frazão, Valete e Bonga. Para lançar as bases rítmicas, lá estava o sempre generoso João Gomes (Orelha Negra).

A música, como é evidente, também é contexto. Nas letras de MCK sente-se a riqueza da tradição oral africana, misturada com a eficácia do rap, revertida para acontecimentos precisos da vida sociopolítica de Angola. Por vezes, nestes casos, corre-se o risco do anacronismo. Mas à luz dos acontecimentos actuais, e no contexto de um país em transformação, com todos os antagonismos que daí advêm, adquirem uma ressonância precisa.

É inegável que as novas gerações angolanas ligadas às músicas e às artes estão a jogar um papel importante neste período, reflectindo e estimulando um desejo de mudança para o seu país – no sentido de ser projectada mais justiça, igualdade, tolerância e liberdade.

É verdade que nem todos se revêem de igual modo no olhar tantas vezes simplista que é lançado do Ocidente sobre África (como se todas as questões do continente se resumissem a elites corruptas ou a lideranças musculadas), mas no caso concreto dos detidos sente-se convergência de posições.

Onde também existe confluência é no amor a Angola, “independentemente da pobreza, dos gatunos e da corrupção”, haverá de declamar MCK na direcção da cantora Aline Frazão, a primeira convidada a subir ao palco. Aline concordou, recordou que havia estado naquele palco há meses na companhia de Ikonoclasta e expos a sua excelente voz, cantando com emoção “eu vou morrer aqui.” Sendo aqui, a sua Angola.

O que fascina em MCK é a forma fluída, aparentemente fácil, como debita palavras incisivas, sob batidas secas, sem ornamentos desnecessários. “Os diamantes são deles / O petróleo é deles / A imobiliária é deles / A banca é deles”, canta de forma clara em O país do pai banana, antes de declamar que “Pobreza é negócio / Transformaram Angola no país do futuro / Pois é / Deixamos tudo p’amanhã, né?”, numa crítica velada às elites angolanas, mas também aos que nada fazem para a mudança.

Depois surgiram alusões mordazes aos governantes que se perpetuam no poder – “o meu presidente foi presidente do meu avô, do meu pai e meu presidente e vai ser presidente dos meus filhos e dos meus netos”, disse – antes do rapper Valete irromper no cenário, expondo a habitual e contagiante energia, perante uma assistência totalmente conquistada.

Foi nesse caldo que entrou em cena Bonga, apresentado por MCK como sendo a personificação da angolanidade, 50 anos de canções, da luta pela independência à aflição da guerra, passando pela fase actual, com um país à procura de si próprio, quase a celebrar 40 anos de independência.

O “kota”, como era carinhosamente nomeado pelo rapper, enalteceu o papel de intervenção de MCK e das novas gerações, recordando o papel que a música pode ter na mobilização e no despertar de consciências, recordando que ao longo do seu percurso nunca deixou de ser ele próprio, mesmo se existiam forças que o impeliam para não o ser.

“Não tenham medo, nunca!”, exultou, antes de se lançar na interpretação de três canções, com acompanhamento acústico, perante uma plateia que absorvia a sua voz enrouquecida e histórias que ela contempla. Depois houve ainda tempo para ele e MCK se agruparem na interpretação de mais um tema, simbolizando uma importante irmanação geracional.

Bonga reconhece o activismo e a música das novas gerações. Estas agradecem-lhe o imenso legado e sem deixarem de procurar novas linguagens e expor insatisfação, não deixam de estimar a Angola de todos.

Na terça-feira, no MusicBox, num concerto onde a receita reverteu para as famílias dos detidos, houve qualquer coisa nova que pairou no ar. Alguns dirão que é um novo alento. Outros, desejo de liberdade.

 

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