Económia

Bank of America afasta-se de empresa com ligações a Isabel dos Santos

Luanda - O Bank of America saiu do processo de venda de uma participação da Amorim Energia na Galp devido à ligação da empresa portuguesa à empresária angolana Isabel dos Santos.

Fonte: VOA

A notícia é avançada nesta segunda-feira, 26, pela agência de notícias financeiras Bloomberg, que adianta que o banco americano acabou por não assinar o contrato, numa altura em que está a levar a cabo uma discussão interna que inclui riscos na sua reputação devido aos serviços que presta.

 

Nem o Bank of America nem Isabel dos Santos disponibilizaram-se a falar com a Bloomberg sobre o assunto.

 

A Amorim Energia vendeu 5% da Galp, por 450 milhões de dólares, passando, assim, a deter uma posição na petrolífera de 33,34%, mas mantendo "a sua posição de accionista de referência desta sociedade", tal como disse que pretendia.

 

A nomeação de Isabel dos Santos pelo pai, o Presidente angolano José Eduardo dos Santos, para a presidência do Conselho de Administração da Sonangol e as ligações das suas empresas ao poder público têm levantado sérias dúvidas junto de instituições financeiras na Europa e nos Estados Unidos.

 

A Bloomberg refere-se a preocupações cada vez maiores de bancos de investimentos globais, como o Bank of America, frente a riscos para a sua reputação num ambiente competitivo e com um maior escrutínio depois de inúmeros casos em que empresas foram acusadas de ter relações impróprias com determinados clientes.

 

Isabel dos Santos congratula-se com solução encontrada para o BPI

Lisboa - A empresária Isabel dos Santos congratulou-se com o resultado da votação de quarta-feira na assembleia-geral do BPI. Os acionistas do banco liderado por Fernando Ulrich aprovaram a desblindagem dos estatutos, o que permite que a OPA do CaixaBank sobre o BPI avance. Para Isabel dos Santos, que detém 18,6% do BPI e que se absteve na votação, este resultado reflete “o consenso entre os acionistas”.

Fonte: Lusa

Numa nota enviada às redações, a empresária angolana escreve ainda que “estão reunidas as condições para que tanto o BPI como o BFA [Banco de Fomento de Angola, controlado em 51% pelo BPI] possam consolidar as suas posições nos mercados português e angolano”.


Para já ainda não se sabe se Isabel dos Santos vai vender a participação que tem no BPI ao CaixaBank, que aumentou a proposta de aquisição de 1,11 para 1,13 euros.

 

Na votação da desblindagem dos estatutos do banco, Isabel dos Santos absteve-se. A empresária era, até aqui, contra essa alteração, mas uma carta enviada na terça-feira pelo BPI para Luanda, com uma proposta de venda de 2% do capital do Banco do Fomento de Angola à Unitel, empresa controlada pela empresária angolana, terá sido determinante para a mudança de opinião de Isabel dos Santos. Controlar a maioria do capital do BFA é uma pretensão antiga da empresária. Porém, ainda não se sabe se a angolana aceitará a proposta do BPI.

Fitch espera pior desempenho económico de Angola em 14 anos e corta rating

Luanda - A agência de notação financeira Fitch desceu a classificação da dívida soberana de Angola para B, numa categoria que é conhecida como "lixo", com perspectiva de evolução "negativa" e prevendo em 2016 o pior desempenho económico angolano em 14 anos.

Fonte: Lusa

A Fitch cortou o rating soberano de Angola de B+ para B, que é o quinto nível do chamado "lixo" (já que recai numa categoria de investimento especulativo, em vez de ser considerado investimento de qualidade).



No passado dia 25 de Março, a agência tinha mantido a classificação em B+ e descido a perspectiva ("outlook") para "negativa", pelo que já se esperava que pudesse vir a cortar a classificação soberana. Ao manter a perspectiva negativa, está a dar um sinal de que poderá voltar a descer o rating de Angola.


No actual patamar, a agência considera que o investimento na dívida soberana de Angola é altamente especulativo, havendo risco de crédito com margem de segurança limitada.



No relatório desta avaliação, divulgado na sexta-feira, 23 de Setembro, agência recorda que Angola continua a ser penalizada por um "severo choque petrolífero", tendo em conta que 95% das exportações angolanas são petróleo e que metade das receitas fiscais do país provêm dessas vendas, as quais caíram fortemente desde o final de 2014, com a baixa da cotação internacional do barril de crude.


"O sector petrolífero mantém algum dinamismo (a produção chegou em média aos 1,76 milhões de barris por dia em 2016), mas a Fitch estima que a economia cresça zero em 2016, contra 3% em 2015, e que registe a pior performance em 14 anos [desde 2002, fim da guerra civil]", lê-se no documento.

 

No mesmo relatório, a Fitch destaca que a pressão contínua sobre a balança de pagamentos de Angola levou as autoridades a restringirem a disponibilidade de moeda, "criando uma severa escassez de liquidez".


Na revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) aprovado este mês pelo Governo angolano, a previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2016 passa dos anteriores 3,3% para 1,1%.


A agência de rating prevê ainda uma inflação média de 30% para 2016, abaixo da previsão de 38,5% definida pelo Governo e dos 38,1% já atingidos em Agosto último. Igualmente mais otimista é a previsão de défice das contas públicas, que se cifra em 5,8% do PIB em 2016, contra os 6,8% que o Governo definiu no OGE revisto.


Até 2018, a Fitch agência diz ainda esperar, em média, um défice orçamental de 5,5% do PIB, por ano.


A agência de notação financeira recorda que entre Janeiro e Agosto de 2016 o Banco Nacional de Angola vendeu apenas 6.000 milhões de dólares em divisas no mercado interno, contra os 12.000 milhões do mesmo período de 2015, o que "contribuiu" para o agravamento das taxas de câmbio e procura no mercado paralela.


Ocorreu igualmente, em paralelo, uma forte desvalorização do kwanza, face ao dólar norte-americano, pela que a Fitch conclui que o PIB ‘per capita' em Angola desça este ano para 3.000 dólares, o valor mais baixo desta década.


A Fitch prevê que a cotação média do barril de crude no mercado internacional se mantenha nos 42 dólares, quando na revisão do OGE o Governo angolano baixou a previsão nacional de 45 para 41 dólares.


Recorde-se que uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) regressará a Angola na segunda quinzena de Outubro, no âmbito das consultas regulares da instituição e depois de o Governo ter recuado no pedido de assistência que apresentou em Abril.

Governo endivida-se em quase USD 1,4 mil milhões para salvar o BPC

Luanda - O Estado vai emitir USD 1,375 mil milhões em dívida a favor da sociedade pública criada para gerir alguns activos financeiros do Banco de Poupança e Crédito (BPC).

Fonte: Lusa

A informação consta de um decreto presidencial com data de 15 de Setembro e ao qual a Lusa teve hoje acesso, sendo que a sociedade em causa, Recredit – Gestão de Activos, já foi apelidada pela imprensa como uma espécie de “banco mau” do BPC.


Aquando da criação desta sociedade, que a Lusa noticiou a 21 de Julho último, num documento governamental aludia-se então à “necessidade do Estado proceder à gestão de determinados activos financeiros” do BPC, “através de uma entidade que se dedique de modo exclusivo a esta atividade”.


Com o decreto deste mês prevê-se, segundo se lê no documento, a emissão de Obrigações do Tesouro em Moeda Nacional no valor máximo de Kz 231,127 mil milhões (USD 1,375 mil milhões) a favor da Recredit, “com o objectivo exclusivo de serem utilizadas como contrapartida no processo de cedência de activos do BPC”.


A sociedade anónima de capitais públicos Recredit foi criada enquanto participada a 100 por cento pelo Ministério das Finanças.


O activo total do BPC está avaliado em Kz 1,399 biliões (USD 8,316 mil milhões).


O Ministério das Finanças anunciou no final de Outubro de 2015 o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento ao processo de reestruturação do BPC, através de uma linha de crédito para financiar o plano de desenvolvimento daquele banco público e o alargamento da sua carteira de empréstimos para USD 800 milhões nos próximos cinco a sete anos.


A par do empréstimo, aquele grupo africano vai ainda apoiar o BPC na aplicação de um sistema de gestão de riscos.


O BPC conta com mais de 5.200 trabalhadores e 400 agências para um total de clientes superior a 2,2 milhões, mas viu os resultados líquidos descerem quase 7 por cento de 2014 para 2015, para Kz 8.289 milhões (USD 49,17 milhões).


Do total de crédito contabilizado até ao final do ano passado pelo BPC, Kz 218.418 milhões (USD 1,298 mil milhões) correspondem a crédito vencido, por sua vez um aumento de quase 84 por cento igualmente em dois anos e 16,1 por cento tendo em conta o registo de 2014.


O banco tem constituídas provisões de 6,1 por cento sobre o total do crédito concedido, ainda assim o dobro de 2014, mas abaixo dos 8 por cento de 2013, apresentando um rácio de solvabilidade no final de 2015 de 11,3 por cento.


A Lusa noticiou há precisamente um ano que o Estado iniciou um processo de aumento do capital social do BPC para garantir a sua viabilidade.


De acordo com informação transmitida então pelo presidente do Conselho de Administração do estatal BPC, Paixão Júnior, o Ministério das Finanças já transferiu títulos do tesouro no valor de USD 270 milhões para garantir uma parte desse aumento de capital.


Acrescentou que os outros dois accionistas, o Instituto Nacional da Segurança Social e a Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas também vão “ajustar a parte correspondente a esta injecção de capital”.


O presidente do conselho de administração do BPC disse que esta operação era necessária para reforçar o índice de solvabilidade da instituição – relação entre os activos e os créditos concedidos -, que ficará em cerca de 13 por cento, numa melhor posição do que o valor mínimo exigido pelo Banco Nacional de Angola, que é de 10 por cento.

"Polícia" dos mercados em Angola tem nova presidente

Luanda - O Presidente angolano nomeou esta sexta-feira, 23 de Setembro, Vera Esperança dos Santos Daves para o cargo de presidente do conselho de administração da Comissão de Mercado de Capitais, depois da saída de Archer Mangueira para as funções de Ministro das Finanças.

Fonte: Lusa

De acordo com uma nota enviada à Lusa pela Casa Civil do Presidente da República, o ajustamento da composição do conselho de administração da Comissão de Mercado de Capitais, além de Vera Daves, que já era administradora executiva, envolve a nomeação, por decreto, de Mário Edison Gourgel Gavião, Hélder da Costa Cristelo, Ottoniel Lobo Carvalho dos Santos e Elmer Vivaldo de Sousa Serrão, para administradores executivos.


Esta reorganização na Comissão de Mercado de Capitais surge após a exoneração, decidida pelo Presidente, José Eduardo dos Santos, a 5 de Setembro, de Armando Manuel do cargo de ministro das Finanças e da nomeação para o seu lugar de Archer Mangueira, que liderava até então aquela instituição.

"Não há diversificação da economia angolana e situação vai piorar", diz Alves da Rocha

Luanda - As condições de vida dos angolanos vão piorar, avisou o director do Centro de Estudos de Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, um proeminente economista para quem a apregoada diversificação da economia não existe.

*Teodoro Albano
Fonte: VOA

Alves da Rocha disse no Lubango que os indicadores actuais demonstram que não tem havido em Angola a diversificação da economia apontada pelo Executivo como uma das reformas estruturais necessárias para o crescimento económico do país sem a dependência da produção de petróleo.

Aquele especialista disse que, apesar de ter havido em 2015 uma diminuição do peso do petróleo no Produto Interno Bruto (PIB) na ordem dos 35 por cento, "isto por si só não significa diversificação da economia".

Segundo o economista que anunciou para finais do corrente ano a publicação de um livro sobre a diversificação da economia, fruto de um estudo levado a cabo pela instituição nos últimos três anos, o grande problema é pensar-se que substituição das importações significa que se está alcançar a diversificação.

“Substituição de importações não é diversificação da economia”, afirmou o economista para quem qualquer estudo da diversificação tem que estar concentrado “nas exportações”.

“Um país é mais ou menos diversificado consoante os índices que existem nos manuais de economia internacional que medem a diversificação das exportações”, afirmou.

Alves da Rocha, que fazia uma dissertação sobre o estado da economia de Angola e as perspectivas até 2020 por ocasião dos 33 anos da faculdade de economia da Universidade Mandume Ya Ndemufayo do Lubango, comemorados recentemente, fez uma previsão difícil da economia do país dentro dos próximos quatro anos face à instabilidade do mercado petrolífero internacional.

"Nós fizemos dois cenários: um mais optimista e um de base, e a conclusão é que de facto que não vamos crescer a mais de 3 a 3,5 por cento ao ano até 2020”, garantiu.

Mais à frente, Alves da Rocha avisou que se "nós pensarmos que a taxa de crescimento da população estimada no censo é de 2, 71% podemos facilmente chegar à conclusão de que até a esta altura vai ocorrer uma degradação das condições de vida da população”.

O director do Centro de Estudos de Investigação Científica da Universidade Católica de Angola revelou-se ainda perplexo com a aprovação recente pelo parlamento do Orçamento Geral do Estado revisto de 2016 a pouco menos de três meses do final do ano.

Fundo Soberano perdeu USD 486 milhões em dois anos

Luanda - O Fundo Soberano de Angola (FSDEA), liderado por José Filomeno dos Santos, filho do presidente José Eduardo dos Santos, perdeu em dois anos USD 486 milhões.

Fonte: RA/Expansao

De acordo com a publicação do Expansão, o Fundo Soberano recebeu uma dotação inicial de USD 5 mil milhões e mais USD 46 milhões para despesas da organização e instalação, perfazendo um total de USD 5.046 milhões. Segundo o último balancete do FSDEA, divulgado a 31 de Março deste ano, o valor total dos activos é actualmente de USD 4,56 mil milhões.


O jornal disse que por diversas vezes contactou o Fundo Soberano para obter mais informações sobre a desvalorização dos investimentos colocados à sua disposição pelo governo, mas não obteve resposta. Bem como não teve qualquer resposta sobre a não divulgação das demonstrações financeiras relativas ao ano de 2015, que foram, inclusive auditadas por uma entidade independente.


O Expansão questiona ainda o comunicado do FSDEA, que, segundo o jornal, não deixa claro sobre a que se referem os activos de USD 4,56 mil milhões. Enquanto que numa parte do documento se referem ao montante como “o valor total dos activos”, em outra parte, descreve a publicação, diz apenas “o valor total dos activos presentes no portefólio”.


A notícia explica que o portefólio do Fundo Soberano é constituído “por investimentos directos, através de fundos de private equity constituídos pelo próprio FSDEA, e títulos e valores mobiliários, como acções, obrigações e fundos de cobertura”. No último balancete divulgado, de acordo com cálculos do Expansão, a carteira de títulos valia USD 1.840 milhões, enquanto que os fundos private equity para investimentos interno e em países da África Subsariana totalizavam USD 2.720 milhões.


“Estes fundos visam gerar novas fontes de receita para o Estado, bem como apoiar o desenvolvimento de novos ramos industriais, além da exploração petrolífera. Apesar da instabilidade económica da região, continuaremos a investir em ramos e classes de activos específicos para colher receitas durante a retoma do ciclo económico no continente africanos”, disse o presidente do Fundo Soberano, José Filomeno dos Santos.

Bancos centrais de Angola e África do Sul acordam cooperação

Luanda - Os bancos centrais de Angola e da África do Sul vão avançar com acordos de assistências técnica de supervisão bancária e controlo cambial, entre outras matérias, foi hoje divulgado em Luanda.

Fonte: Lusa

De acordo com uma nota do banco central angolano, o governador do Banco Nacional de Angola, Valter Filipe, viajou quinta-feira para a África do Sul, em visita oficial a convite do seu homólogo, Lesetja Kganyago.

 

Além do reforço das relações bilaterais entre as duas instituições de supervisão, a visita " serve ainda para de partilhar as ações que o BNA e a banca comercial angolana estão a empreender", no sentido de "adequar o sistema financeiro angolano às normas prudenciais e às boas práticas internacionais".

 

"O encontro será também uma oportunidade para o melhoramento das relações entre os bancos comerciais angolanos e sul-africanos, principalmente, em matérias de trade finance, project finance e correspondent banking", explica o BNA.

 

Trata-se de um assunto particularmente relevante para a banca angolana, que devido à pressão internacional tem sido afastada do acesso ao mercado de divisas (dólares).

 

Há precisamente um ano foi noticiado que a Reserva Federal dos Estados Unidos decidiu suspender a venda de dólares a bancos sediados em Angola, devido à alegada contínua violação das regras de regulação do setor e suspeita de que o país possa estar a financiar redes de terrorismo. A decisão do banco central americano teria sido comunicada pelo First National Bank da África do Sul, intermediador destas operações no mercado angolano.

 

Durante a visita do governador do BNA à África do Sul, refere a mesma informação, serão celebrados dois acordos, nomeadamente, de assistência técnica em supervisão bancária, inclusão financeira, controlo cambial, tecnologia de informação, política monetária, cambial e gestão das reservas internacionais líquidas, bem como um de formação envolvendo as academias dos dois bancos centrais.

 

Angola tem vindo a adotar vários instrumentos com vista a contrariar as críticas de que é alvo externamente sobre o alegado branqueamento de capitais no país, situação que tem sido agravada pela crise que o país atravessa.

 

O BNA anunciou em fevereiro último, em comunicado, que o país saiu do radar internacional da vigilância sobre branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, o que, segundo a instituição, permitirá melhorar a qualidade do crédito nacional.

Embora o banco central não o diga expressamente, a situação então confirmada, de "cumprimento escrupuloso das regras de compliance" por Angola e respetivas instituições bancárias nacionais, poderá aliviar as graves dificuldades dos bancos angolanos no acesso a divisas (dólares) no mercado internacional.

"A implementação pelo BNA das recomendações que constam do Plano Diretor do Grupo de Ação Financeira Internacional [GAFI], ditou progressos significativos do país", refere o banco central.

O BNA assegurou que "deixou de estar sujeito ao processo de monitoramento contra o branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo (AML/CFT) a nível global", de acordo com o recente relatório emitido pelo GAFI, que visitou o país e os bancos nacionais em janeiro.

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