Luanda –  Quinze dias antes do seu passamento físico na Bélgica, recebeu uma chamada telefônica de Isaías Samakuva, líder da UNITA, partido ao qual militava para lhe formular o convite para fazer parte do conselho provincial eleitoral (CPE) em Luanda.  Mostrou que não era agarrado aos cargos e sugeriu que se dirigisse ao convite a um  outro quadro  que estivesse em melhor condições de saúde. (Em 92, ele fez parte da CPE)


Fonte: Club-k.net


Azevedo Kangaje, o sujeito da historia foi a enterrar no passado dia 24 de Fevereiro em Luanda, num acto funebre em que os seus antigos colegas recordaram os seus feitos através da leitura de uma nota biográfica que cuja integra foi gentilmente cedida ao Club-K.


DADOS BIOGRAFICOS


Azevedo de Oliveira Kanganje, filho de António Manuel Liwema Kanganji e de Victória Candida Chipongue, nasceu na cidade do Luso, hoje Luena, Província do Moxico no dia 14 de Janeiro de 1961.


Fez o ensino primário na Escola Primária nº 53 na cidade do Luena onde também iniciou a frequência do ensino secundário, na Escola Comercial e Industrial Dom António d’Almeida.
Após o 25 de Abril de 1974, na companhia de sua Mãe e irmãos transferiu-se para o Bié, onde deu continuidade aos seus estudos secundários.


Em 1975 eclode a guerra civil entre os três movimentos de libertação e em 1976, a UNITA é forçada a abandonar as cidades e encetar a guerra de resistência à ocupação russo-cubana a partir das matas. Ainda muito jovem Azevedo Kanganje envolve-se activamente na resistência da UNITA.


Assim, dentro da visão do Presidente Dr. Jonas Malheiro Savimbi da necessidade de formação de quadros, no dia 5 de Setembro de 1979 Azevedo Kanganje partiu para o exterior do país, integrando um grupo de 22 jovens de entre os quais: Oliveira Ngolo, David Kokelo, Arlindo Chimbili, Araújo Pena, Blanche Gomes, Lizeth Satumbo Pena, Anabela Chipeio, Anatilde Sapalalo, Belchior Kanguaia, Amilcar Candeia, Matoso Sapalalo, entre outros.

 

Dakar, capital da república do Senegal é a cidade que acolhe o grupo. Neste país matriculou-se, na companhia dos seus colegas no Instituto Francês para Estudantes Estrangeiros para a aprendizagem da língua francesa, durante o ano de 1980.


Em 1981, matriculou-se no liceu Técnico Maurice Delafosse de Dakar de onde sai em 1985 depois de concluir com êxito o bacharelato do ensino do segundo grau na série F1 de Ciências da Tecnologia.


No fim deste ano lectivo, por orientação da Direcção do Partido, FOI transferido, com mais 4 colegas nomeadamente: Blanche Gomes, Matoso Sapalalo, Lizeth Pena e Aucília Mateus, para a Côte d’Ivoire e ingressou no Instituto Superior de Ensino Técnico (INSET) de YAMOUSSOKROU,  de onde saiu, em 1987 com o Diploma Universitário de Tecnologia (DUT).


No ano lectivo seguinte prosseguiu a sua formação na Universidade Nacional de Côte d’Ivoire em Abidjan onde obteve, em 1991, o Diploma de Engenheiro em Manutenção Electromecânica. Ainda durante a sua estadia na Côte d’Ivoire desempenhou várias funções de Direcção no seio dos estudantes da UNITA naquele país, e não só. É nesta qualidade que participou na criação da UREAL (União Revolucionária dos Estudantes de Angola Livre), em 1988 na Bembua, provincia do Kuando Kubango tornando-se no seu dirigente para os países da África do Oeste onde havia estudantes da UNITA.


Com a assinatura dos Acordos de Bicesse e sua consequente implementação, regressou ao país em Dezembro de 1991 para dar o seu contributo ao processo, juntando os seus esforços aos dos demais companheiros de luta.


Em 1992, no quadro do processo eleitoral é nomeado representante da UNITA no conselho Provincial Eleitoral de Luanda, e pelas suas qualidades o seu nome é incluído na lista de candidatos a deputados à Assembleia Nacional, acabando por ser eleito pelo círculo nacional. Ainda neste ano foi delegado à Convenção do Partido realizada na cidade do Lobito no mês de Agosto.


Com o reacender do conflito armado pós-eleitoral ficou sob custódia no MINDEF com muitos outros militantes e dirigentes da UNITA de onde é libertado em Maio de 1993, a fim de tomar posse como deputado à Assembleia Nacional, função que exerce até 1995.


De 1995 à 2002 foi representante da UNITA no Reino da Bélgica e junto da União Europeia em Bruxelas. Nesta qualidade cumpriu variadíssimas missões de âmbito diplomático sob orientação do Presidente do Partido. Optimiza este período para fazer e obter uma pós graduação em Gestão Estratégica das Organizações. É ainda durante esse período que contrai matrimónio com Yolanda Marina Venâncio Rebelo Cardoso, em Dezembro de 2001 do qual nasceram dois filhos.


Terminada a guerra civil, com a assinatura do Memorandum de entendimento do Luena, Azevedo de Oliveira Kanganje regressa ao país em 2003 e participa activamente nos preparativos do IX Congresso no seguimento do qual foi nomeado Secretário da Presidência do Partido e ascendeu a membro do Comité Permanente da Comissão Politica da UNITA.


Em 2007, foi nomeado Secretário para os Assuntos Eleitorais e Constitucionais do Partido, cargo que exerceu até depois da realização das eleições legislativas de 2008. Neste mesmo ano é nomeado Director do Gabinete de Estudos, Pesquisa e Analise do Partido, função que exerceu até a data do seu passamento físico.


No ano lectivo de 2010 iniciou a sua carreira de docente na Universidade OSCAR RIBAS que infelizmente terminou em Maio de 2011, altura da sua partida para a Bélgica por motivos de saúde.


Neste país apesar de todos os cuidados médicos e medicamentosos a que foi submetido veio a falecer no dia 18 de Fevereiro.


Em vida, Azevedo de Oliveira Kanganje frequentou e foi membro do Pastorado Nova Vida da Igreja Evangélica Congregacional de Angola.


Deixa viúva e dois filhos e um vazio irreparável no seio da familia, do Partido e da sociedade angolana.    

HONRA E GLÓRIA À SUA MEMÓRIA


Luanda 24 de Fevereiro de 2012

 



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