Lisboa -  Álvaro Domingos, de seu nome verdadeiro, Artur Queiroz ,  é um  jornalista  luso-angolano que na década de 80, notabilizou-se por desenvolver uma das mais ferozes campanha de difamação contra o Estado angolano, a partir de Lisboa. Vinte anos depois,  foi recrutado pela Presidência Angolana que o  colocou no Jornal de Angola, onde  passou produzir textos de ataque contra as autoridades  do seu próprio país, Portugal. Profissionais, da comunicação social, da linha de Reginaldo Silva traduzem  a sua conduta como um acto de “mercenarismo”.

Fonte: Club-k.net

Uma verdadeira história de mercenarismo 

O sujeito da história passa por ser uma  figura controversa. O seu histórico é auto-preenchido de inverdades mas também por desonestidades intelectuais como, o seu local de nascimento que recusa dizer (insinua-se como originário do Uíge) mas também a sua suposta formação superior em filosofia, que diz ter feito na Europa (o seu contrato de trabalho no Jornal de Angola apresenta-lhe como técnico superior de comunicação). 

 

O cronista Wilson Dadá apresenta-lhe como um  “especialista” em retirar da sua auto-biografia as passagens que politicamente não lhe interessam muito no âmbito da sua estratégia pessoal.

 

De acordo com documentos em posse do Club-K, o cidadão Artur Orlando Teixeira Queiroz, não  nasceu em Angola. Ou seja  nasceu aos 20 de Dezembro de 1946, ao norte de Portugal, concretamente na   região de Madalena,  antiga  freguesia  da cidade e do concelho de Chaves.  Poucos anos após ao seu nascimento, os seus  progenitores Luís Queirós e  Avelina da Silva Teixeira mudaram-se para o interior de Angola, na zona do Negage, então cidade  de Carmona (actual Uíge), onde o pequeno Artur Queiroz frequentou a Escola Primária nº 78.  Foi também nesta localidade onde ele concluiu o  primeiro ciclo do Ensino Liceal,  para depois, na idade adulta,  se mudar para a cidade de Luanda, onde foi matriculado no  Liceu Salvador Correia.

 

Em Luanda, a sua menos notória actividade, foi a de promotor de venda na cervejaria, Nocal, em 1974, mas é na actividade jornalística  onde mais de destacou.  De acordo com registos, nunca permaneceu mais de um ano, em todos os  locais de trabalho ou redações por onde passou em Angola.

 

Apesar de nunca ter estudado jornalismo,  Artur Queiroz começou a sua actividade profissional, em 1966, como assistente literário na  então Emissora Oficial de Angola (EOA). Dai saiu passando por jornais e revistas da época até ter feito a passagem de promotor de venda na cervejeira  Nocal.  Em Setembro deste ano, que seria, o de 1974,  ele  regressaria para o EOA, mas desta vez ficando poucos meses,  por alegadas  incompatibilidades  editoriais com o então Director Geral, Alexandre Carvalho.

 

Artur Queiroz  teve passagem curta pelo  Diário de Luanda (DL), uma publicação estatal, da época, de onde saiu na sequência da nomeação de uma nova direcção para aquele jornal na pessoa de Virgílio Furtuoso. Porém, foi no  Jornal de Angola, então dirigido pelo seu amigo, Fernando Costa Andrade “Ndunduma”, que Queiroz interromperia, assim,   a sua carreira em Angola,  tendo abandonado o país com Luciano Rocha em Janeiro de 77.

 

De acordo com registos, o DL, foi encerrado no seguimento dos acontecimentos do “27 de Maio de 1977 ”.  Trabalhavam igualmente para esta publicação elementos ligados ao Partido Comunista Português (PCP) que foram expulsos.  Considerou-se que faziam o jogo dos “Nitistas”, o grupo pro- Nito Alves, então opositor interno de Agostinho Neto. Apesar de não estar claro que ele tenha sido expulso neste grupo, a versão que o mesmo apresenta tem sentido oposto. Alega que a sua saída do DL, deveu-se a perseguições de uma corrente conotada a  Nito Alves. A sua versão é vista como contraditória, uma vez que o jornal já estava sob controle dos Netistas, pelo que não havia como os Nitistas,  precipitarem a sua saída da publicação. 

 

De acordo com o cronista  Wilson Dadá,  “todos os que não temos memória curta, nos lembramos da postura bastante crítica que AQ assumia na altura em relação à linha ideológica do MPLA e à postura política do próprio Agostinho Neto, situando-se muito mais à esquerda do EME, onde de facto ele "militava" ao lado de outras sensibilidades que na altura já se opunham à estratégia dos "camaradas", recém-chegados das matas.”

O regresso a Portugal e postura critica ao regime angolano

De regresso a sua terra natal, Portugal, Artur Queiroz colaborou em várias publicações em circulação, na altura. Ao mesmo tempo assumiu-se como um critico ao  regime  angolano.  

 

Na década de 80, na sequencia do  aprisionamento  de Francisco Fernando da Costa Andrade “Ndunduma”, seu ex-DG ao tempo do Jornal de Angola, o jornalista Artur Queiroz usou as páginas do Jornal “Expresso”, em Portugal para escrever um dos  mais ferozes textos de difamação  contra o regime  de José  Eduardo dos Santos, já mais escrito além fronteiras.  O texto era em  defesa de Costa Andrade, e tinha como titulo “O socialismo de Sanzala e os intelectuais”.

O Regresso a Angola e a postura critica contra a sua própria pátria 

Em 1992, Artur Queiroz regressaria, então a Luanda, a convite do então DG da RNA, Agostinho Vieira Lopes, para uma agenda  de formação aos quadros daquela emissora  estatal.  Viu-se desiludido,  regressando, assim novamente a Portugal.

 

Antes de 2006, foram assinalados  contactos com familiares de Agostinho Neto para compilação da obra “Agostinho Neto – Uma Vida sem Tréguas” de que é seu co-autor.   Foi por intermedio desta  aproximação que Artur Queiroz se disponibilizou  a testemunhar em favor de Maria Eugenia  Neto, num processo judicial de crime de calunia e difamação movido pela falecida investigadora Dalila Cabrita, em finais de 2010.

 

Queiroz retomou contactos  com o regime angolano a partir de 2006, altura em que lóbis ligados ao general “Kopelipa”, o contrataram para se tornar director de publicações da Media Nova.  Não chegou a ocupar o cargo, porque os responsáveis do Media Nova desfizeram-se dele colocando-o a disposição de Aldemiro Vaz da Conceição que por sua vez,  o colocou no Jornal de Angola onde passou a assessorar o diretor-geral, José Ribeiro, auferindo um salário de 11.500 dólares americanos por mês.

 

Na pratica é ele quem contra a linha editorial de propaganda, no  Jornal de Angola. É o autor de textos  inclinados a pregação de calúnias e difamação contra todas as  forças opostas ao regime angolano. algumas vezes assina-os nas vestes de Álvaro Domingos.   Dedica-se também a  trabalhos de desinformação levantando fantasmas da guerra, que incentivam  ao odio, e a instabilidade no país. O seu próprio país, Portugal não é poupado nos seus ataques.

A sua figura como foco de instabilidade na redação  do Jornal de Angola 

Enquanto profissional ao serviço do Jornal de Angola, o jornalista Artur Queiroz é identificado como um dos factores de instabilidade interna, naquela redação. Acusam-lhe de ter um lado de difícil convivência.  Precipitou o afastamento de vários profissionais como Caetano Júnior, hoje adido de imprensa em São Tome. Usou as páginas do jornal para atacar o DG adjunto da publicação, Filomeno Manaças e de um outro administrador não executivo, Victor Silva.

 

Artur Queirós proibiu a publicação de textos de  articulistas como Jomo Fortuno, João Pinto, João Melo e outros.  Aceita apenas, textos de  um grupo de docentes universitários  da linha do músico,   Filipe Zau, seu amigo desde Portugal.

 

Nos últimos tempos,  juntou-se ao general António José Maria, chefe do Serviço de Segurança e Inteligência Militar, na qual lhe foi dada a missão de editar textos sobre o conflito militar (Batalha do Cuíto Cuanavale) enaltecendo o Presidente José Eduardo dos Santos, e, por outro lado, apresentando a UNITA com adjectivos impróprios para reconciliação nacional.

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