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Angola: Governo apoiava seita “Kalupeteka” com bens materiais e espaços nos órgãos de comunicação social públicos

Luanda – A Direcção da União Nacional para a Independência Total de Angola – UNITA, acompanha com bastante preocupação o desenrolar dos acontecimentos relativos à seita religiosa “Sétimo Dia a Luz do Mundo”, dirigida pelo cidadão Kalupeteka, envolvendo a morte de centenas de cidadãos angolanos, incluindo agentes da autoridade pública. A UNITA condena todos os actos de violência e lamenta que a pátria angolana ainda perca, em tempo de Paz, vidas de seus filhos em situações claramente inaceitáveis e evitáveis.

A Direcção da UNITA apresenta, desde já, as suas mais sentidas condolências a todas as famílias enlutadas por este triste e repugnante acto. É do conhecimento público que a seita “Sétimo Dia a Luz do Mundo” vem funcionando à margem da lei há alguns anos, com o beneplácito das autoridades locais com quem desenvolveu, desde 2011, laços privilegiados ao abrigo dos quais o cidadão Kalupeteka beneficiou de bens materiais e espaços de intervenção nos órgãos de comunicação social públicos.

A Direcção da UNITA manifesta a sua revolta pelas tentativas de envolvimento do nome da UNITA numa situação que nada tem a ver com ela. Ademais, considera irresponsáveis, descontextualizadas e imbuídas de má-fé, as declarações do MPLA, em particular as do Secretário de Estado Eugénio Laborinho e do Governador do Huambo Kundy Paihama.

A Direcção da UNITA não entende os verdadeiros desígnios do MPLA quando por tudo e por nada procura culpar a UNITA. Qualquer acontecimento negativo, é culpa da UNITA. O que pretende afinal o MPLA? Para onde o MPLA pretende conduzir o País? Quem foi que promoveu, promove e consente o surgimento das milhares de seitas que pululam pelo país? A UNITA e o Povo angolano já compreenderam o que pretende o MPLA.

A Direcção da UNITA não só rejeita qualquer tentativa da sua associação à seita “Kalupeteka”, como exige que seja feita uma investigação profunda e imparcial dos acontecimentos ocorridos nas províncias de Benguela, Bié e Huambo que levaram à morte centenas de cidadãos angolanos.

A Direcção da UNITA insta o Governo angolano que cumpre o mandato de membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, a promover a paz e a segurança em Angola, e privilegiar o diálogo na busca de soluções aos problemas sociais e não o recurso ao uso indiscriminado da força.

A Direcção da UNITA alerta os angolanos a não se deixarem distrair pelas manobras de diversão do Executivo do Presidente José Eduardo dos Santos, que se prepara para mais uma vez agredir a Constituição com a aprovação da lei do registo eleitoral oficioso, como a única chance de sobrevivência do seu longo consulado.

Luanda, aos 19 de Abril de 2015.

O Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política.

David Mendes vai defender Kalupeteca

Luanda - O advogado David Mendes promete defender em tribunal o líder da igreja Adventista do Sétimo Dia a Luz do Mundo, Julino Kalupeteca, acusado pelo governo de ter causado a morte de nove polícias nas províncias de Benguela e Huambo, no dia 16 de Abril.

Fonte: RA
Em entrevista à Rádio Despertar, o advogado informou que neste momento encontra-se na província do Huambo uma equipa de peritos da Associação Mãos Livres, com a finalidade de investigar as razões que motivaram os fiéis da seita a rebelarem-se contra os agentes da Polícia Nacional.

“Temos neste momento naquela província, dois advogados disponíveis para fazer os primeiros trabalhos preparatórios, dentre eles acompanhar as audiências de Kalupeteca, e pessoalmente, vou garantir a defesa deste cidadão”, garantiu.

David Mendes entende que a Polícia Nacional deve justificar os motivos que o levaram a perseguir os cidadãos da igreja, que se encontravam acampados na serra do Sumé.

“Nós achamos que há coisas que não estão a ser ditas. Porque a polícia foi ter com estes cidadãos? Se eles não permitiam que os filhos fossem às escolas, quantas crianças aqui em Luanda, não vão à escola por culpa do Estado? O Estado já se penitenciou? Porque o estado deve perseguir meia dúzia de pessoas porque os filhos não vão à escola, quando milhares de crianças no país não vão para à escola?, questionou o advogado, reiterando que os fundamentos apresentados pela polícia não são justificáveis.

David Mendes lembrou que a liberdade religiosa está garantida na Constituição da República de Angola. “A ninguém pode ser vedada a sua convicção religiosa. Por isso, a polícia deve justificar o que foi lá fazer”, concluiu.

Direitos Humanos

O advogado David Mendes já defendeu vários casos ligados a direitos humanos no tribunal, como o do jovem Nito Alves, acusado pelos serviços secreto do Estado, por crime contra os órgãos de soberania, ao ter mandado imprimir várias t-shirts com slogans contra o presidente José Eduardo dos Santos, e também o caso “Alves Kamulingue e Isaías Cassule“, dois activistas cívicos assassinados por agentes secreto do governo.

O advogado está de igual modo a defender o jornalista e activista cívico Rafael Marques, acusado de crime de calúnia e difamação por sete generais e os representantes de duas empresas diamantíferas.

"A nossa consciência não está à venda e nem sequer tem preço" - líder da igreja tocoista

Luanda - Nos destinos da Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo desde 2000, o Bispo Afonso Nunes (AN) é a figura central dos ?homens de branco?. Em entrevista à Angop, o líder religioso aponta soluções para evitar as acções do fundamentalismo islâmico em Angola, demonstra indignação ao aborto e à homossexualidade, assim como garante também que a relação entre a sua igreja e o Governo não envolve dinheiro.
Bispo diz que a igreja Tocoista nunca recebeu dinheiro do governo
Fonte: Angop
Que avaliação faz do desempenho da Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, do ponto de vista religioso e social?
Hoje, podemos dizer que, embora com dificuldades, a igreja está a caminhar. Temos resolvido projectos na área da educação, mais concretamente no ensino de base e no médio, onde operamos há oito anos, e, por intermédio do Complexo Escolar Simão Gonçalves Toco, formamos mais de três mil alunos.
Há cerca de dois anos resolvemos dar mais um passo na área da formação, investindo num instituto superior. A ideia é facilitar o acesso à formação superior dos alunos formados pelas nossas escolas dos ensinos básico e médio.

O que levou ao adiamento da abertura do Instituto Superior Politécnico Tocoísta?
Preferimos adiar para o próximo ano a abertura do instituto por razões inerentes à funcionalidade enquanto instituição de formação que pretende preservar princípios como a qualidade. Estamos a levar em consideração, como não podia deixar de ser, os conselhos do ministro do Ensino Superior, relacionados com a necessidade de a igreja atribuir valor acrescentado ao sistema de ensino.
É neste sentido que protelamos para 2016, ano em que, segundo as nossas estimativas, teremos concluido os laboratórios, questão muito importante no processo de formação e preparação para o mercado de trabalho, assim como a fase de recrutamento de professores que serão submetidos a seminários para encarnarem os princípios que vão conduzir o ensino superior tocoísta. Com isso, queremos evitar a inclusão de elementos estranhos ao nosso processo que, provavelmente, venham a estrangular a busca por um ensino de excelência.

O instituto surge num contexto de proliferação de universidades e institutos superiores. O projecto tocoísta é apenas mais um ou pretende fazer diferença?
Esta questão tem sido a nossa principal preeocupação. Temos trabalhado afincadamente todos os dias, recrutando profissionais do mais alto nível, quer administrativos, quer docentes. Estamos a criar uma equipa composta por angolanos e expatriados, ao mesmo tempo que criamos entidade promotora, um organismo representante da igreja junto ao Estado e ao Instituto Superior. Com isso, queremos evitar a intervenção directa da estrutura da igreja na gestão do projecto.

O surgimento da entidade promotora surge como precaução ao que ocorre agora na Universidade Metodista de Angola, onde um suposto desentendimento entre as direcções da igreja e da universidade levou a paralização das aulas?
O que sei sobre a Universidade Metodista foi por intermédio dos órgãos de comunicação. Por isso, não gostava de falar muito sobre isso. Porém, quero dizer que a nossa tónica é a prudência. Tudo está a ser feito nesta base. É necessário avaliar os riscos futuros para, de forma antecipada, corrigirmos os problemas que forem surgindo, sem que, com isso, paralisem as aulas. Estamos empenhados na busca de excelência e, principalmente, queremos que a relação entre a igreja e o Instituto Superior seja a mais cordial. O país pode confiar neste projecto. Quero dar o meu voto de confiança e dizer que o Instituto vai fazer diferença no processo de ensino superior em Angola. Garanto.

Os membros da Igreja tocoísta vão gozar de privilégio ou estatuto diferenciado?
Não vamos criar privilégios neste instituto. A qualquer candidato serão exigidas competências tradicionalmente exigidas aos candidatos ao ensino superior. A formação superior é coisa séria e não nos vamos compadecer com aqueles que não cumprirem com os requisitos para o ingresso ao instituto, nem que o mesmo seja filho do lider. Contudo, a direcção do instituto vai, por intermédio de um processo devidamente estruturado, atribuir bolsas de estudo a candidados que realmente não poderão suportar as propinas mensais, quer sejam membros da igreja quer não.

Paralelamente à edificação do Instituto Superior em Luanda, há o projecto para construção de uma cidade universitária na província do Uíge. Em que pé está este processo?
A cidade universitária será implementada a médio prazo. Estamos a preparar todos os meios, pois a construção de uma cidade universitária é coisa séria. Oportunamente, vamos avançar mais dados sobre o assunto.

Geralmente, projectos do género não são muito baratos, ainda mais quando se quer destacar dos outros. Quanto à igreja investiu?
(Risos) Embora não seja muito católico falar sobre o assunto, mas vamos a isso. Recorremos a vários caminhos para encontrarmos o dinheiro. Muita gente fala e ainda recentemente alguém me perguntava se tinha sido o Governo ou o Chefe de Estado a financiar estes projectos. Mas não foi. Até ao momento, não recebemos nenhum tostão por essa via para a construção do instituto, embora já tenhamos gasto mais de dez milhões de dólares norte-americanos.

E qual foi a origem dos mais de dez milhões de dólares aplicados na estrutura?
Bem, temos batido as cabeças no sentido de se encontrar financiamento. Estamos a criar uma estrutura que se enquadre na arquitectura da igreja, sendo que a sede dela (da igreja) e o instituto partilham o mesmo recinto. Estamos a gastar o que podemos para perpetuar o símbolo da igreja e contribuir para o país, pois a nossa sede é em Angola.

Porquê que existe a ideia de que o dinheiro para execução dos projectos da igreja vem do Governo, conforme disse?
Por se calhar partilharmos alguns projectos de cariz social e apoiar o Governo em questões como construção de escolas ou ajuda humanitária, após calamidades naturais, como aconteceu agora em Benguela. A nossa relação é boa e vamos continuar a trabalhar para fortificá-la ainda mais, pois existem pequenos aspectos que temos de ultrapassar. A Igreja Tocoísta e o seu líder têm no Governo um parceiro verdadeiro. As pessoas dizem que a igreja e o bispo foram comprados (…).

E foram mesmo?
Claro que não! A nossa consciência não está à venda e nem sequer tem preço. O que existe é somente colaboração no sentido da edificação do nosso país. Para aconselhar o Governo, temos primeiro de ser amigos, criticando em fóruns próprios, não em hasta pública, como se faz ultimamente nas redes sociais. A relação entre a igreja e o Governo vai continuar, até porque o Presidente da República é uma pessoa afável em certas situações e nos ouve. Nós não recebemos dinheiro. Partilhamos e aproveitamos outras valências.

Como andam os projectos agro-pecuários da igreja, instalados no interior do país?
Estamos empenhados nestes projectos, principalmente na reactivação da cooperativa 25 de Julho, que agora luta pela sua implementação de forma mais ampla. Temos fazendas, algumas cabeças de gado. Mas seria bom esclarecer que a intenção é ajudar as pessoas que vivem nos arredores destes projectos. Estamos também à busca de apoios fora do país para criarmos algumas cooperativas, onde os associados poderão obter alguns bens para a subsistência. Deste modo, estaríamos também a ajudar o Governo.

Assistimos regularmente a ataques de grupos armados que dizem operar em nome de uma religião e um deus. Enquanto líder religioso, que opinião tem sobre o fundamentalismo religioso?
Este é um problema que tem a ver com o choque de civilizações. É um problema antigo que ressurge agora com mais agressividade. Eu, enquanto líder religioso e abordando um assunto tão sensivel quanto este, devo fazê-lo com muita responsabilidade. É necessário que se criem condições e métodos próprios para inibir certas tendências para o radicalismo religioso. Acima de tudo, é necessário promover diálogos entre as distintas crenças religiosas em Angola, reconhecendo que o país deixou de ser exclusivamente cristão. É necessário ser corajoso e criar laços e um ambiente diferente aos dos outros países. Mas isso faz-se com coragem, falando das coisas sem medo.

Defende a criação de um fórum de diálogo inter-religioso?
É importante que cheguemos a este estágio. Já participei em vários encontros do género em Israel, e neles estiveram também muçulmanos e cristãos. Penso que podemos criar também este ambiente no nosso país. Já não se pode negar a existência do islão em Angola. Ele está entre nós e não podemos expulsá-lo. É necessário avaliar o assunto milimetricamente para destrinçarmos o normal do radical.  

Quem deve dar o primeiro passo neste processo?
Nós, a liderança religiosa, por sermos os anfitriões neste processo, e também o Governo. Temos de aderir a este espaço de conversa e, consequentemente, compreende-lo. Será neste espaço onde poderemos avaliar o assunto milimetricamente e destrinçarmos o normal do radical.

Enquanto líder religioso, que diagnóstico faz da sociedade angolana?
É um assunto com o qual me preocupo e tento contribuir para trazer de volta aspectos que se perderam com o tempo. Quando se fala em resgate da moral e do civismo muita gente não percebe a carga semântica da palavra resgate. É algo em que devemos trabalhar profundamente. Nós, as igrejas, o Governo, a sociedade civil, as autoridades tradicionais, os meios de comunicação social, temos de nos empenhar bastante neste processo.

E como sair do discurso para as acções?
Por intermédio de seminários e palestras. É igualmente necessário criar nos currículos escolares disciplinas que incutam às crianças e aos jovens o sentido do valor da vida e do próximo e porquê vivem com os outros e não sozinhos. Quando ensinarmos estes valores às crianças e jovens, então estaremos a criar condições para possuirmos os valores perdidos. Porém, se fizermos o contrário ao que disse, com programas depravadores na televisão, sem regulamentação aos conteúdos publicados nos órgãos de comunicação social, nunca vamos chegar à paz de espírito que tanto procuramos.

Em 2014, o senhor bispo demonstrou indignação quanto à despenalização do aborto. Tem a mesma postura quanto à homossexualidade?
A nossa igreja estará aqui para fazer oposição radical a estas práticas. Caso algum ante-projecto sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo seja aprovado pela Assembleia Nacional ninguém vai nos pegar. Vamos afirmar em “bom-tom” a nossa indignação quanto a esta aberração. Caso uma lei satânica como esta seja aprovada, cá estaremos para fazer frente, sem medo, pois, com isto, a nossa moral está a ser ferida. Temos voz para protestar contra os deputados. É necessário entender que o casamento entre pessoas do mesmo sexo põe em risco a continuidade da raça humana.

Entrando mais para aspectos da Igreja, como anda a “saúde” dos Tocoístas?
Estamos bem. Estamos presentes nas 18 províncias do país, nos municípios e comunas. Em termos gerais, estamos acima de 900 mil fiéis, um número que cresce diariamente. Angola, por ser a nossa sede, alberga cerca de 90 porcento dos fiéis espalhados nos mais de 20 países em que a Igreja Tocoísta está presente.

O senhor bispo tem visitado as comunidades no interior do país?
Tenho. Notamos que a nível das comunas algumas congregações ainda não se desenvolvem do modo que queríamos. Por isso, estamos a preparar a juventude, com o auxílio da sabedoria dos mais velhos, para acabar com as assimetrias entre as cidades-sedes das províncias e os municípios. Há municípios onde o crescimento é favorável, assim como existem outros cujo desenvolvimento ainda não satisfaz, fruto, também, de alguma falta de visão dos dirigentes destas comunidades.

Desde 2000, altura em que assumiu a liderança da igreja, notam-se mudanças estruturantes, tanto do ponto de vista patrimonial, como organizacional. O que reserva a igreja nos próximos anos?
Por ser obra de Deus, nos próximos dez, 15 anos, a Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, os Tocoístas, alcançará níveis de expansão e organização nunca vistos. No passado, os recursos humanos da igreja eram escassos, realidade diferente a actual, pois contamos agora com homens formados, graças ao Espírito Santo. Tendo em conta o facto de a igreja ser assumida, no futuro, por bispos, anciãos, pastores e outras categorias que existem na igreja formados e com vasta experiência no campo científico, estou certo de que nos próximos anos teremos uma igreja mais forte e visível. A igreja de hoje foi construída com sangue de pessoas mortas em nome desta causa, um factor que me impele a ser consistente neste trabalho.

A alternância de poder dentro da igreja é um assunto que preocupa o senhor bispo?
A alternância é algo que deve ser feita enquanto estamos vivos, para ajudar a juventude a conduzir os destinos da igreja. Saber fazer as transições é um elemento importante que escapa tanto na gestão das igrejas como na vida política. Eu devo fazer a transição enquanto estiver vivo, acompanhando a vida da igreja com orações. Caso morra já, sem deixar alguém a quem confiar a igreja, podem ocorrer dispersões, confusões e divisões.

Perspectiva sua própria sucessão no próximo pleito?
Penso todos os dias. Quando dobro os joelhos para orar, peço a Ele, que nunca me abandonou, que me oriente quando chegar o momento de convocar a direcção da igreja para anunciar o nome da pessoa que me vai substituir. Essa transição é muito importante. Se não nos preocuparmos com isso poderemos cair. Por isso, avalio as pessoas consoante o seu dom.

Da vida pessoal do senhor bispo quase nada se sabe. O que pode partilhar com seus seguidores?
(Risos) É uma questão importante, já que o bispo não usa anel de casado. Muita gente pergunta sobre estas questões ligadas a minha vida privada. O bispo não pode ser bispo se não for casado. Sou casado civil e religiosamente. A bíblia diz que o bispo tem de ser marido de uma mulher, ter filhos disciplinados, em ordem e não causar escândalos. Tenho 49 anos, seis filhos, dois a terminar os cursos de medicina e arquitectura. Outros ainda por concluir e entrar para o ensino médio. É desta forma que podemos conduzir a igreja alheia. Se não tivermos filhos e a casa em ordem, não adianta pregar.

Huambo: Líder da "Kalupeteca" detido pela polícia quando tentava abandonar a província

Luanda – Os efectivos do Comando Provincial da Polícia Nacional no Huambo detiveram nesta quinta-feira, 17, na comuna de Catabola, município de Longonjo, o líder seita Cristã do Sétimo Dia a Luz do Mundo, vulgarmente conhecida por "Kalupeteca", juntamente com o seu filho e outros crentes, quando tentavam abandonar aquela província. Os mesmos encontram-se, neste preciso momento, detidos na Direcção Provincial de Investigação Criminal do Huambo.   

Fonte: Club-k.net
José Kalupeteca estava, inicialmente, a ser procurado pela polícia nacional, desde terça-feira, 14, após os seus seguidores terem espancados (e desarmados) cerca de dez efectivos do Comando Provincial da Polícia Nacional no Bié, na segunda-feira última, quando tentava impedir que os fiéis desta seita vendem-se os seus bens.

“No Bié, os fies desta seita foram orientados pelos seus dirigentes a venderem os todos seus bens, e destruir as suas residências, uma vez que o fim do mundo será este ano”, explicou uma fonte oficial, acrescentando que “a polícia foi ao local onde funcionava a seita no sentido repor a ordem, e, surpreendentemente, foram espancados e desarmados pelos membros desta seita”.

Após este incidente, a Procuradoria Geral da República da província do Bié emitiu um mandado de captura contra José Kalupeteca, na qualidade do líder da seita, que se encontrava em retiro, em companhia dos seus fiéis, à localidade da Serra do Sumi, à 25 quilómetros da sede municipal da Caála, província do Huambo.

Mas antes, no município de Balombo, na província de Benguela, um outro grupo de membros da direcção desta seita transmitiam, igualmente, a mesma mensagem (do fim do mundo) aos fiéis daquela região. No entanto, quando os efectivos da polícia tentaram “de forma indecorosa” persuadir os crentes da “Kalupeteca” a não catar as tais recomendações, os responsáveis da seita impediram-nos de forma apropriada, resultando numa salada de violência.       

A rixa entre os efectivos da polícia nacional e os fiéis da “Kalupeteca” provocou, na quarta-feira, 15, à morte de dois agentes, um ferido e um automóvel queimado. No entanto, a polícia do Comando Municipal do Balombo ripostou efectuando alguns disparos a “queima-roupa” contra agressores que estavam munidos de “paus, catana e outros objectos contundentes”, resultando na morte de alguns civis no local.

O Club K sabe que a polícia recusa-se a fornecer informações concretas sobre o número exacto dos fiéis da seita “Kalupeteca” mortos pelos seus efectivos. “Ninguém quer falar disso, mas sabemos que esta acção resultou na morte e detenção de algumas pessoas que são crentes desta igreja”, revelou a nossa fonte.  

Já na quinta-feira, 16, tendo em conta os dois episódios e em cumprimento do “mandato de captura”, o Comando Provincial da Polícia Nacional no Huambo ordenou o comandante municipal da Caála, Evaristo Catumbela, a criar condições para deter o líder religioso José Kalupeteca que se encontrava, juntamente com os crentes, numa das montanhas à localidade da Serra Sumé, a 25 quilómetros da sede municipal da Caála, em actividades.   

No local da detenção, o comandante Catumbela fez-se acompanhar com um aparato policial (armados até aos dentes) onde integrava igualmente a Polícia de Intervenção Rápida, investigadores da DPIC, efectivos dos Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), Polícia de Ordem Pública e membros do Serviço dos Bombeiros.

De acordo com registo, Evaristo Catumbela, na qualidade do comandante municipal da Polícia da Caála, juntamente com o seu guarda, foi ao encontro do líder seita Cristã do Sétimo Dia a Luz do Mundo, José Kalupeteca, a fim de convence-lo a entregar-se às autoridades judiciais. A conversa que teve uma duração de menos de 20 minutos, não produziu resultados satisfatórios.

Não se sabe ao certo o que terá dito o comandante Catumbela a José Kalupeteca para começar a ser violentamente agredido (com o seu acompanhante) pelos guarda-costas do líder da seita. Ao testemunhar a agressão, os elementos da caravana do policial dirigiram-se de imediato à montanha a fim de socorrer o seu chefe, e foram surpreendidos com disparos a “queima-roupa” efectuados pelos crentes desta seita que se encontravam entrincheirados.  

As primeiras vítimas, segundo apurou o Club K, a serem mortos no local foram o comandante Evaristo Catumbela e a sua escolta. Em gesto de defesa, os efectivos do Ministério do Interior começaram a ripostar com as “armas de guerra” de forma alienatória contra tudo e todos, provocando mortes até das crianças e mulheres que assistiam de longe o cenário de guerra.

Durante a troca de tiros, os fiéis da “Kalupeteca” abateram cerca de dez elementos, entre os quais cinco efectivos da PIR (incluindo o seu chefe de Operações), quatro de Ordem Pública e o chefe municipal do SINSE da Caála. A maior parte dos efectivos foram mortos com tiros a cabeças. Do lado da seita morreram um número incalculável de crentes.       

No final da “rixa”, uma caravana – de três motorizadas – dos membros da “Kalupeteca”, em protecção ao seu líder, puseram-se à fuga em direcção a província de Benguela. Mas, ao passar pela comuna de Catabola, município de Longonjo, no Huambo, foram surpreendidos pelos elementos da corporação. Nesta senda José Kalupeteca com os seus seguidores irão responder, em tribunal, pelos crimes de homicídio qualificado.

De realçar que, em Outubro do ano passado, o governador do Huambo, Kundi Paihama, aconselhou aos seguidores da seita "Kalupeteca", a obedecerem as leis vigentes no país e a ordem social estabelecida, sob pena de incorrerem em crime.

Kundi Paihama fez este apelo durante um encontro com os fiéis da referida igreja, na aldeia de São Pedro Sumi, município da Caála, motivado do facto dos mesmos serem constantemente acusados de desrespeitar a ordem social, com o comportamentos contrários as leis angolanas.

Trata-se da seita que por altura do Censo da População instou os crentes para não participarem no processo, instigando-os a abandonarem as casas para não se depararem com os recenseadores.

Em outro acto, 576 membros abandonaram as suas casas para acamparem na localidade de São Pedro Sumi, sem quaisquer condições de sobrevivência, para servirem os seus princípios doutrinais, o que obrigou a intervenção da Direcção da Assistência e Reinserção Social a fornecer alguns meios de subsistência.

Por isso, o governador disse que Governo não vai permitir qualquer desorganização social, nem tão pouco a desobediência da lei. “É preciso interpretar correctamente as instruções bíblicas e amar o próximo para a construção da nossa sociedade. Os líderes religiosos de todas denominações eclesiásticas e os dirigentes governamentais devem servir o povo”, disse.
 
Kundi Paihama lembrou que cada cidadão é livre em seguir a denominação religiosa da sua opção, mas ninguém deve ser manipulado pelos líderes religiosos a seguirem preceitos que contrariam os objectivos do Estado.
 
Por sua vez, o líder da referida igreja, José Kalupeteka, prometeu cumprir com as orientações do Governador, sobretudo as relacionadas com o cumprimento das leis angolanas. Sem implatação legal, a "Sétimo Dia a Luz do Mundo" é uma dissidência da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e controla 3700 fiéis nas províncias do Huambo, Benguela e Bié.

Isabel dos Santos tem 2 mil milhões em Portugal

Lisboa - A filha mais velha do presidente angolano surge ligada a pelo menos 13 empresas. Os irmãos Coréon Dú e Tchizé investem na finança e na agricultura.

*Sónia Trigueirão
Fonte: Correio da Manha

Confira gráfico pormenorizado em anexo:

Os investimentos de Isabel dos Santos – a filha mais velha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos – em Portugal valem quase dois mil milhões de euros. Só as suas participações em empresas cotadas em Bolsa, como o BPI, NOS e Galp, estão avaliadas em cerca de 1800 milhões de euros.

A ‘princesa’ de Angola tem ativos e parceiros em várias áreas, que vão desde a banca, a energia, telecomunicações, comércio de exportação e importação, consultadoria económica, marketing, publicidade e gestão de participações sociais noutras empresas.

O CM encontrou registo de atividade Isabel dos Santos em pelo menos 13 sociedades, algumas com sede em Lisboa, nomeadamente na avenida da Liberdade, e na Zona Franca da Madeira.

Na região autónoma estão, por exemplo, a Invesluanda, que em 2010 teve como presidente o empresário Américo Amorim; a Niara Holding SGPS, a Niara Power e a Dorsay SGPS. Nesta última, a participação é encontrada através do marido, Sindika Dokolo, que em 2 de outubro de 2010 detinha cerca de 45 mil euros do capital da sociedade.

Em quase todas as empresas, nomeadamente naquelas em que Isabel dos Santos é acionista mas não surge nos órgãos sociais, encontramos um nome comum: Mário Filipe Moreira Leite da Silva, tido como um homem de extrema confiança da filha do presidente angolano. Também José Eduardo Paulino dos Santos (o cantor Coréon Dú), meio-irmão de Isabel dos Santos, é um grande investidor em Portugal. Encontramos o nome associado à Erigo Sociedade de capital de Risco, que gere dois fundos, um deles com 42,3 milhões e outro acabado de lançar, a 7 de janeiro. Coréon Dú aparece na Semba Comunicação e na Masemba, dona da revista ‘Lux’.

Já os investimentos da irmã Welwitschea José dos Santos, conhecida por Tchizé, são mais modestos. Tem duas participações em empresas ligadas à agricultura, de produção de pera-rocha.

 

Huambo tem um médico para 16 mil doentes - director da saúde

Huambo -A província do Huambo tem um médico para assistir 16 mil doentes, longe da pretensão da direcção local da saúde que é de um médico para cinco mil pacientes. A informação foi prestada neste sábado, por Frederico Carlos Juliana, director provincial da saúde.

Fonte: Angop
Director Provincial da Sade Frederico Juliana.jpg - 51.42 KBFrederico Juliana deu como exemplo da falta de quadros na província o facto de um médico em serviço na região assistir 16 mil pacientes, quando o objectivo da direcção seria cinco mil.

De acordo com o responsável, a província do Huambo cresce demograficamente a cada dia que passa, mas este aumento da população não está a ser acompanhado com a admissão de mais profissionais da saúde, principalmente médicos e enfermeiros.

Actualmente, revelou o director, a província possui 172 médicos, 150 técnicos de diagnóstico terapeuta e perto de 4.500 enfermeiros, número muito aquém de satisfazer a demanda populacional, estimada em dois milhões e 700 mil habitantes.

Por isso, disse Frederico Juliana, na falta de médicos em muitas unidades sanitárias, a tarefa de consulta e prescrição de receitas é desempenhada por enfermeiros, na sua maioria técnicos médios.

Para as necessidades da província, explicou o funcionário, são precisos, pelo menos, mais 500 médicos, três mil novos enfermeiros e dois mil técnicos de diagnósticos terapeutas, para fazer frente aos desafios actuais na garantia da assistência médica e medicamentosa às populações.

Entretanto, Frederico Juliana reconheceu que as 235 unidades sanitárias existentes na província, entre centros de saúde, postos médicos e hospitais, são suficientes para atender a procura. “A nossa maior dificuldade prende-se com a falta de quadros qualificados, que possam dinamizar o sector na província, no combate às grandes endemias que ainda assolam as populações”, afirmou.

Ainda assim, o director da saúde na província do Huambo mostrou-se confiante na resolução destas carências, salientando o esforço que o governo está a empreender para melhorar a qualidade dos serviços de assistência médica e medicamentosa no país.

Projecto "Uhayele Vimbo" vai beneficiar novas localidades

Por outro lado, o projecto "Uhayele Vimbo" vai beneficiar, nesta época seca, novas localidades da província do Huambo, onde não era possível chegar na estação chuvosa, devido ao mau estado das vias. O director provincial da Saúde informou que as aldeias recônditas dos municípios do Londuimbali e Cachiungo serão as priorizadas.

“Penso que a época de cacimbo nos permite chegar em zonas antes de difícil acesso, no sentido de aproximarmos cada vez mais os serviços de saúde junto das populações”, disse.

O "Uhayele Vimbo", expressão que na língua nacional umbundo significa “Saúde na Aldeia”, é um projecto da Direcção Provincial da Saúde, que leva às comunidades rurais serviços médicos e medicamentosos básicos e integrados.

A sua realização nas aldeias ajuda igualmente a minimizar a carência de unidades sanitárias e permite prestar assistência às famílias rurais, encurtando as distâncias que estas deviam percorrer para terem acesso aos serviços hospitalares.

Líder do MPLA esclarece que não haverá renovação de mandatos dos órgãos de direcção após o congresso

Lisboa – O presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, esclareceu na última sexta-feira, 30, em Luanda, quando proferia abertura da segunda reunião extraordinária do comitê central do seu partido, que o congresso extraordinário, marcado para o mês de Dezembro, servirá apenas para balanço e reflexão e “não irá proceder à renovação de mandatos dos órgãos de direcção”.  

Fonte: Club-k.net
JES discursando palacio.jpg - 14.83 KBJosé Eduardo dos Santos revelou, na altura aos presentes, que a “renovação dos mandatos só acontecerá no Congresso Ordinário, previsto para o ano 2016, sob o signo da estabilidade, coesão e afirmação da liderança do MPLA na sociedade”.

Eis a íntegra do discurso do líder do MPLA:

Ilustres membros do Comité Central,
Caros camaradas,

Ao transformar a natureza, para dela retirar o que necessita, o homem também se transforma. De igual modo, quando um partido político concebe e realiza os seus planos para a transformação da sociedade, este partido também se deve transformar e crescer com essa sociedade.

Por exemplo, quando no nosso país o sistema político de partido único foi substituído pelo sistema democrático pluripartidário, o MPLA teve de transferir as suas organizações de base, dos centros de trabalho para os locais de residência, adaptando-se à nova realidade política e social.

Neste processo de mutação, o Partido deve detectar as forças sociais de mudança e compreender a sua importância, carácter e dinâmica. Deve, também, prever as tendências da evolução social, para que possa adaptar-se, conduzir os seus seguidores e o povo e manter a sua liderança.

A sua mensagem deve ser de confiança e esperança. Deve exprimir as aspirações de todos, ou pelo menos da imensa maioria da população. A sua proposta de contrato social ou de projectos concretos deve visar a construção do bem-estar e felicidade para todos.

Se o Partido não acompanhar a evolução social e estagnar, pode perder a confiança do povo e a liderança do processo de mudança. Neste caso, as forças políticas, depois de perderem o rumo dos acontecimentos, recorrem a promessas irrealistas, impossíveis de concretizar, caindo, assim, no populismo, com a intenção de enganar as massas.

Deste modo, a inserção do Partido na sociedade, como meio para a condução do processo de transformação sócia, é fundamental para a concretização do seu Programa.

Neste processo, devemos distinguir as forças de realização da transformação, que são as massas e os elementos portadores do conhecimento científico e técnico, da inovação e da capacidade de enquadramento, que são os quadros política e tecnicamente mais preparados e motivados.

A selecção destes quadros requer uma inserção adequada do Partido no seio das elites do nosso país, em todos os segmentos da sociedade e em todos os domínios do conhecimento do saber fazer, para que possamos obter a participação e colaboração daqueles que queiram contribuir para a construção de uma Angola democrática, próspera e inclusiva.

Entre nós, esta tarefa não está concluída, ao contrário da inserção do Partido no seio das massas populares, que já é um facto em todo território nacional, faltando, no entanto, tornar mais regular o diálogo entre o topo, os escalões intermédios, as bases do Partido e o povo, faltando, também, comunicar melhor e melhorar o trabalho de educação moral e cívica.

Com efeito, também no seio dos quadros, o Partido deve reforçar a sua inserção. Devemos continuar a prestar uma atenção especial ao trabalho de mobilização dos quadros que estão no país e na diáspora
 
Caros camaradas,
 
A discussão deste tema vai, certamente, dominar os debates, que terão lugar no próximo Congresso Extraordinário do Partido. Mas, peço-vos que não se esqueçam que, em 2012, durante as Eleições Gerais, anunciámos que seria realizada uma grande reforma do Estado, se ganhássemos as eleições.

Realmente, em Fevereiro de 2010 entrou em vigor a nova Constituição da República de Angola e foi iniciado um processo de ajustamento de todas as leis e regulamentos e a elaboração de novos projectos de diplomas legais, entre os quais a Lei sobre as Autarquias.

É necessário continuar este trabalho e, talvez, pensar-se na criação de uma Comissão no Partido que ajude a dar um impulso maior a este processo de Reforma do Estado.
 
Caros camaradas,
 
A nossa reunião de hoje não analisará os assuntos referentes à governação do país, porque eles já foram apreciados na reunião que efectuámos há poucos meses atrás. Vamo-nos debruçar sobre a convocatória e todos os documentos relacionados com a preparação e realização do Congresso Extraordinário, de Dezembro próximo.

Será um Congresso de balanço e reflexão, que não irá proceder à renovação de mandatos dos órgãos de Direcção. Essa renovação só acontecerá no Congresso Ordinário, previsto para o ano 2016, sob o signo da estabilidade, coesão e afirmação da liderança do MPLA na sociedade.

Termino como comecei: “Transformar a sociedade, transformar o Partido e crescer com ela”, é o que procuramos fazer sempre. Com votos de bom trabalho, declaro aberta esta reunião do Comité Central”.

Lopo do Nascimento diz que o país não tem “sector privado como se diz”

Luanda - O ex-primeiro-ministro da I República e ex-deputado do MPLA, Lopo do Nascimento, considerou em Luanda que o país não conta com um sector privado como se diz. Lopo do Nascimento fez esta afirmação quando intervinha no workshop ’Agenda de Desenvolvimento de Infra-estruturas de Angola: como o Banco Africano de Desenvolvimento pode ser determinante na transformação de Angola’, evento co-organizado pelo BAD com o apoio do Ministério das Finanças.

Fonte: O pais

Amílcar Xavier impediu jornalistas a cobrir a intervenção de Lopo

Lopo do Nascimento, que falava na qualidade de empresário convidado, confrontou o representante deste banco africano, Sptime Martin, com o desafio do investimento no capital humano a par da boa execução dos programas.


‘Seria fundamental que este aumento da taxa de execução, e da boa execução, fosse feito e que também fosse introduzida a necessidade de investimento no capital humano’, disse, adiantando que ‘o BAD deve participar no investimento do capital humano porque sem capital humano a gente pode fazer tudo mas as coisas não ficam nas nossas mãos, ficam nas mãos dos outros e o BAD, como é um banco africano, deve fazer com que em África fique alguma coisa’.

O empresário chamou ainda a atenção para a entrada do capital privado, embora entenda que ‘é preciso ter um pouco mais de comedimento nesta questão da entrada dos privados, porque é evidente que o BAD, como um banco continental, tem as suas regras que são gerais para todos, mas é preciso olhar para o pais onde se está’.

‘Aqui fala-se muito em privado, privado, mas o privado em Angola começou a ser falado em 1990, e começou a ser executado praticamente depois de 2002. Então, se vocês como BAD pedem a participação dos privados, eu tenho uma empresa, criei há pouco tempo, evidentemente não posso ser pré-seleccionado. Por quê? Porque antes não era possível criar essa empresa’, referiu.

Lopo do Nascimento citou como exemplo o facto de a sua família ter criado uma empresa, em 1919, a qual com o Estado Novo foi encerrada, contribuindo para que hoje não tenha uma família de empresários. ‘Vou lhes dar um exemplo: a minha família criou uma empresa em 1919, no tempo colonial, que produzia e exportava café. Quando veio o Estado Novo, em 1920, a empresa foi encerrada porque os negros não podiam ter empresas. Se aquela empresa não tivesse sido encerrada, hoje nós eramos uma família de empresários. Mas não foi assim. A história do país não é esta’, referiu.

Nascimento criticou os critérios do BAD relativos aos anos que os empresários têm de ter para conseguir acesso aos financiamentos, o que, na sua óptica, não contribui para que os angolanos tenham alguma coisa.

‘Estão a vir com critérios de que o empresário tem que ter tantos anos, se o senhor pedir a um empresário angolano que participe, que tenha uma empresa com mais de 10 anos de trabalho, não vai encontrar empresas nessas condições. O Estado vai pagar, vai ter a obra, mas os angolanos não vão beneficiar de nada’, disse.

Estabilidade dos países

Para Lopo do Nascimento, a estabilidade dos países resulta da situação dos seus habitantes e não de critérios como o PIB. ‘A estabilidade dos países resulta da situação dos seus habitantes. Não é de critérios de PIB. É a situação dos habitantes que torna os Estados estáveis ou não estáveis, porque se as pessoas não tiverem nada a perder ou a ganhar o país não é estável’, adiantou.

Precisou que um país só é estável quando as pessoas têm algo a perder, ‘quando dizem eu vou perder e o meu filho não vai à escola, eu não vou ter o meu emprego. Agora, se o meu filho não vai à escola, não vou ter emprego, não tenho rendimento para ele, não há estabilidaede. Pode haver o PIB que se quiser e eu acho que é preciso que nós, os paises africanos, comecemos a ter uma nova visão das coisas e é preciso que o BAD veja bem esta questão dos privados em Angola, porque não há. Vamos ser excluídos. E quando as pessoas se sentem excluídas não estão para garantir estabilidade nenhuma’.

Lopo do Nascimento colocou estas e outras questões à mesa, numa sessão em que estiveram presentes os ministros das Finanças, Armando Manuel, e João Baptista Borges, da Energia e Águas.

IMPRENSA RETIRADA DA SALA

Diante da evidência e frontalidade de alguns recados de Lopo do Nascimento, um caso insólito e até mesmo incompreensível, foi notado com a atitude do assessor de imprensa do Ministério das Finanças, o também jornalista da Radio Nacional de Angola (RNA), Amílcar Xavier, que num tom menos cortes impediu os jornalistas presentes na sala de continuarem a realizar o seu trabalho, principalmente o repórter do semanário OPAIS, quando o ex-deputado do MPLA intervinha.

Amílcar Xavier alegou que, por orientação do ministro das Finanças, os jornalistas não deviam permanecer na sala. “O ministro disse que nesta parte a imprensa não podia estar. Compreenda o meu trabalho, estou como assessor”, indicou, atitude esta que indignou alguns presentes que presenciaram a cena e principalmente o jornalista visado.

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