Política

Angola: O império luso começou a cair há 55 anos

Luanda - A 4 de fevereiro de 1961, centenas de homens mal equipados atacaram locais estratégicos de Luanda. Os estragos foram limitados, mas a mudança estava em marcha.

Fonte: IonLine

Eram outros tempos, mas graças a um comunicado do Governo-Geral de Angola chegado através do Secretariado Nacional de Informações, o “Diário de Lisboa” conseguiu relatar, logo a 4 de fevereiro de 1961: “Na noite passada, três grupos de indivíduos armados pretenderam assaltar a Casa de Reclusão Militar, o quartel da Companhia Móvel da Polícia de Segurança Pública e as Cadeias Civis de Luanda.” O mesmo artigo de primeira página acabava a garantir que os responsáveis haviam sido detidos e que a “ordem” estava “restabelecida”.

 

Não era bem assim. A data é hoje celebrada pela 55.a vez em Angola, como Dia da Luta Armada de Libertação Nacional. Muito por culpa da falta de meios dos revoltosos, não houve presos políticos libertados e o número de vítimas foi relativamente baixo, apenas entre assaltantes e forças policiais. Mas o 4 de fevereiro, que viria a ser reivindicado pelo Movimento Pela Libertação de Angola (MPLA), cumpriu o objetivo principal de um homem que, nas décadas seguintes, foi sendo apontado como figura central.

 

Num texto escrito há uma década sobre esta data, o historiador luso-angolano Carlos Pacheco diz que “na origem da rebelião de 1961, como seu inspirador, esteve o cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves, mestiço, natural da vila do Golungo-Alto e missionário secular da arquidiocese de Luanda”. Outro historiador e jornalista, Emídio Fernando, citou o também padre Joaquim Pinto de Andrade a recordar as conversas em que Mendes das Neves dizia “ser preciso quebrar o mito” de que os angolanos gostavam de ser portugueses, defendendo a tese de que não era necessário “muita coisa para se fazer uma guerra e vencer. Basta fazer um ato que dê brado lá fora e quebre o mito”.

 

Com a ajuda do escândalo do Santa Maria, que o revoltoso capitão Henrique Galvão se preparava para desviar para Luanda, a capital angolana estava “apinhada de jornalistas, cineastas e locutores de rádios”, como confirma um relatório da PIDE. Sem grandes meios, a oportunidade foi aproveitada. E o plano de Mendes das Neves resultou: ainda segundo Emídio Fernando, “dias depois, logo após os funerais das vítimas, grupos de civis brancos organizavam autênticas batidas pelos musseques da periferia de Luanda, provocando a morte de centenas de pessoas”.

 

Numa Angola que nos 12 meses anteriores assistira à declaração de independência de 16 países africanos, incluindo a vizinha República Democrática do Congo, estava dado o mote para a luta. Nova revolta nas prisões de Luanda, dias depois, faz sete vítimas mortais, todas entre reclusos. Longe da capital, a norte, a União dos Povos de Angola (UPA) – que mais tarde se transformaria em FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola) e em inimigo do MPLA na guerra civil que se seguiu à independência – preparava--se para dar nova dimensão à luta.

 

A 15 de março, centenas de brancos, mestiços e negros que eram obrigados sazonalmente a deslocar-se do sul para o norte em trabalho começam a ser barbaramente atacados pelas ações de guerrilha da UPA em zonas rurais onde não havia proteção militar. No mesmo dia, em Lisboa, Salazar ordena a partida de quatro companhias de caçadores para reforço da guarnição de Angola. Mas só a 13 de abril é que o presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, proferiu a célebre frase “para Angola, rapidamente e em força”.

O conflito vai ganhando dimensão geográfica até chegar ao enclave de Cabinda. Civis brancos formam milícias, Portugal envia milhares de soldados por via aérea e marítima. MPLA, FNLA e UNITA lutariam por mais de uma década, não só contra as forças portuguesas – com quem chegaram a colaborar em alguns momentos do conflito –, mas também entre si. No lado português, o Estado-Maior General das Forças Armadas cifra o número de baixas em 3455. Sem números oficiais, parece consensual que mais de 50 mil – há quem diga o dobro – perderam a vida na luta independentista. Mas só a revolução portuguesa, a 25 de abril de 1974, abriria as portas à vitória, sem que isso garantisse a paz imediata para o país, como mostraram as várias etapas da guerra civil que durou até 2002.

 

Angola: Presidente da República inaugura parque de estacionamento

Luanda - O Largo do Ambiente, na baixa de Luanda, foi hoje, quinta-feira, reinaugurado pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, depois de ter beneficiado de obras de requalificação e modernização.

Fonte: Angop

Localizado numa das zonas mais nobres da capital angolana, entre o Eixo Viário e a igreja da Nazaré, e a poucos metros da representação da ONU, no município de Luanda, a obra enquadra-se no âmbito da requalificação urbana de que Luanda está a beneficiar, com o objectivo de oferecer uma melhor qualidade de vida aos seus habitantes e visitantes.

 

O Largo do Ambiente é composto por duas rotundas, uma praça central e um parque de estacionamento subterrâneo. A rotunda superior tem 2.100 metros quadrados, a praça central 4.700 e a rotunda inferior 2.140, perfazendo um total de 8.940 metros quadrados.

 

Nas três partes que compõem o largo, foram construídas plataformas pontuadas com mobiliário urbano em forma de bancos circulares, que oferecerão 21 lugares de contemplação da paisagem circundante, sob a sombra de árvores plantadas ao centro de cada banco.

 

Existem seis tipos de luzes que acentuam a vegetação plantada em canteiros, árvores, postes decorativos e pinázios em granito.

 

Nos arranjos paisagísticos foram utilizadas espécies de árvores como “Washingtonis Filifera” (palmeira de leque), “Delonix Regia” (acácia rubra), “Albizia Jullbrissin” (mimosa) e a “Ficcus Rubiginosa” (figueira), todas elas espécies muito experimentadas nos arruamentos luandenses.

 

Abaixo da cota da praça encontra-se o parque de estacionamento, composto por cinco pisos, com uma capacidade total de 525 vagas para automóveis, 11 das quais são reservadas para pessoas portadoras de deficiência física, e 33 lugares para o parqueamento de motociclos.

 

O parque está dotado de um sistema de Gestão Técnica Centralizada, vídeo vigilância (o CCTV) e com um sistema de combate a incêndios.

 

Estão instaladas portas e cortinas corta-fogo, detectores de monóxido de carbono, detectores de fumo e extintores de incêndios. A insuflação e a extração do ar são feitas por um conjunto de ventiladores.

 

Os sistemas hidráulicos de abastecimento de água e drenagem encontram-se devidamente instalados, incluindo os respectivos acessórios, bombas e reservatórios.

 

Estão instalados dois elevadores com capacidade para transportar 10 pessoas cada, dois geradores de 665KVA e um Posto de Transformação de 630KVA.

Justiça francesa deve pronunciar-se a 24 de março sobre imagem de Savimbi no jogo "Call of Duty"

Paris - A justiça francesa deve pronunciar-se a 24 de março sobre o uso da imagem de Jonas Savimbi no jogo "Call of Duty", explicou hoje à Lusa Cheya Savimbi, filho do fundador da UNITA.

Fonte: Lusa

A família de Jonas Savimbi exigiu hoje, num tribunal da região de Paris, "a reabilitação do nome" do líder histórico da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que considera ter sido mal utilizada no jogo de vídeo.

 

"O que nós exigimos é a reabilitação do nosso nome porque o jogo utiliza textualmente o nome de Jonas Savimbi e os dados biográficos. De uma certa maneira, todos nós nos sentimos tocados, filhos e netos de Savimbi", descreveu Cheya Savimbi, residente em Paris, depois de sair da sala de audiências.

 

A família defendeu que o jogo transmite uma imagem de "selvagem" de Jonas Savimbi, ignorando o seu papel político.

 

"O principal argumento é que há um desvio da personagem que era o nosso pai. Um desvio e uma limitação do seu papel político-histórico em Angola e no mundo. Esta redução é muito mais grave porque o jogo é utilizado por jovens que não conhecem a história de Angola e que ficarão com a impressão que tinha uma personalidade selvagem, puramente assassina, sanguinária", acrescentou Cheya Savimbi.

 

A família do líder histórico da UNITA exige uma indemnização de um milhão de euros e a retirada do mercado da versão "Black Ops II", de 2012, do jogo, mas "a motivação primeira nunca foi financeira", sublinhou Cheya Savimbi.

 

"Pedimos que retirem o jogo, mas é preciso ser claro, o dinheiro não é a nossa motivação principal. É mais a reivindicação. O trabalho que fez o nosso pai é inestimável. Se hoje existe democracia em Angola foi graças ao trabalho que foi feito", disse.

 

Cheya Savimbi declarou, ainda, que a família está "confiante" que a justiça penalize a filial francesa da empresa norte-americana Activision Blizzard, que edita o jogo, até porque herdou "o otimismo" do pai.

 

O jogo utiliza a imagem de Savimbi numa missão no Cuando Cubango, em 1986, no auge da guerra civil angolana, ajudando o herói Alex Mason a resgatar um agente da CIA, numa alusão à aliança da UNITA com os Estados Unidos, durante a Guerra Fria.

 

Jonas Savimbi foi morto em 2002 por forças governamentais, levando ao fim da guerra civil em Angola, ao fim de quase três décadas.

 

Lançado em 2003, "Call of Duty" também já utilizou a imagem de Fidel Castro, John F. Kennedy e do ex-ditador do Panamá Manuel Noriega, o qual processou a editora do jogo por atentar contra a sua reputação, mas a justiça norte-americana recusou a queixa em 2014 em nome da liberdade de expressão.

Bento Kangamba e Makuta Nkondo em "fogo cruzado"

Luanda - O jornalista e ex-deputado pela Unita Makuta Nkondo e o membro do Comité Central do MPLA Bento dos Santos Kangamba trocaram uma série de opiniões em torno da crise económica e do facto de os próximos do Presidente da República terem acesso a rios de dinheiro.

*Coque Mukuta
Fonte: VOA

Nkondo acusa Kangamba de se enriquecer de forma ilícita e culpa a família de José Eduardo dos Santos de desvio de fundos públicos.

Em resposta, o general diz ter dinheiro antes mesmo de se casar com a sobrinha do chefe de Estado e desafia Makuta Nkondo a procurá-lo para lhe mostrar a origem do seu dinheiro.

Não é a primeira vez que se questiona a origem do dinherio do empresário e membro do comité central do MPLA, Bento dos Santos Kangamba.

Também conhecido como "empresário da juventude", Kangamba, que é casado com uma sobrinha do Presidente José Eduardo dos Santos, patrocina espectáculos musicais, festas, oferece dinheiro na rua, ajuda a enfrentar calamidades naturais.

Makuta Nkondo, jornalista e ex-deputado pela Unita, diz não acreditar na crise económica por que passa Angola e pergunta como o povo está mal e os filhos do Presidente são os mais ricos de África.

Nkondo afirma ainda desconhecer qualquer empresa ligada a Bento Kangamba e por isso não sabe quais são as origens do dinheiro daquele membro da direcção do MPLA.

Bento Kangamba afirma ser detentor de dinheiro há já muito tempo e pede a Mukuta Nkondo para lhe procurar que lhe vai mostrar todas as suas empresas e a origem do seu dinheiro.

Kangamba diz ainda que mesmo em tempo de crise financeira e com falta de dólares ele está bem.

Na troca de acusações, Makuta Nkondo acusa a população de ser alérgica a protestos e afirma mesmo estar desposto a encabeçar manifestações para reclamar por melhores condições de vida para os angolanos.

BP do MPLA aprova Higino Carneiro para Primeiro Secretário de Luanda

Lisboa - O Bureau Político do MPLA, aprovou recentemente uma resolução orientando os comitês províncias de Luanda e Cuando Cubango a realizarem no próximo dia 12 de Fevereiro, uma conferencia extraordinária para permitir a entrada e a subsequente eleição formal dos militantes Francisco Higino Lopes Carneiro e de Pedro Mutindi, respectivamente.

Fonte: Club-k.net

Em substituição de Bento Bento

Francisco Higino Carneiro e Pedro Mutindi foram nomeados governadores provinciais destas duas províncias. A orientação do BP do MPLA é com vista a por em prática uma norma interna em que os chefes dos executivos provinciais são ao mesmo tempo os primeiros secretários provinciais do partido.

 

Desta feita, o general Higino Carneiro deverá assumir os destinos do Comité do MPLA em Luanda que foram durante vários anos liderados pelo carismático Bento Francisco Bento que doravante se centrará integralmente nas suas tarefas de Segundo Vice-Presidente da Assembleia Nacional.

 

Para Luanda, deverá ser escolhido também um novo Segundo Secretário Provincial, em substituição de Jesuino Silva. Os nomes mais ventilados para a referida substituição são os de Job Castelo Capapinha e Carolina Forte, esta última que já ocupou este cargo antes de se transferir para o Departamento de Informação e Propaganda do Comitê Central do partido.

 

De acordo com consultas, a escolha do Segundo Secretário deverá acontecer em Maio, mês marcado para a conferencia ordinária onde se fará a renovação dos membros do CPPL e seu respectivo balanço.

BD deplora que os objectivos do “4 de Fevereiro” não tenham sido plenamente alcançados

Luanda - 1. O BLOCO DEMOCRÁTICO, BD, por ocasião do 55.o aniversário do “4 de Fevereiro”, inclina-­se perante a memória de todos aqueles que tombaram e rende a merecida homenagem a todos angolanos que com elevada exaltação nacionalista protagonizaram essa acção espectacular que rompeu definitivamente o “muro de silêncio” em relação a questão colonial de Angola, quebrando a imagem da “harmonia das populações” e da inexistência de contestação séria à colonização portuguesa. Nesse dia começou “a acção directa” anunciada por Mário Pinto de Andrade, em Londres, no ano anterior. Estavam esgotados todos os meios pacíficos de autodeterminação e, perante a teimosia do colonial­fascismo, não havia outra saída.

Fonte: BD

2. O BD reconhece que nesta primeira acção armada de impacto nacional e internacional do nacionalismo angolano, que se traduziu no ataque às esquadras da polícia e às cadeias com o intuito de libertar largas dezenas de presos políticos angolanos feitos pela PIDE, a exiguidade dos meios (já que as principais armas eram catanas) fez fracassar a operação e permitiu o desabar de uma onda repressiva que levou milhares de angolanos para as cadeias e desmantelou quase completamente as redes nacionalistas clandestinas mas não diminuiu a importância estratégica do acto para a luta de libertação de todos os povos africanos colonizados por Portugal.

3. O BD partilha a opinião de que o “4 de Fevereiro” foi uma acção que envolveu nacionalistas filiados em diversas organizações entre os quais se destacou inequivocamente o Cónego Manuel das Neves e constitui, para sempre, uma data histórica nacional de todos e para todos os angolanos, uma data que deve ser de UNIDADE DE TODA A NAÇÃO.

4. O BD deplora que os objectivos do “4 de Fevereiro” não tenham sido plenamente alcançados, nem em 11 de Novembro de 1975, nem em 5 de Setembro de 1992, nem ainda com o fim da guerra fratricida em 2002, mas acredita que os angolanos estão ainda em tempo de honrar o gesto patriótico dos seus heróis se com a mesma exaltação patriótica e determinação assumirmos a nossa cidadania e dermos passos decisivos para a realização de eleições autárquicas, retomarmos as eleições legislativas e presidenciais e travarmos a autocracia, o nepotismo, a ditadura e a predação rumo ao desenvolvimento do país e do bem­ estar de todos os angolanos. BEM HAJAM OS HERÓIS DO 4 DE FEVEREIRO

Luanda aos 29 de Janeiro de 2016

Pela Comissão Política

JUSTINO PINTO DE ANDRADE (Presidente do BD)

LIBERDADE, MODERNIDADE CIDADANIA

Deputado do MPLA diz haver uma campanha internacional contra o Governo

Luanda - O MPLA considera que as conclusões dos recentes relatórios de duas organizações de defesa dos direitos humanos e da Transparência Internacional fazem parte da campanha que visa desacreditar o Estado angolano diante da comunidade internacional.

Fonte: VOA

Na última semana a Human Rights Watch acusou o Governo angolano de continuar a violar os direitos humanos, enquanto que a Freedom House afirmou que o declínio das liberdades através do mundo continuou pelo décimo ano consecutivo sendo Angola o único país africano de língua portuguesa a descer no índice daquela organização, mantendo-o no grupo de países não-livres.

 

Por seu turno, a organização de luta contra a corrupção Transparência Internacional colocou Angola no grupo dos países mais corruptos do mundo.

 

O quarto vice-presidente do grupo parlamentar do MPLA João Pinto diz que tais relatórios são elaborados com base em informações pouco credíveis, fornecidas por entidades ligadas à oposição política e a figuras que só sabem falar mal do Governo angolano.

 

“Não é essa gente que em tempo de guerra andou a fazer relatórios a condenar a Unita por violar os direitos, mas nunca apresentou crimes de guerra contra eles?”, questionou Pinto.

 

No que toca à corrupção, o deputado do partido governamental considera que o fenómeno "é transversal a todos os países e não é apenas um problema de Angola".

 

O relatório da Freedom House referiu que, frente à queda dos níveis de vida e com o potencial de agitação social, alguns países, como Angola e o Azerbaijão, "recorreram à repressão de activistas dos direitos humanos e outros críticos dos regimes".

 

Por sua vez, o relatório da Human Rights Watch (HRW), publicado na passada semana, acusa o Governo angolano de “continuar a violar os direitos humanos, apesar dos vários compromissos assumidos para melhorar o seu historial”

 

Enquanto isso, a organização de luta contra a corrupção Transparência Internacional coloca Angola no grupo dos países mais corruptos do mundo, ou seja na categoria de países “altamente corruptos”, juntamente com a Guiné-Bissau e mais 14 Estados.

Samakuva revela que UNITA terá Governo Sombra coordenado por Raúl Danda

Luanda - Discurso de Encerramento do I Seminário Metodológico dos Quadros e Dirigentes da UNITA

Fonte: UNITA

Caro companheiro Dr. Raul Manuel Danda- Vice Presidente da UNITA
Prezado companheiro Franco Menezes Marcolino Nhany- Secretário Geral da UNITA,
Prezado companheiro Dr. Rafael Massanga Savimbi – Secr. Geral Adjunto da UNITA
Distintos membros da Direcção da UNITA
Caros companheiros, membros da UNITA,
Minhas senhoras e Meus senhores

Chegamos ao fim do nosso Seminário Metodológico. Este foi apenas o primeiro. Dentro de pouco tempo, realizaremos outro, visando sobretudo os nossos quadros ao nível da direcção das províncias. Espero que os objectivos que tinham sido traçados para este seminário tenham sido bem compreendidos. A nossa atitude e as nossas acções diárias nas próximas semanas e próximos meses em relação ao trabalho irão dizer-nos se valeu a pena passarmos aqui quase quinze horas de trabalho.

Como dissemos no início deste seminário, estamos no princípio de um novo ano e de um novo mandato. Buscamos uma nova dinâmica. Vamos então para o terreno, para implementarmos os programas do nosso partido no espírito desta nova dinâmica abordada aqui durante o seminário.

Vamos certamente, encontrar várias dificuldades e vários obstáculos na implementãção dos nossos programas. Uns serão de ordem material; outros de ordem conceptual; outros ainda de ordem política. Devemos ter em conta que o terreno da nossa acção é um espaço onde vamos encontrar concorrentes e adversários.

Precisamos de coragem e de trabalho inteligente para ganharmos e consolidarmos a nossa posição. Não precisamos de insultar ninguém para atingir os nossos objectivos. Não precisamos de radicalismos na transmissão da nossa mensagem. Precisamos apenas de dizer a verdade sobre a situação do País e de divulgar o nosso projecto de sociedade e o nosso programa para salvar os angolanos do sofrimento.

Os membros do nosso Governo Sombra que o companheiro Vice Presidente do Partido vai coordenar, assumem uma responsabilidade muito grande neste aspecto.

Juntamente com os sectores da mobilização, da reinserção dos ex-militares e do poder local, deverão trabalhar no sentido de demonstrar àqueles que ainda acreditam na propaganda hostil contra o nosso Partido e, por isso, ainda duvidam da capacidade da UNITA mudar para melhor a situação que o País vive, que o caminho da liberdade, do desenvolvimento, da justiça e do bem estar, passa por votar na UNITA, ou seja, passa por colocar a UNITA na Direcção do País.

Há muita gente que fez muito mal a este povo e a este país que tem medo da UNITA porque pensa que a UNITA vai se vingar um dia. Por isso pintam-na de preto e atribuem à UNITA muitas mentiras e falsidades históricas.

Mas, eu vos digo, companheiros e compatriotas. Examinem os factos e não tenham medo, porque não haverá vinganças. Ninguém tem nada de se vingar porque no passado todos fizemos coisas boas e coisas más. Costumamos dizer que do passado fraticida, culpados somos todos , responsáveis somos todos, vítimas somos todos.

A UNITA não vai tirar os bens de ninguém. Angola é grande e tem espaço e recursos para todos. Vamos respeitar a construção que já está feita e os construtores que a fizeram. Vamos respeitar a propriedade alheia. Entendemos ser este o significado da reconciliação nacional.

Reconciliação é ter nova atitude para com o nosso irmão, é aceitá-lo como diferente, mas com direitos iguais. É promover uma mudança de cultura política. Esta mudança interior tem de se operar em cada um de nós em 2016. O processo de construção de uma nova cultura política envolve também uma reconciliação de memórias.

O perdão passa pela descoberta de uma forma de coabitação entre a vítima e o prevaricador. A prioridade deve ser dada à reconciliação, e não à retribuição. Deve ser dada à justiça restauradora, e não à justiça punitiva.

Para tanto, precisamos de corrigir algumas inverdades implantadas na nossa memória colectiva pelo acidente da propaganda. Por exemplo:

? Muitos de vocês ouviram dizer repetidas vezes que a guerra recomeçou em 1992 porque a UNITA não aceitou os resultados eleitorais. Isto é mentira. Eu tenho aqui cópia da Resolução número 793, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, datada de 30 de Novembro de 1992, que diz claramente no sétimo parágrafo que o Conselho tomou boa nota do facto de que a UNITA aceitou os resultados eleitorais.

? Muitos ficam perturbados pelo facto de a maioria dos membros da UNITA serem do centro ou do sul de Angola. É mera coincidência histórica. O partido tinha de começar num ponto qualquer assim como qualquer empresa ou associação começa num ponto qualquer. Mas isso não a torna uma associação sectária, tribalista, atrasada ou racista. A UNITA é formada por pessoas de todas as raças e origens étnicas. É o partido político angolano com maior diversidade entre os seus quadros técnicos e dirigentes. É verdade que a grande maioria dos membros é pobre ou de poucos meios, mas não é esta a expressão fiel da população angolana?

? Vamos para o terreno, ajudar todos a fazerem esta mudança interior, o que significa ter uma nova atitude para com o nosso partido, fazer uma reconciliação de memória. Os gabinetes sirvam para conceber, planear, criar bancos de dados mas não nos absorvam todo o tempo. Vamos para o terreno ao encontro do cidadão. Expliquemos-lhe o que pensamos do país e o que queremos fazer para mudá-lo a fim de nos proporcionar uma vida melhor. Queremos que a cada cidadão seja permitido participar na construção do futuro, porque é o futuro que nos interessa. O passado é para os historiadores. O futuro é para os visionários, os construtores da paz e do país inclusivo e desenvolvido que todos almejamos.

Aos nossos compatriotas que exercem a sua cidadania através de organizações da sociedade civil, enfatizemos o seguinte:

O país ainda é sufocado por um aparato estatal impermeável, ineficiente, que intervém demasiado nas relações sociais privadas. Para desenvolver as suas potencialidades, Angola precisa de se libertar deste controlo estatal e construir um Estado moderno, eficiente, democraticamente fiscalizado, e virado para a sua função essencial, que é promover o bem público e não controlar o espaço público.

Por isso, a UNITA saúda a intervenção política e social que fazem na afirmação da nacionalidade angolana. Saudamos os movimentos sociais, a juventude, os sindicatos e demais organizações cívicas pela conquista desses espaços. Exortamo-los a prosseguir com coragem e determinação porque os partidos políticos não esgotam os espaços de participação dos cidadãos na vida pública. Há lugar para os independentes e para os movimentos não políticos demonstrarem que são cidadãos.

A fronteira dos espaços de intervenção de cada um está bem definida. Os métodos de intervenção também. Mas temos objectivos comuns para o alcance dos quais podemos fazer convergir nossos esforços e realizações. Por isso, contem connosco. Venham dialogar connosco sempre que desejarem, porque somos parceiros na construção do futuro. Por isso, juntem-se a nós na construção desse futuro.

Companheiros e compatriotas: ide, semeai a mensagem da UNITA em todos os cantos do País. O futuro pertence-nos. Juntos, podemos.


Luanda, 28 de Janeiro de 2016.

Isaías Samakuva

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