L Aquila  - O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, disse hoje, em L Aquila, que a crise económica e financeira internacional afectou o crescimento das economias do continente africano.


José Eduardo dos Santos falava na cimeira de cúpula dos países mais desenvolvidos do mundo (G-8), com a participação de alguns países africanos, organismos e organizações internacionais mundiais.


O estadista acrescentou que aquele facto deve-se, "fundamentalmente à redução dos valores activos, sobretudo financeiros, detidos no estrangeiro; a redução das receitas minerais, como resultado da redução dos respectivos preços de exportação; o ressentimento do sector mineiro no seu nivel de actividade, investimento, rentabilidade e emprego", entre outros aspectos.


Neste quadro, mais do que encontrar soluções provisórias para se ultrapassarem problemas pontuais, importa rever todo o actual sistema económico e financeiro e pensar nos termos em que o mesmo possa ser reestuturado, de modo a que sirva numa perspectiva global os interesses de todos os povos e países,
asseverou.


Eduardo dos Santos defende aperfeiçoamento na supervisão dos bancos


 O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, referiu hoje, em L' Aquila, Itália, que começa a ser consensual a ideia de que é preciso aperfeiçoar e reforçar os mecanismos de regulação e supervisão dos bancos centrais e estreitar a cooperação entre si.

 

O presidente angolano falava na cimeira de cúpula dos países mais desenvolvidos do mundo (G-8), com a participação de alguns países africanos, organismos e organizações internacionais mundiais.

 

Igualmente, segundo José Eduardo dos Santos, deve-se definir os mecanismos de regulação de mercado financeiro internacional, sem pôr em causa as regras essenciais do mercado. "Falta agora passar das palavras aos actos", acrescentou.

 


Segundo o  presidente angolano, estando em curso a discussão sobre a reforma do sistema financeiro internacional e do monetário em especial, é desejável que África também tome parte activa neste processo que conduzirá a uma nova ordem e maior democratização do Fundo Monetario Internacional (FMI) no qual se deseja que o poder do continente seja ampliado, ajustando-se à realidade actual.

 

Solicitou a cooperação dos bancos centrais dos países do G-8 para operações financeiras que possam reforçar as reservas internacionais dos estados africanos, tais como linhas de financiamento em moedas livremenente disponíveis (as chamadas "swaps cambiais") e  créditos "stand by", no interesse de se estabelecer o equilíbrio da balança de pagamentos e de se gerir uma política mais eficaz, com vista a manter-se a trajectoria do crescimento económico.
 

"Esse apelo é especialmente dirigido à Reserva Federal dos Estados Unidos da América e ao Banco Central, assim como aos bancos centrais dos países mais ricos, como a Alemanha, a França e a Grã Bretanha, tendo em conta o papel que eles exercem nas instituições financeiras internacionais, principalmente o FMI", disse.

 

Para o Chefe de Estado angolano, uma outra solicitação seria a de uma maior cooperação e empenho dos Eximbanks e dos bancos de desenvolvimento ou de fomento dos países do G-8 para a abertura de linhas de financiamento de importações, que poderiam ser utilizadas por investidores do G-8 em aplicações directas nos menos desenvolvidos.

Ainda no âmbito do financiamento da balança de pagamentos, o Presidente disse: "gostariamos de solicitar renegociações da dívida externa com o Clube de Paris, que constitui um pesado ónus para o mesnos desenvolvidos e que seja garantido o princípio
da concessão de uma moratória longa no pagamento do capital e juros dessa dívida".


"No caso do meu país, por exemplo", afirmou, "este encargo financeiro faz com que a conta de capitais da balança de pagamentos fique num défice estimado em um bilião e quatrocentos milhões de dólares, o que contribui para que o seu défice final chegue a quase seis mil milhões de dólares".


Fonte: Angop



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