Opinião

José Eduardo tem um governo megalômano - Raul Diniz

Luanda - Estamos todos errados em Angola excepto o José Eduardo dos Santos, mesmo até dentro das hostes maldosas do regime só ele é competente! Senão vejamos, ao longo dos 36 anos de poder absolutamente degradante de regime hediondo sustentado assustadoramente pelo MPLA, somente uma pessoa nunca foi afastada e/ou exonerada do cargo “público” que ostenta no (des) governo do país.


Fonte: Club-k.net


O REGIME DESCONFIGURADO DE JES SOBRE FOGO INTENSO DE ALIADOS ECONÔMICOS.
Perdoem-me os aduladores de José Eduardo dos Santos, mas o povo está "insatisfeito, cansado" e de (saco cheio) de tê-lo como presidente da república. Até mesmo a comunidade internacional que o suportava por força das negociatas do petróleo já se aperceberam que continuar ao lado do tirano angolano é deveras perigoso para os regimes sustentados pela democracia podem correr em termos de segurança e credibilidade. Para sustentar essa verdade basta acompanhar com a excelência inteligente de uma mente sã, o posicionamento do governo americano feitos pela secretária de Estado norte americano a semana finda, onde acusa direta e inequivocamente o regime de perseguir e oprimir os seus opositores para além acusar de coarctar as liberdade de expressão e de ir e vir, além de igualmente considerar o regime endemicamente corrupto.


Por outro lado, não se pode descorar nem tão pouco ofuscar os desdobramentos invulgares das nações unidas ao decidir posicionar-se do lado da verdade e pedir publicamente uma investigação independente acerca do genocídio praticado pelo regime contra as populações pacíficas sitiadas no monte Sumi 25 km da Kahala província do Huambo.


JES É UMA PESSOA MEDÍOCRE SEM VISÃO POLITICA
JES é dono de um (des) governo que rodopia em torno de si mesmo, os governantes escolhidos sistemicamente por Dos Santos são autênticos gangsteres que se revezam de um cargo ministerial para outro, são prisioneiros da vontade expressa de Dos Santos, que por sua vez aprisionaram-se indecentemente as riquezas dos angolanos, e fizeram delas o seu deus! Não existe esperança nenhuma para um regime cujo maior objetivo é o de delapidar o erário público nacional em beneficio próprio. Essa endiabrada gente ao serviço de JES, não se coíbe de mandar assassinar o povo indefeso das regiões petrolíferas e diamantíferas, que na verdade é o sustentáculo das receitas obtidas para sobrevivência do regime.


Com total responsabilidade e sem medo algum de errar posso afirmar que José Eduardo dos Santos é senhor de uma mente estereotipada, eivada de defeitos que hoje atinge “amago paradoxal da sociopatia endêmica” da qual, nem mesmo Sigmund Freud (froid) conseguiria defini-lo facilmente. Pois, uma pessoa que se sente acima da lei e da constituinte engendrada e homologada por ele mesmo, um homem que quer estar acima do soberano, o povo eleitor, que impiedosamente o assassina, só pode ser um sociopata inescrupulosamente incessível. Em suma, JES é uma pessoa indigna e imperceptivelmente maligna e só pode ser tratada aceitavelmente como uma pessoa com sentimentos humanamente inaceitáveis.

Modelo de governação para Africa - Augusto BáfuaBáfua

Luanda - Qual o melhor modelo de governação para África? Ainda na ressaca do Dia/Semana/Mês de África, sou daqueles que entende que a Democracia tal como ela é exercida na Europa não é tal e qual viável para África.

Fonte: Club-k.net

O Continente­ Berço tem de buscar uma solução própria a qual sugiro chamar de UBUNTU que contêm extractos da Democracia tal como ela é usada no velho continente e outros extractos do Costume Africano tendo em conta a esperança de vida, o respeito Africano ano pela idade e pelos mais velhos. Por exemplo não vejo bem o posto de Primeiro-­Ministro em Africa principalmente como chefe de governo tanto que esta posição nunca existiu nalguns países, foi abolida noutros e de difícil coabitação naqueles em que ainda existe. Como pressuposto para uma boa e estável governação sugiro (que a União Africana discutisse e persuadisse os países a adoptar o seguinte):

  1. As eleições gerais em África devem se registar todas no mesmo ano.
  2. Os Candidatos a Presidente/Chefe de Estado/de Governo devem ter mínimo 55 e máximo 65 anos e com um mandato de 5 anos se reeleição e não renovável. Para estes cargos o candidato deve ter sido antes Deputado, Governador ou Ministro.
  1. Os Candidatos a Governantes/Ministros devem ter entre 45 e 65 anos, Governos devem ter no Mínimo de 15 e máximo de 25 ministros, com mínimo 1 e máximo 2 mandatos consecutivos ou intercalados de 5 anos cada.
  1. O Parlamentos dos Países devem ter também 1 Deputado por cada 100.000 habitantes com um mínimo de 100 e com um máximo de 500 Parlamentares com os Deputados, os Candidatos devem ter entre 35 anos e 65 anos, com o máximo de 3 mandatos consecutivos ou intercalados de 5 anos cada.
  1. Os cinco partidos políticos legalizados com o maior numero de assinaturas em cada país é que vão as eleições, sem vínculos étnicos, religiosos ou geográficos.
  2. Os Embaixadores dos Países Africanos que se encontrem colocados nos 54 países do continentes devem ter no mínimo 45 e no Máximo 65 e só podem permanecer 5 anos em cada pais e 15 anos no continente.
  3. Todos os antigos Presidentes/Chefes de Estado/de Governo ou candidatos a esses cargos entre 55 e 75 anos e com experiencia acumulada ao longo dos anos e a saúde permitindo devem ser nomeadas para as Lideranças das Organizações Regionais e Continentais em África, tanto politicas como económicas, financeiras, culturais ou mesmo etnolinguística.
  4. Os Cidadãos Africanos legais todos podem em qualquer país África que se encontrem independentemente do país onde são originários.
  5. Os Cidadãos Africanos legais com no mínimo 35 e máximo 65 anos, filhos com um cônjuge nacional e se encontre num país a residir permanente a 10 anos pode se candidatar cargos municipais/Locais.
  6. Os Cidadãos Africanos legais com no mínimo 45 e máximo 65 anos, filhos com um cônjuge nacional e se encontre num país a residir permanente a 15 anos pode se candidatar/ser nomeado a cargos Provinciais.
  7. A Diáspora Africana pode votar para as eleições Presidenciais/legislativas/Gerais do seu país nas Embaixadas e Consulados dentro e fora de Africa desde que se registem para o efeito com o seu Passaporte até 180 dias antes da data das eleições.

A ideia destes pressupostos são:

  1. Elevar Africa e os Africanos.
  2. Evitar a perpetuação no poder dos lideres africanos, quanto mais responsabilidade para o cargo menos tempo se fica.
  1. Evitar exclusão e Xenofobia de africanos dentro de Africa uma vez que nenhum Africano se deve tratado ou se sentir como estrangeiro dentro do continente­ berço.
  1. Integração das Comunidades Emigrantes e Imigrantes.
  2. Coordenação de Esforços do Continente para um destino Africa 2063.
  3. Evitar tumultos Pré e Pós Eleitorais no Continente­ Berço.
  4. Desenvolver economicamente como um todo.
  5. Acabar ou Diminuir com as possibilidades de corrupção.
  6. A realização dos anseios, sonhos e Legítimas expectativas dos Pais ­Fundadores das Independências Africanas de (1957, 1960, 1963, 1975, 1980, 1990 e 1994).

A possível implementação destas medidas não resolveria nem a médio muito menos a curto prazo todos os problemas do continente­ berço porem estas medidas contem todos os ingredientes para a longo prazo de entre dez a quinze anos, depois de um médio período de transição começar a dar os seus frutos como a tao almejada estabilidade. Sou dos que pensa que se não forem introduzidas Reformas Estruturantes e Sérias nos sistemas de governação então o continente berço corre o risco de não tomar no mundo o lugar que é seu por direito.

 

Augusto BáfuaBáfua

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Dialogando com a Sociologia dos Tribunais - Florival de Sousa

Luanda - O presente artigo é o primeiro de uma série de análises reflexivas e epistemológicas sobre os grandes desafios da Sociologia dos Tribunais na paisagem societal angolana ou, se preferirmos, sobre a orientação do interesse sociológico para as dimensões processuais, institucionais e organizacionais do Direito bem como as complexas interacções entre a administração da justiça e a realidade socio‐economica em que se opera.

Fonte: Club-k.net

Os estudos socio‐jurídicos foram adoptando diversas linhas de pesquisa ao longo dos últimos 30 anos. Na década de 80 analisaram‐se os tribunais considerando‐os como organizações com características específicas e com um papel autónomo que era merecedor de um olhar focado como instituição de poder (Shapiro, 1981). Já nos anos 90 foram sendo estudados os conflitos sociais e os mecanismos de sua resolução fora dos tribunais, enquanto meios alternativos de resolução de conflitos (Mackie, 1991). Posteriormente, os estudos se foram debruçando sobre a administração da justiça como uma instituição profissional e política em mudança permanente, passando a analisar as profissões jurídicas não só ao nível das suas competências, mas também como estas se organizam e se relacionam com os cidadãos (Dias e Pedroso, 2002).

Numa perspectiva mais recente, Boaventura de Sousa Santos (2013) identifica três grandes eixos de abordagem da Sociologia dos Tribunais:

  1. a) O acesso à justiça ‐ A contribuição sociológica consiste em investigar empiricamente os potenciais obstáculos ao acesso afectivo à justiça por parte de grupos vulneráveis e apresentar soluções para os superar. Os obstáculos podem ser culturais, económicos e sociais. Estudos indicam que a distância dos cidadãos em relação à administração da justiça é maior quanto mais baixo o extracto social a que pertencem. Ou seja, os cidadãos de menos recursos tendem a ter mais dificuldades em reconhecer um problema que os afecta como sendo um problema jurídico e podem ignorar os direitos em jogo ou as vias judiciais para solucionar o conflito;

b) A administração da justiça enquanto instituição e organização profissional – Trata‐se de um tema bastante amplo onde são incluídos objectos de análise muito diversificados. Mas aqui evidencia‐se a importância fundamental do sistema de formação e de recrutamento dos magistrados, e a necessidade de os capacitar com conhecimentos culturais, económicos e sociológicos, que os possam esclarecer sobre as suas próprias opções pessoais e sobre o significado social e político do corpo profissional a que pertencem; Os litígios sociais e os mecanismos de sua resolução existentes na sociedade ‐ Do ponto de vista sociológico as sociedades são juridicamente pluralistas na medida em que juntamente com o direito oficial circulam outros direitos não oficiais no âmbito de grupos sociais específicos (família, vizinhança, igrejas, trabalho, ONG’s e outros). O facto de que, geralmente, antes de recorrer aos tribunais as partes em litígio tentam resolvê‐lo (sempre que possível) junto das instâncias não oficiais, mais informais e acessíveis culturalmente, constitui um exemplo visível do panorama das justiças em evidência na sociedade angolana.

c) Para o despertar de uma cultura socio‐jurídica

A análise da importância do ensino do Direito na formação de profissionais afigura‐se como o ponto de partida para uma reflexão mais global sobre o papel das profissões jurídicas no seio da sociedade. A forma como o Direito é concebido e ministrado, bem como a interacção com as dinâmicas sociais e as transformações no mercado de trabalho são, a nosso entender, os alicerces da racionalidade de uma reforma da justiça abrangente e eficaz.

O papel da jurisprudência não pode apenas basear‐se em um mero repositório de ideias multidisciplinares contra a cristalização ortodoxa do ensino do Direito, mas antes consistir numa fonte de pluralismo baseado na disseminação do conhecimento de diferentes perspectivas culturais relativas ao papel do Direito na sociedade, aos seus agentes, à autoridade legal e às várias formas de exercer e experienciar a acção do Direito (Ferreira et al., 2013). Como sustenta Boaventura Santos (2001) na reforma da justiça é imprescindível a formação de um corpo profissional heterogéneo que surja como um espelho da diversidade da sociedade, e capaz de acompanhar e impulsionar as dinâmicas do sistema judicial e que cujo mecanismo de consolidação de conhecimentos não se resuma à mera reprodução das aprendizagens empíricas durante o período de estágio.

Num campo mais abrangente, é importante que as reformas judiciais contemplem as diferentes ideologias profissionais e os valores e representações sociais dos seus actores. É fundamental estudar, compreender e integrar os profissionais nas suas dinâmicas e características no momento de elaborar as reformas judiciais de modo a que os resultados sejam não só os mais consensuais possíveis, mas também que garantam o comprometimento dos profissionais que têm por missão assegurar que a justiça seja feita em nome dos cidadãos.

Obras Citadas

Dias, João Paulo; Pedroso, João (2002). As profissões jurídicas entre a crise e a renovação: o impacto do processo de desjudicialização em Portugal . Revista do Ministério Público, pp. 11‐15.

Ferreira et al. (2013). Contextos e desafios da transformação das magistraturas: contributo dos estudos socio‐jurídicos. Porto: Vida Económica.

Mackie, Karl (1991). A handbook of dispute resolution: ADR in action. Londres: Routledge.

Santos, Boaventura Sousa (2001). O recrutamento e formação de magistrados: uma proposta de renovação ‐ análise comparada de sistemas e do discurso judiciário em Portugal. Coimbra: Centro de Estudos Sociais/ Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.

Santos, Boaventura Sousa (2013). Pela mão de Alice: o Social e o Político na Pós‐modernidade. Coimbra: Almedina.

Shapiro, Martin (1981). Courts: a comparative and political analysis. Chicago: University of Chicago Press.

BICESSE – 24 Anos Depois - Maurílio Luiele

Luanda - A 31 de Maio de 2015 celebramos 24 anos da assinatura dos Acordos de Paz para Angola, assinados em Bicesse, Portugal, por José Eduardo dos Santos, Presidente da então República Popular de Angola (RPA) e por Jonas Malheiro Savimbi, Líder da UNITA. Os Acordos de Bicesse, como ficaram conhecidos, estabeleceram de facto a ossatura, ou seja, as balizas que delimitaram os caminhos para a Paz em Angola, razão pela qual o 31 de Maio deve ser considerado um marco histórico na recente história de Angola.

Fonte: Club-k.net

O percurso até Bicesse foi bastante sinuoso e tortuoso. Com efeito, a assinatura dos acordos de paz foi o corolário de rondas repetidas de aturadas negociações que pareciam estéreis e intermináveis. Chegar a um acordo parecia impossível já que o discurso das partes implicadas situava‐se em polos diametralmente opostos, nada fazendo prever uma possível aproximação. O Governo da RPA estava longe de admitir uma reforma no sistema capaz de albergar o pluralismo político, mesmo diante do desmoronamento em catadupa do bloco do leste. A UNITA, por seu turno, percebia que as suas reivindicações ganhavam cada vez mais eco no contexto internacional e por isso, não estava em condições de fazer concessões neste sentido. Com as posições assim extremadas promover a aproximação das partes afigurava‐se uma missão inglória, à qual, poucas diplomacias no mundo arriscariam um tostão que fosse no tocante a uma mediação exitosa.

A guerra em Angola se compunha, entretanto, de várias camadas de conflitualidade e uma das mais espessas era, talvez, o contexto internacional da guerra fria que levou as superpotências a estenderem o confronto entre si para esta parte austral, polvorosa, do continente. Usando as partes angolanas como autênticos peões, num tabuleiro de xadrêz de elevada complexidade, este contexto internacional funcionou como um factor complicador ao estimular as partes à radicalização. Assim, da mesma forma que a guerra se prolongou essencialmente à custa desta oxigenação externa, o seu fim carecia de um forte patrocínio internacional, não apenas sob a forma de uma mediação impositiva, mas também como agentes participantes, sob os quais impenderiam tarefas preponderantes em prol da paz.

Em 31 de Maio de 1991 os angolanos estavam literalmente cansados de guerra, os efeitos nefastos da guerra eram já a sua segunda pele e pareciam difíceis de ser removidos. Diante dos acontecimentos que levaram à queda do Muro de Berlim, os angolanos começavam timidamente a despertar do turpor provocado por década e meia de um regime opressivo sustentado por ideologias marxistas que estavam então a ser fortemente questionadas e contestadas. O MPLA, alcandorado a regente solitário do Governo da RPA, experimentava então sérias dificuldades para explicar a opção socialista que arruinou praticamente a economia e a estrutura social do país e ensaiava manobras mil para sobeviver da hecatombe socialista provocada pelo furacão Gorbatchev.

Estas manobras, longe de proclamarem uma abertura política irrestrita, refutavam uma mudança mais profunda, argumentando que “o MPLA não precisava de se negar a si próprio”. No esteio desta tese, em vez de abertamente aceitar uma democracia multipartidária, o MPLA propunha uma integração de outras forças políticas no seu seio, no âmbito de uma política que se convencionou chamar “política de harmonização nacional”. Portanto, apesar dos ventos fortes que sopravam do leste europeu e se espalhavam por contágio um pouco por todo o planeta, uma névoa densa pairava ainda sobre Angola e o cepticismo era justificadamente o sentimento predominante entre os angolanos.

Foi por isso com redobrado interesse que no dia 31 de Maio de 1991 os angolanos fixaram atentamente os seus olhos na pequena tela de TV para, à laia de São Tomé, “ver para crer” o que efectivamente estava a acontecer de solene naquela sala longínqua de Lisboa diante de destacadas personalidades internacionais como o então Secretário Geral da ONU Javier Pérez de Cuellar, entre outros.

Testemunhar via TV os líderes angolanos firmarem o Acordo de Bicesse e ouvir depois os discursos de compromisso pronunciados na ocasião foi o estímulo que faltava para os angolanos soltarem o grito de júbilo há muitos anos entravado em suas gargantas. É isto que torna o 31 de Maio uma data memorável, ao acender vivamente uma centelha de esperança para os angolanos. O 31 de Maio deu aos angolanos uma clara indicação de que a Paz era possível, que o convívio na diferença era não só possível, mas vitalmente necessário e que, por isso, Angola não tinha alternativa à democracia, único sistema capaz de acomodar com algum conforto e com o menor atrito possível o convívio na diferença. O 31 de Maio mostrou aos angolanos que o caminho para se ultrapassar inevitáveis desavenças era o diálogo, em vez da confrontação bélica. Em suma, o 31 de Maio se não trouxe a Paz definitiva, proporcionou uma trégua e uma oportunidade para os angolanos repensarem os caminhos a percorrer juntos, rumo à construção de uma Nação singular bem saliente no concerto das Nações.

Mas os Acordos de de Bicesse eram apenas uma construção teórica para a Paz em Angola e logo se revelou que não eram nenhuma varinha mágica para sanar agudas diferenças que conduziram as partes à confrontação. A aplicação prática dos acordos cedo expôs as suas insuficiências e limitações e os mecanismos estabelecidos para harmonizar interpretações díspares nem sempre se revelaram eficazes. Mas há, quanto a mim, um factor que minou profundamente a aplicação dos acordos: a busca por vantagens políticas por parte dos signatários dos acordos. Esta busca se justificava porque o modelo de transição desenhado, com a realização de eleições em 15 meses, lançou rapidamente as partes para uma disputa política desregrada que de imediato fez sobrepor as fortes divergências entre ambos, sufocando acintosamente os factores unificadores, entretanto não amadurecidos. Com isso instalou‐se rapidamente a desconfiança entre os contendores e logicamente, minaram‐se a partida os alicerces que deveriam sustentar o edifício da Paz. A medida que foram se aproximando as eleições e se agudizando a disputa política, as reservas em relação ao cumprimento dos acordos cresciam e os incidentes se multiplicavam, a propaganda hostil fazia moda e nenhuma das partes, verdadeiramente, arriscava desarmar‐se por completo. Ambos mantinham importantes reservas militares para eventualidades.

E as eventualidades não se fizeram rogadas e logo se expuseram imediatamente após a realização das eleições. A guerra voltou com intensidade redobrada e com ela um cortejo de mortes e outras chagas, elevadas a um expoente nunca antes visto. Deslocados, esfomeados, miseráveis passaram a fazer parte da paisagem degradante do país enquanto os contendores pareciam encolerizados. Mas, o que de positivo parecia prevalecer, em meio a tanta desgraça, era o facto de não se terem fechado as portas ao diálogo, parecia que as partes estavam convencidas que qualquer solução teria que ser negociada. A guerra estava a ser utilizada por ambos para se obter vantagens negociais, para se colocar na condição de negociar em posição de força. Ninguém, desta vez, parecia acreditar na eliminação pura e simples do outro e isto mantinha acesa a esperança dos angolanos numa solução mais ou menos rápida do problema.

A comunidade internacional, por meio das Nações Unidas, parecia muito empenhada em aproximar as partes e um dado novo era a nova configuração geopolítica cujos contornos pareciam assumir um carácter monocefálico com os EUA à testa, pois a URSS tinha saído nitidamente combalida e atomizada da Guerra Fria.

Assim, apesar do malogro evidente dos Acordos de Bicesse a porta do diálogo permanecia aberta e de logro em logro foram surgindo emendas aos Acordos, primeiro sob a forma de Protocolo de Lusaka e finalmente o Memorando do Luena. O primeiro procurou essencialmente corrigir as lacunas no modelo de transição previsto por Bicesse introduzindo o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN) e o segundo atacou fundamentalmente os pendentes militares como a conclusão da formação das FAA, como Forças Armadas apartidárias e o complexo processo de desmobilização e reinserção social dos ex‐militares. Portanto, qualquer um destes documentos deixou incólumes os princípios fundamentais plasmados nos Acordos de Paz para Angola, vulgo, Acordos de Bicesse, que são entre outros, o pluralismo político, a realização de Eleições livres e justas, o Exército único e apartidário e o respeito pelos direitos humanos e o reconhecimento pela UNITA do Estado angolano.

Estes princípios plasmados nos Acordos de Bicesse mudaram radicalmente a ordem jurídico‐ constitucional de Angola, abrindo caminho para a implantação de um Estado Democrático de Direito cujos fundamentos são “a soberania popular, o primado da Constituição e da lei, a separação de poderes e interdependência de funções, a unidade nacional, o pluralismo de expressão e de organização política e a democracia representativa e participativa” (CRA, 2010). Outro mérito de Bicesse é o facto de ter indicado o valor do diálogo como via para a solução de desavenças aparentemente insuperáveis. Com isso, Bicesse estabeleceu as bases para a reconciliação entre angolanos, condição necessária para um convívio salutar na diferença, inprescendível para a compatibilização e conjugação de esforços em prol da edificação de uma Nação coesa, mas plural, sólida, mas complacente com os seus filhos, Nação próspera e que constitua orgulho inquestionável dos seus filhos.

Bicesse é portanto uma referência histórica importante cujas lições devem ser estudadas com dedicada atenção. Desse modo podem evitar‐se reducionismos e simplificações que nada contribuem para o exercício de busca de soluções optimizadas para os inúmeros problemas que ainda dificultam a vida dos angolanos. Bicesse deve merecer leituras por lentes imparciais, desprovidas de preconceitos, sem o viés político‐partidário que distorce invariavelmente a isenção. Bicesse é, enfim, um Tratado, mas ao mesmo tempo um Manual de Bolso ao qual devemos sempre recorrer para encontrar as melhores receitas para a Paz que temos que construir. Bicesse é, portanto, a planta que esboça o projecto do edifício da Paz que temos que necessariamente construir todos os dias. Como diz Alexandra Simeão,

“A Paz é definitivamente um processo. Não é um mecanismo instatâneo e definitivo. Tem que ser monitorado, avaliado e melhorado a cada etapa. Tem que ser implementado com critérios de rigor e que prevejam que sejam dirimidas as dúvidas e os conflitos pessoais. Não podemos usar a Paz como um mecanismo de arremesso, quando consideramos que de forma conveniente vamos amedrontar as pessoas com o monstro da guerra que alguém poderá ressuscitar”.

Como se pode depreender construir a Paz é um processo engenhoso e delicado que implica a existência de referências com base nas quais se monitora e se avaliam possíveis avanços e retrocessos. Isto permite que se condimentem as necessárias correcções e se façam registos fiéis e primorosos sobre a evolução do processo. Bicesse é uma destas importantes referências, certamente não é a única, e deve ser devidamente considerado como instrumento no exercício permanente de reflexão que se impõe em torno da problemática da Paz.

Hoje, distanciados 24 anos de Bicesse e 13 do Memorando do Luena olhamos ainda preocupados para sinais, cada dia mais estridentes, atentatórios ao desejo colectivo de Paz. Todos os dias assistimos impotentes a golpes contundentes desferidos contra o Estado de Direito justamente por aqueles que deveriam ser o garante da Constituição. Sistematicamente o direito à vida é violado por agentes “zelosos”do Estado que se vêm com poderes para retirar a vida a pessoas que pensam diferente do pensamento que se pretende hegemônico. Os recentes acontecimentos no Monte Sumi no Huambo, envolvendo a seita de Julino Kalupeteka, expôs mais uma vez a virulência destes agentes do Estado instrumentalizados para defesa do autoritaritarismo. A reacção absolutamente desproporcional a uma acção totalmente mal conduzida da Polícia Nacional resultou num autêntico massacre que as autoridades procuram a todo custo ocultar. Só que esquecem‐se que esconder centenas de mortes é absolutamente impossível e, por isso, este acto macabro brota todos os dias evidências. A liberdade de expressão é ultrajada todos os dias, a custa de uma pretensa manutenção do poder por uma certa elite, enfim, o poder tem agido deliberadamente de forma a minar os fundamentos do Estado de Democrático de Direito e gerar retrocessos pronunciados nas conquistas democráticas alcançadas com os Acordos de Bicesse.

Estas acções estão longe de ser mera casuística, pois tudo indica que obedecem a uma sistemática com propósitos contrários ao espírito e a letra dos Acordos de Bicesse. A título ilustrativo, alguns aspectos da própria Constituição de 2010 representam um acentuado distanciamento do espírito e da letra dos Acordos. Por exemplo, em relação as eleições, o Protocolo de Estoril, uma das peças dos Acordos, dispõe taxativamente:

“É proclamado que serão realizadas eleições. Para o Presidente da República, serão por sufrágio directo e secreto, através de um sistema de maioria, com o recurso a uma segunda volta, se necessário. Para a Assembleia Nacional, serão por sufrágio directo e secreto, através de um sistema de representação proporcional a nível nacional”.

É este princípio que determinou o modelo de eleições defendido pela Constituição revista de 1991 e que estava devidamente protegido por cláusulas pétreas. Ao impôr um modelo diferente a Constituição de 2010 passou por cima das chamadas cláusulas pétreas da Constituição de 1991 e ignorou na base um dos princípios basilares dos Acordos de Paz para Angola. Houve, portanto, a intenção deliberada de se afastar do espírito de Bicesse e para entender este comportamento é preciso associá‐lo a declarações que espelham uma inconformação com a democracia por ser considerada uma imposição ocidental.

E por último, e porque algumas mentes transtornadas da nossa sociedade, vocalizadas sobretudo por espigões acoitados no Jornal de Angola, enveredam cada vez mais por um discurso perigoso que procura negar direitos políticos à UNITA, vale lembrar que a UNITA conquistou estes direitos por mérito próprio, fruto da sua luta tenaz de resistência que determinou o estabelecimento dos Acordos de Bicesse. Dizem explicitamente os Acordos de Bicesse que

“a UNITA adquirirá o direito a conduzir e participar livremente em actividades políticas, de acordo com a Constituição revista e as leis pertinentes relativas à criação de uma democracia multi partidária. Incluindo especificamente: liberdade de expressão, o direito a apresentar, publicar e debater livremente o seu programa político, o direito a recrutar e angariar membros, o direito a organizar reuniões e manifestações, o direito de acesso à comunicação social do estado, o direito à liberdade de movimentos e segurança pessoal dos seus membros, o direito a apresentar candidatos às eleições, e o direito de abrir sedes e gabinetes de representação em qualquer parte de Angola”.

Ninguém, por isso, está a fazer favor nenhum à UNITA. Respeitar esse direito é uma condição para a Paz por muito que isso doa a algumas mentes que se julgam iluminadas e superiores. Citando outra vez Alexandra Simeão, vale lembrar que: “A Paz não pode ser mantida à força. Ela decorre do compromisso pessoal estabelecido entre pessoas com os mesmos interesses e com o mesmo compromisso em relação à sua Pátria. A Paz só pode ser atingida e mantida por via do entendimento e não por via do sofrimento, da manipulação, das prisões arbitrárias, do impedimento ao Direito de Manifestação protegido pelo artigo 47o da nossa Constituição. A paz não depende do outro. Depende de nós. Cada um de nós pode ser ou não a Paz”.

Luanda, 31 de Maio 2015

As controvérsias presuntivas dos desmaios recorrentes das crianças nas escolas públicas - João Hungulo

Luanda - Há anos, que o mistério etiológico dos desmaios que circunda a saúde dos pequenos, na casa racional do conhecimento mostra o seu impacto pertinente, há muito que especulações tomam conta dos factos, acusando a ocorrência destes fenómenos advinda da intoxicação química como factor conditio sine qua non no desenvolver progressivo deste desequilíbrio homeostático que enferma na criança o desmaio, ora ouvimos cá, ora acolá, ora pelo país fora a existência de pessoas de má-fé que de então, inalam aerossol de substâncias tóxicas conspurcando assim o ar valiosíssimo que vivifica a atmosfera nas escolas onde os nossos miúdos de forma afincada buscam o saber que lhes apontará as melhores diretrizes futuras, este ente despido de amor ao próximo, não mede o impacto desagradável dos seus actos asquerosos, assentando as crianças num fado forrado de dúvidas quanto ao aspecto saúde, figurando o ânimo dos pequenos de medo e terror, consequente da insistente invasão de suas escolas por magote de má-fé, cuja maldade não vê limites no curso de seus actos repugnantes, pilhando sem devoção o sossego e a paz que tomam conta dos pequeninos, que pessoa quão bárbara, tão demoníaca, tem vindo a fazer tal gesto? As crianças são inocentes, eis a razão mediante a qual, quando Jesus Cristo fora interrogado pelos seus discípulos sobre quem era o maior no Reino dos Céus, Jesus, chamara um menino, e pusera no meio deles, e dissera: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe. Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!

Fonte: Club-k.net

A alegria das crianças tem sido roubada em muitas escolas que centram nos seus objectivos educacionais o ensino primário e secundário e desviada por um tumulto de dimensão emocional atinentes aos desmaios recorrentes de crianças de variadas idades com predilecção para o género feminino, este fenómeno tem privado os nossos miúdos longe da casa do saber por alguns dias.

 

Especulando este fenómeno, acusamos aos depositários deste fenómenos horroroso de virem de forma cíclica a cometer erros hediondos, contra crianças, seres indefesos, seres brandos e que nada sabem sobre a história e o país em que estão inseridos; as crianças são genuínas, inocentes, são o verdadeiro sentido da pureza e do amor, estes sujeitos antí – sociais, desumanos e marginais de primeira classe, nem sequer amor pelas crianças têm, as crianças são os pilares do futuro, delas se concentra o amanhã, os traumas vividos hoje terão repercussões sombrias sobre o futuro destes inocentes.

Antes de fazer um périplo elucidativo em torno dos factores envolvidos nestes desmaios recorrentes convém conciliar com base fisiopatológica a génese desses desmaios:

O termo médico empregue para a sinonímia do desmaio é a palavra síncope, Síncope é uma perda transitória e autolimitada da consciência, consequente de uma queda abrupta do trânsito circulatório a nível cerebral. Tendo um início rápido, duração breve e a recuperação espontânea e completa. Outras causas de perda transitória da consciência precisam ser distinguidas de desmaio; elas incluem convulsões; isquemia vertebrobasilar, hipoxia (diminuição do transporte de oxigénio pelo sangue a nível das células), e hipoglicémia (diminuição de açúcar no sangue). Um pródromo de síncope (desmaio) (pré – síncope ou pré - desmaio) é comum, embora possa ocorrer perda de consciência sem qualquer sinal de aviso. Os sintomas que antecedem a síncope (desmaio) incluem: tontura, vertigens, fraqueza, fadiga e distúrbios visuais e auditivos. As causas do desmaio podem ser divididas em três categorias principais:

– A síncope mediada neuralmente (ou seja de origem nos nervos do cérebro), «também conhecida como síncope reflexa».
– Hipotensão ortostática (queda brusca da pressão de sangue nas artérias devido a adopção da posição erecta ou em pé).
– Síncope cardíaca (é um desmaios que surge devido a doenças cardíacas).

A síndrome mediada neuralmente compreende um grupo heterogêneo de distúrbio funcionais que se caracterizam por uma alteração transitória nos reflexos responsáveis pela manutenção da homeostasia cardiovascular. Ocorrem vasodilatação episódica e bradicardia em combinações variável, resultando em falha temporária do controlo da pressão sanguínea. Em contraste, nos pacientes com hipotensão ortostática decorrente de insuficiência autônoma, esses reflexos cardiovasculares homeostáticos ficam prejudicados de uma maneira crónica. A síncope cardíaca pode ser decorrente de arritmias ou cardiopatias estruturais, que causam uma queda do débito cardíaco.

 

O diagnóstico diferencial da perda de conhecimento é um desafio para o clínico uma vez que inclui para além da síncope, situações tão distintas como perda de conhecimento por alterações metabólicas (hipoglicemia, hipoxia ou hiperventilação com hipocapnia), neurológicas (epilepsia, acidentes isquémicos transitórios) ou intoxicações, até situações psicogénicas, sem verdadeira perda de conhecimento.


Após o diagnóstico de síncope, uma vez excluídas as causas de perda de conhecimento não sincopal, torna-se necessário definir a sua etiopatogenia A causa mais frequente de síncope é a reflexa, também denominada neurocardiogénica. Deve-se a uma excessiva resposta fisiológica à redução do retorno venoso, com estimulação dos mecanoreceptores cardíacos, activando uma cascata complexa de inibição simpática e estimulação parassimpática. Dentro das formas mediadas por reflexo, destaca-se a síncope vasovagal, a mais comum (18 % dos casos), habitualmente desencadeada pela dor, emoções fortes, ortostatismo prolongado, do ou stress; a síncope situacional (prevalência de 5 %), assemelha-se à anterior mas acontece em circunstâncias pontuais como a defecação, micção, tosse ou deglutição. A hipotensão ortostática, responsável por 8 % dos casos, define-se como uma descida da pressão arterial sistólica superior a 20 mmHg quando, após o decúbito, se assume a posição ortostática. As palpitações, a dor precordial, as tonturas, o início com o esforço e ainda a história pessoal ou familiar de doença cardíaca apontam-nos para uma causa cardíaca, cujo prognóstico é reservado, quer a causa primária seja estrutural (4 % dos casos) ou disrritmica (14 % dos casos).


Raramente a síncope pode ser desencadeada por insuficiência vertebro-basilar ou carotídea bilateral, através de síndromes de roubo vascular, que habitualmente se acompanham de sintomas neurológicos como diplopia, ataxia ou vertigem.

A avaliação inicial – anamnese cuidada, exame objectivo incluindo medição da pressão arterial em decúbito e posição ortostática e electrocardiograma (ECG) de 12 derivações – é diagnóstica na maioria das situações, reservando os restantes exames complementares de diagnóstico para avaliar e/ou confirmar a patologia ou para casos em que a etiologia não seja perceptível.

No entanto, o diagnóstico nem sempre é fácil, muitas vezes os doentes têm amnésia relativamente ao episódio e não há testemunhas; outras vezes as próprias manifestações não são específicas de causa.
Salienta-se a importância da exclusão de causa cardíaca, responsável pela maior taxa de mortalidade e risco de morte súbita.


Torna-se ainda importante distinguir as formas ditas benignas, cuja reavaliação é desnecessária, não sendo necessária a execução de exames complementares dispendiosos e de baixa rentabilidade, que se utilizam para a avaliação das formas malignas.

Ultimamente foram notificados noventa e seis casos de desmaios de crianças na sua maioria do sexo feminino. A maioria dos que lidam com tal fenómeno alegam a inalação de um gás tóxico que seria nocivo a circulação sanguínea e causaria uma queda abrupta da pressão arterial com consequente desmaio das crianças, outros acusam a tal substância de ser recorrente e causar sucessivas crises na mesma pessoa. Fenómeno este que foi revelado quando se apanhara um marginal que atentava a saúde de alunos e professores do Instituto Médio Politécnico do município do Cazenga, provocando o desmaio de 24 pessoas com a inalação de um gás fútil com princípios activos inerentes a queda súbita da circulação sanguínea.

As crianças vítimas deste fenómeno, apresentam avermelhamento dos olhos (eritema conjuntival), falta de ar (dispneia), mau estar geral, tosse seca, distonia, queda ao solo, e agitação psicomotora, o admirável é que para o combate de tal circunstâncias muitas das crianças melhoram de forma espontânea, outras apenas com a administração de fluidoterapia e oxigenoterapia é suficiente para um resgate salutar.

No que concerne os factores potenciais inerentes a este fenómeno fisiopatológico, há muitas hipóteses que correm pelo país fora, todas elas precisando de provas palpáveis que ocupem espaço no mundo real. Há quem na sua singular hipótese atribui a um síndrome de pânico decorrente de uma primeira crise numa única criança como factor atraente as demais crianças a crise de desmaio, há outros que acreditam na existência de um DNV (distúrbio neuro vegetativo) encontrado na base de sucessivos desmaio com predilecção ao género feminino, há ainda quem pensa numa desordem de índole histérica em decorrência do género feminino manter o predomínio das crises, outros acusam a um estresse neurogénico que se avizinha a épocas de avaliação dos miúdos, o facto de encontrarmos o género feminino como o mais afectado talvez encontra – se a resposta mediante a densidade populacional, na existência de mais crianças do género feminino em relação a crianças do género masculino.

Quando se julga que uma substância química esteja na base presuntiva da génese deste fenómeno, se salva tal hipótese no seguinte raciocínio clínico: a escola de nível primário é frequentada por crianças, e as crianças não padecem de doenças cardiovascular com excepção das crianças que padecem de cardiopatias congénitas, no entanto, não se pode suspeitar numa doença cardíaca, e que tenha uma progressão territorial alastrada, a segunda questão é que as escolas sempre foram frequentadas por crianças, e nunca houve casos do género com esta dimensão, no entanto não se deve atribuir a este fenómeno a um síndrome de pânico, distonia, convulsões, DNV ou histeria, embora seja o sexo feminino o mais afectado, o síndrome de pânico não é transmissível ao ponto de transcorrer em outras províncias, todavia, não se pode atribuir a uma patologia bacteriana ou viral uma vez que patologias desta índole precisam causar uma deterioração neurológica progressiva para que decorra desmaio, e a detecção seria rápida e efectiva.

 

Todavia, parece obscuro o fenómeno no seu todo, uma vez que se propagou em variadas paradas nacionais, desde Luanda à Cunene, de Cunene à Cabinda, com a afecção predilecta ao género feminino.

Porém, embora se presume ser tal fenómeno oriundo de uma inalação de substâncias tóxicas, seria melhor se não poupássemos esforços que visam derrubar as barreiras que encobrem os mistério circundantes na saúde das crianças em instituições escolares, torna – se imperativo, a formação de um grupo de pesquisadores com a realização de um projecto que visa desvendar os mistérios que encobrem este fenómeno nas escolas do Iº, IIº e IIIº ciclos acadêmicos, é necessário a realização de um trabalho duro que venha despir de uma vez para todas a verdade escondida atrás dos desmaios.

Enquanto não desvendarmos as causas nãos seremos capazes de agir, sucessivos fenómenos do género tomarão posse de nossos putos, conhecendo o factor causal é possível montar um projecto de acção que visa demolir este fenómeno estendendo a saúde sobre as crianças.

«Só na consciência exacta dos nossos problemas poderemos encontrar as verdadeiras soluções»

 

Caso Reverendo Antunes: A promiscuidade das autoridades angolana - Altino Miguel

Luanda - Na senda da problemática da proliferação de seitas religiosas, assunto este que tem dado muita dor de cabeça ao governo angolano, que ache na qualidade de garante da tranquilidade, paz, harmonia e igualdade da sociedade angolana, como resultado urge a necessidade dê-se ajustar actual lei 2/04 de 21 de Maio, sobre a Liberdade de Consciência, Culto e de Religião, com um já Ante-Projecto que vai revogar a mesma.

Fonte: Club-k.net

Como resultado as igrejas não reconhecidas começaram de forma assustadora e preocupante a fazerem as suas movimentações para não serem banidas pela futura lei.

A movimentação que mais chama atenção para a sociedade nacional e internacional é a ICCA liderada pelo Reverendo Antunes Huambo um religioso assumidamente fanático pelo MPLA, que nas suas actividades pude notar os seguintes equívocos:

1- Em uma semana conseguiu entrar em contacto com mais de 800 lideres religiosos, quais são os métodos que usou e com ajuda de quem?

2- Conseguiu trazer mais de 1000 delegados religiosos espalhados por toda Angola para um encontro.

3- Os mais de 1000 delegados religiosos tinham direito a uma camisola e bonés, onde conseguiu tanto dinheiro para cobrir tudo isto?

4- O próprio Reverendo Antunes Huambo, numa entrevista infeliz afirmou que todos os líderes religiosos tinham o cartão do partido MPLA.

5- A reunião realizada pelo mesmo aconteceu nas instalações do partido MPLA, (Centro de Conferencia de Belas).

6- Publicidade excessiva nas médias nacionais, e isto em Angola só acontece quando é um assunto de interesse governamental.

- Este e outros factos constatados por mim e por muitos é preocupante pois, coloca em causa a Laicidade da Republica de Angola, e fere radicalmente o princípio da igualdade.

- PARA TERMINAR: A Religião é um assunto que deve ser tratado na perspectiva social e não política, enquanto não se reparar esta lacuna viciada, dificilmente haverá consenso de igualdade, TENHO DITO.

A Depravação da Igreja angolana - Nkhany Zhadell

Luanda - O Cristianismo, a Igreja de Cristo Jesus, após a era apostólica tem passado várias vezes em colapsos. Com o martírio dos apóstolos, dados históricos confirmam que a Igreja corrompeu-se sob escaris do então império romano, tendo sido confiscada como parte integrante de estado na era do Imperador Constantino, na qual, muitas entidades ligadas ao clero começaram a ocupar cargos na Igreja sem se terem convertido, criando um forte vínculo Estado-Igreja. Esta fase é a que chamou-se Igreja Católica Imperial, que sustentava a supremacia papal e promovia a mundanização da Igreja Institucional que ao fortalecer o ofício do bispo, o bispo romano aumentou o seu poder que nos finais do ano 590 a Igreja Católica Imperial converteu-se para Igreja Católica Romana, cuja expressão máxima da teologia assentava sob a filosofia de Aristóteles inviabilizada pelo Tomás de Aquino (1224-1274) como uma espécie de catedral intelectual. Foi então que o Papa auto.proclamou-se sucessor de Pedro. Essa alucinação hoje, tornou-se uma verdade incontestável no mundo cristão, desde então a igreja de Cristo não tem sido mais a mesma da Era Apostólica (Confira, o Cristianismo através dos séculos, pág. 21-22, 2ª Edição).

Fonte: Club-k.net

Seguiu-se então a fase de perseguição conhecida como “a Guerra dos 30 anos” na qual milhares de cristãos fiéis ao genuíno evangelho foram sacrificados e queimados em fogueiras pela Igreja Católica Romana.

De lá para cá, muitos lideres cristãos inflamaram em ganância misturando a política com o evangelho, são lobos com capa de cordeiro que usam a igreja para atingir fins: fins materiais, fins económicos, fins políticos, etc... A igreja angolana tem sido conotada como corrompida no sentido de que muitos dos seus líderes estão directa ou indirectamente ligados ao regime no poder e têm servido de mentores instigando seus fiéis a militarem suas opções politicas, usam e permitem usar seus púlpitos para campanhas eleitorais. Este fenómeno é uma demonstração clara da depravação moral da igreja angolana. Em causa está a disputa em interesses materiais, tendo em vista a caótica situação económico-social em que o país se vê mergulhado proporcionalmente em relação ao estilo de vida da maioria populacional, que não obstante, se falar em crescimento económico, mas este, não se reflecte na qualidade de vida dos seus cidadãos que passam a vida lamentando a falta de condições básicas de sobrevivência, como água, luz, saúde, alimentação, saneamento básico, transporte, etc., é esta gritante carência de vida que dá lugar a degradação da liderança religiosa angolana, uma vez que são seres humanos com limitações e sendo parte integrante da sociedade, vêem-se na obrigação de adorarem ao estado como forma de virem suas necessidades supridas, assim como construção de bons templos, a criação de Rádios, conquista de cargos de direcção e postos de trabalho, o fácil acesso aos serviços públicos, além de outros privilégios, ao invez de reclamarem seus direitos legítimos como cidadãos, infelizmente, passam pela ponte da clandestinidade a fim de mendigar.

Face a esta atitude, Deus, o dono da obra não se tem contentado, pelo que tem advertido a Igreja angolana a retornar no seu primeiro amor em relação a sua obra, como me lembro bem, há uns quatro anos atrás Deus terá levantado um Pastor Queniano que tinha como missão de advertir a Igreja angolana neste sentido afim de se despertar do seu estado crítico de depravação (Ef 5.14-16) e esta mensagem foi entregue ao destinatário numa conferência realizada no CCT (Centro de Conferências de Talatona) em Luanda, e muitos desses líderes ignoraram o emissário de Deus. Comentam herecticamente que Deus não opera mais milagres! Os milagres foram sepultados juntamente com os apóstolos! Mas a bíblia ensina que Deus não muda e Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente. É que estes líderes estão repletos de imundice e carnalidade que não podem absorver e muito menos experimentar a glória de Deus que é manifesta através do seu Espírito santo, privam-se de uma graça extraordinária que não compreendem a sua essência e questionam, julgam quando um milagre acontece e dizem “é falsidade, já não existem milagres”, porque não são capazes de ficarem cheio de espírito Santo e impor a mão sobre um doente e ordenar no nome de Jesus para que o doente sare, simplesmente pela tamanha ignorância que neles há. Esses supostos líderes precisem de arrependimento verdadeiro para que o véu se lhes possa ser retirado das vistas ( 2 Co 3.16).

Deus precisa de homens devotos, consagrados e comprometidos pela sua causa, a esses vasos de honra Ele sim, se manifesta, unge e consagra-os para proclamarem entre as nações o seu santo nome (2 Tm 2.20-21). E no nosso caso, Angola não precisa de Papas, não precisa de Bispos, não precisa de sacerdotes; angola não precisa de Reverendos e Pastores políticos e vice-versa, não precisa de profetas, não precisa de Anciãos nem de Publicadores, angola precisa sim, de verdadeiros homens de Deus cheio de espírito Santo, destemidos, intrépidos capazes de declararem a verdade, apontar causas e efeitos, cumplicidades e propor soluções, líderes assim como Pedro para declarar ao Pôncio Pilatos que “vós matastes um inocente e que não me calarei de dizer-vos a verdade, pois, mais vale obedecer à Deus do que aos homem” (At 4.8-21), angola precisa de líderes como João Baptista para declarar ao Herodes que “não é lícito casar com a mulher do seu irmão Filipe” (Mc 6.17-18). Esses líderes da última lista sim, podem remover a infecção espiritual de que é diagnosticada a Igreja angolana.

Ouvindo entrevistas de certos líderes na média, não se envergonham e nem se hesitam de se assumir como sendo lideres de Igrejas e grandes políticos que não se contentam com pequenos cargos que ocupam, mas sim de viva voz almejam cargos maiores no executivo angolano, instigam seus seguidores a votarem em suas formações políticas, tal postura ambígua, não só contradiz a letra e o espírito das sagradas escrituras, como também viola o princípio de liberdade de escolha dos seus crentes.

Ora, a missão que a Igreja recebeu de Jesus é “... ides e pregai o evangelho a toda a criatura...” (Mt 28.19-20), e não para politizar toda a criatura. Muitos pastores-políticos ou políticos-pastores nesta condição, invertem o legado de Jesus, correm atrás do voto em vez de correrem atrás das ovelhas do Senhor, de quem são co-pastores, na verdade, não são dignos de serem chamados pastores, em abono da verdade, diz a bíblia: “Ninguém que milta e se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar aquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não miltar legitimamente” (2 Tm 2.1-13).
Como é então, se pode entender, homens que foram chamados para cuidar do povo de Deus estão se embaraçando com negócios desta vida contrariando o ensino bíblico? Não se pode dividir o ministério. Deve ser integral e exercitado de maneira íntegra. É muito triste a falta de discernimento de tais líderes tendo como motivação o interesse pessoal, a busca pela ganância e poder. Cada um fique na vocação em que foi chamado. Quem é pastor fique só pastor e quem é político deve ser só político (1 Co 7.20; Rm 12.6-8). Dai a César o que é de César ... (Mt 22.21). Ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6.24)

Então senhores pastores-políticos ou políticos-pastores, onde fica o ministério neste caso? Quanta irresponsabilidade! Aquele que foi chamado pelo Senhor para a obra do ministério deve ter a consciência da sua vocação e do serviço para o qual foi convocado. Pastor é pastor. Ele é um profeta comprometido com a verdade da Palavra. A sua arma de combate é a Escritura. Ele não se envolve com política partidária porque precisa ter isenção para fazer as críticas pertinentes, para denunciar o erro à luz da Palavra de Deus. Liderar a comunidade nas reivindicações e cobranças. Veja o que o Senhor disse através de Ezequiel: “Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e se tornaram pasto para todas as feras do campo, por não haver pastor, e que os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas, - portanto, ó pastores, ouvi a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra os pastores e deles demandarei as minhas ovelhas; porei termo no seu pastoreio, e não se apascentarão mais a si mesmos; livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que já não lhes sirvam de pasto” (Ez 34.7-10). O texto é muito claro quanto à negligência de alguns em relação ao chamado para pastorear, para serem “pastores segundo o coração de Deus” (Jr 3.15).

Hoje, muitos angolanos condenam o Líder da Igreja do 7º dia a Luz do Mundo por alegadamente ter arrastado imensa multidão aliciando-os com promessas do fim do mundo em poucos dias, convencendo-os a renunciarem sua vida material, mas cá do outro lado, há aqueles líderes que arrastam multidões instigando-os a serem militantes do seu partido, no meu entender, esses são os verdadeiros promotores de intolerância e que torcem as sagradas escrituras e não se conformam com os princípios democráticos. Porque é impossível que um Político Pastor administre um sermão e terminá-lo na santa paz no contexto bíblico sem contudo, transpor a fronteira entre elas e pisar no campo político para pintar o sermão com promessas políticas. E quando fazem-no, curvam-se perante seus ídolos enaltecem as suas correntes politicas e cospem as demais formações dizendo que não são nada e nada valem. As suas pregações são duas vezes peste venenosa, pois, ou são politico-bíblicas, ou são bíblico-políticas. Tornam a igreja um espaço político de mobilização de interesses que nem sempre são espirituais. Nunca terá os passado em mente, talvez, que ao procederem de tal maneira fazem crer que em angola a Igreja não adora ao Deus vivo, o criador do céu e da terra, mas sim, adora figuras humanas.

Estes líderes, estão distorcendo as escrituras para tirarem seus dividendos políticos em detrimento da salvação dos seus fíeis. A igreja não é uma universidade política, mas sim, uma Instituição divina com o único propósito de levar o homem ao arrependimento mostrando-o o caminho da salvação. Estes pastores fazem dos seus membros a sua ferramenta de manobra. Servem-se deles para os seus interesses e caprichos. Fazem de suas Igrejas feudos. É uma decepção total da própria igreja que mobiliza milhares de pessoas, tendo sob sua administração dezenas e centenas de outros pastores, presbíteros, diáconos etc., e absurdamente toda essa estrutura acaba perdendo seu principal objectivo e servindo a um propósito político-partidário. Este sim, é total aproveitamento político.

Fazem acordos em suas próprias igrejas para apoiarem seus partidos e virem materializados seus sonhos malignos. Não sou contra cristãos na política. Eles são necessários, pois devemos ser sal da terra e luz do mundo como nos ensinou o Senhor Jesus (Mt 5.13-16). É preciso não confundir a participação e contributo do cristão na vida pública e quiçá política do país, mas, Pastores na política partidária é uma agressão violenta ao evangelho. Na verdade, é um absurdo. Há tanta coisa excelente para se fazer no ministério que o tempo é pouco. Há muitos irmãos desassistidos por obreiros. Entendo, que os pastores, têm um compromisso de amor com o Senhor e o Seu povo. Neemias, convidado por Sambalate, Tobias e Gesém, inimigos do povo de Deus, para se reunir com eles no Vale de Ono, respondeu-os, dizendo: “Estou fazendo uma grande obra de modo que não poderei descer” (6.1-4). Há muita gente no ministério descendo para os encontros da política partidária, descendo para os negócios da vida, fazendo acordos com pessoas suspeitas, envolvendo-se em manobras esquisitas, passando a ser partidários de um sistema político nefasto, altamente prejudicial para a Igreja de Jesus. O pastor que deseja ser político deveria renunciar a função de líder religioso.


Um deles que pessoalmente tive a infelicidade de acompanhar seu discurso tão arrogante, invocava um texto sagrado (Rm 13.1-2) para justificar a sua idolatria dizendo que toda a autoridade vem do céu, isto é, quem é detentor de certo poder cá na terra, lhe tenha sido dado por Deus. Certo, até lá, plenamente de acordo. Mas um leitor atento às escrituras e numa análise minuciosa, percebe que tal líder interpreta a bíblia hereticamente, pois, não consegue incorrer o contexto todo para uma melhor compreensão, questões como essas poderiam ser levantadas em torno da autoridade divina que Deus na sua bondade concede ao homem: Toda a autoridade é dada por Deus com qual propósito? Como e de que forma o homem pode exercer tal autoridade? Deus confere ou delega autoridade ao homem, primeiro para este fazer a sua vontade, segundo, que esta autoridade seja usada no bom sentido para o bem da humanidade, das populações, cuidar dos interesses do povo que o elegeu. A política séria, fundamentada na ética, na justiça, no bom senso e no compromisso inadiável e inalienável com o povo, deve ser integral. O detentor desta autoridade ou poder deve se especializar naquilo que faz, buscando a excelência no exercício do mandato, cuidar do povo que o consagrou como legislador ou para exercer o poder executivo. É preciso ter senso do ridículo, admitindo seus erros e pedindo perdão à população. A política não é para amadores, mas para pessoas preparadas, qualificadas em leis, gestão publica e ética em todos os níveis.

Deus conceda autoridade ao homem para este fazer a sua justiça e promover a paz e concórdia. Ao contrário Deus não conceda autoridade ao homem para este abusar dela, não para promover injustiça e ondas de perseguições quando alguém não comunga connosco, não para promulgar leis que favorecem uns em detrimento de outros, não para fomentar políticas de exclusão social. Não! Deus não concede autoridade ao homem para promover descriminações e intolerâncias, não para ceifar vidas em pleno tempo de paz, não para esbanjar a economia e desviar fundos públicos para amotinar riquezas ilícitas deixando o povo inteiro a sua sorte, não para violar as liberdades fundamentais do homem. Não! A autoridade divina não é para corromper os valores morais, não. Isso sim, é abuso de poder, abuso de autoridade divina como queiram. E diante deste quadro horrível do exercício do poder, estes líderes apóstatas mantêm-se em silêncio, pois, consentem e são cônscios aos seus ídolos. Deus institui as autoridades como agentes da manutenção da ordem e tranquilidade, para governar bem as populações, esta é a razão porque a igreja tem de orar (Rm 13.4-7; 1Tm 2.1-2). Esses líderes interpretam a bíblia ao avesso, que no lugar de orar para que a autoridade divina seja bem exercida, colocam-se ao lado de quem a exerce como autênticos adoradores, batem palmas e sustentam a guarda-chuva do rei... É sem dúvida, Deus há de retirar sua autoridade ao homem que dela abusar e dá-la a que sábia e humildemente a saberá exercer em beneficio da sua causa. Tomemos uma ilustração bíblica: Deus havia consagrado Saul como Rei em Israel para guiar e servir seu povo, mas este abusou da autoridade divina maltratando seu próprio povo, e não cumpriu com o propósito de Deus pelo qual lhe tinha delegado a autoridade, pelo que o Senhor o rejeitou, apesar de ter ostentado o titulo real durante muito tempo mas no plano divino Deus já não o tinha como seu servo, já o havia rejeitado, quando Saul percebeu que a autoridade de Deus já se tinha retirado dele, inflamou de ódio contra David e começou a perseguí-lo, como ninguém pode desafiar à Deus, sendo Ele fiel à sua palavra conforme se lê “... O cetro de iniquidade não prevalecerá sobre a sorte dos justos para que o justo não estenda a mão à iniquidade” numa linguagem mais simples entende-se “... o Governo de injustiças não pode dominar sobre os justos, para que o justo, de tanto ser injustiçado não venha a cometer injustiça” (Sl 125.3), o rei Saul viu o seu reinado esmoronar-se (1Sm 15.1-11; 16.1), Deus abate os fortes e põe outros em seu lugar (Jo 34.24; Sl ).

Esta é a clara tipicidade dos líderes angolanos, Deus já não os tem na sua auto-estima como líderes, já há bastante os havia rejeitado, não obstante auto-proclamarem-se como tal, Deus já os havia riscado do seu plano de governação. Delegar autoridade divina a este tipo de líderes devassos e avarentos, seria uma decepção para Deus e desperdício da sua maravilhosa graça.

Atenção senhores líderes da igreja angolana, Deus manda avisar: “... do céu se manifesta a ira de Deus contra os que detêm a verdade em mentira...., não só aos que praticam o mal, mas também, aos que com eles consentem.” (Rm 1.18,32).

Com todo o mérito, permitam-me que estenda um abraço de reconhecimento do meu próprio punho aos Reverendos Luís Nguimby, Tony Nzinga e Fernando Panzo.

Tenho saudades do finado Reverendo Octávio Fernando.... Que nostalgia servo do Senhor! Que Deus o tenha na sua glória.

Por: Nkhany Zhadell

Cuidado! - Reginaldo Silva

Luanda - A notícia da sua morte praticamente já não conseguiu apanhar ninguém de surpresa, tendo em conta as anteriores e insistentes informações que circulavam sobre a progressiva deterioração do seu estado de saúde, onde se incluem algumas mais especulativas sobre o seu próprio falecimento, que ainda não se tinha verificado.

Fonte: OPais

Nestes casos e com as celebridades, mortes antecipadas é o que mais tem acontecido nesta era da informação digital, total e instantânea, onde tudo se decide rapidamente na www, com os sites, blogs e redes sociais a competirem velozmente para ver quem chega primeiro aos smarthphones, mesmo com partidas falsas, que depois logo se corrigem se não se estiverem certas.


E tudo continua tranquilo, com se nada de anormal tivesse acontecido. Eventualmente, com algum pedido de desculpa pelo meio ao lesado, por ter sido promovido a categoria de “morto-vivo”.

No caso deste obituário, nunca como então o fumo teve tanto fogo, pois Bernardo Jorge, mais conhecido por “Bangão”, nascido em Luanda e a caminho dos 54 anos de idade, que não chegou a completar, estava mesmo quase a perder a batalha para conseguir ficar mais algum tempo entre nós e sobretudo em cima dos palcos onde ele se destacou como poucos, por várias razões, mas sempre por muito mérito e talento próprios.
Uma batalha que já se arrastava há algum tempo e o que ia obrigando a espaçar cada vez mais a suas aparições em público, até que se confirmou que o seu estado de saúde inspirava cuidados mais sérios que aconselhavam outros recursos.

A notícia chegou-nos no último domingo bem cedo, vinda de longe, algures da África do Sul, para onde Bangão tinha sido evacuado a procura do “milagre da sobrevivência” que os experientes kimbandas locais, mais os seus eficientes hospitais/ poderosos milongos já não foram a tempo de efectuar.

Tinha terminado a batalha do homem que de facto já se anunciava no horizonte de um prognóstico que era cada vez mais reservado e sombrio.

Lamentavelmente, porque ele ainda tinha muito para dar aos seus e à música popular urbana, pois com a sua “tenra” idade em principio e caso o seu organismo não tivesse tido a derrapagem que teve, tínhamos garantido no mínimo, nas nossas contas, mais vinte anos do melhor semba e de muita banga.

Em perspectiva já estávamos a ver em Bangão, o nosso Compay Segundo que, em abono da verdade, se chamava Máximo Francisco Repilado Muñoz e que se aguentou nas maior das calmas com os seus charutos até aos 96 anos, altura em que foi “convocado”.

Foi-se o homem.

Sobrou uma das vozes que melhor cultivou e promoveu o semba, dentro e fora das nossas fronteiras.

Quer alguns dos meus amigos gostem quer não, é de facto hoje a nossa bandeira, sem nenhum demérito para todos os restantes géneros que integram o nosso rico património musical.
Mas de facto alguém ter de encabeçar a lista e quando se fala de Angola, semba é mesmo semba e semba foi e vai continuar a ser Bangão.

O semba vem na linha da frente sem pretender abafar ninguém, pois há espaço para todos e os que realmente são os melhores não têm necessidade de impedir ninguém de entrar.
Com a prematura partida de Bangão sobrou também um fabuloso/interminável guarda-fatos, que ele em principio guardava na sua casa localizada no musseque do Sambizanga, bairro onde segundo julgo saber nasceu e nunca abandonou até “bazar” no passado domingo.

Soube que ele, de acordo com o que dizia aos seus próximos, tinha tantos fatos, que podia actuar durante todo o ano sem repetir um único e ainda se dava ao luxo de fazer em palco duas ou três mudas.
A banga não vai acabar.

Mas sem ele de facto e mesmo de jure, já não será a mesma.

Bernardo Jorge Correia introduziu no nosso show business a banga como um direito especialmente masculino, isto é, do homem.
Cuidado!

In Secos e Molhados/Revista Vida/O País (22-05-15)

 

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