Cultura

Escritor angolano Ras Nguimba Angola lança terceira obra

Luanda -   Terá lugar no próximo dia 17 de Dezembro no hotel Skyna ás 17 horas, o lançamento oficial da obra literária do escritor angolano Isalino Nguimba da Cruz Augusto, pseudónimo ( Ras Nguimba Ngola) intitulada Pegadas Íntimas.

Fonte: Club-k.net

O escritor nasceu a 27 de Dezembro de 1976, nos Dembos é Membro do Movimento Lev ́Arte, da Brigada Jovem de Literatura de Angola-BJLA, do Clube Nacional de Poetas e Trovadores, da AMORA – Associação do Movimento da Ordem Rastafari em Angola.

Estudou Gestão de Empresas na Universidade Gregório Semedo, frequentou o segundo ano do curso Superior de Sociologia no Instituto Superior de Ciências Sociais e Internacionais CIS. Interessado em religião estudou a distância o curso de Filosofia da Religião.

Percurso

Na idade dos 7 anos começa a ler um catecismo católico em kimbundu na igreja de Paredes (Kimbinga-Dembos). Sofre influências do pai para o gosto de ler.

1987- Refugiado de guerra, perde o livro de Ernest Hemingway “O velho e o mar” oferta de seu pai, para sua tristeza e desolação.

1989 – Participa de um concurso inter-escolar no programa televisivo “Quem sabe sabe” da TPA enquanto aluno da 5a classe, destacado na disciplina de Língua Portuguesa na Escola do 2o Nível do Cazenga “Escola Grande”.

2002 – Sendo ouvinte assíduo de rádio, é na Rádio Ecclesia que começa a recitar poesia de escritores consagrados e textos que produzia no programa “Algures na Noite”.

2005 – Começa o associativismo poético. Junta-se ao “Artes ao Vivo” programa de poesia aberta na altura no Celamar e Docas 8 à Ilha de Luanda. Conhece os mentores e participantes do evento, Lukeny Bamba Fortunato, Kardo Bestilo, Dilson de Sousa e Ângelo Reis. No mesmo ano numa actividade da Brigada Jovem de Literatura conhece os escritores John Bella, Kudijimbe, António Panguila, Kanguimbo Ananás e o jovem poeta Carlos Pedro.

2006 – É co-fundador do Movimento Lev ́Arte onde desenvolve a comunicação com o público na apresentação de eventos artístico-poético. Torna-se o primeiro apresentador da Mesa Bicuda, rubrica em que um convidado, geralmente do mundo das letras, fala da sua tragetória e deixa conselhos para jovens amantes das artes. Dedica-se desde então nas várias actividades do movimento e desenvolve a arte de escrever.

2009 – Em Março é convidado a colaborar no programa Tchilar para animar a rubrica “Sugestões de Leitura” em que leva dois livros literários e didácticos destacando autores da literatura angolana. No mesmo ano em Julho edita seu primeiro livro de poesia “Mátria”.

2011 – Convidado a colaborar no Cultura – Jornal de artes e letras angolana.

2012 – Muda o pseudónimo Nguimba Ngola e adota Ras Nguimba Ngola ao ingressar a Comunidade Rasta.

Obra Poética Publicada:

Ras Nguimba Ngola tem poemas e textos publicados no extinto semanário A Palavra, no livro Controverso de Kardo Bestilo, no suplemento Vida Cultural do Jornal de Angola, no semanário Folha 8 e no Cultura, jornal de Letras e Artes.

Editou

Mátria, Luanda: Arte Viva, Edições e Eventos Culturais, 2009. E lá fora os cães – Novela – Grecima 2014

Pegadas Íntimas – Poesia – TM Editora 2015

 

Para mais informações contacte Manuela Costa por meio dos seguintes contactos: 936727137 / 916523279 ou através do E-mail Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

Morreu a kudurista “Própria Lixa”

Luanda – Faleceu nesta segunda-feira, 19, por voltas das 15 horas, no hospital Américo Boavida, em Luanda, a kudurista angolana “Própria Lixa”, cujo nome verdadeiro é Estela Irene Fraio Lima, vítima de tuberculoso ósseas, uma doença causada pelo bacilo de Koch.

Fonte: Club-k.net
Enquanto kudurista, “Própria Lixa”, de 30 anos de idade, gravou dois discos durante a sua curta carreira intitulados “Babula é dela” e “Tremura”. Entre as músicas mais conhecidas estão “Sabaló”, “Dança do Zongoló” e “Udam”.

“Própria Lixa” participou em muitos espectáculos, esteve nos mesmos palcos com artistas conceituados do panorama musical angolano, nomeadamente Anselmo Ralph, Big Nelo, Noite e Dia, entre outros. 

A kudurista começou no mundo da dança tradicional, com o grupo Muenhu Yetu, onde também conheceu outras meninas do mundo do Kuduro, como é o caso da cantora Fofando.

A malograda estava a trabalhar para o próximo álbum que estaria pronto em 2016, segundo a mesma em uma entrevista no Programa Big Show . A doença a impediu que desse continuidade ao que gostava de fazer.

Sabe-se que a mesma participou recentemente num novo projecto musical denominado “Divas do Kuduro Vol.2”, ao lado de Noite e Dia, Fofandó e Titica. A malograda deixa um filho menor de idade.

Casa do Zouk homenageia Fernando Santos "Aiaia" e Patrick Saint Loi "PSE"

Luanda – Os músicos Fernando Santos "Aiaia" (Angola) e Patrick Saint Loi (Guadalupe) serão homenageados neste domingo, 4 de Outubro, pela Casa do Zouk, localizada na zona verde da comuna do Benfica, em Luanda.

Fonte: Club-k.net
De acordo com fonte ligada a organização, a cerimónia de homenagem aos dois músicos, cujo o início está marcado para as 14 horas, contará com a presença de familiares, amigos e antigos colegas de profissão de Fernando Santos "Aiaia", bem como vários seguidores de Patrick Saint Loi.

Fernando Santos "Aiaia" faleceu em Luanda, no dia 5 de Janeiro de 2011, vítima de doença, quando tinha 49 anos de idade. No domingo próximo, 4 de Outubro, será feita a primeira homenagem pública ao músico após a sua morte.

Natural de Benguela, Fernando José Faria dos Santos “Aiaia” teve na sua trajectória artística de mais de 20 anos de carreira dez álbuns, entre os quais “Dá-lhe com jingunzu”, “Esperança”, “Sempre”, “Perfumes”, “Irresistível”, “Afoga-me”, “Aiaia 10 anos” e “Grandes sucessos”.

Muito conhecido em Portugal, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Moçambique pelo sucesso das suas músicas, o músico residiu cerca de 30 anos em Portugal, mas em 2010 regressou definitivamente ao país.

Fernando Santos, autor de vários sucessos como “Beija Amor”, “Pretinha”, “Foi Levada”, “Quero Te Sentir”, “Rosa”, “Africana”, “Manazezinha” e “Dizem que Sou”.

Fernando Santos “Aiaia”, que era casado e pai de três filhos, tinha como preferência nos seus trabalhos artistas e intérpretes angolanos, nomeadamente Nelo Paím, Maya Cool, Betinho Feijó e Ruca Fançony.

Para além da música, era profissional de rádio no Seixal, arredores de Lisboa, onde animava um programa virado para a comunidade africana. Chegou ainda a colaborar na rádio Luanda Antena Comercial (LAC).

Por seu turno, Patrick Saint Loi, nasceu em Guadaluep, no dia 20 de Outubro de 1958 e faleceu aos 18 de Setembro de 2010, vítima de doença. Foi um dos maiores expoentes do zouk, tendo integrando o grupo Kassav por vários anos onde foi levado pelo baixista George Decimus.

Patrick Saint-Éloi, é autor de várias músicas de sucesso no mundo do zouk, tais como "Flashe", "Mamam Creole", "Zouké", "Filé Zetwal", entre outras.

"Casa do Zouk" engrandece imagem do país nas Antilhas

Guadalupe – Angola passa agora a ser mais conhecida nas Antilhas francesas (Guadalupe, Martinica, Guiana), pelo contributo e o acervo bibliográfico existente na Casa do Zouk.

Fonte: Club-k.net
A constatação é da directora da Cultura e de Formação Artística de Guadalupe, Nina Gélabale, durante um encontro mantido esta semana em Guadalupe com membros da Casa do Zouk de Angola.

Nina Gélabale convidou para um encontro no seu gabinete os membros da Casa do Zouk, entre eles: Luís Paulo, Mário Santos, Mateus Adão (Angola) e Eddy Compper (Guadalupe) para agradecer o contributo da Casa na divulgação da história, da arte e cultura afro-caribenha.

"Todos os antilhanos estão orgulhosos de Angola por ser o primeiro e único país a ter uma Casa do Zouk, como um espaço-museu, e ao mesmo tempo, uma biblioteca deste tipo de arte", afirmou Nina Gélabale.

A Casa do Zouk de Angola foi inaugurada em Luanda em Junho de 2012 numa concorrida cerimónia que contou com o testemunho de autoridades angolanas, bem como de Pierre Edouard Decimus, criador do zouk e do grupo Kassav, Jacob Desvarieux, guitarrista e director artítisco do Kassav, Luc Leandry, pianista, baixista e guitarrista, e Eddy Compper, produtor e promotor musical antilhano.

O espaço Casa do Zouk de Angola é o único no mundo considerado como o museu deste estilo onde se podem consultar materiais como discos do tipo vinil, cassetes, cds, entre outros objectos artísticos, com músicas de originais gravadas desde os anos 1950.

 

Escritores queixam-se de terem uma associação tremida

Luanda - É com alguma insatisfação que os membros da União dos Escritores Angolanos olham para uma das mais antigas associações culturais do país. Falta de solidariedade e de clareza lideram as queixas, que o secretário-geral desdramatiza, argumentando que há quem critique por “desconhecimento” e por “falta de participação”.

                    A união nem sempre faz a força


Fonte: NG
UEA.jpg - 140.64 KBAntónio Gonçalves, de 54 anos, foi secretário-geral da União dos Escritores (UEA) de 1995 a 2001, tendo sucedido, ao escritor e deputado João Melo. Daquele tempo, apesar de reconhecer o “défice” na publicação de livros devido à “falta de valores próprios”, este escritor realça a dimensão que se dava às ‘Makas a quarta-feira” com temas “polémicos” que “movimentavam o interesse nacional”, além da “grande relação” que a UEA tinha com os bairros, através das conferências.

“Havia um intercâmbio maior entre a União e as comunidades”, garante o autor de ‘Sobre asas e fios de rosa’, que não deixa de sublinhar o “espírito de unidade” entre os membros bem como a vinda a Angola de estudiosos de renome como o americano Russell Hamilton e o francês Michel Laban, falecido em 2008.

Embora admita ser “pouco confortável” falar do momento actual da União por ter liderado a lista que concorreu e foi derrotada nas últimas eleições daquela associação, António Gonçalves entende que tem faltado “alguma intervenção social”, sendo a UEA uma instituição que “podia debater assuntos pertinentes”, antes mesmo de serem levados à Assembleia Nacional. “Devia ser mais activa e estar à frente das grandes preocupações da Nação. Tem de ser solidária face às desgraças e os problemas que os angolanos enfrentam”.

O actual secretário-geral da UEA lembra que as associações, nos termos da legislação actual, são órgãos que apenas “complementam” as acções do Estado e que, como tal, a União “não deve fugir do seu âmbito”. Carmo Neto apela a que “não se faça confusão” sobre o papel cultural da associação que dirige, que, de acordo com os estatutos, “não pode fazer política”. “A essência da União é a promoção e divulgação da literatura e, por conseguinte, da cultura angolana”, sublinha Carmo Neto, que não tem dúvidas de que estes objectivos “têm sido alcançados”.

O actual líder da UEA justifica-se com o facto de os escritores angolanos serem estudados no mundo inteiro, além da possibilidade de haver, ainda este ano, aulas sobre Literatura Angolana na Universidade de Roma, onde se institucionalizou a cátedra ‘Agostinho Neto’, “graças ao desempenho” do seu elenco.

Ainda em 2015, prevê realizar uma ‘Mesa internacional sobre Literatura Angolana’ em Roma, Itália, e um ‘Encontro nacional dos escritores” em Angola, além de entregar “diversas antologias” – traduzidas em inglês, francês, espanhol, árabe, alemão, etc. – para o estudo comparado no Instituo de Literatura Universal, através da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. “Tudo isso eleva o bom nome e a imagem dos escritores angolanos”, reforça Carmo Neto.

A meio do segundo mandato, Carmo Neto, autor de ‘Meu réu de colarinho branco’, ‘Mahézu’ e outras obras, elege como ‘referência do seu reinado’ o aumento na edição de livros – uma média anual de mais de 40 obras –, a promoção externa da literatura que se faz em Angola, além da expansão em todas as províncias do concurso ‘Quem me dera ser Onda’ e do aumento de participantes no ‘Prémio Sonangol de Literatura’. “Há análises entusiastas. É preciso que sejamos frios”, apela, sem se preocupar que alguns elementos que fizeram parte do seu elenco se tenham oposto à sua reeleição. “Em contextos democráticos são atitudes que se devem respeitar”.

POUCOS KWANZAS

A UEA recebe mensalmente do Ministério da Cultura dois milhões e quinhentos mil kwanzas, valor que Carmo Neto considera “insuficiente”, visto que “somente a edição de um livro pode custar 10 por cento deste montante”. “Só com o que recebemos do Ministério, seria muito difícil… para a publicação de livros, contámos com o apoio de algumas empresas e das receitas que vêm dos patrimónios que temos arrendado”.

António Gonçalves, no entanto, desdramatiza a preocupação de Carmo Neto, adiantando que a Sonangol tem atribuído um valor à UEA para o uso exclusivo na edição de livros. “Eu negociei esta verba, através do então secretário-geral do MPLA, João Lourenço”, garante António Gonçalves, que não chegou a beneficiar deste acordo por ter sido nomeado conselheiro cultural da embaixada de Angola em Cuba. “Na altura, em 2001, eram 50 mil dólares, mas acredito que tenha aumentado com o tempo”.

“TRISTE”

Membro desde 2003, Kanguimbo Ananás olha para a União dos Escritores Angolanos “com muita tristeza” e considera que a actual direcção carece de algum “poder de congregação” e de “recolha de ideias”. “Não se trata de enviar mensagens, por telefone, no fim do ano a pedir que os membros mandem contribuições”, avisa. Antiga secretária para as actividades culturais, durante o mandato de Botelho de Vasconcelos, Kanguimbo Ananás entende que, actualmente, há “muito pouco diálogo” na associação e não percebe as razões por que a literatura infantil “não é reeditada”. “Porque é que a União ainda faz uma tiragem de mil cópias? Se há problemas, que se convoque os membros”, apela a autora do conto ‘O avó Sabalo’.

Apesar de elogiar o aumento na publicação, o escritor John Bella considera que a União “anda um pouco tremida” porque, “enquanto uns quase que nunca são apoiados, outros têm apoios de sobra”. “A bolsa de criação, por exemplo, até agora foi dada sempre à mesma pessoa”, lamenta John Bella, que denuncia também a “falta de solidariedade” entre os membros.

Carmo Neto, porém, entende que algumas queixas “são decorrentes do desconhecimento” do que tem acontecido na UEA. “Há colegas que nem sequer põem os pés na União. Nem sequer telefonam ao secretário-geral para saber como andámos ou expor uma pretensão que gostavam de ver transformada em realidade”.

Associação antiga

Proclamada a 10 de Dezembro de 1975, a União dos Escritores Angolanos (UEA) é uma instituição de utilidade publica que congrega actualmente cerca de 120 membros. Agostinho Neto foi o primeiro presidente da assembleia geral, enquanto o escritor Luandino Vieira o primeiro secretário-geral. Promover a defesa da cultura angolana como património da Nação, incentivar a criação literária dos seus membros, proporcionando-lhes condições favoráveis ao trabalho intelectual e à difusão das obras foram alguns dos objectivos que motivaram a sua criação. Para fazer parte dela, os candidatos têm de ter duas obras literárias publicadas que, por sua vez, são analisadas por ‘uma mesa de leitura’ cujos componentes (também membros da União) têm como grau mínimo de formação o mestrado em literatura.

Candidatura de Mbanza Kongo a Património Mundial foi Chumbada

Paris - A candidatura para a inscrição na lista de património mundial da UNESCO da cidade histórica de Mbanza Kongo, na província angolana do Zaire, em Angola, foi considerada incompleta, disseram à Lusa fontes da UNESCO em Paris.

Fonte: Lusa

Uma carta já teria sido endereçada à ministra da Cultura de Angola, há cerca de uma semana, apresentando as razões pelas quais o dossiê foi considerado incompleto pelo Centro do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

 

O Centro do Património Mundial da UNESCO não explicou à Lusa as razões da decisão que impedem que a candidatura seja examinada pelo Comité do Património Mundial em 2016, remetendo para as autoridades angolanas. A representação angolana na UNESCO escusou-se a comentar o assunto.

 

A entrega formal da candidatura da cidade histórica do norte de Angola tinha dado entrada no final do mês de Janeiro, sete anos depois de iniciado o processo.

 

O projecto "Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar" tinha como principal propósito a inscrição desta capital do antigo Reino do Congo, fundado no século XIII, na lista do património mundial da UNESCO.

 

Caso o dossiê tivesse sido aprovado, a UNESCO iria fazer deslocar uma equipa para comprovar no terreno os dados do documento.

 

O centro histórico de Mbanza Congo está classificado como património cultural nacional precisamente desde 10 de Junho de 2013, um pressuposto indispensável para a sua inscrição na lista de património mundial. Envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina e que se estende por seis corredores.

 

Inclui ruínas e espaços entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros.

 

Os trabalhos arqueológicos realizados no local envolveram a medição da fundação de pedras descobertas no local denominado de "Tadi dia Bukukua", supostamente o antigo palácio real.

 

Passaram igualmente pelo levantamento da missão católica, da casa do secretário do rei, do túmulo da Dona Mpolo (mãe do rei Dom Afonso I, enterrada com vida por desobediência às leis da corte) e do cemitério dos reis do antigo Reino do Congo.

 

Dividido em seis províncias que ocupavam parte das actuais República Democrática do Congo, República do Congo, Angola e Gabão, o Reino do Congo dispunha de 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências.

UNAP despeja artista

Luanda – O artista Paulo Kapela, dadas as condições precárias em que vivia nas instalações da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) e devido à venda de drogas que afluía àquele local, foi levado na semana passada para o lar de idosos, Beiral.

Fonte: NJ
Artista Kapela.jpg - 149.65 KBA história deste artista foi só o ponto de partida para focar uma problemática que atinge a maioria dos artistas e não só. Kapela é afinal, também o retrato de uma sociedade que vive, enquanto jovem, numa informalidade sem impostos e sem descontos e mais tarde se confronta com a precariedade e o abandono.

Segundo o secretário-geral da UNAP, António Tomás Ana, Etona, cerca de 80% dos artistas "estão mal" e cansados de viver à margem de um Governo que não os ouve nem se interessa pelo que fazem. "Somos órfãos, o Governo para nós não existe", diz.

"Aonde está o Estado? Tivemos o Fenacult, atendemos aos pedidos da senhora ministra, deslocámos artistas, obras, organizamos eventos, pintamos o mural do Rocha Pinto e até agora não houve qualquer pagamento pelos custos envolvidos ou pelos serviços prestados. Nem a ministra ou mesmo a 6ª Comissão de Educação, Cultura, Assuntos Religiosos e Comunicação Social visitaram a UNAP. Se não nos conhecem, como vão defender-nos", questiona Etona.

O secretário-geral considera que é importante que esta situação do Kapela venha a público para que as pessoas saibam o que está a acontecer. "Esta questão do Kapela é um problema da nação. O problema das artes em Angola não é individual, é geral", assegura.

"O Ministério da Cultura não responde a nada, não existe. Queremos uma plataforma de diálogo, a UNAP e a UNAC estão em situações paupérrimas. Queremos sentar e discutir a nossa condição, mas a ministra não nos ouve", denuncia o responsável, acrescentando que o orçamento para as associações foi reduzido e segundo avançou, vai sofrer uma nova redução.

"A UNAP é nacional. Já esteve em dez províncias: A ideia era chegar a todas, mas por via dos cortes financeiros, teve de ficar apenas pela capital", esclarece. Etona está ciente que a classe é vista como pedinte, desorganizada e ligada a "certos ambientes", mas assegura que tudo isto está a mudar.

"Estamos a fazer um esforço para nos organizarmos. Queremos criar espaços dignos para expor os nossos trabalhos. Somos solicitados por Veneza, New Jersey, Paris para estabelecer acordos, mas nós não temos condições para receber visitas", lamenta.

E alerta: "Enquanto tivermos uma lei tributária que não protege o mercado nacional, vamos ter empresários que vão comprar peças fora, encomendar serviços a outros países e vão continuar a desvalorizar o que temos no país".

Há um ano e seis meses à frente da UNAP, Etona esclarece que o problema do Kapela não é único. "Temos vários. Quando morre um artista temos de comprar o caixão, por vezes até pagar as exéquias. Ainda na semana passada tivemos de pagar os medicamentos para uma artista que se encontrava em dificuldades. Nós também temos problemas sociais", lembra.

"Alguns artistas fazem os seus descontos para segurança social e pagam impostos, estão enquadrados entre as profissões liberais, mas esse não é o quadro geral. A associação não dispunha de capacidade para controlar todos esses mecanismos, não estava organizada e só agora estamos a atingir um pouco de organização", explica, revelando que a seguir, o objectivo, é ganhar conhecimento nesta área.

"Vou participar num workshop do Ministério do Trabalho para aprender como será a gestão do nosso processo junto do Governo. Depois a ideia é trazer essa contribuição para os artistas", adianta.

Não ao dinheiro na mão

O NJ contactou o Ministério da Cultura e também a Direcção Provincial da Cultura de Luanda. A resposta do governo provincial foi imediata. Desconheciam que o artista Paulo Kapela estava agora no Lar Beiral. "Estamos tristes com o que aconteceu. É um angolano, é um irmão e estamos abertos para ajudar. A associação tem de participar esta ocorrência, lamentamos, mas nunca nos foi colocada esta situação", refere o director provincial da cultura, Manuel Sebastião.

A percepção que os departamentos públicos têm dos artistas em geral não é positiva. Em conversa informal com alguns responsáveis conclui-se que a maior parte dos artistas procura estes serviços para procurar apoio financeiro, sobretudo músicos. Existe inclusivamente, a ideia e que o Estado tem a obrigação e o dever de providenciar verbas para financiar, indiscriminadamente as actividades que estes artistas dizem que promovem.

Só no Governo Provincial de Luanda chegam entre 15 a 20 pedidos de apoio por mês. "O dinheiro tanto pode ser para comprar um carro, como para gravar um videoclip fora do país ou gravar um disco também no estrangeiro. Não pode haver uma política de entregar dinheiro. Por exemplo, os do teatro pedem menos, mas solicitam apoios para criar salas de espectáculo e isso é diferente", refere uma fonte do GPL.

Segundo a mesma fonte, "o apoio social passa por dar trabalho aos artistas (não se percebe porque o Angola Investe não contempla a cultura), exigir profissionalismo e o cumprimento dos regulamentos que já existem. Não faz sentido que o artista reclame quando a própria classe não se organiza para defender os seus interesses".

Não há amor na União

Nasceu em Maquela do Zombo, província do Uíge, há 67 anos. De lá partiu para o Congo Kinshasa e veio para Luanda com uma bagagem que lhe permitiu construir uma arte que já percorreu vários países africanos e europeus. O mestre Kapela, como é comummente conhecido, relembra os tempos áureos de convívio entre artistas, a criação da UNAP e como ajudou a formar alguns artistas.

O prémio CICIBA (Centro Internacional de Civilizações Bantu), a participação na bienal de Joburg em 1995 e a integração das suas obras em várias colecções. Refugiava-se há 21 anos nas instalações da associação. Sexta-feira, 24 de Outubro, Paulo Kapela foi levado por um grupo de polícias que entraram UNAP adentro.

O relato dos factos chega à redacção do NJ por intermédio de uma página criada com o nome do artista numa rede social. E acrescenta mais: O mestre Kapela seria levado dali para o lar de abrigo Beiral. Os gestores da página social, que não se quiseram identificar, informam que há dois cadeados que agora impedem a entrada.

O artista entretanto, confirma que foi levado sem nada daquele espaço que por mais de duas décadas foi o seu lar e ateliê. "Ficou lá tudo. As minhas obras, o material, documentos, roupas... Não trouxe nada comigo".

O mestre diz ter ficado atordoado com o aparato e da forma como foi levado dali. Sem aviso prévio, confirma o também artista Rasta Kongo que o visitava no Beiral. Paulo Kapela ganha a designação de mestre, porque segundo afirma, por ele passaram vários artistas que hoje se destacam entre muitos, Etona, o actual secretário-geral da UNAP. Que agora é apontado por estes dois artistas de ser o instigador da apreensão e expulsão.

Quase todos os secretários-gerais que passaram pela UNAP queriam aquele espaço para fazer restaurante ou bar e tirarem proveitos, mas a pressão do Etona foi muito maior, ao ponto de chegarmos a isto, dizem. O secretário-geral refuta as acusações referindo que se tratou de uma situação criminal, a polícia tinha que conferir alguma ordem.

O mestre Kapela foi detido em flagrante delito. O processo foi atenuado e dada a idade que tem e estado de saúde, foi levado para o Beiral. "Ele foi apanhado com estupefacientes e todos sabem muito bem que naquele espaço havia uso de drogas. Não podemos estar coniventes com esse tipo de situações criminais, porque senão a UNAP deixa de existir", defende-se Etona.

Confrontado com o facto, o mestre Kapela disse apenas que o espaço era frequentado por muitos artistas e clientes, com interesses vários. Lembra que houve tempos até, em que deu formação. Segundo a UNAP, "a polícia agiu autonomamente como deveria, até porque o espaço era frequentado por toda a sorte de pessoas que sabiam que ali iriam encontrar liamba".

"A polícia sabia e veio aqui tomar medidas, não fomos nós. O Comissário-chefe Jójó avisou-nos inclusive que iria redigir uma carta à UNAP a condenar este tipo de comportamento. A juventude que denegriu a imagem do Kapela desapareceu e ele agora está em crise", diz.

Durante vários anos o mestre Kapela conta que cedeu as suas obras para serem levadas para o estrangeiro. Esteve no No Fly Zone, em Lisboa, e na colecção ENSA, em Veneza. Além dos prémios que já conquistou e da venda de obras, o que se questiona agora é como chegou a este ponto.

 "Não há amor na UNAP, somos descartados. Deixo que levem os meus trabalhos para o estrangeiro, mas quando regressam não vejo nada, dinheiro nenhum, nem mesmo as obras", revela o mestre. Os artistas dizem que cederam obras que "acabavam por ser vendidas pela direcção da UNAP a 1000 dólares".

"Desse total, nós só recebíamos 200 dólares. Não há entrega de material, não nos são dados cuidados de saúde, já que muitas vezes trabalhamos com material tóxico. Nada", conta Rasta Kongo. O grande problema, explica o artista, deu-se quando começaram a "vender directamente as obras e a direcção assim não quer".

"Preferem que as coloquemos à disposição deles, mas nãohá transparência. Muitos artistas que tinham lá as suas obras foram buscá-las e por isso, resolveram correr connosco dali", explica Rasta Kongo.

Sobre esta questão da venda de obras, Etona afirma: "Em momento algum foram vendidas obras do Kapela, mas sei que ele vendeu à muita gente. Temos vindo a exibir uma parte das obras dele, que fazem parte da colecção Sindica Dokolo. Agora como é que essa fundação poderá vir a encaminhar algum valor que ele tenha direito? A lei dos direitos de autor foi aprovada, podemos tentar ver e seguir o passo de alguns coleccionadores que compraram as suas obras. A UNAP vai assinar um acordo com gabinete jurídico para acautelarmos algumas circunstâncias e salvaguardar os direitos do artista e provavelmente, neste âmbito, a situação do Kapela poderá ser ultrapassada".
Futuro do artista
No lar de idosos Kapela confessa que sente falta do convívio com os artistas. Não sabe bem como será o seu futuro, mas espera voltar a ter o seu espaço para se sentir encorajado a trabalhar. Durante uma reunião extraordinária que ocorreu esta quarta-feira, 29, na UNAP, o mestre Kapela foi o assunto em discussão.

Um empresário, conhecido coleccionador, terá proposto ajudar, alojando o mestre num ateliê em Cacuaco. Entretanto a UNAP decidiu procurar os familiares para entregar algumas obras que permanecem no antigo ateliê. "Como membro com direitos, a direcção da UNAP, na devida altura, também poderá fazer visitas e vamos começar a registar algumas preocupações latentes para depois fazermos um acompanhamento para que o Kapela não esteja ali, simplesmente abandonado sem ter esse calor familiar dos membros da UNAP", garante Etona.

Lunda Sul: Núcleo de leitura e literatura ganha fôlego

Lunda Sul – Criado em 2013, o Núcleo de Jovens Amigos da leitura e Literatura da Lunda Sul ganha fôlego, depois de alguma apatia. Jovens preocupados com a inexistência na cidade de um espaço para debates e “oficina” de arte literária decidiram juntar-se e revitalizar o Núcleo, fazendo dele um espaço para o intercâmbio de conhecimentos que levem ao afinar da pena literária.

Fonte: Club-k.net
Depois de um encontro preliminar, a 13 de Setembro, juntando duas dezenas de jovens e adolescentes, o grupo voltou a reunir-se neste domingo, 21 de Setembro, sob a liderança de Guilson Saxingo.
 
O próximo passo, segundo Satxingo, será a eleição e tomada de posse de um corpo directivo que deverá elaborar um calendário de reuniões ordinárias e outros encontros.
 
A reunião deste domingo contou também  com a presença do escritor Soberano Canhanga, mentor do Núcleo e apadrinho do mesmo, como convidado que falou aos presentes sobre a necessidade de os jovens trocarem experiências e conhecimentos académicos e culturais e se empenharem nos estudos para que tenhamos renovação ao nível da classe intelectual.
 
Não basta estar licenciado, disse, é preciso ter conhecimentos. Nesse quesito, a leitura, o debate cortês e o ensaio da escrita são peças fundamentais para que o jovem ganhe o reconhecimento social.

No grupo, o realce vai para a presença de uma rapariga, Núria, que se sente apaixonada pela literatura, tendo ganho de presente um exemplar do livro "O Relógio do Velho Trinta", ao passo que um outro "Manongo-Nongo" foi ofertado ao colectivo.
 
“Há muito tempo procurava por um grupo onde pudéssemos falar sobre assuntos de interesse juvenil e conhecer a nossa literatura”, disse Núria, 17 anos.
 
Os jovens, alguns deles já declamadores de poesia, procuram buscar o conhecimento e o reconhecimento social pela via do estudo e do trabalho, uma acção que merece apoio institucional e de pessoas particulares para que possam desenvolver actividades e crescer cultural e intelectualmente.
 
Capas para processos, cartões para membros, apoios financeiros e materiais como blocos de notas, esferográficas, etc., serão bem-vindos.  O Núcleo usa para as suas reuniões as instalações da Escola Superior Politécnica da Lunda Sul, Universidade Lueji A Nkonde e foi formalmente apresentado às autoridades políticas e administrativas da província.

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