Opinião

Homenagem à senhora Anstee - Victor Carvalho

Luanda - Morreu no passado dia 25 de Agosto, com 90 anos de idade, a senhora Margaret Anstee, antiga enviada especial das Nações Unidas para Angola e a pessoa que teve a responsabilidade histórica de declarar como livres e justas as primeiras eleições realizadas no país, já lá vão quase 24 anos. Foram momentos difíceis, marcados pela intransigência dos perdedores na recusa de aceitar a decisão popular e que marcaram a história de Angola, infelizmente de forma tragicamente negativa.

Fonte: JA

Amiga e profunda admiradora de Angola e dos Angolanos, Margaret Anstee foi a primeira mulher a ser nomeada pelas Nações Unidas para um dos mais altos cargos da organização.


Sobre os seus ombros teve a pesada responsabilidade de liderar a Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola (UNAVEM II), fundada em 1991 e concluída em 1995, acumulando esse cargo com o de representante especial do Secretário-Geral da organização.


Durante esse período de tempo, a senhora Anstee foi atacada, humilhada e vilipendiada de uma forma totalmente miserável por aqueles que tudo fizeram para que a sua missão de conseguir a paz falhasse.


O seu temperamento britânico, de onde se destacava uma sublime ironia e apurado sentido de humor, ajudaram-na a passar ao lado das torpes mentiras e calúnias que sobre si lançaram e que serviram para a ajudar a perceber quem, na verdade, estava interessado no futuro dos Angolanos. Por sua vontade nunca os angolanos voltariam a pegar em armas depois das eleições de 1992.


Pessoalmente tive o privilégio histórico de acompanhar de perto todos os seus empenhados esforços para que o resultado das eleições colocasse, efectivamente, um ponto final a décadas de conflito.
Depois, já com as armas a tentarem impor-se à razão, continuei a assistir de muito perto a todo o seu intenso trabalho diplomático desenvolvido em sucessivas rondas negociais entre o governo e a UNITA para que os acordos de paz fossem assinados.


Numa sala húmida de Abidjan, em 1993 terá percebido a impossibilidade de concretizar esse seu objectivo quando, já com o documento e os anexos desses acordos feitos e em cima da mesa para serem assinados, foi confrontada com uma estranha recusa por parte da delegação da UNITA em assinar aquilo com o que já se tinha teoricamente comprometido, simplesmente por ter pedido mais uma hora para satisfazer com mais rigor uma exigência que se prendia com a segurança das tropas a serem retiradas das zonas que estavam ocupadas.


Durante todo esse processo negocial, a senhora Anstee sempre fez questão de deixar transparecer uma intocável tranquilidade, não prescindindo dos pontuais intervalos às cinco da tarde de cada dia para tomar um chá com leite, nem de madrugar às seis horas para dar umas braçadas na piscina do hotel ivoiriense onde estava a mediação negocial, que partilhava com representantes dos Estados Unidos, Rússia e Portugal.


Mesmo depois do fim da sua missão em Angola, Margaret Anstee aqui voltava sempre que podia, fosse para rever os muitos amigos que por cá deixou, ou simplesmente para matar saudades dos locais pelos quais se apaixonou.


No seu livro “Órfãos da Guerra Fria”, a senhora Anstee sublinha com profunda tristeza a forma como viveu o período da guerra sangrenta que se abateu sobre Luanda em Outubro e Novembro de 1992, apontando corajosamente o dedo à comunidade internacional ao considerar um “escândalo” o facto dela ter ignorado o que naquele período de estava a passar em Angola.


Esse episódio marcou-a para o resto da vida e serviu para a ajudar a reforçar os esforços pela obtenção da paz, mas também para perceber de que lado estava a razão.


Em 2014, Margaret Anstee esteve pela última vez em Angola tendo-se então reunido com o Presidente José Eduardo dos Santos a quem voltou a expressar toda a sua admiração pela coragem e determinação dos Angolanos em trabalharem para ter um futuro melhor.


Um futuro que ela, infelizmente, já não poderá ver mas que tudo fez para que pudesse ter sido temporalmente antecipado.


Angola e os Angolanos, perderam para sempre uma amiga que merece ser lembrada como parte positiva de um processo que demorou demasiado tempo a terminar.

 

Não é digno vender a honra pelo dinheiro - João Hungulo

Luanda - Na estrada para o sucesso existe um horizonte material que representa o querer e o ser, além deste está a felicidade que alcançamos através da luta.


Fonte: Club-k.net

A vida não é um mar de rosas, a vida não é fácil, um verdadeiro guerreiro deve ter este paradigma dentro do quadro da sua trajectória, na vida cada circunstância passada inspira ao homem um momento inédito que o transformará num verdadeiro homem, eis a razão mediante a qual grandes homens dizem: “quem nunca sofreu não sabe viver”.

A vida é uma escola, as dificuldades são as lições, no entanto, deve – se fazer das dificuldades degraus para transpor e ascender até ao cimo do sucesso.
Lutar, lutar, lutar, lutar, é o verbo conjugado por quem quiser fazer das dificuldades o mecanismo viável para catapultar – se até a vitória.

Não convém fazer coisas desonrosas, coisas cujo troco é a venda da honra e da dignidade, somente por dinheiro, o dinheiro compra tudo, mas o dinheiro jamais comprará a dignidade, jamais comprará as boas virtudes, jamais comprará a humildade, a educação, jamais comprará o conhecimento.

Há gente, por Angola fora colocando sua honra e sua dignidade à serviço do dinheiro, não se pode fazer isso, as feridas causadas pela honra vendida não saram, a dignidade jamais voltará, um homem que vende a sua honra e a sua dignidade pelo dinheiro fica marcado na história e morre com esse trágico cenário, as cicatrizes deixadas pelas marcas da desonra o levarão até a velhice.

O verdadeiro gesto de exemplo da venda da honra e da dignidade em prol do dinheiro foi o evidenciado na pessoa de um jovem que até por sinal, teve de transpor fronteiras até à Namíbia com intuito de se formar, o jovem formou – se em gestão na Universidade de Windhoek, após o término da formação, tornou – se num marginal em Luanda, vendeu a honra e a dignidade só para ter dinheiro, a vida mostrou – se um rosto duro, de sacrifício e suor, ele negou o sacrifício e o sofrimento para ser marginal, um formado em gestão, ao invés de servir a sociedade como gestor de empresas, passou a gerir roubos e assaltos na cidade do Kilamba, tornou – se num destruidor da felicidade de muitos na cidade do Kilamba, um jovem formado tornou – se numa maquinaria de assaltos na cidade do Kilamba, era ele o pensador das astutas obras de assaltos de viaturas, tudo em prol de míseros trocados, as marcas deixadas pela desonra permanecem para sempre, antes apanhar chapadas, é melhor sofrer que vender a honra, o sofrimento passa e além demais, o sofrimento constitui uma lição da vida através do qual aprendemos a ser homens no verdadeiro sentido da palavra, a história da humanidade conta com homens que lutaram, tiveram de passar no deserto, sofreram de forma terrível, mas no final a vitória foi certa, não venderam a sua honra ou a sua dignidade para ter dinheiro, o dinheiro nunca chega, o dinheiro não dá dignidade, mas a honra trás junto da pessoa do homem uma resplandecente dignidade.

O menosprezo da honra e da dignidade é a colocação do dinheiro e dos bens materiais acima de tudo e de todas as coisas.

Há muita gente que pensa que a vida é fácil, estão redondamente enganados, a vida é um vale de problemas, a vida é um deserto que somente vence a passagem pelo qual quem souber lutar, souber resistir, estiver disposto a todas as causas a fazer face a qualquer que for o problema, alguém que estiver preparado para lutar, sejam quais forem as circunstâncias impostas pela vida. A vida não foi feita para pessoas pessimistas, que não acreditam no futuro risonho e ditosos, pessoas que são geneticamente portadoras do fenótipo da derrota, que estão derrotadas antes de começar a luta, a vida não existe para esses, a vida existe para os guerreiros, para aqueles que transformam o impossível em possível.

A história nos mostra importantes momentos de inspiração sobre homens que transformaram o impossível em possível, um importante exemplo desta natureza foi o da norte-americana Lizzie Velasquez, conhecida como a mulher mais feia do mundo, é um dos mais inéditos exemplos de força, coragem e vontade.
Lizzie nasceu com uma rara doença genética (ainda desconhecida) que impedia – lhe o ganho de gordura corporal. Com menos de 30kg, a condição de Lizzie fez com que ficasse cega de um olho e desenvolvesse um frágil sistema imunitário.
Alvo de cruéis ataques de bullying na escola e na internet (quando se tornou famosa com um vídeo que a intitulava a mulher mais feia do mundo), Lizzie enfrentou momentos de forte depressão.

Mas, conhecida pela sua força e optimismo, Lizzie não se deixou abater e deu a volta por cima! A jovem usou a visibilidade negativa que atribuíram a sua imagem para iniciar uma campanha contra o cyberbullying ao redor de todo o mundo.
O que aprendemos com Lizzie? A maior beleza do ser humano está nas suas acções! Ser positivo, ajudar quem precisa e espalhar boas mensagens faz com que nos tornemos pessoas muito mais belas que a beleza física!

O segundo exemplo que exprimimos neste artigo é o de Nick Vujicic, esse homem foi um exemplo de superação e que envergonha aqueles que preferem roubar, aldrabar, e vender – se a desonra somente pelo dinheiro, pessoas que reclamam constantemente de pequenos problemas triviais de suas vidas.

Nick nasceu sem os membros superiores e inferiores (devido a uma rara síndrome conhecida por Tetra-amelia) e, durante muitos anos, procurava incessantemente obter uma simples resposta: “Porquê eu, Deus?”. Após tentar se matar com apenas 8 anos de idade, Nick percebeu que com a sua fé conseguiria superar todos os problemas que enfrentasse em sua vida!

Com 17 anos de idade, fundou a Life Without Limbs (“Vida Sem Membros”, em português), uma instituição sem fins lucrativos que visava ajudar pessoas com deficiência física a enfrentar as suas limitações.

Actualmente, Nick viaja o mundo todo dando palestras motivacionais sobre como é importante manter a esperança e ter um sentido maior para a vida! De acordo com Nick, todos nascem com um propósito e temos que saber reconhecer nossa tarefa em vida para sermos pessoas plenamente felizes!

Tenho a primazia de escolher. Você tem a oportunidade de escolher. Podemos optar por ser indivíduos que dão importância apenas às decepções e insistem em enfatizar as falhas e deficiências. Podemos decidir ser pessoas amargas, raivosas ou tristes. Ou, ao contrário, quando tivermos de encarar períodos difíceis e lidar com pessoas danosas, podemos optar por aprender com a experiência e seguir em frente, assumindo a responsabilidade por nossa própria felicidade.

Albert Einstein, constitui – se num dos marcos cintilante de coragem, fé, sacrifício e de honra, um dos maiores exemplos de luta da história da humanidade de todos os tempos!

Ele dizia inúmeras vezes em suas afirmações que não se deve desistir de tentar, mesmo que pensemos estarmos a lutar contra o impossível, deve – se tentar sempre até dar tudo certo, não parar de lutar é já um meio caminho do sucesso! Além da Teoria da Relactividade, a persistência e luta pelos nossos sonhos é uma das principais lições que Einstein deixou para a humanidade!

Muita gente não sabe, mas o maior génio do século XX era considerado um “péssimo aluno”, Einstein, transformou as páginas da história, de péssimo aluno para o maior génio da história da humanidade. Um estudante que era acusado pelos seus professores da Universidade por onde passou de ser “completamente inútil”.

Mesmo sendo totalmente desacreditado e menosprezado pelos seus professores, amigos, colegas de escola e alguns familiares, Einstein não desistiu e a sua incansável persistência o levou a conquistar o “Prêmio Nobel da Física, em 1921,” além de ser consagrado o mais memorável físico de todos os tempos!

«Eu tentei 99 vezes e falhei, mas na centésima tentativa eu consegui. Nunca desista de seus objectivos mesmo que esses pareçam impossíveis, a próxima tentativa pode ser a vitoriosa (Einstein).»

Chris Gardner constitui um dos exemplos de inspiração de sacrifício e sofrimento, um homem que transformou o impossível em possível, saiu da miséria para a riqueza através da luta incansável em prol dos seus nobres objectivos, Chris acreditou e realizou os seus sonhos.

Chris Gardner é um dos homens mais ricos dos Estados Unidos de América, com uma fortuna estimada em 600 milhões de dólares! Mas quem vê Gardner agora não imagina o quanto esse homem sofreu, o quanto esse homem teve de lutar até vencer desafios difíceis, desafios fenomenais até chegar onde chegou.

Chris era um homem de rua, que nem sequer casa pra viver tinha, comia em casas humanitárias e sociais, vivia quase no lixo, apesar de dormir na rua, passar fome e frio, sofrer amargamente, Chris Gardner não aceitou a derrota, nem mesmo se posicionou no conformismo deformante, e nem mesmo aceitou o fracasso, via seu filho passar por todo sofrimento quanto passou, Gardner lutou e venceu! Mesmo com todas as dificuldades, Christopher não desistiu por um só minuto de lutar por uma vida melhor para seu filho. Lutou, persistiu e venceu! Gardner não vendeu a sua honra para míseros trocados, Gardner lutou incansavelmente até a vitória.

A sua história ficou mundialmente famosa em “A Procura da Felicidade” (um filme interpretado por Will Smith, um filme que faz chorar qualquer um que o assistir), baseado no livro homônimo escrito por Gardner.

Seu aforismo era: "SE EU CONSEGUI, ENTÃO VOCÊ TAMBÉM PODE!".

Actualmente, Chris Gardner usa a sua experiência e história de vida para compartilhar com as pessoas de todo o mundo.
“Nunca deixe ninguém te dizer que não pode fazer alguma coisa. Se você tem um sonho tem que correr atrás dele. As pessoas não conseguem vencer e dizem que você também não vai vencer. Se você quer uma coisa corre atrás” (Chris Gardner).

Encontra a sua felicidade no sacrifício, na luta e no sofrimento, vitórias fáceis não dão glória ao campeão, luta todos os dias, vai atrás dos seus sonhos, em frente é o caminho, quem tem a força e a persistência de lutar ganha, quem é fraco desiste, desistir é a arma usada pelos fracos para justificar o impossível.

A glória de um guerreiro não está na sua vitória, mas sim na forma como vence, quem triunfa sem sacrifício vence sem glória.

Nunca pare de lutar, não venda a sua honra, a sua dignidade por dinheiro, luta e tudo dará certo na sua vida!

Ninguém consegue parar quem está determinado a caminhar e a lutar, quem sabe a onde quer chegar não para de lutar, muitos lhe desanimarão, mas se for persistente você vencerá e não se cansará de tentar.

“Na conquista de tudo quanto o homem aspira ser ou ter neste mundo, a coragem, a determinação e o sacrifício devem ser a primeira mochila a carregar, a persistência e a luta o capital a investir. Nada é impossível neste mundo, impossível são homens incapazes”.

Melodias falaciosas - Domingos Kambunji

Luanda - O Ministro do Interror de Angola pensará certamente que nós nos deixámos embalar pelas melodias falaciosas do Louvalozédu, com os sofismas maliciosos dos discursos sobre democracia do Zédu, ou na informação bacoca e sanzaleira, gasosaeificada, da RNA, da TPA ou do JA.

Fonte: Club-k.net

O Ângelo, Ministro do Interror, não é um anjo do paraíso. Quando muito poderá ser um daqueles anjos vampíricos da demóniocracia angolana, um sistema político que muitos designam por cleptocracia ou ditadura zéduardina do MPLA.

Nós já estamos vacinados contra as acções de relações públicas que o Reigime teima em designar por “campanhas difamatórias”. Quando o Rafael Marques e os “Revus” acusaram o Reigime por desrespeitarem a dignidade humana nas cadeias do MPLA (Angola é o MPLA e o MPLA é Angola, como querem fazer acreditar), rapidamente surgiram vários bocas e barrigas de aluguer do Poder a acusá-los de serem inimigos de Angola, de pertencerem a organizações de malfeitores.

Quando o Club-K, o Folha 8 e outros órgãos de informação divulgaram fotografias dos “campos de concentração hitlerianos nas cadeias do MPLA”, com presos esqueléticos, famintos e doentes, um dos kapangas, bem nutrido, cangaceiros do Sistema Penitenciário, veio, muito atrapalhadamente, esclarecer que essas imagens eram antigas, de há dois anos.

O kapanga, cangaceiro do Reigime, com a pressa de tentar desculpar tanta malvadez imposta pelos senhores feudais do MPLA, acabou por tropeçar nas suas mentiras. Mesmo que essas fotografias tivessem sido registadas há dois anos, isso desculparia o comportamento maquiavélico dos donos do poder? Essa desculpa esfarrapada não iliba a cobardia, a malvadez, dos todos poderosos, de serem acusados da prática de crimes contra a humanidade.

O Ângelo, Ministro do Interror, se fosse realmente homem, ser racional, e se tivesse o mínimo de dignidade, já há muito tempo deveria ter pedido a demissão do cargo que desempenha, de uma maneira tão infantil, incompetente, incoerente e despótica.

É este o Ângelo, Ministro do Interror, que nos quis fazer passar por ingénuos anjinhos, quando nos tentou fazer acreditar que o Reigime gasta vinte dólares, por dia, na alimentação dos presos? Se não for o Ângelo o Ladrão, quem mais poderá ser o que anda a roubar o dinheiro destinado à alimentação dos que estão na prisão? Vinte dólares por dia correspondem a seiscentos dólares por mês. Seiscentos dólares dão para pagar quantos ordenados mínimos nacionais? Conclusão: se não for o Ângelo o Ladrão, certamente é um grande aldrabão.

Tudo isto acontece em Angola ao mesmo tempo que a Isabel, através do Sindika “Do Colo” compra diamantes por muitas dezenas de milhões de dólares e o Louvalozédu tenta vender a imagem de que o governo de Angola é honesto e competente, respeitador dos Direitos Humanos.

Nós já estamos vacinados contra as acções de relações públicas que o Reigime teima em designar por “campanhas difamatórias”. Não conseguem arranjar outras desculpas mais esfarrapadas porque já esgotaram todos os outros argumentos falaciosos!

O Ângelo é fácil e tristemente reconhecido como o Ministro do Interror. Ao mesmo tempo, perguntamos, por anda um individuo de nome Rui Mangueira, que diz ser Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos? Certamente que não andará a exercer as funções do cargo para que foi empossado!

 

Assalto, simulacro ou demonstração de força ? - Ilidio Manuel

Luanda - A polícia mobilizou ontem um fortíssimo aparato para, segundo o porta-voz da instituição, Mateus Rodrigues, neutralizar um assalto que estava em curso numa pastelaria, à Vila Alice.

Fonte: Facebook

Para o efeito, foram usados dezenas de efectivos – forças especiais, brigada anti-terrorista, canina, etc.,- e diversos meios letais, assim como drones. Creio que só não foram usados robots, porque, ao que sei, a nossa polícia ainda não dispõe de tais meios de auxílio.


Apesar de a operação ter-se revelado um fracasso, já que nenhum dos supostos assaltantes foi detido, o porta-voz da instituição castrense rotulou a acção policial de um “ verdadeiro sucesso”. Incapaz de conter o impulso mediático, Mateus Rodrigues não deixou mesmo de gabar a “pronta intervenção da polícia”...


As pessoas que ontem acompanharam de perto ou pela rádio o desenrolar dos acontecimentos esperavam mais da nossa polícia, tendo em conta a panóplia de meios usados e o suspense criado à volta do caso.


Hoje, diante do fiasco policial e dos excessos cometidos questionam se houve, de facto, um assalto ou a polícia simulou o roubo para fazer uma demonstração de força com o objectivo premeditado de passar a mensagem de que tem a situação da criminalidade sob o seu controlo?


Se foi um simulacro, uma prática legal que tem sido usada pelas várias polícias do mundo para testar a sua capacidade de resposta diante de situações do género, a nossa polícia tem a obrigação de informar os cidadãos/contribuintes.


Sem quer, a Polícia deixou a descoberto uma das suas fragilidades: os meios de vigilância electrónica. O apelo que lançou aos moradores para que estes colocassem tais meios em suas residências revela a quantas anda a polícia em matéria de vigilância electrónica!


É caso para perguntar: Onde pára a dita Brigada Electrónica que foi criada há alguns anos, com pompa e circunstância? Ainda funciona? Se não funciona, qual é o destino dado as verbas alocadas para a sua criação?

 

William Tonet: "Não havia necessidade de o MPLA se juntar à suspeição "

Luanda - Dois analistas angolanos manifestaram opiniões diferentes sobre o actual processo de registo eleitoral e as eleições de 2017 num aceso debate no “Angola Fala Só”.

Fonte: VOA

Enquanto o professor João Nzatuzola considerou que o processo está a decorrer com “tranquilidade”, o analista politico e jornalista William Tonnet afirmou que o modo “inconstitucional” como o registo está a ser feito revela que “alguém tem medo que se cumpra a Constituição”.

“E se alguém tem medo é porque não está a fazer um jogo limpo”, sublinhou Tonnet, acrescentando que, por outro lado, “ os dados que que o Governo avança são suspeitos em relação aos números de mesas que estão efectivamente a trabalhar”.

Interrogado por um ouvinte sobre a possibilidade de instabilidade após as eleições, o professor Nzatuzola disse que hoje a situação é muito diferente daquela vivida em 1992 quando exista ainda um exército por parte da UNITA.

“Não estou a a ver um regresso à guerra”, alertou, e considerou que, apesar de afirmações em contrário, existe hoje “um quadro institucional que dá muita margem de manobra”.

William Tonnet manifestou o seu forte cepticismo em relação a todo o processo eleitoral afirmando que o facto de o mesmo estar a ser organizado pelo partido no poder lança enormes duvidas sobre todo o processo.

“Ninguém organiza para perder”, ressalvou o jornalista, que diz que não acreditar que "pelo voto se possa ter alternância” em Angola.

Para Tonnet “não havia a necessidade de o MPLA se juntar à suspeição”, mas devia ter aberto caminho para um processo limpo "no fim do consulado do Presidente".

Os dois analistas concordaram que a exclusão do processo eleitoral dos angolanos que vivem no estrangeiro viola a Constituição.

Sobre isso, "o Governo é que deve explicar porque é que isso acontece”, concluiu João Nzatuzola.

 

“A Dimensão Histórica de António Agostinho Neto” - João Pinto

Luanda - Presidente Neto, foi determinante na luta unida do povo angolano, senão vejamos: (…) Em Angola, contudo, havia três movimentos de libertação rivais, cada um lutando por uma posição dominante, à medida que o país se aproximava da data mágica de 11 de Novembro de 1975, dia da independência. A FNLA, (Frente Nacional de Libertação de Angola) era forte no norte porque o seu líder, Holden Roberto, era oriundo da tribo Bakongo e apoiado pelo seu cunhado, o Presidente Mobutu, do Zaire. No Sul, onde a tribo Ovimbundu era a mais poderosa, o respectivo movimento de libertação, a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola, era dirigida por Jonas Savimbi. Como muitos outros líderes africanos, aceitara os apoios oferecidos, independentemente de onde provinham_ no seu caso, vieram durante muito tempo da China e, em menor extensão, de admiradores na Escandinávia, sobretudo na Suécia. O MPLA, marxista, dirigido pelo médico Agostinho Neto, tinha uma menor base tribal (…)


Kinssiger (Anos de Renovação, Gradiva, pag. 704, Lisboa, 2003)

Fonte: Club-k.net

Falar sobre a figura do Primeiro Presidente da República de Angola, não é uma tarefa fácil para quem, como eu, nunca privou com ele. No entanto, como Professor de Sistema político Angolano, Ciência Política e Direito Constitucional, Filosofia do Direito e do Estado, é uma reflexão permanente procurar compreender a origem do nacionalismo ou pensamento político angolano, para tal a História e o Direito devem comungar a interdisciplinaridade, por ser a História do Pensamento Político, a fonte para o Direito Constitucional, para entender o fundamento do Estado.

 

Ouvimos dizer que o Presidente Neto era um “intelectual clarividente, refinado, simples, carismático, conhecedor da causa nacionalista do povo angolano, patriota convicto, adversário intransigente e implacável ”. Mas, de onde vem tantos adjectivos, antes que não sejamos vistos como mais um lugar-comum dos discursos de conveniência. O seu sucessor político, em acto de empossamento, afirmara: «Submeto-me à decisão do CC do nosso Partido, cumpro hoje o honroso dever de prestar juramento, nesta cerimónia solene de investidura, para assumir os cargos de Presidente do MPLA-Partido do Trabalho, Presidente da República Popular de Angola e Comandante em Chefe das FAPLA. Funções que vinham sendo desempenhadas com brio invulgar, com dedicação, coragem e perspicácia de estadista genial, pelo nosso querido saudoso Camarada Presidente Agostinho Neto que, inoportunamente, faleceu a 10 Setembro, em Moscovo. Não é uma substituição fácil, nem tão pouco me parece uma substituição possível. É apenas uma substituição necessária.» JES, aos 21/09/1979. Esta afirmação vinha do seu sucessor político no Estado e no Partido, jovem que beneficiou da visão de Neto em formar para transformar, educar para combater a razão da luta política contra o colonialismo português. Como estudante foi muito bom, notável, famoso, como poeta, os seus versos eram enigmáticos criando interpretação diversificada, exigindo dos estudiosos clarificação das mensagens metafóricas que o seu pensamento causava em toda sua acção ou omissão, gerava desconfiança, curiosidade dos atentos observadores, quando contestava qualquer actos era sobre nobreza dos valores inerentes à paz, humanidade e respeito pela dignidade da pessoa humana. As autoridades coloniais quando o prendiam por actos “subversivos”, não conseguiam evitar a solidariedade, a denúncia de colegas, amigos, amigos da liberdade humana, quando libertado era procurado por todos aqueles que pretendiam uma direcção para suas vidas, como médico, pensador e visionário instruía os jovens estudantes das colónias a coleccionarem a História de África, literatura, antropologia, etnologia ou qualquer matéria relativa ao Continente e povos colonizados ou solidários com causa nacionalista.

 

Com a chegada de António Agostinho Neto, Viriato da Cruz, fomenta ataques contra a sua pessoa, acusa-o de “autocrata”, por defender um comando de direcção única tentando unir um Movimento (MPLA) desunido, com intelectuais “orgulhosos”, sem atender a causa da luta como uma exigência moral, obrigando a unidade e, para lá das vaidades de ser “mestiço ou mulato, cabrito, assimilado ou indígena”, para tal, a chegada de António Agostinho Neto, vai gerar uma cisão, uma que o segue (Neto e Lara), e outra que segue Viriato, tendo a sua “clientela”, segundo Andrade (1997, 180), senão vejamos a afirmação de Mário Pinto de Andrade, o príncipe da sociologia angolana: «(…) Quando se pôs a questão da direcção houve duas listas: uma que incluía o nome de Viriato da Cruz, e outra que não incluía. Houve uma escolha da Conferencia a favor de uma lista de direcção que era uma ruptura definitiva_uma ruptura que Neto tinha exigido. Neto exigia uma direcção que excluísse Viriato da Cruz. Os outros membros da antiga direcção tinham aceite esta exigência. (...)

 

O MPLA de Neto, viu-se numa situação constrangedora depois da saída de Viriato da Cruz e depois de Mário Pinto de Andrade em 1963, parecia um grupo em quase “desintegração”, por ter havido alguns erros resultante do carácter de líderes intelectuais que se digladiavam, fragilizando a unidade da luta, se a PIDE fomentava a desconfiança, o GRAE de Holden, tinha sido reconhecido na OUA e como representante do povo angolano pelos governos africanos, disto, o MPLA vai ter dificuldades de ficar em Kinshasa, mudando-se para Brazaville, existiam correntes que viam os conflitos internos no MPLA como fragilidade para combater o colonialismo, Neto, alia-se a UNTA de Pascoal Luvualo e ao MLN, quase arruinaram o MPLA de Neto e Lara, em consequências dos ataques de Viriato da Cruz, Holden e a sua UPA, com o Governo Revolucionário Angolano no Exílio, com o Ministro dos Negócios Estrangeiro Jonas Savimbi, Secretário Geral da UPA, Neto e o MPLA, não estavam reconhecidos pela a Organização de Unidade Africana, segundo Wheeler/Pelessier (2009, 304). Mas Neto, mais uma vez, supera tal situação.

Presidente Neto, não era retrógrado, complexado com doutrinas ou valores, buscava conhecer, não rejeitava a sua identidade, sabia a sua missão. Pois, não esperava, era por que se esperava, tinha uma visão perfeita, da vereda a seguir, estava determinado, não tinha dúvidas sobre a luta e a libertação, basta lembrar o antropónimo Kilamba Kiaxi, implica um conhecimento profundo da filosofia da região onde nascera, o Icolo Ibengo, falantes da língua ndongo ou “Kimbundu”, significando mestre ou sacerdote, intérprete das divindades, intermediário entre os homens e as divindades. Presidente Neto, tinha noção da simbologia espiritual que o termo evocava, senão vejamos o poema:


“Içar da bandeira” « Quando voltei As casuarinas tinham desaparecido da cidade E também tu Amigo Liceu Voz consoladora dos ritmos quentes da farra nas noites dos sábados infalíveis Também tu Harmonia sagrada e ancestral Ressuciscitada nos aromas sagrados do Ngola Ritmos Também tu tinhas desaparecido E contigo os intelectuais a Liga o Farolim as reuniões das Ingombotas a consciência dos que traíram sem amor cheguei no momento preciso do cataclismo matinal em que o embrião rompe a terra humedicida pela chuva erguendo planta resplandecente de cor e juventude cheguei para ver a ressurreição da semente a sinfonia dinâmica do crescimento da alegria nos homens E o sangue e o sofrimento eram uma corrente tormentosa que dividia a cidade Quando voltei o dia estava escolhido e chegava a hora Até o riso das crianças tinha desaparecido e também vós meus amigos meus irmãos Benge, Joaquim, Gaspar, Ilídio, Manuel e quem mais? _centenas, milhares de vós amigos Alguns desaparecidos para sempre vitoriosos na sua morte pela vida Quando voltei qualquer coisa gigantesca se movia na terra os homens nos celeiros guardavam mais os alunos nas escolas estudavam mais o sol brilhava mais e havia juventude calma nos velhos mais do que esperança era certeza mais do que bondade era amor os braços dos homens a coragem dos soldados os suspiros dos poetas tudo todos tentavam erguer bem alto acima da lembrança dos Heróis Ngola Kiluanji Rainha Ginga Todos tentavam erguer bem alto A bandeira da independência. »

 

Para o Presidente Neto, o fim último de toda sua luta, como estudante e depois médico era a independência, no entanto todas classes deviam participar zelosamente, assumindo o risco, não importando a idade, mas tendo como modelo a seguir os precursores do combate à ocupação e domínio Angolano, mais ultrapassando a etnia ou a tribo, pensando além do espaço Ndongo dos jingola para criar uma nação anangola (os filhos de Angola) ou Rainha Ginga e Ngola Kiluanji, são referências simbólica de uma luta transetnica.

 

Há no nacionalista uma visão que ultrapassa a raça, tribo ou etnia é uma transculturalidade, mas nunca esqueceu os modelos ou referências locais, tradicionais que servem para consolidar a memória comum, numa solidariedade híbrida entre a mecânica e orgânica a atingir com a criação do Estado soberano, onde todos deviam unir-se para uma causa: a independência. Neto não tinha falsas modéstias, tinha a responsabilidade de ser o timoneiro, o líder da causa, sem esquecer aqueles que agrilhoados por promoverem a cultura endógena temida pelo dominador.

 

Neto assume-se como líder, luz incandescente que gera uma iluminação na consciência popular, intelectual, velhos e crianças esperando pelo dia do içar da Bandeira, claro, determinado como que vaticinando, notabilizou-se determinante em juntar os nacionalistas em Alvor, foi o porta-voz dos movimentos nacionalistas para proclamação da independência Nacional no dia 11 de Novembro de 1975, quando o troar dos canhões em Kifangondo a norte com os zairenses e Norte Americanos apoiando a FNLA e o sul com as forças sul-africanas e os reaccionários tugas a sul, apoiando a UNITA.

 

Em todo percurso de Neto parece que há um misto de racionalidade e transcendência ou até um messianismo sobre o futuro líder, cônscio do dever de libertar o seu povo, unindo grupos desavindos, classes conflituosas, valores em colisão, este homem, médico e escritor dinamiza o conceito de cultura nacional e cria uma consciência nacional sobre o percurso do homem enquanto tal, do africano enquanto explorado e dominado pelo homem branco de matriz europeia e etnocêntrico, com um regime segregacionista e particulariza o local e o nacional, sem prejuízo do universal. Para Neto, o nacionalismo nunca devia ser confundido com racismo e tribalismo, estava em causa a dignidade do homem como pessoa, era o regime do Estado novo que estava em causa e a herança discriminatória criada durante séculos, mas o resgate devia ser feito com equilíbrios para não fragilizar a luta, não era cor do dominador, mas os valores, é uma questão da filosofia dos valores. É nisto que o pragmatismo político vai sobrepor-se a vontade, devendo aliar-se aos progressistas para atingir-se a independência, criando alianças ideológicas resultantes do pós segunda guerra, a URSS e os EUA, Neto, opta pelo progresso ou ideologia que admitia a igualdade social, económica e política para se atingir uma ordem plena de realização o Comunismo, sociedade sem classe, atendendo que o capitalismo americano sempre esteve em Angola, na exploração dos recursos, tolerava o Apartheid na África do Sul, Zimbabwê ou a supremacia branca na América, onde os descendentes de africanos escravizados, continuavam discriminados, onde Luther King, também procurava um sonho para a liberdade e igualdade dos negros.

 

A notabilidade de Neto, resulta da sua diferenciação intelectual e pelas causas que defendeu, imolou-se, sacrificou-se como pai, filho, irmão e marido para fazer diplomacia atingindo reconhecimento internacional, começando na ex OUA que apoiava apenas a UPA e depois FNLA, denunciou actos tribais da UPA que gerava desconfiança entre nacionalistas, propôs no dia 6 de Agosto de 1962 uma frente de libertação comum com a UPA e MPLA, ficando Holden com a parte política e Neto com a militar, Holden recusara e fizera insinuações, na sua resposta de 7 de Agosto de 1962, pondo em causa lisura de libertação de Neto e a sua fuga, segundo Mbah (2010). Neto, fazia as coisas acontecer, não esperava, era o esperado. Era notável, brilhante, nos seus discursos e acção, para um líder revolucionário, não admitia vaidades que pudessem fazer vacilar ou criar dissensões na luta: «Um só povo, uma só nação.»; «A Luta contínua, a vitória é certa.»; «o mais importante é resolver os problemas do povo.» ou ainda « Angola é e será por vontade própria, trincheira firme de revolução em África» e defesa de outros povos discriminados na África do Sul, Namíbia e Zimbabué, estas frases ou afirmações tão fortes e determinantes para motivar a luta contra o colonialismo e a invasão sul-africana apoiada pela UNITA e zairense apoiada pelos americanos e ELNA, ele diz: «ao inimigo nem um palmo da nossa terra». Tudo isto, notabiliza-o como líder carismático, motivando uma “luta sem trégua” até ao momento da sua morte, depois de expulsar o domínio colonial dos portugueses que durante séculos discriminou e dividiu os angolanos, reconhecido como Chefe de Estado pelas Nações Unidas e OUA, por via da política externa que ele dirigia e auxiliado pelo seu discípulo que havia enviado estudar na ex URSS, Baku, o Engenheiro José Eduardo dos Santos, então Ministros dos Negócios Estrangeiro, Angola foi admitida no dia 1 de Dezembro de 1976, com a Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, n.º 31/44.

 

No pós independência, o Presidente da jovem nação, vai deparar-se com um conflito de quadros e com um desfecho violento, no entanto, o Chefe de Estado ameaçado por conflitos resultantes equívocos ideológicos, raciais ou regionais e pessoais, vai procurar, mais uma vez, procurar a união dilacerada por um conflito com protagonistas internos, aqui, Neto o estadista, procura repor a ordem com ajuda cubana, segundo Birmingham (2003, 176), aqui vemos um Estadista preocupado com as consequências do golpe falhado, era necessário manter a coesão abalada, com justiça ou excesso, os instrumentos burocráticos foram utilizados, por tratar-se de um crime contra a segurança do Estado, hoje, questiona-se a justeza da época, mas nunca ninguém mediu quais teriam sido as consequência se o golpe triunfasse, parece-me num período pós independência, era normal o desafio ideológico em saber quem era o melhor “socialista e o burguês” que se desviava, mas as revoluções são complexas e «devoram os próprios filhos».

 

No entanto, parece-me que com a extinção da DISA em 1978, o Presidente Neto, reconheceu que houve excesso, mostrando sempre o sentido Estado e o insigne nacionalista e Estadista que foi. Não nos esqueçamos que o 27 de Maio ocorre, dezoito meses depois da proclamação da independência, os quadros tinham vindo da guerrilha, a formação sobre o Estado, o Governo, o Partido e as instituições repressoras confundiam-se, reforçado pela inexperiência, rebeliões ou fracções (revolta, activa, revolta do leste, fracção Chipenda, a ala Viriato), tudo isto, parece-me contribuiu para os “excessos” que mancham uma caminhada brilhante, foi uma nódoa num pano Limpo. No entanto, importa reconhecer que Neto, tinha uma cooperação cubana eficiente, equívocos de compreensão da ideologia, levou alguns revolucionários extravasarem as suas limitações políticas, atendendo a hierarquia, cabendo ao Chefe de Estado assumir o Comando único, para repor a ordem perigada. Isto aconteceu, Neto viveu esta amargura, não podemos ignorar, mas temos de reconhecer que o seu sentido de compreensão do fenómeno só foi possível, depois dos excessos praticados por entendimentos equivocados, por falta de um Comando único pós-independência, basta lembrar que muitos Ministros agiam sem a ordem directa, o próprio Nito Alves, é exemplo disso, como mostram algumas posições duvidosas sobre angolanidade e inclusão social, relativo aos gostos burgueses de alguns dirigentes da época, bem como polémicas sobre o “suposto” apoio Soviético…

 

O País deve assumir o passivo histórico, ultrapassar isto, como ultrapassámos 1992 a 2002. devemos reconciliarmo-nos com a História, sejamos uma família política, fundada por Neto, por isso, não podemos amputar o nosso passado comum. Se houve perdão, contra os de fora do MPLA, também devemos ser generosos connosco, por tratar-se de um período revolucionário, onde o Partido e o Estado se confundiam. Devemos assumir o activo ou passivo positivo ou negativo do nosso passado. As amnistias aprovadas sobre crimes contra a segurança servem.

 

Meus caros amigos, os feitos do Presidente António Agostinho Neto, ultrapassam os seus defeitos, falhas humanas, no entanto os efeitos da sua luta e determinação, são intemporais ou transcendem o homem. Hoje discutimos angolanidade, qualidade em tudo, cidadania, democracia, justiça social, educação, saúde, habitação, iluminação, igualdade formal e material para todos, tudo isto, não seria possível, se Neto pensasse na sua tribo, cor, raça, família ou região. Neto visionário e Estadista, pensava no futuro, vaticinou um só povo uma só nação, de Cabinda ao Kunene. O Presidente António Agostinho Neto, teve “uma luta e uma vida sem tréguas”, morreu sem ver uma Angola completamente unida, mas lançou as bases e os frutos que estamos a colher, importa compreendermos o homem e não julgá-lo com os olhares de hoje, mas analisar a História com toda frieza, concluindo que os seus feitos, ultrapassam os seus defeitos como humano, libertou-nos do colonialismo e proclamou uma nova nação perante o mundo e a África.

 

Muitos dos seus críticos hoje, visam desacreditar os seus grandes feitos e os efeitos. Estão manchar o bom-nome, como o colonialismo e os racistas que só vêm defeito do homem negro, esquecendo que as cidades e a riqueza europeias e americanas, foram feitas com a força, sacrifício do homem negro escravizado. Estes intelectuais de circunstância nunca retractam o mal do colonialismo e do racismo da escravatura, minimizam-no. Estes especialistas em mujimbos, boatos empolam factos de ouvir dizer, para depois de desmentidos vitizamarem-se. Tais intelectuais podem ajudar a conhecer a verdade histórica sem subjectivismo ou ressentimentos (Marc Ferro) por nunca conseguirem de Neto a traição aos angolanos. Muitos apressaram-se ser nacionalistas de circunstância em 1974/75, mas mantinham o preconceito de tentar implantar o caos, a pseudo superioridade de uma minoria branca, como na África do Sul, Namíbia ou Rodésia-Zimbabwe. A essa miséria moral devemos desconstruir o seu fim: desacreditar para desunir os africanos negros, brancos ou mestiços com a consciência nacional. Neto, fez frustrar outras utopias racistas e tribais, por isso, devemos esclarecer a juventude, estudando bem a História Nacional.

 

A dimensão histórica de Neto, supera anões intelectuais que pensam escrever milhares de páginas cujo o conteúdo, não coincide com o título, não sei se por lapso, provocação, insulto, insolência ou até preconceito histórico de alteridade: “ A grande constante da historiografia portuguesa reside precisamente na dificuldade de dar ao Outro, particularmente ao africano, uma qualquer autonomia: a história portuguesa estaria assim marcada pela rejeição permanente, por vezes brutal, desta autonomia real ou potencial do Outro. Quase sempre ausente, o africano aparece apenas no discurso, incerto, carregado de referênncias negativas que o transformam em selvagem ou em marginal.” Segundo Henriques (2004,33). Em pleno XXI, os intelectuais que representam uma franja da sociedade portuguesa, com certa nostalgia, procuram sempre desacreditar dirigentes angolanos que se bateram firmemente contra a dominação colonial e racista sul-africana ou a guerra alimentada de fora com servidores lacaios interno, se calhar é o ressentimento histórico. Haja bom- senso. Os intelectuais de Angola e Portugal, devem cooperar e respeitar-se reciprocamente, por razões de dignidade e reconhecimento da personalidade doutro, nunca a pretensão de pretender substituírem-se ou diabolizarem-se, negar virtude e exaltar erros ou falhas humanas.

Cabe aos angolanos contarem sua história e aos portugueses a sua, para haver equilíbrio e pluralismo. Se assim, não for há paternalismo e neocolonialismo e negação da dignidade doutrem. Importa que defendamos os nossos Heróis e sendo ultraje qualquer tentativa de destruição do património imaterial dos Angolanos que Neto representa, por isso, é crime de lesa Pátria, tentar ultrajar o Fundador da Nação… Bem-haja, honra aos heróis… aqui temos um insigne Estadista, por ter unido a luta para uma causa: o içar da bandeira…


Grato pela atenção

BIBLIOGRAFIA

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Carta ao Comandante Ambrósio de Lemos sobre os assaltos no bairro pantanal

Luanda - Carta ao Comandante Ambrósio de Lemos sobre os assaltos no bairro pantanal

Exmo. Sr. Governador da Província de Luanda- General Francisco Higino Lopes Carneiro
Exmo. Sr. Comandante Geral da Policia Nacional- Comissário geral Ambrósio de Lemos Freire dos Santos
Exmo. Sr. Comandante Provincial da Policia Nacional- Comissário Chefe António Maria Sita
C/C: Exmo. Camarada Jeremias Dumbó, Administrador Municipal de Viana



Assaltos às pessoas e casas na bairro pantanal- distrito do Bita (Viana-Luanda).


Sou a informar que resido no bairro pantanal faz 3 anos. Na altura tudo era calma, mas neste momento tudo está inverso.


Nós, residentes, não podemos circular depois das 18h e tão pouco entre as 5 às 6h, devido os jovens armados, muitos deles residentes, que deambulam, inviabilizam e atormentam a vida dos residentes e visitantes. Outra prática frequente são os roubos perpetuados dentro das casa, das quais fui vitima no passado dia 20/09/2016 aquando 4 indivíduos usando capuchos pretos tentaram arrombar a porta da minha casa para saquear o que eles quisessem, mas por sorte um vizinho que é militar atirou contra eles, o que despertou atenção da vizinhança e colocaram-se em fuga. Eles, normalmente, entram arrombando a porta, janela ou pelo tecto.

 

Toda essa prática deve-se a ausência permanente de quadros da policia no local, ou seja, não tem qualquer posto policial nas proximidades, com excepção do posto situado junto a universidade Utanga que, fica muito aquém do esperado e distante da localidade. Quem não for militar ou policia está condenado; Quem não tiver uma arma de fogo em casa, também está condenado.


A pratica tornou-se rotineira, facto que muitas vezes, mesmo no período claro eles actuam como se tratasse de um acto normal. Por isso, clamamos aos senhores que, envidem algum esforço em colocar um posto no local e evitarmos mais actos indelicados.

Sem mais delongas, despeço

Atenciosamente,

Elísio Castro Caiombo
Residente

Discursos novos, práticas antigas - Graça Campos

Luanda - Está encoberta em muita opacidade, a aquisição, já autorizada pelo Presidente da República, de quase 4.500 viaturas, ligeiras e pesadas, com custos muito próximos aos 800 milhões de dólares.

Fonte: Graça Campos| in Facebook

De acordo com a agência Lusa, três diferentes despachos do Presidente da República do dia 15 deste mês autorizam o Ministério dos Transportes a assinar contratos para a aquisição de 4472 viaturas para o Estado num investimento que custará aos cofres públicos 783 milhões de dólares.


Dessas quase 4.500 viaturas, 1.500 unidades serão destinadas ao transporte escolar; 1.272 visam “ampliar a oferta de serviços de transportes de passageiros e de mercadorias e apoiar a actividade produtiva”, e as restantes 1.700 viaturas destinam-se a “concluir o plano de reposição e distribuição dos meios que foram destruídos pela acção da guerra e que se encontravam ao serviço do Estado”.


De com o despacho citado pela Lusa, esse lote de viaturas vai, ainda, servir para apoiar a actividade agrícola, piscatória, pecuária, desenvolvimento rural, actividade produtiva e o comércio local, ao nível dos municípios e comunas do país.


A aquisição dessas viaturas será feita por duas empresas estrangeiras, sendo que à brasileira Asperbras coube o contrato para o fornecimento de 1.500 autocarros escolares, ao preço unitário de 255 mil dólares. No total, essa empresa, que é concessionária de veículos MAN e Volkswagen em Angola, embolsará qualquer coisa como USD 383,5 milhões.


Os outros dois contratos, no valor de USD 399,8 milhões, contemplaram a empresa norte-americana Amer-con Corporation, para o fornecimento de 2.972 viaturas.


Não há, em nenhum dos despachos do Presidente da República, a mais leve alusão à qualquer concurso, público ou limitado, o que sugere que a escolha da Asperbras e da Amer-con Corporation pode ter obedecido exclusivamente a conveniências particulares. Grandes concessionárias angolanas, como a Toyota e a Hyundai, que garantem milhares de postos de trabalho e estão solidamente implantadas em território nacional, ao que parece não foram tidas nem achadas.

No rasto do perfil das duas empresas contempladas com o quase bilionário contrato, o jornal electrónico Rede Angola descobriu que a representação da brasileira Asperbras no Congo Brazzaville foi dirigida até há pouco tempo pelo cidadão luso José Veiga, que depois foi detido no seu país por suspeitas de corrupção no comércio internacional, fraude fiscal, branqueamento de capitais e tráfico de influência.


O perfil da Amer-con Corporation é ainda mais perturbador. De acordo com o Rede Angola, trata-se de uma empresa de construção e comércio com sede na Flórida, Estados Unidos. Ela não fabrica e nem representa nenhuma marca de viatura. É apenas uma intermediária. Não obstante, conseguiu um negócio de quase USD 400 milhões com o governo de Angola.


No site da Amer-con Corporation, que diz trabalhar em vários países de África e da América Latina, embora especifique apenas Angola, o Rede Angola descobriu uma estranha coincidência: "todos os que nela trabalham parecem chamar-se Rapaport – desde o presidente Carlos Rapaport, passando pelos quatro vice-presidentes".
Os três despachos do Presidente da República também não fazem nenhuma alusão à assistência técnica às viaturas que serão adquiridas.


Deste modo, no diz que respeito, por exemplo, às viaturas destinadas ao transporte escolar, fica por saber se a sua assistência ficará por conta das escolas que vierem a ser beneficiadas ou se os importadores terão alguma palavra a dizer.


O que desde logo parece líquido é que as viaturas a fornecer pela Amer-con Corporation não terão assistência garantida em Angola, uma vez que a empresa norte-americana não representa nenhuma marca.
Em 2012, a mesma empresa intermediou a venda a Angola de centenas de autocarros escolares de marca Bluebird.


Comparados pela então Casa Militar do Presidente da República, esses autocarros, muitos dos quais atribuídos a empresas provinciais de transporte de passageiros, tiveram vida efémera, por falta de acessórios e de assistência técnica local.


Sem assistência técnica garantida, o gigantesco esforço financeiro que o governo fará para a aquisição das viaturas rapidamente se traduzirá em mais um logro. Igual a tantos outros. Nomeadamente àquele que, nos primeiros anos deste país, consistiu na compra de luxuosos turismos Mercedes para serviço de táxi público. Menos de um ano depois, a milionária frota estava convertida em sucata por falta de assistência. Mais recentemente, viaturas adquiridas pelo Estado para servir deputados e outros dignitários, nomeadamente Citroens, Audis e outras marcas, foram parar precocemente à sucata pelas mesmas razões.


Nos últimos tempos, o Presidente José Eduardo dos Santos tem feito insistentes apelos à transparência e à boa gestão.


Mas a opacidade que envolve a milionária aquisição significa que, embora pregue o contrário, o próprio Presidente da República continua amarrado a práticas do passado. O modo como conduziu a operação traduz o anacrónico "quero, posso e mando". Em muitos aspectos, o Presidente da República continua a confundir o país com uma propriedade pessoal.


O contrato com a construtora norte-americana Amer-con Corporation para intermediar a compra de carros, algo que pode ser feito por qualquer concessionária angolana, a preços certamente mais baixos, significa que, em muitos casos, interesses particulares continuam a sobrepor-se aos interesses nacionais.


A milionária operação, digna de registo em qualquer parte do mundo, em Angola não vai além de mais uma negociata, com fins eleitoralistas, destinada a engordar os bolsos dos mesmos sanguessugas que se dedicam há muitos anos a saquear os cofres públicos.

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