Lisboa -  Nos últimos quatro anos a sua carreira como operacional de inteligência  foi objecto de controversa. Ascendeu  ao cargo de delegado do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado, em circunstâncias anormais e de lá “caiu” director para a cadeia onde aguarda  julgamento pela implicância nas execuções dos activistas  Alves Kamulingue e Isaías Cassule.

Fonte: Club-k.net

Um consulado de altos e baixos 

António Manuel Gamboa Vieira Lopes “Tó”, 48 anos,  o sujeito da história,  aderiu ao aparelho de inteligência,  ao tempo do extinto Ministério da Segurança de Estado, quando ainda estava na casa dos 20 anos de idade. Apesar de ter nascido na província do Kwanza-sul, ele é oriundo de uma influente  família de Luanda que faz cruzamento com destacadas figuras como  o ministro de Estado junto a PR,   general Manuel Vieira Dias “Kopelipa”, e ao  Bispo de Cabinda, Filomeno Vieira Dias. 

Em Fevereiro de 2002,  António Vieira Lopes que é coronel da reserva foi o oficial de inteligência que acompanhou, no Moxico,  a envoltura dos acordos de paz, no seguimento da morte do líder da UNITA, Jonas Savimbi, na região, no Lukusse.

Durante este período, ele  trabalhou na sede central do SINSE em Luanda, como um “simples”  funcionário até ter sido nomeado, em 2010,  como o “patrão” da secreta domestica na capital do país, em substituição de  Ezequiel Silvério Pegado “Turra”, que fora transferido para exercer função  equivalente  no enclave de  Cabinda.  Aproveitou também o seu tempo para frequentar o curso de direito, por concluir.

A sua nomeação como delegado em Luanda foi alvo de uma discreta e surda  contestação interna, por não obedecer a critérios próprios, não obstante o identificarem como desqualificado  para a responsabilidade.  Na estrutura hierárquica do SINSE, iniciando de baixo para cima,  há  um chefe de secção,  chefe de departamento, director nacional e Director-Geral dos serviços (equivalente a DG).  

Antes da sua promoção, António Vieira Lopes estava escalado como integrante de uma “secção”  constituída por três especialistas que  tratavam de questões politicas  cujo chefe respondia a um alto funcionário,  Fernando Eduardo Manuel.

De acordo com os procedimentos, a figura a ser elevada ao cargo de “delegado provincial” teria  de ser alguém que  desempenha  funções equivalente a “chefe de departamento”,  o que não era o  caso de António Vieira Lopes. 

A convicção generalizada, identificada nos quadros da instituição foi de que a nomeação de António Vieira Lopes foi destinada  a ajudá-lo no campo pessoal, tendo em conta o papel que desempenhou por altura da captura de Jonas Savimbi, em 2002. Ele estaria a passar serias dificuldades que o deixavam em estado de saturação. Não tinha casa próprio e vivia num apartamento,  bastante apertado com a família.  No exercício da função, foi-lhe oferecida um apartamento, na vila-alice, em Luanda,  com melhores condições que se encontra registado como património do SINSE.

No exercício das suas funções como delegado do SINSE, foram reiteradas, a asseveração sobre o seus suposto despreparamento para o cargo,  reclamado pelos  opositores da sua ascensão.  Há Registro,  de que meses  após ter sido nomeado como delegado, este quadro sénior teria movimentado  as forças especiais do departamento Nacional de proteção do SINSE para acudir  a uma situação relacionada a sua filha que estava a ser dada como desaparecida ou raptada, na capital do país. Em circunstâncias normais, a movimentação destas forças não poderiam ser feita para fins particulares ou sem autorização do diretor-geral  da Instituição.

Foi também no  seu turbulento consulado como delegado da instituição em Luanda, que se incompatibilizou  com o então governador de Luanda, Bento Francisco  Bento. Antes de 2012, o  ex-delegado António Vieira Lopes teria considerado despropositado, para si,  uma missão que o ex-governador lhe incumbiu  para deslocar-se  a África do Sul, para  persuadir,  o activista José Gama, num período em que o regime estava a ser aluído  com manifestações antigovernamentais.

Em 2012,  António Vieira Lopes recebeu do governo de Luanda, uma carta datada de 17 de Abril, em que o seu subscritor Isaías Cassule, líder do auto proclamado Movimento Patriótico Unido, comunicava a realização de uma manifestação marcada para o dia 27 de Maio, nas mediações do palácio presidencial, em solidariedade aos ex-militares da UGP, integrados na Brigada Especial de Limpeza (BEL) e na Brigada de Construção e Obras Militares (BCOM).

Na véspera da convocada manifestação,  António Vieira Lopes foi convocado, a  comparecer a 26 de Maio na Casa de Segurança da PR, na companhia do comandante em exercício da Policia de  Luanda, Dias do Nascimento Fernando Costa para receberem orientações. Neste dia, ambos receberam ordens para impedir a manifestação detendo os seus mentores. Porem, no sentido de mostrarem trabalho, ambos terão excedido culminando nas mortes de Alves Kamulingue e Isaías Cassule.  Vieira Lopes acabaria detido enquanto que o seu colega da policia ficou impune por razões que se desconhece.

Um dos episódios que mais o marcou, foi a sua detenção, que ocorreu  na presença da sua filha.  Ele teria tentado  em vão, desviar o assunto dos familiares que frequentemente o interpelavam em função de noticias que saiam na imprensa.

Por outro lado, por não haver condições morais  de permanecer no posto, foi exonerado do cargo de delegado provincial do SINSE e substituído por  Delfim Soares, um quadro superior que exercia as mesmas funções, na Lunda-Norte.

No inicio do período que ficou sob custódia das autoridades, António Vieira Lopes teria rejeitado a uma proposta  no sentido de   implicar o seu então  superior hierárquico Sebastião Martins, na morte dos dois activistas.  



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