A Voz do Povo

Lembrete ao sr. Governador de Luanda - Carlos Alberto

Sr. Governador,

Através deste quero emprestar a minha colaboração na qualidade de citadino e estar preocupado com o que se passa nesta nossa cidade.

Aquando da sua tomada de posse no decorrer do seu discurso recordo-me ter prometido exonerar mais Administradores quer Municipais como Distritais, que não estivessem a corresponder com os seus anseios, para quando será, ou será que os que se encontram no desempenho das suas funções, agradam a sua Governação.

 

Sr. Governador, caso não possa fazê-lo pessoalmente envie por favor uma equipa de fiscalização mas peço-lhe que sejam pessoas de sua confiança pra fazer um levantamento do estado degradante em que se encontra a estrada que sai do S.Paulo, passa na rua paralela a antiga feira Ngoma e desemboca na avenida Brasil passando pelos combatentes próximo ao Serviços de Identificação, é triste ver como os carros são sacrificados neste troço, quando pagamos taxa de circulação. Convém recordar Sr. Governador que nem todos temos possibilidades de comprar Jipes a todo terreno.

 

Outra minha preocupação e com a estrada na zona da Samba que passa pela afamada rua do Quim Ribeiro, zona da Coreia e desemboca na rua da Nova Marginal. Deste trajecto já não se fala o seu estado. Convém adiantar Sr. Governador com o arranjo desta via iria desafogar e de que maneira o transito na rua principal da Samba quem vai para a Mutamba. Ontem ouvi a entrevista de uma Responsável da Administração da Samba dizendo que estavam a espera que terminem as chuvas para se tratar das ruas em mau estado, será?. Sr. Governador pelo que eu sei as Administrações Municipais beneficiam de dotação orçamental pelo que pergunto como é gerido este valor não obedece um plano de execução de obras onde temos as mais prioritárias. Vivo no Bairro da Samba e não vejo nada que é feito de realce, só para ter uma ideia Sr. Governador devido ao estado lastimável que ficam as casas neste Bairro neste momento e enquanto não terminam as chuvas estou a residir em casa de um familiar noutro Bairro da Cidade de Luanda.

 

O que se vê neste momento a única preocupação do Governo é com a zona do coelho, quando temos nos nossos bairros situações graves e de fácil solução mas o que se nota e a falta de preocupação pelos nossos dirigentes municipais ou distritais.

 

Sr. Governador, com todo respeito que tenho por si e tenho consciência que não é fácil governar esta cidade, mas eu as vezes me pergunto se é este o castigo que merecemos por votarmos no Partido que temos no coração.

Tenho dito.

Estou de regresso aos calabouços da ditadura de Eduardo dos Santos - Sedrick de Carvalho

Luanda - Sou Sedrick de Carvalho. Uso esta página do site O GOLO, do qual sou director, porque não tenho outra onde programar a publicação desta nota, pelo que me desculpo já dado o aproveitamento. E estão a ler esta nota porque certamente já estou de regresso aos calabouços da DITADURA.

Fonte: OGOLO

Às masmorras da ditadura havemos de voltar

No dia 3 de Julho ouvi o Presidente da República José Eduardo dos Santos comparar-nos com os mortos no dia 27 de Maio de 1977, ou seja, dizendo que somos semelhantes ao Nito Alves, José Van-dúnem, e tantos outros barbaramente assassinados, pois "não [queriam] perder tempo com julgamentos" na altura.

Naquele dia percebi que estávamos condenados, ou mortos até. Imaginava que nunca mais veria a minha família. Mas então a sociedade angolana e a comunidade internacional se mobilizou e exigiu a nossa libertação incondicional. Protestos múltiplos aconteceram e ainda hoje mesmo estão a acontecer aqui, no país, em Portugal e em outros países, depois de em Moçambique ter ocorrido na quinta-feira um concerto com mais de trinta artistas denominado "Liberdade para os presos políticos de Angola".

A exigência surtiu efeito. Voltamos às nossas casas. Continuávamos presos, mas em casa, pelo menos. Três meses se passaram. Três meses com a família. Aproveitei ao máximo. Foi muito bom!


Infelizmente estamos de volta às masmorras. E só estamos porque o Presidente da República não iria admitir o contrário depois de ter aberto o peito e a boca para nos comparar com os assassinados em 77.


É muito simples. Desde o pronunciamento sobre a nossa prisão estúpida, ilegal e injusta que os procuradores e juízes (que não valem muita coisa) se viram perante uma tarefa hercúlea de satisfazer o discurso de JES. Coitado do juiz Januário que tanto se esforçou para nos condenar e agradar ao chefe. Coitada da procuradora que até teve de se disfarçar com uma peruca só porque tinha de agradar ao seu chefe. E conseguiram. Por isso voltamos. Mas eles são também tão criminosos quanto quem lhes manda. Mas não quero me alongar aqui.

Quero, sim, agradecer todos aqueles que gritaram alto "Liberdade Já". Muito obrigado!

Regressamos às cadeias consciente de que para os povos serem libertados e usufruirem a sua liberdade é necessário estarmos dispostos a enfrentar o ditador e a ditadura, o corrupto e a corrupção, nem que tenhamos como consequências o que estamos a viver agora. A história dos povos desenvolvidos está recheada de pessoas como nós. É só pensarmos que muitos angolanos foram presos para libertar Angola do colonialismo. Agora é o momento de sermos presos para libertar Angola da DITADURA.


Ao terminar, encorajo as angolanas e angolanos a ir à busca da LIBERDADE. Esta não será dada mas conquistada. Lembremo-nos sempre que a SOBERANIA pertence ao POVO. Mostremos que somos donos da SOBERANIA!


OBRIGADO PELO APOIO!

Angobarómetro: Realização e divulgação de diferentes estudos de Sondagem e de Opinião

Luanda - Com intuito de continuar a velar pela pluralidade de opiniões, contribuindo desta maneira para o fortalecimento do processo de democratização em Angola, o CK – um dos espaços virtuais de informação mais visitados por angolanos e não só, dentro e fora do país – foi escolhido para ser o meio de realização e divulgação de diferentes estudos de Sondagem e de Opinião, a ter início brevemente.

Fonte: Angobarometro

Assim sendo, vimos por este meio informar aos nossos internautas, instituíções públicas, privadas e público no geral, que a Rubrica ANGO­BARÓMETRO, terá o suporte cientifico e coordenação de especialistas angolanos residentes em Angola, formados nas áreas de ciências sociais. Esse novo instrumento de análise terá como base numa primeira fase, questionários “on‐line”, para posteriormente evoluir para entrevistas empíricas no país – caso a legislação o permita.

 

Os nossos parceiros e potenciais clientes poderão ser empresas comerciais, partidos políticos, organizações sociais, órgãos de comunicação social, centros de estudo e de pesquisa, e outras afins.

 

Para garantir a seriedade, representatividade bem como a idoneidadedos resultados das diferentes Sondagens de âmbito político, económico, social e cultural a serem levadas a cabo, serão usadas normas e padrões de qualidade e de controlo universais.

 

A sondagem será lançada numa primeira fase, respeitando a periodicidade trimestral e será encerrada depois de duas semanas, permitindo assim a análise e a interpretação dos resultados apurados.

 

Contamos desde já com a colaboração de todos!

 

A equipa ANGO­BARÓMETRO

Preso político responsabiliza Ministro do Interior pela degradação do seu estado de saúde

Nota de Responsabilização

Luanda - Nuno Álvaro Dala, professor universitário e investigador, réu do Processo 0148/15-A, em prisão domiciliária ilegal e inconstitucional,  Sirvo-me da presente Nota de Responsabilização e simultaneamente de Imprensa, para expor e deixar patente que:

Fonte: Club-k.net

1- Considerando o facto de que ao longo da prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Kakila e Hospital Prisão de São Paulo, por força das condições carcerárias desumanas, contraí várias patologias, a saber, infecção urinária, infecção sanguínea, gastrite, degradação da visão e outras doenças não identificadas até hoje, cujos sintomas me afligem sistematicamente,

 

2- Considerando o facto de que o Serviço de Investigação Criminal (SIC), os Serviços Prisionais e o Tribunal Provincial de Luanda - 14a Secção, insistem em não devolver a minha documentação pessoal (bilhete de identidade, cartõs de crédito, folhas de código etc.) e o meu dinheiro (38.000,00 Kz, que se encontravam na minha mochila no dia da detenção), impossibilitando-me de aceder às minhas contas contas bancárias,

 

3- Considerando que continuo doente e dependente dos falidos serviços públicos das autoridades carcerárias, não tendo eu alternativa,

 

4- Considerando que continuo sem conhecer os resultados de uma dezena de exames médicos (glicemia, creatinina, TGO, TGP, GGT, fosfase alcalina, exame citoquímico [LCR, LA, LP, LPC, LS ] etc.), feitos no Hospital Militar Principal (HMP), que as autoridades insistem em não revelar, RESPONSABILIZO PELO MEU ESTADO SANITÁRIO ACTUAL os senhores António Fortunato (Director Geral dos Serviços Prisionais), o Director do SIC, Januário Domingos (juiz da 14a Secção do Tribunal Provincial de Luanda), Ângelo da Veiga Tavares (ministro do Interior) e José Eduardo dos Santos (Presidente da República, Engenheiro e Arquitecto da má governação, do saque e da fome dos Angolanos),

Caso minha situação de saúde não seja resolvida pelas autoridades e me ocorram fatalidades decorrentes das patologias de que padeço, responsabilizo os senhores supramencionados.

Enquanto isto, mantenho minha posição de BOICOTE AO JULGAMENTO. Não irei a todas as próximas sessões de julgamento, que é, aliás, uma mentira e um lembrete triste de como este país está transformado numa anedota civilizacional.

Ao terminar, deixo claro e reitero que a cadeia, suas sevícias e o discurso dos angolanos cúmplices da ditadura do demónio José Eduardo dos Santos, NÃO DESTRUÍRAM MEUS VALORES, PRINCÍPIOS E CONVICÇÕES DE LUTA PARA QUE ANGOLA SEJA DEVOLVIDA AOS ANGOLANOS.

Subscrevo-me

Nuno Álvaro Dala

Luanda, 5 de Março de 2016

Africa do Sul Dá-Nos Mais Uma Lição de Justiça - Carlos Kandanda

Luanda  - No dia 31 de Março de 2016 o Tribunal Constitucional da Africa do Sul, numa sessão pública, condenou Presidente Jacob Zuma por desvios de fundos públicos que destinou a construção de uma vasta residência familiar, como um «resort turístico», com piscinas, no valor de mais de 16 milhões de dólares norte americanos. Obrigando o Presidente da Africa do Sul devolver esta quantia ao Cofre do Estado, no prazo de 45 dias úteis. Em seguida, sem esperar, o Presidente Jacob Zuma, deslocou-se ao Parlamento, de forma humilde e patriótica, pedir publicamente desculpas ao Povo Sul-africano, em nome próprio e em nome do governo; afirmando, sem equívoco, proceder-se em conformidade com o ACORDÃO do Tribunal Constitucional.

Fonte: Club-k.net

O Partido ANC (African National Congress), por sua vez, reunia-se de imediato, e convocou logo a Conferência de Imprensa, bem concorrida, para emitir sua opinião do sucedido, conformando-se igualmente com a Sentença do Tribunal Constitucional. Que Maravilha! De facto, é uma maravilha, por esta postura ser bastante estranha ao comportamento dos dirigentes africanos. Logo, o que sucedeu na Africa do Sul é notável e apreciável; num país que se libertou do apartheid, e que conseguiu unir as diversas comunidades étnicas e raciais, que no passado recente eram desavindas, onde reinava a superioridade da comunidade branca e na qual a mistura de sangue entre as diferentes raças do país era totalmente inadmissível e proibida por lei do Estado de Apartheid.

 

Nelson Mandela, Madiba, como era chamado carinhosamente, ficou encarcerado na Ilha de Roben, no Oceano Atlântico, durante três décadas, onde lutou titanicamente para libertar a Africa do Sul do sistema de segregação racial; saindo lá triunfalmente, unido a sociedade sul-africana, incutindo nela a cultura de fraternidade e de amor profundo entre as diferentes comunidades étnicas e raciais do País.

 

Imbuindo, desta forma, da consciência patriótica, de servir o povo, e de erguer uma sociedade livre e solidária; um Estado verdadeiramente social, democrático e de direito; em que reina a dignidade, a justiça e a igualdade perante a lei. Impregnado pelo espirito profundo de boa governação, de responsabilidade (accountability) e da distribuição equitativa da riqueza do país; combatendo firmemente a corrupção, o enriquecimento ilícito, o nepotismo e os desvios de fundos públicos.

 

Interessa-nos, de facto, prestar maior atenção à cultura de liberdade, de igualdade, de legalidade, de responsabilidade, de patriotismo, de justiça social e da democracia, que está sendo forjada e imprimida gradualmente, com rigor, na Africa do Sul. Não obstante, as desigualdades sociais que ainda prevalecem nas comunidades negras; bem como os focos de racismo e de xenofobia que se manifestam nalguns sectores da sociedade sul-africana.

 

Todavia, o factor determinante, nesta questão específica, que assegura o Poder Judicial Sul-africano, é a qualidade das suas instituições públicas e estatais, livres da partidarização quaisquer ou da personalização pelo Poder Executivo, como acontece em muitos países africanos, com maior realce, em Angola.

 

Nota-se, nos nossos países, a partidarização crescente da Justiça, da função pública, dos órgãos da comunicação social pública, das forças armadas, da polícia, dos serviços de segurança e de inteligência, que não cumprem escrupulosamente as suas responsabilidades e as suas competências, bem consagradas na Constituição da República. Pelo contrário, servem os interesses de um grupinho de pessoas, intitulando-se de poder soberano, que servem-se a si próprios, colocando-se acima da lei, e oprimindo os cidadãos, que padecem na penúria.

 

De acordo com o ilustre, Deputado Ernesto Joaquim Mulato, no seu comentário, no meu mural do Facebook, sobre esta matéria, disse o seguinte. Isso está na lógica do Frederic Bastiat, que tivera afirmado assim:

 

«Quando o saque torna-se um modo de vida para um grupo de homens, eles criam para si próprios, no decorrer do tempo, um sistema jurídico que o autoriza, sendo um código moral que o glorifica». Fim de citação.

 

Já por várias vezes tivera feito alusão ao monopólio económico, que apodera-se de todos sectores vitais da economia do país, que viabiliza a hegemonia politica, que sustenta a centralização e a concentração de todos poderes público e estatal numa pessoa, na lógica do extracto acima referido, do Frederic Bastiat. Quando se atinge este nível da concentração do poder político e da acumulação e centralização da riqueza do país num grupo de pessoas, instala-se a ditadura mais corrupta e selvagem, que leva as instituições do Estado à decadência e à depreciação de valores, que mergulham-se no descredito generalizado.

 

Nestas circunstâncias, o Poder Judicial perde a integridade e a rectidão. Enquanto, os Magistrados e os Advogados transformam-se em simples marionetas do Poder Politico. O saque e a pilhagem tomam conta do país, que deixam os Cofres do Estado delapidados, com consequências desastrosas sobre o sector social. Nesta condição, o poder politico não só perde a responsabilidade, mas sobretudo, torna-se insensível e agressivo.

 

Se observar bem, o cenário que se desenrola em Angola, corresponde à esta realidade. Um encadeamento de acontecimentos, desde de massacres do Monte Sumi, na Província do Huambo, e de detenções e perseguições de Crentes da Igreja do 7º Dia – Luz do Mundo; à prisão de Jovens Revús; aos julgamentos sumários dos mesmos e dos Cristãos da Igreja acima referida; aos saques sistemáticos dos bancos e do erário publico; ao empobrecimento contínuo da sociedade; à falta do sistema adequado e eficaz de saúde; à acumulação de lixos em todas cidades do país; e finalmente, ao surto generalizado de malaria aguda, de febres amarela e de doenças diarreicas, que ceifam diariamente centenas de milhares de vidas dos Angolanos – em absoluto silêncio. Sem capacidades efectivas e eficazes de estancá-las ou superá-las.

 

Estamos diante um dilema em que as instituições politicas, isto é, o governo, o parlamento e os partidos políticos, estão gradualmente a perder a credibilidade diante os cidadãos, sobretudo no seio da Juventude. Este cenário, é indesejável e é perigoso porque é capaz de inviabilizar o sistema político vigente e obrigar as forças vivas da sociedade tomar medidas extremas, que pode mergulhar o país no cãos. A CASA-CE, liderada por um jovem político erudito e carismático, Abel Epalanga Chivukuvuku, tem vindo a defender insistentemente uma política responsável, que conduza o país à uma mudança positiva, pacifica, ordeira e sustentável.

 

Infelizmente, nas circunstâncias actuais, esta visão, de um génio politico, pode ser ultrapassada pelos acontecimentos, de uma avalanche, da radicalização da Juventude, capaz de mergulhar todos e tudo nas trevas, dos ventos malignos que sopram actualmente pelo Mundo. O Partido no Poder, MPLA, deve aperceber bem esta realidade inequívoca, da necessidade de fazer maior abertura democrática na nossa sociedade, capaz de restituir não só a credibilidade das instituições politicas, públicas e estatais, mas que dignifique o angolano, liberte a consciência do homem e promova o bem-estar social, moral e espiritual de toda gente.

 

O Mundo de hoje é complexo e vivemos numa aldeia global, onde o entrosamento e a interacção é dinâmica e inevitável. A ordem internacional, assente no multilateralismo e nos valores da dignidade humana, limita a soberania do Estados Membros das Nações Unidas. Nenhum país é impune, que deve oprimir o seu povo sob o pretexto da «soberania» ou de «não ingerência» nos assuntos internos de um Estado soberano. A verdade é que, no Mundo de hoje, o que acontecer num país, afecta igualmente outros países do globo, de uma forma directa ou indirecta.

 

Quando tivemos a guerra-civil cá no país, por exemplo, os angolanos refugiaram-se, em massa, nos países vizinhos, na Europa e noutras partes do Mundo. Quem assumia os custos do sustento e da manutenção dos nossos cidadãos? Acima disso, os Direitos Fundamentais do Homem são universais e estão sendo defendidos universalmente e colectivamente, através do Direito Internacional, sob os auspícios das Nações Unidas, na qual Angola é membro do pleno direito. Por isso, ninguém deve dar-se ao luxo de oprimir os seus cidadãos, ao seu belo prazer, só por ser um Estado Soberano. A Era das Ditaduras da Idade Média acabou.

 

Acima disso, o MPLA esquece que, se fosse nesta base, do princípio de «soberania» e de «não ingerência», Angola não teria intervindo, com homens e armamentos pesados, no Zaire, no Congo Brazzaville e no Cote d´Ivoire. Esses Países Africanos são Estados Soberanos, nunca foram vassalos de Angola, para que tivéssemos o direito de lá intervir, conforme fizemos, sem o conhecimento e sem a caução explícita ou implícita da Assembleia Nacional. Esta postura do MPLA, não somente é um paradoxo, mas sim, uma prepotência política, que não coaduna com a realidade do mundo civilizado, da época contemporânea.

 

Só que, a verdade é a seguinte: A estratégia, assumida pelo MPLA, que consistia na expansão regional, para transformar Angola numa Potência da Africa Subsaariana, falhou redondamente. A diplomacia económica, assente no petróleo, com fim de desvirtuar a realidade interna de Angola, entrara em colapso. Os lobbies petrolíferos, das multinacionais, que manipulavam a opinião da comunidade internacional, a favor do regime do MPLA, retiraram-se silenciosamente deste compromisso e têm estado a perspectivar-se aos novos horizontes. A credibilidade do governo angolano, dentro e fora do país, está de rastos. A pouco, falava-se da diplomacia militar, mas sem recursos financeiros adequados para sustentá-la.

 

Este é o contexto real que o país vive, que deve despertar as nossas consciências, como uma Nação multiétnica, multirracial e multicultural. Ao passo que, Africa do Sul lidera o Continente Africano, em termos económico, comercial, tecnológico, cientifico, know-how, cultural e na prestação de serviços. Possui, neste respeito, os melhores estabelecimentos e serviços de saúde desta Região, a Sul de Sahara. Sendo, igualmente, parte integrante das economias emergentes (Brasil, Rússia, India, China e South Africa), os BRICS.

Luanda, 04 de Abril de 2016 

INAGBE deixa bolseiros na Rússia sem subsidios há 7 meses

Moscovo - Nós bolseiros do INAGBE, residentes na Federação Russa, viemos por este meio denunciar aos órgãos de comunicação social, os comportamentos inadmissíveis e repugnáveis por parte da Direcção do INAGBE, uma vez que a mesma já há 7 meses não tem cumprido com os suas obrigações relativamente ao pagamento do subsídio de bolsa e pagamento das universidades, alegando a falta de divisas.

Fonte: Club-k.net

Sendo esta a alegada causa do não pagamento dos subsídios de bolsa e pagamento das universidades, é com muito desânimo que temos conhecimento de que bolseiros de outras instituições do Estado têm os seus subsídios regularizados, tais como:

 

Sonangol, Forças Armadas, Policia, e outros.

 

Desde Agosto de 2015 que o INAGBE tem se furtado a fazer o pagamento dos mesmos. Conforme a situação vem caminhando de mal a pior, de tal forma que as nossas dificuldades tendem aumentar dia após dia, pois temos vivenciado situações alarmantes, tais como: fome, falta de dinheiro para pagar os transportes públicos para nos deslocarmos as universidades, pagamento dos residenciais, seguro de saúde e visto de estudante.

 

Uma vez que Angola se encontra com problema de divisas (dólares) resultando na dificuldade de transferências bancárias para o estrangeiro por parte dos nossos familiares, e se esses tivessem condições de nos enviar dinheiro todos os meses não teríamos necessidades de concorrer a uma bolsa de estudo.

 

É responsabilidade do Estado cumprir com as suas obrigações e assim procurar politicas e mecanismos para resolução dos seus problemas de gestão, e ainda fazendo jus ao artigo 21 da Constituição da república de Angola alínea C que claramente atribui ao Estado a responsabilidade de criar progressivamente as condições necessárias para tornar efectivos os direitos económicos, sociais e culturais dos seus cidadãos.

 

Antes da nossa vinda a comunicação social, tentamos resolver este problema de forma interna, para o efeito contactamos a Direcção do INAGBE que por e simplesmente não nos levou a sério. Por isso viemos até vós para que se tente fazer alguma coisa em prol dos estudantes bolseiros não só na Rússia bem como também no mundo todo.

 

Agradecemos a vossa inteira disposição, e aguardamos impacientemente por uma resposta da vossa parte.

Apresentamos-­vos os nossos cordiais cumprimentos, e a promessa de tudo fazer em prol de uma Angola melhor fundamentada nos princípios da igualdade.

Federação Russa, 3 de Março de 2016.

Direito de resposta e de retificação de Vincent Miclet

Lisboa – No seguimento  do artigo intitulado “sócio francês intenta contra general Dino”, o cidadão Vicente Miclet, uma das partes mencionadas fez chegar a redação do Club-K, o seu direito de resposta e de retificação cuja integra é publicada.

Fonte: Club-k.net

Assunto: MR_VINCENT_MICLET- Direito de Resposta e de Rectificação ao artigo "Sócio francês intenta contra general "Dino"

Excelentíssimo Senhor Editor do Sítio do Club-K,

Melhores cumprimentos.

Na sequência de solicitação do Sr. Vincent Miclet, serve o presente para remeter a Vossa Excelência informação que constitui o direito de resposta e de rectificação, subscrito pelo próprio (Sr. Vincent Miclet), ao artigo divulgado no sítio “Club–K.net”, no pretérito dia 25 de Fevereiro, "Sócio francês intenta contra general "Dino"".

Ciente de que Vossa Excelência, na qualidade de Editor do sítio em questão, domina profissional e amplamente as normas que norteiam o exercício da liberdade de imprensa, solicita-se que, conforme determinado pela legislação vigente (face aos bens jurídicos tutelados) e princípios em apreço, se proceda com a celeridade devida à publicação da Resposta e Rectificação.

Com os melhores cumprimentos.

 

 

 

 

 

 

Denúncia do preso político Nuno Álvaro Dala

Luanda - No dia 20 de janeiro do ano em curso, acordei com fortes dores em todo corpo. Comuniquei a situação ao reeducador (?), o qual empreendeu diligências no sentido de que eu fosse levado ao hospital. Entrementes, o meu estado de saúde piorava. A solicitação de viatura dos Serviços Prisionais foi feita às 9h00, mas foi apenas às 16h00 que uma viatura foi disponibilizada, sendo que cheguei ao Hospital Prisão de são Paulo às 16h45. Por incrível que pareça, não havia médico de serviço. Depois de uma espera de 30 minutos, fui recebido por uma equipa de enfermeiros, que – fazendo trabalho que é apenas da competência de um médico –, atenderam à consulta, sendo que, minutos depois, fui submetido a exames de sangue e urina. Nesta altura, a elevada febre, as terríveis dores de cabeça e as dores agudas em todas as articulações deixavam-me cada vez mais desesperado. Às 19h30 chegou o diagnóstico: eu não tinha nada, não estava doente!

Fonte: CentralAngola

Pressionados pela minha insistência em ser observado por um médico, as enfermeiras providenciaram que eu fosse levado ao Hospital Militar Principal, onde já tinha um processo sob número 527730. É pertinente apontar aqui o facto de que é incompreensível que num momento de grande aflição e desespero eu tenha sido levado a uma instituição disfuncional onde reina a desorganização e a incompetência como é o Hospital Prisão São Paulo. Por que será que fui levado a este estabelecimento falido?

Tendo chegado ao Hospital Militar, fui conduzido à triagem, onde – apesar da evidente situação de aflição – fui remetido à sala de espera. Como se eu não precisasse de ser atendido urgentemente. Inconformado, solicitei à funcionária da triagem para que eu fosse atendido com urgência.

– “Não posso fazer nada”.

Foi a resposta da funcionária (surpreendente é facto de que nos outros dias, digo, nos dias em que o meu caso era leve, nunca jamais puseram-me na sala de espera. O atendimento sempre foi célere). Como se não bastasse, o reeducador (?) ausentou-se (!) para tratar de assuntos pessoais. Aborrecidíssimo, abandonei a sala de espera e pedi terminantemente que me levassem de regresso à casa.

Cheguei em casa com um aflitivo quadro de febre altíssima, dores de cabeça horríveis e em todo o corpo. Por volta das 23h40, a minha situação piorou – estava a beira da morte. Depois de ter vomitado inúmeras vezes, caí no chão, totalmente à deriva. A minha família estava já em situação de quase-óbito. Os agentes da Polícia em serviço fizeram todas as diligências de comunicação por rádio. Em vão. Não houve resposta, nem dos Serviços Prisionais, muito menos da corporação. As 00h00, com recurso aos telemóveis (serviço “saldo das zero”), fizeram várias ligações a vários responsáveis dos Serviços Prisionais. Todos se recusaram a agir excepto o director, que providenciou viatura e escolta. Esta chegou uma hora depois.

Uma vez no Hospital Militar (de novo), o pessoal fingiu que nada sabia da situação anterior ao passo que não conseguia disfarçar a falta de humanismo que grassa também aí.

Enfermeiras e médicas puseram-se a xingar proferindo impropérios graves, que não se espera de gente que supostamente estudou medicina e fez o juramento de Hipócrates, que por gentiliza reproduzo aqui:

“Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens;

“Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

“Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

“Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

“Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

“Aquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

“Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

Depois de ouvir os seus xingamentos, em resposta perguntei apenas se eu seria atendido ou não e que não me maçassem com os seus xingamentos.

Então, fui atendido por uma médica (escapa-me o nome e não me lembro se ela também terá feito parte da “equipa de xingamentos”). Depois de ter-me observado meticulosamente, recomendou vários exames, cujos resultados saíram hora e meia depois. O diagnóstico foi o mesmo: negativo. Mas a médica tratou de passar uma receita de analgésicos acompanhada de recomendações. Cumpri-a integralmente.

Antes de terminar este relato/denúncia, considero pertinente esboçar aqui o facto de que, durante os 6 (seis) meses de prisão preventiva em Kakila e no hospital Prisão de São Paulo, contraí diversas doenças, a maioria das quais inéditas, ou seja, nunca as tivera antes. Infelizmente, a desorganização dos Serviços Prisionais é crónica. No dia 10 de fevereiro, por conta do atraso da área de transporte, perdi a consulta de gastro. Alegadamente, não há carros suficientes, daí que tive de seguir na mesma viatura que levava os companheiros ao tribunal. Da recolha à chegada ao tribunal são normalmente 3 a 4 horas de tempo. Neste dia chegamos ao tribunal as 12h00 e a consulta estava marcada para o período da manhã, para não dizer que o tribunal é no Benfica e o hospital nas Ingombotas.

Deve ficar claro: os Serviços Prisionais têm sido extremamente desorganizados e incompetentes em gerir as questões de saúde do âmbito da prisão domiciliaria.

Neste momento padeço de cárie dentária, mas por causa da doentia burocracia e desorganização, não vislumbro o dia em que serei observado e tratado na especialidade de estomatologia. Recorrer a clínicas privadas? – Sim, mas tal só seria possível se eu tivesse o (meu) dinheiro, ao qual não posso aceder por toda a minha documentação estar até hoje apreendida no SIC (Serviço de Investigação Criminal).

Ao regime perverso de José Eduardo dos Santos interessa que cheguemos ao ponto de esgotamento através das manobras de prolongamento do processo como por meio da exploração e manutenção de mau serviço quando em necessidade de tratamento médico.

Está, porém, visto que esperar-se que cheguemos ao esgotamento é como estar no aeroporto à espera do comboio. Não se destrói a força perene de um povo que enseja a aurora de uma Angola de todos e para todos.

 

Subscrevo-me

Nuno Álvaro Dala

Aos 11/02/2016

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