Quem é Quem

Benilson da Silva, o operativo do SINSE treinado em Israel

Lisboa - Até aos finais do ano 2013, era conhecido nas lides dos jovens manifestantes, em Luanda, como Tukayano Rosalino. Era assim que ele assinava os comunicados enviados ao Governo Provincial de Luanda (GPL) anunciando realização de manifestações para forçar a retirada do Presidente José Eduardo dos Santos do poder. A sua história terminaria quando se despoletou o caso Cassule/Kamulingue, em que se ficou a saber que seu verdadeiro nome  é Benilson Bravo da Silva, funcionário dos Serviços de Inteligência, infiltrado no Movimento contestatário ao regime.

Fonte: Club-k.net 

Benilson Silva tratado no seio familiar por “Benny” ou “Tuchinho” é um jovem que cresceu no município da Maianga (bairro Alvalade). Nasceu aos 13 de Agosto de 1985. É filho de Ana bravo , já falecida e António Luís da Silva.

Durante sua a infância passou pela escola primária “Aplicação Ensaio” e pela secundária “Ngola Kanine”, em Luanda. Porém, seria na fase adulta que ele obteve uma bolsa de estudo, facilitada pelos Serviços de Apoio a Presidência da República, dando-lhe acesso a Universidade Privada de Angola (UPRA), onde por dois anos frequentou o curso de Relações Internacionais. 

A entrada no SINSE

Em  2005, Benilson Silva deixou de ser visto na Universidade. Os seus vizinhos deixaram também de o ver e mais tarde houve, no seu bairro, rumores desencontrados de que estaria numa estrutura do aparelho de segurança ou na DNIC.   Supõe-se que terá sido nesta fase que entrou para os Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE).

As suspeitas, no seu bairro, de que estaria a trabalhar numa estrutura de segurança foram se acentuando devido ao antecedente histórico da sua família. A sua falecida mãe, Ana Bravo, foi funcionária da segurança de Estado, onde teria conhecido, o seu então   padrasto. A sua irmã mais-velha seguiu igualmente a mesma carreira. Foi também através do SINSE que Benilson privou com uma colega, N.C. (nome propositadamente ocultado) com quem passaria a ter uma união de facto. A noiva está presentemente no passivo, dedicando-se a um negócio de confeição de bolos por encomenda. 

De acordo com dados da sua trajectória, Benilson da Silva recebeu treinos numa base secreta do SINSE, localizado no Morro da Luz, arredores do distrito da Samba. Foi um dos melhores alunos do seu curso, e logo a seguir passou como operativo de uma área sob alçada da Direcção de Investigação Especializada (também conhecida internamente por área de Observação Visual).

Ao longo da sua breve carreira, frequentou cursos de superação nas Repúblicas da Rússia e de Israel. Fez parte de uma equipa de avanço que, a dada altura, foi despachada para o Israel, a fim de escolher uma escola para um “short course” de inteligência para José Filomeno dos Santos “Zenú”.

Infiltração no seio dos manifestantes

Em Março de 2011, tiveram lugar em Luanda uma onda de manifestações inspiradas pela "primavera árabe" que estavam a ser acompanhadas pela área operativa do SINSE. Antes de Setembro deste ano, o SINSE através da sua delegação em Luanda, decidiu penetrar no grupo de jovens contestatários, na qual Benilson da Silva seria um dos escolhidos para a missão. 

O agente tinha a missão de fazer-se passar por manifestante, ganhar a confiança destes e passar toda a informação a um outro funcionário do SINSE, Lourenço Sebastião, seu chefe, baseado numa célula da segurança de Estado, do distrito da Maianga. 

De acordo com registro, o agente Benilson Silva foi introduzido no grupo dos manifestantes quando alguns daqueles, foram detidos à cadeia de alta segurança de Caquila, arredores do Bengo, por terem realizado uma manifestação, em Luanda, a 3 de Setembro de 2011. Enquanto os promotores das manifestações estavam na cadeia, Benilson destacou-se, do lado de fora, como um dos elementos que reivindicava pela soltura dos detidos. Quando os seus "supostos amigos" foram soltos, Benilson ganhou aceitação dos jovens por este seu papel.

Desde então revelou-se sempre disponível para os jovens contestatários. Estava sempre por dentro dos assuntos até se ter aproximado também de Carbono Casimiro, Banza Hamza e Luaty Beirão, que davam inicialmente rosto pelo Movimento Revolucionário. A confiança avolumou-se pela sua entrega e por ser a pessoa que mais contribuía financeiramente para encomenda de camisolas com dizeres “32 é Muito”, e outros gastos adicionais. 

Benilson fazia-se transportar, em alguns casos, de uma mochila que continha uma máquina de fotografia e um micro-aparelho com capacidade de gravar as conversas nas reuniões em que os jovens manifestantes traçavam os planos das suas actividades.

Na primeira semana de Dezembro de 2011, participou numa manifestação dos jovens no Cazenga, onde lhe teriam rasgado a camisola. Numa outra manifestação, a 13 de Fevereiro de 2012, no município do Cacuaco, ele seria agredido pelos “caenches”, um grupo de milícias que o Governo angolano agenciava para agredir os promotores das manifestações anti-regime. Dentro do SINSE, ele ganhou admiração por, no exercício das suas funções, ter-se deixado ser agredido pelas melícias do regime. 

Na primeira semana de Março de 2012, Benilson da Silva participou numa outra iniciativa de protesto contra a designação de Suzana Inglês para a presidência da Comissão Nacional Eleitoral de Angola. O protesto foi logo abortado pelos “caenches” que agrediram brutalmente o então secretário-geral do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes. Neste dia, Benilson, com a sua faceta dupla, destacou-se na proteção de Adão Ramos, activista que se fazia transportar na cadeira de rodas.

O papel nas mortes de Cassule e Kamulingui 

No dia 27 de Maio de 2012, os responsáveis do SINSE de Luanda estavam todos de prevenção por causa do anúncio de uma manifestação destinada a ter lugar nas mediações do palácio presidencial, em solidariedade aos ex-militares da Unidade de Guardas Presidências, integrados na Brigada Especial de Limpeza (BEL) e na Brigada de Construção e Obras Militares (BCOM). 

Neste dia, Benilson Silva recebeu um telefonema do seu chefe, Lourenço Sebastião, para apoiar o delegado adjunto do SINSE de Luanda, Paulo Mota Augusto, na identificação de Silva Alves Kamulingue que estaria supostamente reunido com uma suposta cidadã estrangeira no Hotel Skyna, em Luanda.

Cumprida a missão, o agente Benilson seria novamente contactado dias depois pelo Chefe do Gabinete Técnico do MPLA, Júnior Maurício “Cheu”, para que o ajudasse a atrair o líder do Movimento Patriótico Unido (MPU), Isaías Sebastião Cassule, que tivera feito duros pronunciamentos na Rádio Despertar contra o regime, exigindo o aparecimento do seu amigo Alves Kamulingue que fora raptado (na altura) pelas autoridades.

Benilson contactou os seus amigos do Movimento Revolucionário, solicitando o contacto de Isaías Cassule. Estes por sua vez acharam estranho seu interesse por Isaías Cassule, uma vez que o grupo do líder do MPU realizavam um outro tipo de manifestações, em prol dos antigos combatentes que nada tinham a ver com as dos jovens “revús”.

Após ter o contacto, Benilson telefonou para Isaías Cassule dizendo que tinha uma pendrive com um vídeo onde se poderia ver Alvés Kamulingue a ser raptado por forças do regime. Acertaram um encontro no município do Cazenga, por detrás do chamado Tanque de Água. Isaías Cassule apareceu no local combinado e foi logo raptado pelo responsável do MPLA, Júnior Maurício “Cheu”, e transportado numa viatura do Governo Provincial de Luanda (GPL), para nunca mais voltar. No momento em que ocorria o rapto, Benilson simulou meter-se em fuga.

A saída do Movimento Revolucionário

Depois de ter participado nos assassinatos de Cassule e Kamulingue, Benilson passou a desligar-se do Momento Revolucionário. Alegou aos seus amigos “revu” que estava saturado com o trabalho de estafeta que fazia na empresa de um suposto tio, e que ao mesmo tempo mostrava-se disponível em trabalhar num outro ramo. Passado algumas semanas, anunciou aos amigos que iria trabalhar nas sondas de petróleo ficando 28 dias em terra e outros 28 dias no mar. 

No período em que ausentou-se telefonava de quando em vez para os amigos dizendo que continuava nas sondas, local onde dizia estar a fazer os telefonemas. Em Dezembro do mesmo ano, comunicou aos seus superiores que iria de férias para fora do país. Foi autorizado, e na primeira semana de Janeiro de 2013, tirou as suas férias na República Federativa do Brasil (Rio de Janeiro e Curitiba), na companhia da sua noiva.

Porém, no final de 2013, ele viu-se exposto na capa do jornal "Folha 8", que o identificava como o agente infiltrado no seio dos manifestantes e pelo seu papel nas mortes dos dois activistas. Todos que participaram no assassinato foram detidos mas Benilson Silva seria solto pela Procuradoria Geral da República (PGR), gerando suspeitas de que estaria a beneficiar de alguma protecção das autoridades angolanas.

A percepção de que estaria a gozar de apoio avolumou-se pelo facto de o mesmo ter estado  a circular, livremente em Luanda, com dois guarda-costas, mesmo depois de ter sido condenado a 15 anos de prisão efectiva pela sua participação nos assassinatos dos dois activistas angolanos.

Restrições aos contactos e as últimas chamadas telefónicas 

No início de 2014, dois meses após a citação do seu nome como implicado nas mortes de Cassule e Kamulingue, Benilson Silva tomou outras medidas de restrição deixando de usar seus habituais terminais telefónicos (+244) 916 410 735 e 923 330 451.

De acordo com consultas, ele usou pela ultima vez o seu antigo terminal as 09h04min do dia 26 de Fevereiro, para pontualizar a sua noiva (92377**0) via SMS. Antes efectuou outras chamadas para figuras devidamente identificadas, utentes dos números que se seguem: (+244) 924 399 418; 934 396 086; 923 229 462; 991 229 462. 

Que futuro poderá ter?

Tendo em conta que passou na condição de "agente descartável", alguns entendidos em matéria de inteligência traçam dois cenários para com o mesmo, conforme praticas correntes do aparelho de segurança de Estado. Benilson poderá continuar a ter a protecção das autoridades e ser despachado para o exterior do país até prescrição da sua pena, ou aparecer misteriosamente morto algures deste país africano.



Debate este tópico nas redes sociais:

Álvaro Domingos, o português que controla o Jornal de Angola

Lisboa -  Álvaro Domingos, de seu nome verdadeiro, Artur Queiroz ,  é um  jornalista  luso-angolano que na década de 80, notabilizou-se por desenvolver uma das mais ferozes campanha de difamação contra o Estado angolano, a partir de Lisboa. Vinte anos depois,  foi recrutado pela Presidência Angolana que o  colocou no Jornal de Angola, onde  passou produzir textos de ataque contra as autoridades  do seu próprio país, Portugal. Profissionais, da comunicação social, da linha de Reginaldo Silva traduzem  a sua conduta como um acto de “mercenarismo”.

Fonte: Club-k.net

Uma verdadeira história de mercenarismo 

O sujeito da história passa por ser uma  figura controversa. O seu histórico é auto-preenchido de inverdades mas também por desonestidades intelectuais como, o seu local de nascimento que recusa dizer (insinua-se como originário do Uíge) mas também a sua suposta formação superior em filosofia, que diz ter feito na Europa (o seu contrato de trabalho no Jornal de Angola apresenta-lhe como técnico superior de comunicação). 

 

O cronista Wilson Dadá apresenta-lhe como um  “especialista” em retirar da sua auto-biografia as passagens que politicamente não lhe interessam muito no âmbito da sua estratégia pessoal.

 

De acordo com documentos em posse do Club-K, o cidadão Artur Orlando Teixeira Queiroz, não  nasceu em Angola. Ou seja  nasceu aos 20 de Dezembro de 1946, ao norte de Portugal, concretamente na   região de Madalena,  antiga  freguesia  da cidade e do concelho de Chaves.  Poucos anos após ao seu nascimento, os seus  progenitores Luís Queirós e  Avelina da Silva Teixeira mudaram-se para o interior de Angola, na zona do Negage, então cidade  de Carmona (actual Uíge), onde o pequeno Artur Queiroz frequentou a Escola Primária nº 78.  Foi também nesta localidade onde ele concluiu o  primeiro ciclo do Ensino Liceal,  para depois, na idade adulta,  se mudar para a cidade de Luanda, onde foi matriculado no  Liceu Salvador Correia.

 

Em Luanda, a sua menos notória actividade, foi a de promotor de venda na cervejaria, Nocal, em 1974, mas é na actividade jornalística  onde mais de destacou.  De acordo com registos, nunca permaneceu mais de um ano, em todos os  locais de trabalho ou redações por onde passou em Angola.

 

Apesar de nunca ter estudado jornalismo,  Artur Queiroz começou a sua actividade profissional, em 1966, como assistente literário na  então Emissora Oficial de Angola (EOA). Dai saiu passando por jornais e revistas da época até ter feito a passagem de promotor de venda na cervejeira  Nocal.  Em Setembro deste ano, que seria, o de 1974,  ele  regressaria para o EOA, mas desta vez ficando poucos meses,  por alegadas  incompatibilidades  editoriais com o então Director Geral, Alexandre Carvalho.

 

Artur Queiroz  teve passagem curta pelo  Diário de Luanda (DL), uma publicação estatal, da época, de onde saiu na sequência da nomeação de uma nova direcção para aquele jornal na pessoa de Virgílio Furtuoso. Porém, foi no  Jornal de Angola, então dirigido pelo seu amigo, Fernando Costa Andrade “Ndunduma”, que Queiroz interromperia, assim,   a sua carreira em Angola,  tendo abandonado o país com Luciano Rocha em Janeiro de 77.

 

De acordo com registos, o DL, foi encerrado no seguimento dos acontecimentos do “27 de Maio de 1977 ”.  Trabalhavam igualmente para esta publicação elementos ligados ao Partido Comunista Português (PCP) que foram expulsos.  Considerou-se que faziam o jogo dos “Nitistas”, o grupo pro- Nito Alves, então opositor interno de Agostinho Neto. Apesar de não estar claro que ele tenha sido expulso neste grupo, a versão que o mesmo apresenta tem sentido oposto. Alega que a sua saída do DL, deveu-se a perseguições de uma corrente conotada a  Nito Alves. A sua versão é vista como contraditória, uma vez que o jornal já estava sob controle dos Netistas, pelo que não havia como os Nitistas,  precipitarem a sua saída da publicação. 

 

De acordo com o cronista  Wilson Dadá,  “todos os que não temos memória curta, nos lembramos da postura bastante crítica que AQ assumia na altura em relação à linha ideológica do MPLA e à postura política do próprio Agostinho Neto, situando-se muito mais à esquerda do EME, onde de facto ele "militava" ao lado de outras sensibilidades que na altura já se opunham à estratégia dos "camaradas", recém-chegados das matas.”

O regresso a Portugal e postura critica ao regime angolano

De regresso a sua terra natal, Portugal, Artur Queiroz colaborou em várias publicações em circulação, na altura. Ao mesmo tempo assumiu-se como um critico ao  regime  angolano.  

 

Na década de 80, na sequencia do  aprisionamento  de Francisco Fernando da Costa Andrade “Ndunduma”, seu ex-DG ao tempo do Jornal de Angola, o jornalista Artur Queiroz usou as páginas do Jornal “Expresso”, em Portugal para escrever um dos  mais ferozes textos de difamação  contra o regime  de José  Eduardo dos Santos, já mais escrito além fronteiras.  O texto era em  defesa de Costa Andrade, e tinha como titulo “O socialismo de Sanzala e os intelectuais”.

O Regresso a Angola e a postura critica contra a sua própria pátria 

Em 1992, Artur Queiroz regressaria, então a Luanda, a convite do então DG da RNA, Agostinho Vieira Lopes, para uma agenda  de formação aos quadros daquela emissora  estatal.  Viu-se desiludido,  regressando, assim novamente a Portugal.

 

Antes de 2006, foram assinalados  contactos com familiares de Agostinho Neto para compilação da obra “Agostinho Neto – Uma Vida sem Tréguas” de que é seu co-autor.   Foi por intermedio desta  aproximação que Artur Queiroz se disponibilizou  a testemunhar em favor de Maria Eugenia  Neto, num processo judicial de crime de calunia e difamação movido pela falecida investigadora Dalila Cabrita, em finais de 2010.

 

Queiroz retomou contactos  com o regime angolano a partir de 2006, altura em que lóbis ligados ao general “Kopelipa”, o contrataram para se tornar director de publicações da Media Nova.  Não chegou a ocupar o cargo, porque os responsáveis do Media Nova desfizeram-se dele colocando-o a disposição de Aldemiro Vaz da Conceição que por sua vez,  o colocou no Jornal de Angola onde passou a assessorar o diretor-geral, José Ribeiro, auferindo um salário de 11.500 dólares americanos por mês.

 

Na pratica é ele quem contra a linha editorial de propaganda, no  Jornal de Angola. É o autor de textos  inclinados a pregação de calúnias e difamação contra todas as  forças opostas ao regime angolano. algumas vezes assina-os nas vestes de Álvaro Domingos.   Dedica-se também a  trabalhos de desinformação levantando fantasmas da guerra, que incentivam  ao odio, e a instabilidade no país. O seu próprio país, Portugal não é poupado nos seus ataques.

A sua figura como foco de instabilidade na redação  do Jornal de Angola 

Enquanto profissional ao serviço do Jornal de Angola, o jornalista Artur Queiroz é identificado como um dos factores de instabilidade interna, naquela redação. Acusam-lhe de ter um lado de difícil convivência.  Precipitou o afastamento de vários profissionais como Caetano Júnior, hoje adido de imprensa em São Tome. Usou as páginas do jornal para atacar o DG adjunto da publicação, Filomeno Manaças e de um outro administrador não executivo, Victor Silva.

 

Artur Queirós proibiu a publicação de textos de  articulistas como Jomo Fortuno, João Pinto, João Melo e outros.  Aceita apenas, textos de  um grupo de docentes universitários  da linha do músico,   Filipe Zau, seu amigo desde Portugal.

 

Nos últimos tempos,  juntou-se ao general António José Maria, chefe do Serviço de Segurança e Inteligência Militar, na qual lhe foi dada a missão de editar textos sobre o conflito militar (Batalha do Cuíto Cuanavale) enaltecendo o Presidente José Eduardo dos Santos, e, por outro lado, apresentando a UNITA com adjectivos impróprios para reconciliação nacional.

Tema relacionado:

Artur Queirós mentiu em relação ao Kudibanguela - Wilson Dadá


“Kopelipa” agastado com jornalista Artur Queiroz

Artur Queiroz convocado na Cidade Alta

DG do Jornal de Angola justifica salário de USD 11 mil dólares a jornalista português

Director-adjunto desmarca-se do jornalismo de calunia e difamação do Jornal de Angola

{edocs}http://club-k.net/images/pdf/contrato-artur-queiroz.pdf, 710, 600{/edocs}



Debate este tópico nas redes sociais:

João Baruba, o novo SG do Bloco Democrático

Lisboa – Até ascender a posição que agora ocupa, João Alfredo Baruba era o Secretário Nacional da Organização e membro do Conselho Nacional do Bloco Democrático.  Foi eleito  a SG do partido, na convenção  realizada em Benguela, ditada pela decisão do seu antecessor, Filomeno Vieira Lopes que não concorreu para o que seria o seu 2° mandato. 

Fonte: Club-k.net 

Baruba que se tonou num político de carreira entrou para este campo um ano após as primeiras eleições gerais em Angola. Contava com 23 anos de idade e havia aderido ao extinto Partido Liberal Democrático (PLD).  Sua primeira responsabilidade seria a de assessor do Secretário Geral do partido até chegar ao ano de 1999, em que se torna no líder da juventude da formação então dirigida por Anália de Victoria Pereira.

É nesta condição de líder da JPLD  que o habilita a estar próximo desta franja  juvenil da sociedade  tendo participação activa em varias ações realizadas no quadro e consolidação do CNJ (Conselho Nacional da Juventude), órgão que congrega todas as organizações juvenis de vários estratos da sociedade civil e política do país.  A nível, externo, foi membro fundador da juventude liberal africana, durante ao seu mandato na liderança da  JPLD.

Cumprimento do serviço   militar 

Antes de ter aderido a política, o actual SG do BD cumpriu o serviço militar, de 1988 a 1992, na 4a brigada de Tanques em Cabinda, como especialista de Rádio de Comunicações, ostentando a patente de 1o Tenente, tendo sido desmobilizado das FAPLA na respectiva Brigada em Junho de 1992.

Entrada para a política

Logo ao serviço militar, Baruba  adere a política e torna-se num importante membro do PLD, de que foi também assessor parlamentar  da sua ex-lider Anália de Victoria Pereira.  Nesta comissões de trabalho, o que o habilitou a interagir com muitos dirigentes de outros partidos, o que lhe fez ganhar bom relacionamento a este nível, estando capacitado a articular ou estabelecer pontes com as direções de vários partidos políticos em Angola.  É por esta via que se tornou próximo aos antigos membros da extinta Frente para Democracia (FpD). Quando quadros deste extinto partido avançaram o projecto que daria pelas siglas BD, o político João Baruba aderiu ao projecto.

Quando surgiram os movimentos juvenis que realizaram manifestações em protestos as praticas poucos  democráticas  do Presidente José Eduardo dos Santos (JES), o agora SG do BD foi um dos dirigentes que se revelou sensível aos movimentos juvenis contestarios.  Dispunha de uma rede de atualizações constantes que o permitiam o seu partido estar atento, para o caso de os jovens necessitarem de alguma intervenção da sociedade civil ou mesmo do partido.

Dentro do partido descrevem-lhe como um quadro  muito dinâmico. Gosta de viajar pelo país e sentir o pulsar das populações.  Destingue-se também  como defensor acérrimo da despartidarizacao da sociedade, de uma maneira geral, e favorável as liberdades dos cidadãos.

Perfil   académico

João Baruba o sujeito da história, é formou-se em ciências politicas pelo Instituto Superior de Ciências Sociais tendo defendido no final do curso o tema “A origem dos partidos políticos em Angola”.  Há informações de que esteja também ocupado com uma formação no ramo do mestrado.

Tal como o seu antecessor, Vieira Lopes, o político João Baruba é também um activista cívico que participa constantemente em seminários e conferencias sobre democracia, descentralização e eleições autárquicas.



Debate este tópico nas redes sociais:

Nguxi dos Santos, realizador e repórter de guerra

Luanda - Nascido a 22 de Janeiro de 1960, no Nzeto, província do Zaire, Nguxi dos Santos foi repórter de guerra na TPA, na década  de 80. Nguxi  vem do cinema documental como sonorizador de documentários exibidos nas salas de cinema, que divulgavam a política do Governo, logo nos primeiros anos após a proclamação da independência.

Fonte: JA

Naquela altura era funcionário do Ministério da Informação, mais tarde do Departamento de Educação Política, Propaganda e Informação do MPLA. Em 1977 foi transferido para a Televisão Popular de Angola (TPA), por intermédio de uma guia de transferência por ele solicitada, e assume as funções de Operador de Som.

Não tem ídolos, a sua paixão deve-se ao contacto visual com a diversidade de equipamentos, como câmaras, microfones e holofotes. Orlando Martins, já aposentado, e Tião, foram os seus mestres angolanos, além de professores cubanos.

Nos primórdios da sua trajectória passou pela captação de som em zonas de guerra, registando sorrisos, cantares e choros, sons peculiares das trincheiras, dos militares das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA).

Considera-se repórter de guerra por ter trabalhado nas frentes de combate um longo período da sua carreira. Entre 1979 e 1989 integrou a equipa de cinema que filmou a Batalha da Cahama e a Batalha do Cuito Cuanavale, no Triângulo do Tumpo, entre as FAPLA e o exército sul-africano, na província do Cunene e Cuando Cubango, sob orientação do Departamento de Cinema da Direcção Política Nacional das FAPLA.

Esteve também na Oitava Região para o registo da perseguição ao Batalhão 517 da Unita. Participou no projecto de cinema “Opção”, da TPA, chefiada por Carlos Henriques, que filmava as acções militares.

“Não sinto prazer em trabalhar nas frentes de combate, apenas me especializei para uma missão, tal como os pilotos”, argumentou, lembrando terem sido momentos “duros” por trabalhar rodeado de tiros e que em nenhum momento podia dizer “que foi bom ou bonito”, mas sim o cumprimento de um dever para com a Pátria antes de atingir a idade para cumprir o serviço militar obrigatório.


Um dos seus sonhos é registar a vida social, ir além da guerra, e mostrar outras vivências do país, sobretudo as principais metamorfoses na sociedade angolana dos últimos 40 anos, “as mudanças do país”.

Versatilidade profissional

Nguxi dos Santos começou a utilizar uma máquina de gravação de som “Nagra 4.2”, depois a “SM”, mas ia além disso. Nas frentes de combate, onde as equipas eram reduzidas a duas pessoas, desempenhava também a função de assistente de câmara.

Atingir a categoria de engenheiro de som consta dos seus sonhos, mas tem que frequentar outros cursos, além da experiência e tempo de trabalho.

“A fase do filme mudo passou, por isso, hoje o som é tão forte e importante quanto o poder das imagens”, lembrou. Nguxi explicou que em determinados filmes, antes de uma imagem, ouve-se um som, por isso considerou o som significativo entre os elementos estéticos e verbais de uma obra audiovisual.

A captação sonora, afirmou, reveste-se de um amplo profissionalismo, estando estritamente dependente da forma como é concebido o projecto fílmico. Em televisão pouco recorreu a efeitos sonoros, mesmo nas reportagens do programa “Opção”, o som era directo, não havia simulações “todos os sons eram verdadeiros, incluindo os tiros”.

Outros filmes

A cumplicidade em registar operações militares atingiu também os primeiros anos do período multipartidário, em que Nguxi dos Santos assumiu a realização e operador de câmara para registar o conflito pós-eleitoral, ocorrido em Luanda, em Outubro de 1992.


Dois anos depois, filmou a libertação da cidade do Huambo, pelas tropas do Governo, e a chegada ao Cuito, no Bié, resultando no documentário “Pelo Silêncio das Armas” (1994).

À entrada do século actual, a experiência leva-o ainda a acompanhar as manobras militares da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizadas em Cabo Ledo e no Waco Cungo, província do Cuanza Sul. Em 2000, foi operador de som e assistente de realização de “Comboio para a Vida”, rodado em França e Níger, uma co-produção da Draed Locks e da ONG francesa “Les enfants de I´Air”. Em 2005 produziu “As FAPLA e os Seus Veteranos”.

Musicais e documentários

A trajectória de Nguxi dos Santos está indiscutivelmente associada à história da produção de vídeos clipes pela TPA, às transmissões de espectáculos musicais, desde o final da década de 1980.

A produção e realização de programas musicais (Sunga Sunga, Revista Musical), entre outros, conferiu-lhe experiência para a produção e realização de documentários.


Em 1987, frequentou um curso de realização e produção, orientado por especialistas cubanos.  Mas, actualmente o seu maior desejo é afirmar-se como produtor executivo de cinema e televisão, apetência motivada pelas actividades desenvolvidas na TPA e na extinta produtora Dread Loocks, da qual foi co-fundador.


Após o Curso de Realização e Produção na RTP em Lisboa, em 1993, trouxe na bagagem “O emigrante em Portugal”, como trabalho de fim de curso. Em 1997, assume pela primeira vez a realização do filme documental “Um Homem Enterrado Vivo”, facto verídico que considerou desumano, por se tratar de um homem enterrado vivo, depois de acusado de feiticeiro pelos seus familiares, na zona de Calumbo.

*Francisco Pedro



Debate este tópico nas redes sociais:

Hélder Bataglia: o homem que abriu as portas de Angola à China

Lisboa - Persuasor será a palavra certa para descrever Hélder Bataglia dos Santos, 68 anos, natural do Namibe, Baía Farta ou de Vieira de Leiria, no Centro de Portugal. O certo é de ter partido para a vida do Sul do país, pela crença forte e consistente no que faz.

Fonte : Exame

Sedutor quando comandou um pelotão de artilheiros kwanhamas em Cabinda, a tentar convencer outros a trocar de lado nas trincheiras. O sogro e os sócios a secarem bacalhau em Angola em lugar de o importarem por alturas da independência. A família Espírito Santo a acreditar em Angola, quando nenhuma notícia boa surgia nos noticiários internacionais para os convencer a investir por cá.

A mostrar aos mercados internacionais a estabilidade e prosperidade do país, após oito anos de paz. A segunda mulher, Simoneta, conquistada quando após a independência andou pelo Médio Oriente, ajudando a materializar em obras e qualidade básica de vida as receitas adicionais trazidas pelo choque do petróleo de 1973. Três longas conversas explicam como convenceu toda a gente no seu caminho: um entusiasmo fortemente estruturado em estudo e conhecimento dos assuntos; pragmatismo sempre; emoções só quando ainda não se gastou um kwanza no que poderá ser um sonho e nada mais.

Não nasceu rico, os pais foram viver para a Baía Farta e lembra-se da luta e da enorme capacidade de trabalho do progenitor. As chuvas impediam uma deslocação fácil a Benguela, ou Moçâmedes, para comprar fosse o que fosse. Vivia-se num isolamento só com um extenso mar pela frente.

A juventude passou-a em Benguela, fazendo amigos como um jovem facilmente faz na rua, conviveu com quem fugia para Argélia ou Cuba, “co-habitávamos pacificamente”. Já em Lisboa frequentou Engenharia no actual ISEL. Está em Angola desde 1985, associou-se, em 1992, à família Espírito Santo, quando esta ainda recuperava o poder económico depois das nacionalizações de todos os seus activos após a revolução portuguesa de 1974, tendo um terço do capital social.

Investiu o que tinha ganho na sua vida de trader, importando o básico que o povo precisava para suportar a guerra civil. Daí nasceu confiança no país em situação difícil. Angola premeia quem com ela está nos piores momentos.

Em 2002, Hélder Bataglia procurou aproximar a China de Angola. Não se coíbe de dizer que foi pela sua mão que as relações com os chineses começaram, assumindo proporções fundamentais no desenvolvimento de infra-estruturas essenciais. A China também vê com interesse estratégico a cooperação com Angola. O país pode ser parte de uma solução para um problema grave de alimentar uma crescente população, conseguir fontes de energia para potenciar o seu desenvolvimento e exportações

A ligação ao grupo 88 Queensway, designação nascida a partir da morada da sede em Hong-Kong, materializou-se em Angola através dos financiamentos de 2,9 mil milhões de dólares para infra-estruturas realizados pelo CIFL – China International Fund Limited e pela criação da China Sonangol que geria e operava no sector energético em parceria com a Sonangol e, mais tarde, com a colaboração da Sinopec na exploração de petróleo.

A colaboração com o grupo começou em 2004, através de uma joint-venture 40% Escom e 60% de um braço deste grupo, e designou-se China Beiya Escom tendo assumido fortes compromissos com a Argentina, República do Congo e Venezuela. “Helder? Como te sientes aqui Helder?”, são palavras de Hugo Chavéz, ao vivo, no seu programa diário de rádio para o país, em 2005. Durante dez horas, Hélder acompanhou o Presidente Chavéz numa deslocação fora de Caracas. Na República do Congo foi condecorado pelo Presidente Nguesso, como sinal de reconhecimento por serviços prestados na reconstrução do país.

Traço fundamental do seu carácter, não transparece qualquer grau de intimidade tanto com estadistas como com empresários. É óbvio o seu estreito relacionamento com Ricardo Espírito Santo Salgado e Fernando Martorell, do grupo Espírito Santo em Portugal. No entanto, nada assinala quando se trata de grandes intimidades com homens do Estado angolano ou estrangeiros. Abre excepção para o falecido Valentim Amões, cuja amizade era pública e notória. Na discrição fundamentou uma maneira de estar na vida. Habituou os seus interlocutores à confiança.

De Benguela para o mundo

Não nasceu humilde em Lisboa, mas rapidamente foi transferido para Benguela, Hélder Bataglia dos Santos é filho de pai de Vieira de Leiria e de mãe alentejana, mas foi em Angola que esteve até à independência e que sente como sua terra.

Vê em Kennedy e em Mandela dois homens com visão superior e que, em momentos certos, fizeram o mundo virar no sentido inevitável, mas que ninguém ousava alterar. Estudou em Benguela e em Lisboa e, em 1972, estreava-se como empresário com secagem de produtos alimentares em Benguela, provavelmente a primeira unidade do género em África, fundada para secar bacalhau.

A independência levou-o ao Médio Oriente onde esteve em trading durante dez anos. Depois estabeleceu empresas com ligação aos mercados do Leste da Europa e ex-União Soviética. A ligação ao grupo Espírito Santo surge em 1992 criando-se a Escom e em colaboração estreita com Luís Horta e Costa.

A Escom evoluiu de puro trading para investimentos reais no imobiliário, petróleo e gás, mineração. Hélder também esteve no nascimento do BESA, primeiro banco angolano com capitais portugueses. Uma vida a correr mundo deixou a família como o eixo menos assistido.

Casou duas vezes, tem uma irmã, duas filhas e duas netas. Todas a viver em Portugal, mas visitantes frequentes de Angola, todas com vias profissionais próprias — inclusive as estudantes .

Confessa que, mais do que palavras, mais do que os factos que o levaram a acreditar em Angola ao longo dos anos da guerra, das faltas de tudo, da pouca crença dos de fora, o investimento de 485 milhões de dólares no Edifício Escom provam o empenho e confiança que ele e o grupo têm no futuro de Angola. “Um edifício não se transporta”, conclui.

Cargos ou posições  já ocupadas

Quadro do Grupo Espírito Santo

Administrador do BNA- Banco Nacional de Angola

Director da ESCOM-ALROSA Ltd, uma empresa financeira de empresa de direito britânico activa no negócio de de diamantes, participada em 46% pelo Grupo… Espírito Santo e 44% pelo grupo industrial russo ALROSA

Mediador entre Nestor Kirchner (ex-presidente da Argentina) e Hu Jintao (secretário-geral do partido comunista chinês) em negociações com vista à realização de investimentos chineses na Argentina

Cônsul-honorário do Burkina Faso em Lisboa, por deliberação de 25 de Fevereiro de 2009 do Conselho de Ministros da dita Republica

Comendador da Ordem do Infante D. Henrique por alvará presidencial de 8 de Junho de 2007.



Debate este tópico nas redes sociais:

Coronel Kate Hama, o homem que monitorava o telefone de Savimbi

Lisboa - Kate Hama, cujo nome de baptismo é Bartolomeu Alicerces Neto Hama, é um antigo oficial das extintas Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA) que esteve ao lado do malogrado Jonas Savimbi, até as últimas semanas de vida. Ficou conhecido como o “homem dos telefones do doutor  Savimbi” por ser o oficial  que durante vários anos cuidava das comunicações do histórico líder fundador da UNITA.

Fonte: Club-k.net 

Nascido no Bailundo, província do Huambo, a 16 de Julho de 1963, o coronel Kate Hama é filho de Frederico Hama, um falecido cirurgião que, aquando do 25 de Abril, fora o  delegado da UNITA, em Vila Flor. Foi através do seu pai que aderiu o movimento do “Galo Negro”, servindo directamente o seu braço armado.

Ao longo da sua trajetória militar fez parte da emblemática Brigada de Acção Técnica de Explosivos (BATE), mas foi na área das comunicações militares que mais se destacou, seguindo-se a formações de superação feitas  na Finlândia, Inglaterra e África do Sul. 

Era o especialista em quebra de sistemas, descodificações e registos. Em finais da década de 80 ajudou a instalar o primeiro sistema de internet em Angola, na localidade da  Jamba, o então bastião da UNITA.

Como especialista de comunicações, o coronel Kate Hama participou igualmente na batalha do Kuito Kuanavale e Mavinga, nos finais dos anos 80. Ele foi o Segundo Comandante das Comunicações das FALA junto dos sul-africanos “Boers” nas operações destas duas batalhas da qual operava como chefe táctico de operações com as forças coligadas. Era através de si que se dava "luz verde" aos aviões sul-africanos estacionados em território namibiano para levantar voo, em auxílios das forças rebeldes em Angola.

Ida a Luanda em 1992

Após os acordos de paz de Bicesse, que culminaram com a realização das primeiras eleições gerais em Angola, em 1992, o coronel Kate Hama foi levado para trabalhar em Luanda, onde controlava um “centro” de comunicações da UNITA, instalados na sede do seu secretariado geral, no bairro São Paulo, actual distrito do Sambizanga. Era também frequentemente chamado para prestar assistência a residência de Jonas Savimbi, no Miramar.

Desempenhou também papel crucial nas eleições de 1992. Fez parte do grupo que, pela parte da UNITA e que com auxilio de especialistas estrangeiros, tiveram acesso a dados sobre a manipulação das eleições por meios informáticos. Kate Hama respondia a um então coronel José Pontes “Regresso”, que também trabalhava com o general Isidro Perigrino “Wuambo”

Regresso ao planalto central

Ainda em 1992, quando o país se arrastou para um período de incertezas, ou melhor, de instabilidade, o coronel Bartolomeu Alicerces “Kate Hama” foi a figura que acompanhou o avião que transportou um grupo de líderes políticos da oposição – dentre os quais Mfulumpinga N'Landu Vitor e Simão Cacete – que deslocou a província do Huambo para convencer Jonas Savimbi a aceitar os resultados eleitorais. Dai Kate Hama seguiu para Jamba.

A entrada para o circulo presidencial de Savimbi

Em 1993, o coronel Kate Hama encontrava-se instalado no Huambo, quando esta cidade estava sob ocupação da UNITA, na sequência do retorno a guerra. Na altura, era praticamente um desconhecido do convívio de Jonas Savimbi.

Certo dia, o então líder da UNITA estava a ter dificuldades de usar o seu telefone satélite para fazer uma chamada a Washington, Estados Unidos de América, a fim de contactar o seu representante, o embaixador Jardo Muekalia.

Savimbi ordenou que  procurassem um técnico para concertar o seu telefone. Foi assim que alguém teve a ideia de procurar pelo especialista Bartolomeu Alicerces “Kate Hama” que se encontrava em parte incerta.

Quando Kate Hama regressou a casa deparou-se com uma patrulha militar que o procurava, e que o levou até a residência do presidente fundador da UNITA. De acordo com  relatos fiáveis, quando Savimbi foi avisado que o especialista tinha chegado, foi a sala das comunicações do Palácio, olhou para ele com um ar foribundo e disse: “mas tu quem és afinal? Já ouvi a falar de ti em trabalhos de poesia e prosa. Também o Kamy já me falou... Quero falar com o Jardo, o Morgado e o Adalberto. Vamos fazer o que? Dizem que você é que é o especialista”.

Na presença de outros oficiais da guarda presidencial, o coronel Kate Hama garantiu a Savimbi que resolveria o problema em 15 minutos. Pegou no telefone abriu e em menos do tempo previsto discou para o número do embaixador Jardo Muekalia, em Washington. Depois de ajudar a fazer as outras chamadas, Savimbi aproximou-se a ele e disse: “Você já não sai daqui”.

Desde então Kate Hama passou a trabalhar como assistente pessoal de Jonas Savimbi. Tarefa esta que desempenhou até poucos dias antes da morte deste em Fevereiro de 2002. Há informações suplementares indicando que, era também ele que se movia nos carros pessoais de Savimbi até a queima dos mesmos em 2000.

Sempre que Savimbi quisesse falar com alguém ao telefone, passava lhe primeiro o telefone para fazer avaliação do estado psicológico da pessoa que estivesse do outro lado da linha, e só depois passava o aparelho ao presidente da UNITA.

A dada altura, quando o grupo restrito da direcção da  UNITA encontrava-se na zona do Moxico a fugir das Forças Armadas Angolanas (FAA), Jonas Savimbi havia deixado de falar ao telefone, ou aos rádios de comunicação, como medida preventiva de detenção/identificação da sua voz por meios electrónicos. Era através de Kate Hama que ele se comunicava com os restantes comandantes e não só. O líder da UNITA ficava do seu lado e dizia-lhe o que tinha que transmitir aos seus interlocutores. Na altura, subtendia-se que, falar ao telefone com Kate Hama era o mesmo que falar com o líder guerrilheiro.

Uma semana antes da morte de Savimbi, o então representante da UNITA em França, Isaías Samakuva, recebeu de Angola, um telefonema do coronel Kate Hame, informando que o “mais velho” orientava que cessasse os contactos diplomáticos com a Organização das Nações Unidas (ONU). Na verdade, Kate Hama e um outro coronel, Kassique Pena, ambos das comunicações da coluna presidencial, tinham sido capturados a 02 de Fevereiro (data em que Savimbi ficou sem contacto). Desta vez, o telefonema estava a ser feito a partir de Luanda na presença do general Hélder Manuel Vieira Dias Júnior "Kopelipa", actual chefe da Casa de Segurança da Presidência da República.

Kate Hama vive actualmente algures de Luanda onde frequenta o último ano do curso de Relações Internacionais. É também autor de uma obra literária. Apesar de ter sido já promovido a oficial general das FAA na reserva, o sujeito da história ainda prefere que o tratem por “Coronel Kate Hama”, por ser a patente - que segundo faz transparecer em meios privados - que o “mais honra” e que lhe foi conferida por Jonas Savimbi, em meados dos  anos 90.

“Eu prefiro ficar com a minha promoção do doutor Savimbi que me dá valor. Sou e sempre serei o coronel Kate Hama, homem dos telefones do doutor Savimbi. Orgulha-me”, diz Kate Hama junto dos que lhe são próximos.



Debate este tópico nas redes sociais:

António Vieira Lopes, Ex- delegado do SINSE em Luanda

Lisboa -  Nos últimos quatro anos a sua carreira como operacional de inteligência  foi objecto de controversa. Ascendeu  ao cargo de delegado do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado, em circunstâncias anormais e de lá “caiu” director para a cadeia onde aguarda  julgamento pela implicância nas execuções dos activistas  Alves Kamulingue e Isaías Cassule.

Fonte: Club-k.net

Um consulado de altos e baixos 

António Manuel Gamboa Vieira Lopes “Tó”, 48 anos,  o sujeito da história,  aderiu ao aparelho de inteligência,  ao tempo do extinto Ministério da Segurança de Estado, quando ainda estava na casa dos 20 anos de idade. Apesar de ter nascido na província do Kwanza-sul, ele é oriundo de uma influente  família de Luanda que faz cruzamento com destacadas figuras como  o ministro de Estado junto a PR,   general Manuel Vieira Dias “Kopelipa”, e ao  Bispo de Cabinda, Filomeno Vieira Dias. 

Em Fevereiro de 2002,  António Vieira Lopes que é coronel da reserva foi o oficial de inteligência que acompanhou, no Moxico,  a envoltura dos acordos de paz, no seguimento da morte do líder da UNITA, Jonas Savimbi, na região, no Lukusse.

Durante este período, ele  trabalhou na sede central do SINSE em Luanda, como um “simples”  funcionário até ter sido nomeado, em 2010,  como o “patrão” da secreta domestica na capital do país, em substituição de  Ezequiel Silvério Pegado “Turra”, que fora transferido para exercer função  equivalente  no enclave de  Cabinda.  Aproveitou também o seu tempo para frequentar o curso de direito, por concluir.

A sua nomeação como delegado em Luanda foi alvo de uma discreta e surda  contestação interna, por não obedecer a critérios próprios, não obstante o identificarem como desqualificado  para a responsabilidade.  Na estrutura hierárquica do SINSE, iniciando de baixo para cima,  há  um chefe de secção,  chefe de departamento, director nacional e Director-Geral dos serviços (equivalente a DG).  

Antes da sua promoção, António Vieira Lopes estava escalado como integrante de uma “secção”  constituída por três especialistas que  tratavam de questões politicas  cujo chefe respondia a um alto funcionário,  Fernando Eduardo Manuel.

De acordo com os procedimentos, a figura a ser elevada ao cargo de “delegado provincial” teria  de ser alguém que  desempenha  funções equivalente a “chefe de departamento”,  o que não era o  caso de António Vieira Lopes. 

A convicção generalizada, identificada nos quadros da instituição foi de que a nomeação de António Vieira Lopes foi destinada  a ajudá-lo no campo pessoal, tendo em conta o papel que desempenhou por altura da captura de Jonas Savimbi, em 2002. Ele estaria a passar serias dificuldades que o deixavam em estado de saturação. Não tinha casa próprio e vivia num apartamento,  bastante apertado com a família.  No exercício da função, foi-lhe oferecida um apartamento, na vila-alice, em Luanda,  com melhores condições que se encontra registado como património do SINSE.

No exercício das suas funções como delegado do SINSE, foram reiteradas, a asseveração sobre o seus suposto despreparamento para o cargo,  reclamado pelos  opositores da sua ascensão.  Há Registro,  de que meses  após ter sido nomeado como delegado, este quadro sénior teria movimentado  as forças especiais do departamento Nacional de proteção do SINSE para acudir  a uma situação relacionada a sua filha que estava a ser dada como desaparecida ou raptada, na capital do país. Em circunstâncias normais, a movimentação destas forças não poderiam ser feita para fins particulares ou sem autorização do diretor-geral  da Instituição.

Foi também no  seu turbulento consulado como delegado da instituição em Luanda, que se incompatibilizou  com o então governador de Luanda, Bento Francisco  Bento. Antes de 2012, o  ex-delegado António Vieira Lopes teria considerado despropositado, para si,  uma missão que o ex-governador lhe incumbiu  para deslocar-se  a África do Sul, para  persuadir,  o activista José Gama, num período em que o regime estava a ser aluído  com manifestações antigovernamentais.

Em 2012,  António Vieira Lopes recebeu do governo de Luanda, uma carta datada de 17 de Abril, em que o seu subscritor Isaías Cassule, líder do auto proclamado Movimento Patriótico Unido, comunicava a realização de uma manifestação marcada para o dia 27 de Maio, nas mediações do palácio presidencial, em solidariedade aos ex-militares da UGP, integrados na Brigada Especial de Limpeza (BEL) e na Brigada de Construção e Obras Militares (BCOM).

Na véspera da convocada manifestação,  António Vieira Lopes foi convocado, a  comparecer a 26 de Maio na Casa de Segurança da PR, na companhia do comandante em exercício da Policia de  Luanda, Dias do Nascimento Fernando Costa para receberem orientações. Neste dia, ambos receberam ordens para impedir a manifestação detendo os seus mentores. Porem, no sentido de mostrarem trabalho, ambos terão excedido culminando nas mortes de Alves Kamulingue e Isaías Cassule.  Vieira Lopes acabaria detido enquanto que o seu colega da policia ficou impune por razões que se desconhece.

Um dos episódios que mais o marcou, foi a sua detenção, que ocorreu  na presença da sua filha.  Ele teria tentado  em vão, desviar o assunto dos familiares que frequentemente o interpelavam em função de noticias que saiam na imprensa.

Por outro lado, por não haver condições morais  de permanecer no posto, foi exonerado do cargo de delegado provincial do SINSE e substituído por  Delfim Soares, um quadro superior que exercia as mesmas funções, na Lunda-Norte.

No inicio do período que ficou sob custódia das autoridades, António Vieira Lopes teria rejeitado a uma proposta  no sentido de   implicar o seu então  superior hierárquico Sebastião Martins, na morte dos dois activistas.  



Debate este tópico nas redes sociais:

Baptista Júnior “Coy”, Chefe-Adjunto do Serviço de Inteligência

Lisboa - A sua recente nomeação como  Chefe-Adjunto do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado foi internamente (aparelho de segurança do Estado) aplaudida por se tratar de um “outside” da secreta domestica e  sobretudo por estar desprovido dos maus hábitos a que se reclama da conduta de muitos dos actuais directores do ex- SINFO.

Fonte: Club-k.net

José Coimbra Baptista Júnior  não é um quadro estranho da comunidade de inteligência. É oriundo   do Serviço de Inteligência Externa (SIE).  A sua nomeação para integrar o SINSE  partiu de um convite  que lhe foi formulado pelo  actual Chefe da Instituição,  Eduardo Filomeno Barber Leiro Octávio. Ambos são correligionários e as suas famílias partilham afinidades.  Uma irmã sua, Joana Lina Ramos  Baptista, actual Vice-Presidente da Assembleia Nacional pelo MPLA,  também é amiga de  Eduardo Barber Octávio. 

 

Até pouco tempo, o recém nomeado  Chefe-Adjunto do SINSE, estava em comissão de serviço  no Ministério das relações exteriores (MIREX) como Director do Secretariado da Comissão Nacional para os Grandes Lagos.  

 A ida a Luanda e a passagem pela JMPLA

Quando jovem, a sua família esteve  entre  Camabatela e Ndalatando (Província do Kwanza-Norte) até se terem transferido para Luanda.   Em 1973, Baptista Júnior ingressou  no então Liceu Paulo Dias de Novais. Ai estudou até a altura em que se procedeu a  reformulação de Ensino em  Angola, em 1978.  

É na capital do país, que “Coy”, conforme é tratado pelos que lhe são próximos,  adere ao MPLA, militando nas estruturas juvenis,  no bairro Terra Nova, em finais daquela década.  Não muito tarde ele acabaria por desligar-se  das atividades partidárias logo após aos acontecimentos do “27 de Maio”.  Aqueles que com ele privaram, associam o seu desligamento  a JMPLA, a sentimentos associados a  forma como   alguns dos  seus colegas foram afastados, na fase posterior aos massacres que ocorreram naquele ano, de 1977,  no seio do partido do governo.

Baptista Júnior preferiu  dedicar-se aos estudos  concluindo o PUNIV, que em dois anos deu-lhe acesso a Universidade Agostinho Neto, onde terá estudado económica.  Durante algum tempo,  ele  esteve a trabalhar numa empresa, situada no perímetro da agencia Angop, na Avenida Brasil, que tratava de questões técnicas relacionadas a manutenção de elevadores.

A entrada para os Serviços de Segurança

Naquela altura, decorria, o período do serviço militar obrigatório e muitas famílias ligadas ao regime optavam por colocar os seus próximos na  Segurança de Estado para evitar que fossem nas frentes de combates como militares ao serviço das extintas  FAPLA. É  nesta fase que José Coimbra Baptista Júnior “Coy”, aparece ligado ao aparelho de segurança de Estado, de onde fez carreira.

Em 2003, por influencia de Fernando Garcia Miala, ele foi nomeado para o cargo de Director de Inteligência Económica do Serviço de Inteligência Externa (SIE). Ai tornou-se bastante  ligado ao então  director do gabinete técnico,  Gilberto Veríssimo  de quem foi  colega de sala  no antigo  colégio  Liceu Paulo Dias de Novais,  na era colonial.

No respaldo da queda do então DG do SIE, Garcia Miala,  Coimbra  Júnior  sobreviveu a purga e foi  nomeado para chefiar o  Gabinete de Estudos e Planeamento do Serviço de Inteligência Externa já com Oliveira Sango como patrão da instituição. Terá ficado conotado a uma corrente interna de apresso ao agora  Tenente-general  Gilberto Veríssimo. Quando Veríssimo  foi afastando de DG adjunto do SIE  por se incompatibilizar  com o seu superior Oliveira Sango, José Coimbra Baptista Júnior foi  também  despedido e substituído por Filomena de Lourdes  Rebelo.

A passagem pelo  MIREX

Ficou por algum tempo no desemprego até ter sido  reabilitado  pelo antigo Ministro  Assunção dos Anjos que o levou para o Ministério das relações exteriores   como director do seu Gabinete. Logo após ter se apercebido que o então ministro sairia do cargo,  José Coimbra  Júnior  teria persuadido o antigo governante para que o deixasse nomeado como  cônsul angolano em Joanesburgo, em substituição de Narciso Espírito Santos.  As movimentações de influencia  coincidiram  com a entrada de um novo Ministro, George Chicoty que deu por  nulo  algumas decisões do seu antecessor.

 O Novo ministro  Chicoty  por outro lado procurou acomodar os elementos do seu antecessor.  Nomeou  Fernandes Quixito, ex-director adjunto do gabinete de Assunção dos Anjos, como Vice-Cônsul em Belize/Congo e para  José Coimbra  Júnior  chegou-se  aventar  em despachá-lo  como Cônsul no Rundo, na Namíbia em substituição Judith Costa,  o que não veio a acontecer.   

A sua passagem no  MIREX, coincidiu com o período em que este ministério estava a observar reformas, em que os cargos de chefias deveriam estar em conformidade com as categorias da carreira diplomática.  Coimbra  Júnior  acabaria por  ser abrangido e promovido a  Ministro Conselheiro, em 2011.

Desde então centrou-se ao dossier dos grandes Lagos de que foi  Director do Secretariado da Comissão Nacional para os Grandes Lagos do  Ministério das relações exteriores.  Foi nesta condição que fez parte de delegações de alto nível que representou Angola em  fóruns internacionais e ao mesmo tempo foram lhe reconhecidas habilidades para abordar o tema sobre aquela região africana.

Há dois de  Maio do corrente ano, Coimbra Júnior   foi convidado a falar  sobre geo-política das regiões dos grandes lagos, numa  conferência, em Luanda. Seis dias depois, na qualidade de  coordenador nacional da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), ele seria indicado para  participar de  num encontro com os representantes dos Estados membros da CIRGL, em Brazzaville, para falar da situação política, socioeconómica e de segurança de Angola.

O Regresso ao aparelho de Segurança

Na primeira semana de  Outubro do corrente ano,  através do Decreto Presidencial n.º 283/14, o Presidente da República José Eduardo dos Santos devolvia-lhe ao activo no aparelho de segurança como numero dois  do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado, com a missão de responder pelos órgãos de apoio instrumental (sector administrativo e finanças ) daquela instituição.



Debate este tópico nas redes sociais:

Quem Somos

CLUB-K ANGOLA

CLUB-K.net é um portal informativo angolano ao serviço de Angola, sem afiliações políticas e sem fins lucrativos cuja linha editorial consubstancia-se na divulgação dos valores dos direitos humanos, educação, justiça social, analise de informação, promoção de democracia, denuncias contra abusos e corrupção em Angola.

O CLUB-K.net foi fundado aos 7 de Novembro de 2000, e é integrado por jovens angolanos (voluntários), com missão representativa em diversos países e reconhecido a nível internacional como uma organização não governamental... Leia mais...

Mais ...

Envie Artigos, Fotos e Vídeos para o Club-K

Anúncios Publicitários

Regras para Submissão de Comentários

Galeria de Fotografias

Galeria de Vídeos

Contactos:

  • E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

  • WhatsApp: (+244) 918 512 433 Para uso no aplicativo WhatsApp apenas!

  • Angola : (+244) 943 939 404 

  • Reino Unido : (+44) 784 848 9436

  • EUA: (+1) 347 349 9101 

Newsletter

Assine a nossa Newsletter para receber novidades diárias na sua caixa de e-mail.

Siga-nos no Facebook, Twitter e YouTube para receber novidades do Club-K.

INSERE O SEU E-MAIL