Política

Delegação do MPLA participa na convenção do partido democrata dos EUA

Luanda - A convite do Partido Democrata dos Estados Unidos da América, o MPLA está a participar, desde segunda-feira (25), em Filadélfia, Pensilvânia, nos trabalhos da sua Convenção, que deverá confirmar Hillary Clinton como a candidata às próximas Eleições Presidenciais americanas, de oito de Novembro próximo.

Fonte: MPLA

Nesse conclave, o MPLA faz-se representar por uma delegação, chefiada pela camarada Carolina Cerqueira, membro do Bureau Político do Comité Central, que inclui a cda. Ângela Bragança, membro do Comité Central.

 

Durante os trabalhos, que se estendem até sexta-feira, 29, o MPLA, Partido do Governo angolano, vai tomar parte num vasto programa de conferências, de debates e num fórum de líderes políticos de todo o Mundo.

 

Já no ano de 2009, as camaradas Carolina Cerqueira, na qualidade de presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Nacional e Ângela Bragança, como presidente da Comissão das Relações Exteriores do Parlamento, trabalharam com a ex-secretária de Estado norte-americana, Hilary Clinton, por altura da sua visita oficial a República de Angola.

 

A plataforma política que apoia a candidatura de Hilary Clinton centra-se, principalmente, na defesa das fortes reivindicações sociais dos estado-unidenses, na afirmação política do país, numa maior cooperação económica dos Estados Unidos no contexto mundial e no resgate do seu peso na diplomacia internacional.

 

O actual Partido Democrata americano foi fundado por volta de 1828, fazendo dele uma das mais antigas agremiações políticas em actividade no Mundo. Quinze dos 43 presidentes dos EUA foram democratas, incluindo o actual, Barack Obama, que ocupa o cargo desde 2009.

 

MPLA – COM O POVO, RUMO À VITÓRIA
PAZ, TRABALHO E LIBERDADE
A LUTA CONTINUA
A VITÓRIA É CERTA.

Luanda, 26 de Julho de 2016.

O DIP DO COMITÉ CENTRAL DO MPLA.

 

Chefe de Estado angolano regressa ao país

Luanda - O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, regressou nesta segunda-feira a Luanda, proveniente do Reino de Espanha, onde efectuou uma visita privada.

Fonte: Angop

No aeroporto, apresentaram cumprimentos ao estadista o vice-presidente da República, Manuel Domingos Vicente, o presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias do Santos, o juíz presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira, e o governador de Luanda, Higino Carneiro.

 

Apresentaram ainda cumprimentos ao Chefe de Estado angolano os ministros de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Edeltrudes Costa, de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Hélder Vieira Dias.

 

Os ministros da Defesa, João Lourenço, do Interior, Ângelo Tavares, das Relações Exteriores, George Chicoty, dos Transportes, Augusto Tomás, altos funcionários da Presidência da República, assim como o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), Geraldo Sachipengo Nunda, também cumprimentaram o Presidente José Eduardo dos Santos.

 

O Chefe de Estado deslocou-se ao Reino de Espanha, em visita privada, no dia 2 do corrente mês.

 

Advogados exigem resposta do Tribunal Supremo sobre impugnação de Isabel dos Santos

Luanda - O grupo de juristas que pediu a impugnação da nomeação de Isabel dos Santos para a Presidência do Conselho de Administração (PCA) da Sonangol promete remeter uma reclamação junto do Tribunal Supremo (TS) caso aquela instância não responda dentro de três semanas.

*Manuel José
Fonte: VOA

De acordo com um dos juristas do grupo, tendo em conta a qualidade da acção, o tribunal devia dar uma resposta num prazo de 30 dias desde a recepção do pedido, feito há mais de 45 dias.


Para o grupo de 12 juristas, a nomeação de Santos pelo Presidente da República, por sinal seu pai, viola a lei da probidade pública e a Constituição da República e por isso pediu a sua impugnação junto do TS, além de ter apresentado uma queixa de improbidade pública na Procuradoria Geral da República e escrito uma carta a José Eduardo dos Santos.


''Trata-se de uma providencia cautelar que nós demos entrada e que deveria ter tido um tratamento célere e pelo menos uma resposta em 30 dias, contudo caso o Tribunal não responder a solicitação dentro de certo tempo porque temos que ser notificados de alguma coisa”, revelou Zola Ferreira, um dos advogados, que reitera um prazo de mais 20 dias para o TS responder.

Domingos da Cruz:"É um equívoco chamar Angola de democracia"

Luanda - Domingos da Cruz é um dos 17 activistas acusados de crimes de rebelião e associação de malfeitores contra o Estado angolano, que foi liberto a 29 de Junho de 2016. Para o também jornalista e escritor, a liberdade que lhe foi concedida, bem como aos restantes activistas envolvidos no caso, é "uma liberdade parcial, num quadro meramente político", mantendo assim a sua posição de "não contradição" em relação ao que tem dito ou à forma como tem agido.

Fonte: VOA

"Seria um erro brutal considerar a nossa liberdade no enquadramento jurídico", refere Domingos da Cruz, explicando que o habeas corpus concedido pelo Tribunal Supremo de Angola foi uma vontade e decisão de José Eduardo dos Santos.

O também professor universitário vai mais longe, dando como exemplo o sistema de Apartheid vivido na África do Sul, que condenou Nelson Mandela, para explicar a questão da funcionalidade judicial e a separação de poderes: "O tribunal que condenou Mandela funcionava", refere Cruz.

Sem fatalismos, mas também sem esperança

Questionado por Avelino Agostinho, um ouvinte do Uíge, sobre a possibilidade de mudança de regime em Angola, o activista não hesita quando diz que não vê "variáveis que nos possam ajudar a traduzir uma mudança, devido ao contexto em que nos encontramos e ao grau de letargia", lançando uma crítica à sociedade angolana:

"Os angolanos até agora ainda não perceberam a importância da unidade, preferem agir de forma individual, olhando para interesses exclusivamente pessoais, o que não nos permite alcançar uma unidade colectiva".

Narciso Mário, um internauta que acompanhou o programa pela emissão em directo através do Facebook, pediu a Domingos da Cruz que comentasse sobre os limites da democracia angolana.

Para Domingos da Cruz "é um equívoco chamar Angola de democracia, tanto do ponto de vista teórico quanto prático". "Para ser uma democracia", continua, "teria que ser uma sociedade em que as minorias não abafam as maiorias".

O professor universitário usou como exemplo países africanos que ele considera democracias: ilhas Maurícias, Gana, África do Sul, Namíbia, onde "não se perseguem os opositores pelas suas ideias, onde há alternância de governação".

Domingos da Cruz referiu várias vezes que não é fatalista, mas que não vê esperança em Angola.

Eleições em Angola: "Simulacro para legitimação do regime autoritário"

Sobre a lei da amnistia, recentemente aprovada pela Assembleia Nacional, Domingos classifica de "auto-amnistia", que serve para ilibar pessoas ligadas ao poder de crimes económicos, que para ele já não tinham qualquer punição jurídica anteriormente.

Por outro lado esta lei, diz Cruz, "descomprime a posição do regime em relação à prisão" (dos activistas).

"É uma outra saída que o Presidente angolano encontrou para tentar limpar a imagem do quadro político", acrescentou.

No que toca ao activismo em tempo de eleições, como muitos ouvintes e internautas questionaram, o activista, que está sob termo de identidade e residência, diz que as "eleições nas ditaduras são afirmações da legitimação do tirano".

"O que acontece em Angola não são eleições, temos realizado simulacros eleitorais", reforça.

Sobre as manifestações como forma de mudança do regime actual, Domingos da Cruz, que cumpriu cerca de nove meses de prisão efectiva, além de três meses de prisão domiciliária, é de opinião que devem ser feitas manifestações pacíficas, "mas não nas proporções do que se faz em Angola", dando como referência o Burkina Faso. Contudo, o activista reconhece que isso "pressupõe coragem".

Fazendo várias comparações ao longo da conversa com os ouvintes e internautas, entre Angola e outros países de África, bem como do resto mundo, o activista realçou que apenas em países como Angola ser activista é motivo de destaque internacional, chamando a atenção para a existência de um activismo de facto no país.

No que toca a medos que teve enquanto esteve na prisão, Domingos da Cruz revelou ter medo (ainda, mesmo em liberdade) de ser envenenado, pois segundo explicou os "próprios agentes dentro da cadeia disseram ter ordens para envenenar quem esteja contra o regime".

Domingos da Cruz diz que não pode fazer exames toxicológicos em Angola porque "até os médicos têm um comité de especialidade" no país, o que não lhe inspira qualquer confiança.

 

UNITA votou contra a Conta Geral do Estado 2014 por considerar que prevalecem “sérios vícios”

DECLARAÇÃO DE VOTO DO GRUPO PARLAMENTAR DA UNITA SOBRE A CONTA GERAL DO ESTADO DE 2014.

Luanda - O Grupo Parlamentar da UNITA votou contra a Conta Geral do Estado 2014, por considerar que ainda prevalecem sérios vícios no que concerne aos desfasamentos entre os fluxos financeiros e Patrimoniais apresentados pela Conta Geral do Estado, o Sistema Integrado de Gestão Patrimonial do Estado, o Sistema Informatizado dos Programas de Investimento Público, bem como os dados do Instituto Nacional de Segurança Social, denotando em alguns casos falhas normais de um aprendizado, noutros casos – incapacidade de Gestão de Fluxos de Informação e noutros ainda, falta de transparência na prestação de contas públicas.

Fonte: UNITA

Votou contra porque entende que são insuficientes e pouco fiáveis os dados sobre a execução financeira e patrimonial do Sector Empresarial Público, da maioria dos Institutos Públicos e fundos autónomos com destaque para a Sonangol, da qual quase nada se sabe sobre a gestão da mesma, a TAAG, ENDE e outras e ainda o Fundo Soberano cujas Sedes de capitalização dos seus fluxos financeiros pouco ou nada se ouve com clareza.

 

Também, não há dados transparentes sobre os dividendos do Estado da participação directa nas 23 Empresas e indirecta das 276 Empresas, estando apenas esmiuçados os dividendos nas Empresas Cuca, EKA e Ngola, facto interessante;


Não podemos aceitar uma Conta Geral do Estado que apenas executa 5,9% do total de despesas para o Sector da Educação e 4% para o Sector da Saúde, numa altura em que o índice de desenvolvimento humano para o período em  análise situou-se em 0,48%, equivalente a um desnível de 40%, de acordo com o Relatório Económico do Centro de Investigação Cientifica da Universidade Católica de Angola, referente ao ano 2014. Os dois Sectores referidos perfizeram 9,9%, contra 9,8% do Sector da Defesa e 7,4% para os Sectores da Segurança e Ordem Pública, ambos com 17,2% invertendo sobremaneira a ordem das prioridades em tempo de Paz.


A este quadro, acresce-se fortes variações negativas na execução dos Sectores ligados aos assuntos económicos com a execução de apenas 20,1% que é controverso às boas intenções da diversificação da economia (Falamos da Agricultura, Pesca, e Caça, Industria Extractiva, Transformadora, Construção e dos Transportes).


O Grupo Parlamentar da UNITA, votou contra a Conta Geral do Estado em análise, porque a execução quantitativa do Orçamento Geral do Estado de 2014, distancia-se dos indicadores em termos da avaliação dos princípios da economia, eficiência, eficácia e da qualidade na gestão dos recursos públicos e neste âmbito o Fórum do Comércio Mundial, o Banco Mundial, classificaram no período em análise, classificou posições péssimas de Angola, para os seguintes índices:

A posição 167 de 177 países em termos de transparência na Gestão da Coisa Pública.

 

A posição 44 de 52 países estudados em África no que se refere a boa Governação. A posição 38 de 48 Países estudados no que respeita ao índice de boa Governação.


Finalmente, votamos contra porque consideramos que durante o ano de 2014, houve grandes problemas de equidade na repartição do rendimento nacional e excesso de concentração da riqueza por um grupo bem identificado de famílias em detrimento da maioria das famílias angolanas. E sem fiscalização, não temos opção se não votar contra.

Muito obrigado.


Luanda, 21 de Julho de 2016.-
O GRUPO PARLAMENTAR DA UNITA

Marcos Mavungo diz que governação de Cabinda é uma máfia

Benguela - O activista José Marcos Mavungo equipara a governação da província angolana de Cabinda a uma máfia, com as riquezas nas mãos de uma minoria, enquanto a população enfrenta altos níveis de pobreza.

Fonte: VOA

Recentemente inocentado pelo Tribunal Supremo, Mavungo esteve nesta quinta-feira, 21, a falar da situação dos direitos humanos entre 2012 e 2016 naquela província, em Benguela, em mais uma iniciativa da OMUNGA.

 

Formado em Filosofia, Economia e Administração, Mavungo considera que o processo de paz e as políticas públicas são o móbil para o que chama de sucessivos casos de violação dos direitos humanos.

 

Cabinda é, na sua óptica, um exemplo inequívoco do paradoxo da abundância.

 

Condenado pelo Tribunal de Cabinda a seis anos de prisão por incitação à rebelião e à violência, o activista diz que as forças de segurança continuam a não dar tréguas a cidadãos indefesos.

 

Há um mês, numa entrevista à Televisão Pública de Angola, a governadora de Cabinda, Aldina da Lomba Katembo, falava de uma situação política e militar bastante saudável, propícia para execução de projectos de desenvolvimento.

Deputada Miraldina Jamba: Não fomos eleitos para o Parlamento para fazermos de conta

Luanda - DECLARÇÃO POLÍTICA SOBRE A CONTA GERAL DO ESTADO DE 2014


Excelência Senhor Presidente da Assembleia Nacional
Ilustres Deputadas e Deputados
Dignos Auxiliares do Titular do Poder Executivo
Minhas Senhoras e meus Senhores


A UNITA não está indiferente ao difícil momento económico e social que Angola atravessa e a condição de abandono a que se encontra sujeita a população, no entanto tal situação não pode nem deve ser o argumento de sustentação dos erros e problemas que o País atravessa financeiramente.


O Relatório e Contas que nos é apresentado hoje, revela a gestão dos dinheiros públicos disponibilizados e reflecte o resultado da actividade do Estado em 2014, e que importa avaliar.


É recorrente o "modus operandi" do Executivo em protagonizar um “jogo de faz de conta”, querendo fazer crer uma realidade financeira minimamente estável, contudo esta revela-se falaciosa.


A comparação dos resultados do Balanço Orçamental, Balanço Financeiro e Balanço Patrimonial, em relação aos dados obtidos em anos anteriores, apesar da continuidade de graves omissões, revelam um maior engajamento da demonstração de resultados fruto da pressão dos Partidos da Oposição e da sociedade Civil.


Já em 2014 era notória a saída de capitais no nosso país, com o deficit na ordem dos 5 mil milhões de Dólares Americanos sem que isso fosse motivo de preocupação para o Executivo.


No entanto ao olharmos para o relatório da execução da despesa por função, deparamo-nos mais uma vez com a discrepância e a priorização das dotações das despesas de sectores não produtivos em detrimento dos que alavancam a economia e melhoram as condições de vida das populações numa altura de necessidade premente da diversificação da mesma.


Lamentamos que a falta de responsabilização dos crimes económicos e financeiros em que o lesado é indubitavelmente o Estado e, por via disso Angola, continue a afectar profundamente as contas públicas e agravar a crise económica e social no País.


Infelizmente temos vindo a assistir graves incongruências nas operações relacionadas com o património do Estado, especialmente no capital das sociedades comerciais de capitais públicos com a omissão das despesas do Estado no saneamento financeiro e na constituição ou aumento de capital.Ora, continua premente a violação das normas da Lei-Quadro do OGE, uma vez que dispõe os artigos 1º e 58º, que o seu âmbito de aplicação são todos os recursos públicos, não se entendendo que o sector empresarial público, tanto ao nível das empresas públicas ou das sociedades comerciais de capitais públicos, continue a causar deficiências dos sistemas de contabilização e controlo, com reflexo nos elementos da CGE, não estando discriminado o relatório de execução para este subsector da Administração Indirecta do Estado, a exemplo das empresas estratégica SONANGOL, TAAG e outras.


A Conta Geral do Estado continua a não incluir as receitas e as despesas de todos os serviços em violação do princípio da Universalidade consagrado no artigo 5º da Lei-Quadro do OGE.

Face as lacunas dos actuais classificadores que, designadamente inviabilizam o apuramento rigoroso da totalidade dos fluxos financeiros entre o OGE e o sector empresarial público (SPE), recomenda-se a reestruturação funcional do mesmo.


Reiterando o que já dissemos em anos anteriores não é aceitável, nem legítimo que quem tem o dever de apresentar as contas públicas, venha somente cumprir formalidades, que é o que de facto acontece desde que se faz este exercício de “faz de conta” que os Partidos na oposição têm vindo a identificar os principais problemas e constrangimento da gestão e finanças públicas e que “contas públicas” continuavam num mundo “surreal” mas que iria chegar o “fim de linha de ilusão” sendo que o Executivo em co-autoria com o Grupo Parlamentar do MPLA, se negue a assumir responsabilidades e continue a errar, conduzindo as contas públicas para o estado vegetativo em que hoje se encontram.


Meus Senhores não fomos eleitos para o Parlamento para fazermos de conta, nem para assinarmos de cruzes, mas sim para representarmos condignamente o povo angolano.


Muito obrigado excelência senhor presidente
Grupo Parlamentar da UNITA em Luanda, 21 de Julho de 2016
Pelo Presidente
Miraldina Olga Jamba

UNITA quer saber o que é que aconteceu com as acções do Estado na CIMANGOLA

Luanda - INTERVENÇÃO DO DEPUTADO RAUL DANDA NO DEBATE SOBRE CONTA GERAL DO ETADO REFERENTE AO EXERCÍCIO ECONÓMICO DE 2014

Excelência Sr. Presidente da Assembleia Nacional;
Ilustres Deputados;
Ilustres Auxiliares do Titular do Poder Executivo.
Minhas Senhoras e Meus Senhores:

Ontem, ao olharmos para os níveis de eficiência e de eficácia da execução orçamental no primeiro trimestre deste ano, tivemos a ocasião de exprimir a nossa tristeza e as inúmeras dúvidas que nos assolam pelo facto de sermos impedidos de, nos termos claros da Constituição, acompanharmos a forma como é executado o OGE.

Este exercício de análise da Conta Geral do Estado começou em 17 de Outubro de 2013, com muitas incongruências, muitas zonas cinzentas, lacunas que continuam a persisistir, quando vamos na quarta Conta Geral do Estado. Ainda hoje repete-se o mesmo rosário de recomendações, por parte do Tribunal de Contas, a mostrar essas graves falhas, que ocorrem por razões que a razão ainda não nos sabe dizer.

O Instituto Nacional de Estatística, que nos últimos 3, 4 anos não tem tornado publicas as contas nacionais, já esteve várias vezes em desalinhamento com os dados apresentados pelo Governo, este empolando os números para fins que todos conhecemos.

Deste modo, haverá sempre dúvidas quanto aos dados fornecidos pelas contas públicas, por causa da sua inconsistência e incongruência, num país onde se assiste ao paradoxo de indicadores a mostrar, por exemplo, que quando a economia cresce o emprego desce; e quando a economia decresce, o emprego cresce.

Punge a alma verificar que o nosso país, quase-potência regional, não tem competitividade económica face aos países da SADC. Até Moçambique consegue, mau grado todas as dificuldades, estar à frete de Angola, em termos de competitividade da sua economia. E somos uma quase-potência. O que seria se não o fôssemos?

Senhor Presidente,
Ilustres Deputados,
Minhas Senhoras e Meus Senhores:


Esta Conta Geral do Estado continua a evidenciar graves Incongruências nas operações relacionadas com o património financeiro do Estado, especialmente no capital das sociedades comerciais de capitais públicos, com a omissão das despesas do Estado no saneamento financeiro e na constituição ou aumento de capital (como se pode ver na página 60 e seguintes do documento em análise). Constata-se que continua a verificar-se uma grave violação das normas da lei-quadro do OGE, uma vez que dispõem os artigos 1º e 58º da referida Lei-Quadro, que o seu âmbito de aplicação são todos os recursos públicos, não se entendendo, por isso, que o Sector Empresarial Público (tanto ao nível das empresas públicas, como das sociedades comerciais de capitais públicos), continue a acusar incongruências e deficiências dos sistemas de contabilização e controlo, com reflexo nos elementos da Conta Geral do Estado, não estando descriminado o relatório de execução para este subsector da Administração Indirecta do Estado.

Aliás, O Tribunal de Contas, tem estado a alertar para a falta de dados e de fiabilidade do sector empresarial público, sendo recomendado ao Executivo, a necessidade de criação de procedimentos de controlo eficazes que identifiquem situações irregulares ou debilidades quanto à obrigação de reportar os documentos contabilísticos ao Ministério das Finanças, e que os resultados desse controlo sejam divulgados.

A Conta Geral do Estado indica, na página 43, que foram efectuadas despesas em transferência de capital para o Fundo Rodoviário, BODIVA e a SODEPAC. Temos igualmente, na página 66, uma listagem das empresas em que o Estado tem participações. Mas, muito infelizmente, não figura nessa lista a CIMANGOLA. E a pergunta obrigatória é a seguinte: o que é que aconteceu com as acções do Estado na CIMANGOLA?.... Quem diz que a CIMANGOLA tem capitais públicos não somos nós, mas antes o parágrafo segundo do Decreto Presidencial Nº 95/14 de 5 Maio. Porque razão, afinal, a transferência dos 116 milhões de dólares não vem espelhada nesta Conta Geral do Estado? Ou será que, neste país de fantasmas (com pilotos fantasmas, polícias fantasmas, funcionários fantasmas), esse dinheiro também, mais esse, virou fantasma?

Esta Conta Geral do Estado continua a não incluir as receitas e as despesas de todos os serviços, em violação do princípio da universalidade, consagrado no artigo 5º da Lei-Quadro do Orçamento Geral do Estado.


Senhor Presidente, Ilustres Deputados:


Neste país, ainda irremediavelmente dependente do petróleo, a SONANGOL tem um peso significativo e até singular. Mas, por que razão não podemos saber que saúde tem ou deixa de ter a nossa SONANGOL? Sim, nossa de todos os angolanos, já que “Estado” somos todos nós, não tendo essa empresa sido comprada nem pelo MPLA, nem pela UNITA, pela CASA-CE, pelo PRS, pela FNLA, pelo PDP-ANA, pelo Bloco Democrático, ou por qualquer outra entidade, política ou não, singular ou colectiva.


Ouvimos dizer que a SONANGOL deve 1 bilhão de dólares à multinacional suíça TRAFIGURA, pela importação de combustíveis, o que pode contribuir para o agravamento da nossa já precária situação. Rejeitada a proposta da TOTAL E&P Angola, de extensão da capacidade da refinaria sob sua gestão, por causa do “affair” do “primo” Pierre Falcone, a TRAFIGURA tem estado a comandar a importação, por Angola, dos derivados do petróleo, nomeadamente a gasolina e o gasóleo, através da sua subsidiaria PUMA ENERGY. Nessa negociata há um emaranhado de coisas que, se calhar, faria muito bem à SONANGOL vir explicar, sobretudo agora que tem uma nova e, diz-se, eficiente direcção. Sabemos que, muito recentemente, essa nova direcção da SONANGOL foi ao encontro do Grupo Parlamentar do MPLA explicar “algumas coisinhas”. Como o petróleo é de todos nós – e a SONANGOL também – o Grupo Parlamentar da UNITA vai, ele também, solicitar à direcção dessa empresa pública que venha explicar-nos “algumas coisinhas”, em nome da igualdade constitucional do Artigo 23º, que nos dá a todos (“MPLAs”, “UNITAs”, “FNLAs”, “CASAs”, “PRSses”) o mesmo direito de saber o que é feito com o que é de todos nós. Ou assim não está bom?


Em Cabinda não se pode fazer refinaria. O porto de águas profundas, depois de andar dos estudos ao lançamento das primeiras pedras, parqueou agora na vedação do perímetro, coisas para inglês ver onde nem ingleses há. Enfim! Já aqui eu dizia uma vez que a única forma de se sair daqui para Cabinda e de lá para cá é por via aérea, falhada a hipótese da ponte sobre o Rio Zaire daqueles que se esqueceram que há ainda território da República Democrática do Congo antes de chegarmos a Cabinda. Portugal que teve de fazer face a um resgate, não deixou de subvencionar o custo dos bilhetes de passagem de e para a Madeira e os Açores. O Senhor Ministro das Finanças, que aqui está presente, muito felizmente, afirmou que Angola não tinha uma situação semelhante a de Portugal. E tinha razão. Se as equipas de futebol de Cabinda estão inseridas no Gira-Bola para jogar mesmo, deviam ter alguma facilidade de deslocação. Perdem jogos por falta de comparência, justamente por não terem recursos que lhes permitam viajar. Será que não se pode fazer nada para resolver essa situação?

Senhor Presidente da Assembleia Nacional;
Caros Colegas Deputados:


Ouvimos aqui um ilustre colega deputado da bancada do MPLA dizer, e muito bem, e citando Mao Tsé-Tung, que “a prática é o critério da verdade”. Quis esse colega dizer que não é com palavras que a verdade se mostra e demonstra, mas com factos práticos. Tem toda a razão. A pergunta que faço é a seguinte: a situação de fome, de miséria, de falta de emprego e de desemprego, de falta de medicamento, de subida drástica dos bens de primeira necessidade, não é “critério da verdade”?

Também dizia Mao Tsé-Tung que “Só progride quem é modesto; (pois) o orgulho obriga a dar passos para trás” – fim de citação. Talvez seja por isso que andamos a dar passos para trás, na vertente económica, social e outras. Se se agisse de forma diferente, nunca se poderia pensar que o preço de uma “commodity” como o petróleo conseguiria morar eternamente nos “cento e tais” dólares e nunca descer de lá.

Ora, de dito em dito, deixo aqui um, para reflexão: “as únicas pessoas que se enfurecem ao ouvir a verdade, são aquelas que vivem na mentira”.
Muito obrigado, Senhor Presidente.
21 de Juho de2016

Raúl Danda

 

 

 

 

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