Lisboa – No palácio presidencial não há quem conhece tão bem os gostos do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, como o sujeito da história de hoje. Chama-se, José Felipe e é a figura que esta sempre ao lado do “chefe”, nas suas deslocações. É dos poucos que viaja no vôo presidencial com JES.  Mas também tudo se deve, por ser há mais de 20 anos, o responsável do Cerimonial do Presidente da República.

Fonte: Club-k.net

O funcionário  que viaja no vôo presidencial com o PR

José Felipe é natural da Huíla (ainda preserva o sotaque da sua região). Trabalha na presidencia desde o tempo de Agostinho Neto. Enquadrou-se nas FAPLA, na década de 70. Esteve colocado no extinto regimento presidencial que tinha a época, o general António França “Ndalu” como comandante e  Pedro Sebastião como comissário político.

Quando se pensou formar um protocolo de estado para apoiar às cerimonias do Chefe de Estado, ele (Zé Filipe) mais uns tantos colegas de tropa foram escolhidos  numa formatura para virem engrossar esta área que teve como primeiro chefe Hermínio Joaquim Escórcio, actual  embaixador de Angola na Argentina. Com a saída deste ele teve outros chefes tais como: Júlio Guerra (já falecido), Domingos Van-Dúnem e depois José Carlos Mouzinho “Zé Carlos”.

Em finais dos anos 80, José Filipe passou a ser efectivo do Protocolo de Estado tendo se desvinculado totalmente do exercito passando a vida civil efectiva. Na época, o chefe do protocolo era José  Mouzinho “Zé Carlos” que fora colocado no “olho da rua” na sequência de reclamações que o apresentavam como “homem havido de poder” e de reclamações resultantes da convicção de ser  próximo á  JES.

Para substituição de “Zé Carlos”, foi então nomeado José Filipe como Chefe do Cerimonial do Presidente da República e reconfirmado em Fevereiro de 1993.

 O “homem dos recados” e das missões domesticas

Dos que rodeiam o Presidente JES, José Filipe é a figura que não se intromete nos assuntos políticos mas acaba por ter o papel de o “homem dos recados” ou o dos “bilhetinhos”.

Reza a história que quando a Primeira Dama,  Ana Paula dos Santos,  manifestou desejo de dar continuidade aos seus estudos (ensino médio), terá sido José Filipe a entidade do palácio a mandar um “bilhete” ao Instituto Nacional de Educacao (INE), para que considerasse a admissão da mesma.

Tem também uma excelente relação com os familiares de JES, na qual as vezes intercede em favor. Há poucos anos atrás um filho do PR, Joess Gourgel dos Santos, acabado de chegar da Inglaterra onde estudou arquitetura, queria  lançar-se  no mundo empresarial  prestando trabalhos a alguns governos provinciais, no ramo da fiscalização de obras. Porém, seria José Filipe a interceder junto a alguns governadores provinciais para a agilização dos interesses do jovem.

Há momentos que JES, a titulo pessoal, procede com ajudas a algumas figuras da sua consideração que o solicitam e é através dos canais de  José Filipe que toma conhecimento se as ajudas chegaram em conformidade ou não.  Há uns anos atrás, JES foi a uma festa, e encontrou-se com uma antiga conhecida, Alcina Maria da Conceição, a quem garantiu apoio. Foi através de José Filipe que soube mais tarde  que o apoio dado chegou “distorcido”  nas mãos da senhora.

Em Fevereiro desde ano, José Filipe seria também o “pombo-correio” que JES despachara para abordar o ex-chefe do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), Sebastião Martins, que acabava de chegar dos Estados Unidos na sequência de uma convocatória, respeitante ao desfecho do caso Alves Kamulingue e Isaías Cassule, os dois activitas assassinados pelas forças de segurança do regime.

Saídas presidências

O papel que desempenha de ser a “sombra” de JES, é igualmente verificado nas deslocações ao estrangeiro. Em Agosto de 2010, JES foi a Brazzaville para assistir as festividades dos 50 anos de independência daquele país, e José Filipe, para além de fazer parte da viagem teve direito de se sentar, ao lado do PR,  na tribuna  onde estavam outros  Chefes de Estado.

Em Abril deste ano, ele e um oficial general da PR, José João “Maua”, foram os dois altos funcionários da PR que acompanharam JES no vôo presidencial com destino ao Brasil e Cuba.

Encargos laborais  e o futuro incerto

José Filipe acaba de ser uma figura de futuro incerto. Há uns anos atrás, teve de recuar da tentativa de fazer o curso superior de história pela Universidade Aberta de Lisboa (regime de correspondência) e depois o curso de direito pela Universidade Agostinho Neto.  A desistência foi  sempre associada aos encargos laborais.

Em 2006, chegou a ser citado como a figura que iria substituir Vitor Lima como embaixador em Tóquio.  José Filipe é embaixador de carreira. Literalmente, os quadros do cerimonial da Presidência da República ostentam a categoria diplomática. Apenas o director e o seu adjunto (Pedro António Saraiva) tem a categoria de embaixadores. Os restantes vão de terceiros  secretários a ministros conselheiros.



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