ImageLuanda - As autoridades fazem tenção de rever em breve o pacote de medidas restritivas, imposto ao comércio bancário, em especial ao mercado de câmbios. A iniciativa é atribuída a “avaliações internas” segundo as quais os efeitos das medidas, consideradas contra-indicadas, estão a revelar-se perversos.

Inicialmente os governantes relacionaram as medidas com um plano destinado a fazer face a efeitos nefastos provocados na economia angolana pela crise económica global. Recentemente foi acrescentado um dado novo: também se tratou de combater um “ataque especulativo” às reservas nacionais de divisas.

Com base neste dado novo circulam rumores segundo os quais o “ataque especulativo” foi um estratagema de bancos angolanos e/ou altos responsáveis dos mesmos; o propósito consistia em converter em USD os seus activos em KZ, ante uma prevista desvalorização abrupta da moeda nacional.

O “ataque especulativo”, de acordo com informações fiáveis, terá ocorrido, mas foi notado e contido a tempo. O volume das reservas diminuiu, sobretudo a partir de Dez.2008, embora não apenas devido a tal contingência; mantém-se, porém, acima de níveis considerados aceitáveis (cobre 10 meses de importações).

A resposta ao “ataque especulativo” consistiu em injectar grandes quantidades de USD e Euro no mercado cambial – oriundas das reservas; o objectivo foi o de manter a estabilidade da moeda (desvalorização de c 3%). Medidas complementares, restritivas, adoptadas nos planos da regulação e proteccionismo:

- Aumento para 30% das reservas dos bancos comerciais (fundos de garantia), em divisas e moeda nacional).
- Imposição de limites à aquisição de divisas no mercado formal.
- Redução das taxas de remuneração de aplicações em Kz.

Na sua natureza e alcance as medidas afastaram-se do modo como a crise económica está a ser internacionalmente enfrentada, inclusivé em África (injectar dinheiro na
economia e reduzir as taxas de juro, como forma de manter a actividade económica). O diferente procedimento de Angola terá sido devido a circunstâncias singulares – o “ataque especulativo”.

Apesar da crise e dos seus efeitos específicos no país o Governo estimou que a economia continuaria a crescer – embora a um ritmo mais moderado. O quadro actual e respectivas tendências de evolução não confirmam o cenário, sobretudo devido às restrições impostas ao comércio bancário.

A limitação da capacidade creditícia dos bancos foi afectada, não apenas comprometendo o lançamento/desenvolvimento de projectos de diversificação da economia, como perturbando a gestão da tesouraria de empresas e organismos do Estado; gerou desconfiança nos investidores privados.

Fonte:  África Monitor



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