Lisboa –  O sujeito da história é um  general da guarda presidencial da UNITA,  Alírio Njolela Lena Gomes Jorge  vulgo “Big Jó” ou “Lito” para os que eram da sua intimidade.  Foi um dos generais da alta confiança de Jonas Savimbi cuja a morte facilitaria  com que as FAA conseguissem penetrar no anel de segurança da coluna presidencial do “Mano Mais Velho” culminando com o assassinato deste.  Era o “Kopelipa” de Jonas Savimbi,  nas  questões de proteção pessoal.

Fonte: Club-k.net

Na década de 70,  Alírio  Njolela  Jorge vulgo  “Lito” era simplesmente,   um jovem da Bela Vista, província do Huambo, (mas com familiares do Bié)  que na companhia dos seus pais  acabava de  regressar  da Suíça, onde vivia.  No ano em que ocorre a Independência nacional, ele  aderiu  a UNITA,  entrando, ainda muito jovem para   o núcleo de segurança pessoal  de  Jonas Savimbi. Era como se fosse um filho deste e os próprios  filhos de Savimbi  tratavam-no por “mano”.

 

A sua primeira formação na UNITA  seria, em França  como camaramen e fotografo pessoal de Jonas Savimbi. Foi  uma actividade que desempenhou durante algum tempo   até ter sido enviado para outras formações militares (explosivo, terrorismo e Inteligência)  na academia Real de Guerra Marroquina. Teve também o curso de comando e forças especiais na África do Sul 

 

Desde então tornou-se num dos mais habilitados  especialistas  de engenharia (explosivos)  das FALA, o extinto exercito da UNITA. As  suas acções no campo de batalha tinham a reputação de serem sempre triunfantes  e de grande envergadura. Por conta desta fama,  os colegas passaram a trata-lo por “Big”, ou “Big Jó”, uma alcunha certa mas  ao mesmo tempo   ao desencontro da sua estatura física, de homem baixo.

 

Ao tempo da Jamba, o general “Big Jó”  estava integrado no celebre Batalhão Mocho (também chamado Bat Mocho), o que correspondia  ao que no Estado angolano  se chama  Unidade de Guarda Presidencial (UGP). Nesta condição ele estava sempre presente  ao lado do líder  Jonas Savimbi quer nas deslocações ao exterior como no interior de Angola dirigindo  pessoalmente batalhas militares como as de Mavinga.

 

No seguimento dos acordos de  paz assinados em 1991, em  Portugal,   entre a UNITA e o governo do MPLA,  o general “Big Jó”  se mudaria para a Luanda sempre na condição de comandante  da guarda presidencial do  líder do “Galo Negro”.  Porém,   após as primeiras  eleições gerais  de 1992 em Angola, Jonas  Savimbi recebeu informações de que a sua vida corria riscos em Luanda e   o  general “Big Jó”, seria,   entretanto, um dos oficiais que preparou a sua  fuga  e com ele se  retirou secretamente  para a cidade do Huambo.

 

As habilidades de engenharia   do general “Big Jó” viriam  a desempenhar um papel decisivo  naquela que ficou conhecida  como a “guerra dos 55 dias” na Província do Huambo, no inicio de 1993.  Com as bombas de D30 capturadas do inimigo, este especialista em explosivos  ficou celebre por improvisar rampas ao qual conseguia com uma bateria elétrica bombardear certeiramente as tropas governamentais então dirigidas pelos generais   «Ngueto»  e Jorge Manuel dos Santos «Sukissa».

 

Por conta do  protagonismo que teve no Huambo, ele seria designado  para comandar as tropas da UNITA, na província do Bié.  Logo a seguir, chegaram informações a Jonas Savimbi  que o apresentavam em situações de   indisciplina e  excesso de zelo. Dentre as queixas que chegavam,  aludia-se episódios de   excessos contra a população como punição contra as  raparigas que  circulassem de Mini Saia.  Não tardou muito, o general “Big Jó” acabou por ser sancionado ficando em casa por um período não superior a três meses.

 

No período de  reabilitação,  ele ficou a dirigir um departamento dos serviços de inteligência no Bailundo e pouco anos depois  se firmaria como comandante do BAT, um batalhão de artilharia/engenharia, das forças rebeldes.

 

Pelo menos até finais de Dezembro de 2000,  o general “Big Jó” encontrava-se como comandante da chamada  “região militar 41”, que cobria   o município do Kuemba (Bié) e a comuna do Luango (Malanje). Porém seria na conhecida 16ª conferência partidária realizada em Abril de 2001, na área de Saluka, no Moxico que este especialista em explosivos regressaria ao circulo presidencial para nunca mais sair.

 

Em Fevereiro  2002, o Presidente da UNITA preparava-se para ir ao encontro do General “Big Jó”   que com um grupo de forças especiais fazia a proteção do terceiro anel de segurança da coluna presidencial.

 

O general “Big Jó”  encontrava-se no seu posto  de Comando na “Região Militar 29”,   na margem esquerda do Rio  Luio,  na ex- Zona Belo Horizonte (Moxico).  Para proteção da sua base, ele  teria minado os arredores da zona  onde se encontrava  e cuja   forma como elas poderiam ser desativadas  era apenas do seu conhecimento e de um jovem da sua alta confiança, identificado por “Belo”.

 

“Belo” que agora se encontra como capitão das FAA, foi  raptado pelas tropas governamentais e forçado  a desactivar os explosivos da área para se alcançar   o esconderijo   do  seu superior.  Ao chegarem a base, por volta das 7 horas daquele dia 22, os soldados governamentais encontraram o General “Big Jó”  nos seus aposentos e logo a seguir  fizeram-lhe tiros na parte inferior dos membros partindo-lhe as pernas.  A sua esposa Luisa Chipipa,  ao ver a forma que o marido estava a ser humilhado entrou em desespero tendo cuspido na cara de um dos soldados das FAA, acabando por ser atingida com disparos no peito.  O seu bébé do colo acabaria também por morrer.   O general seria entretanto morto, e o seu corpo segundo imagens fotográficas em posse os Serviços de inteligência militar ficou exposto numa pedra.

 

Jonas Malheiros Savimbi, ao se aperceber do ataque contra a base de “Big Jó” mudou de rumo até a sua coluna ter sido interceptada por um grupo de soldados  das FAA, chefiados por um coronel identificado por “Yorque” que o abateu.

 

"Ao ouvirmos o ataque, fomos em direção ao rio Lulué. Atingimos o rio Lulué na sua nascente, um rio seco, e ficamos na margem esquerda, onde vimos as pegadas de uma patrulha de quatro ou cinco homens", contou na altura, a agencia Lusa,   o general Abílio Kamalata Numa que integrava a coluna presidencial.

 

Segundo o general Numa, eles (integrantes da coluna presidencial) ficaram confusos acreditando que fossem pegadas dos seus homens, uma vez que "achavam que era uma área muito calma".

 

Contudo, tomaram a "decisão de se embrenhar mais para o interior da mata", afirmou. Quando já tinham andado bastante, decidiram montar o acampamento, composto por várias tendas. 



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